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Eduardo G. Souza e Lígia G. Souza.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

CONCEPÇÕES DA NOÇÃO DE DEUS

Vou chamar o Criador do Universo de Deus, embora esta entidade ou força tenha sido representada e é representada, por muitos termos diferentes, tais como Espírito Universal, Mente Superior, Força Criativa, Supremo Arquiteto, Causa Primeira, etc.

Há, basicamente, duas formas como Deus pode ser concebido:
Deus como uma ideia e Deus como uma entidade real, essa última, é a forma, como a maioria dos seres humanos pensa que é Deus.

Deus pode ou não existir como uma realidade objetiva?
A ideia de Deus tem existido em praticamente todas as culturas conhecidas. Mesmo dentro da tradição budista, "divindades" (Budas encarnados) vieram à existência, de acordo com a crença do povo comum, para a frustração de alguns monges e mestres budistas tradicionalistas. E também para a frustração de cientistas materialistas e ateus militantes, Deus continua a ser acreditado em todo o mundo. Isto então coloca um problema para os ateus militantes e cientistas materialistas, que esperavam que o desenvolvimento da Ciência como um sistema de ideias para explicar a realidade da natureza, a crença em Deus iria declinar. Portanto, eles procuraram entender por que as pessoas ainda se apegam ao conceito de Deus.

Já teologicamente existem três maneiras de conceber a ideia de Deus: Teísmo, Deísmo e Panteísmo.

- Teísmo
O Teísmo é a crença em um Deus pessoal distinto na natureza do mundo, mas ativo dentro dele. Esse é o tipo de Deus que os seguidores das religiões "reveladas" acreditam e esse tipo de Deus pode perdoar pecados, responder orações, realizar milagres e geralmente exige ser ou pelo menos gosta de ser adorado. As religiões "reveladas" são aquelas que acreditam que a natureza e a vontade de Deus são "reveladas" através de livros sagrados e/ou profetas. As principais religiões deste tipo são o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

- Deísmo
O Deísmo sustenta que a natureza e as atividades de Deus são completamente separadas de qualquer coisa no mundo e Deus não responde orações, não perdoa pecados, não faz milagres ou não precisa ser adorado. Deus não é geralmente pensado em um sentido pessoal.

No Deísmo, a fé não é necessária, pois os Deístas experimentam a Razão dada por Deus e sabem que, através do estudo da Cosmogênese, da Natureza e da Ciência, o homem pode conhecer Deus. Uma vez que existem evidências na Natureza e na Ciência da existência de Deus, a fé em sua existência não é necessária, pois sua crença é racional. O Deísta acredita racionalmente em Deus, em vez de ter fé nele, e a única oração que um deísta pode fazer é um agradecimento por o Homem ter sido criado um Ser Racional. Os Deístas não adoram a Deus como os teísta, eles são gratos e apreciam as coisas que Deus deu ao Homem como vida e os dons, como a Razão, e acreditam que exercitar esses dons é uma das melhores maneiras de mostrar afeição ao seu Criador.

- Panteísmo
O Panteísmo é a crença que sustenta que Deus não tem uma existência distinta do mundo ou do Universo. Em outras palavras, é a visão de que Deus é tudo e todas as coisas são Deus, incluindo uma árvore, pessoas, animais, uma rocha, o céu é Deus, o sol é Deus, você é Deus, etc. Se existe um mundo espiritual separado da existência material, ele também é Deus. O panteísmo é a base da crença de muitos cultos (por exemplo, o hinduísmo e o budismo em certa medida) e falsas religiões.  Vários cultos de unidade e unificação, como por exemplo, os “adoradores da mãe natureza" e os praticantes da Teoria denominada "Nova Era", são essencialmente panteísta e, como se poderia supor de tal teoria, sua crença em Deus pode ser muito vaga e difusa. De acordo com o panteísmo rigoroso até eventos como as guerras, o Holocausto, etc., foram Deus, mas muitos panteístas preferem não pensar a sua filosofia através de estudos que possam confrontar suas conclusões lógicas.

“Quando você olha para o céu noturno ou para as imagens do Telescópio Espacial Hubble, você fica dominado pelos sentimentos de admiração e deslumbramento com a esmagadora beleza e poder do universo? Quando você está no meio da natureza, em uma floresta, perto do mar, em um pico de montanha, você senti uma sensação de sagrado, como o sentimento de estar em uma vasta catedral? Você acredita que os seres humanos devem ser uma parte da natureza, ao invés de estar acima dela? Se você respondeu sim a todas essas perguntas, então você tem inclinações panteísta.” Dr. Paul Harrison. Elements of Pantheism: A Spirituality of Nature and the Universe (Elementos do Panteísmo: Uma Espiritualidade da Natureza e do Universo) (2013).

“Quando os panteístas científicos dizem ‘Reverenciemos o Universo’, não estão falando de um ser sobrenatural. Estão falando sobre o modo como nossos sentidos e nossas emoções nos obrigam a responder ao mistério e ao poder esmagadores que nos rodeiam. Somos parte do universo. Nosso planeta foi criado a partir do universo e um dia será reabsorvido pelo universo. Somos feitos da mesma matéria e energia do universo. Não estamos exilados aqui, estamos em casa. E nunca teremos a chance de ver o paraíso face a face, se acreditarmos que a nossa verdadeira casa não está aqui, mas em uma terra que está além da morte, se acreditarmos que o paraíso fulgurante só pode ser encontrado em livros velhos, em construções antigas, dentro de nossa cabeça ou fora desta realidade, então vamos ver a realidade, vibrante, luminosa, como se observássemos através de um vidro escuro. O universo nos cria, nos preserva e nos destrói. É profundo e velho além de nossa capacidade de alcançar com nossos sentidos. É bonito além de nossa capacidade de descrever em palavras. É complexo para além da nossa capacidade de compreender plenamente pela ciência. Devemos nos relacionar com o universo com humildade, temor, reverência e celebração. E buscar uma compreensão mais profunda, das maneiras pelas quais os crentes se relacionam com seu Deus, pela a adoração rastejante ou a expectativa de que há alguém lá fora que possa responder suas orações.” Carl Sagan, Pale Blue Dot (Pálido Ponto Azul) (1994).


Eduardo G. Souza. 

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