Liberdade.

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Porque não existe outra pretensão em nossos escritos, que não seja expressar o nosso pensamento, nossa forma de ver e sentir o mundo, o Homem e a Vida.
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Um grande abraço.
Eduardo G. Souza e Lígia G. Souza.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS





A Revolução dos Bichos 
George Orwell

Um verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século XX, “A Revolução dos Bichos” é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma fazenda contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos
Escrita em plena Segunda Guerra Mundial, foi publicada pela primeira vez no Reino Unido em 1945, depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.
O livro narra uma história de corrupção e traição e recorre a figuras de animais para retratar as fraquezas humanas e demolir o "paraíso comunista" proposto pela Rússia na época de Stalin.
A história conta que - sentindo aproximar-se sua hora, Major, um velho porco, reuniu os animais da fazenda para partilhar seu sonho: “serem governados por eles próprios, sem a submissão e exploração do homem”. Ensinou-lhes uma antiga canção, “Bichos da Inglaterra” (Beasts of England), que resume a filosofia do Animalismo, exaltando a igualdade entre eles e os tempos prósperos que estavam por vir, deixando os demais animais em êxtase com as possibilidades.
Porém, Major faleceu três dias depois, então, tomou a frente do movimento os astutos e jovens porcos Bola-de-Neve e Napoleão, que passaram a reunir-se clandestinamente a fim de traçar as estratégias da revolução. Certo dia, Sr. Jones, proprietário da fazenda, descuidou-se com a alimentação dos animais, fato este que se tornou a gota de água para os bichos. Sob o comando dos inteligentes porcos, os animais expulsaram os humanos da propriedade que passaram a chamar de “Fazenda dos Bichos”, e aprenderam os Sete Mandamentos, que, a princípio, ganharam a seguinte forma:
“1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo; 2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo; 3. Nenhum animal usará roupas; 4. Nenhum animal dormirá em cama; 5. Nenhum animal beberá álcool; 6. Nenhum animal matará outro animal; 7. Todos os animais são iguais.”
Os porcos resumiram os mandamentos apenas na máxima "Quatro pernas bom, duas pernas mau" que passou a ser repetido constantemente pelas ovelhas.
Os animais tentavam criar uma sociedade utópica, porém Napoleão, seduzido pelo poder, expulsou Bola-de-Neve da fazenda, alegando sérias acusações contra o antigo companheiro. Acusações estas que se prolongam durante toda história, mesmo após o desaparecimento de Bola-de-Neve, na tentativa de encobrir algo ou mesmo ter alguma explicação sobre os fracassos da revolução, criando-se um mito em torno do porco que, a partir dali, passou a ser considerado um traidor.
Napoleão apoderou-se da ideia de Bola-de-Neve de construir um moinho de vento para gerar energia, e deu início à sua construção. Algum tempo depois, os porcos começaram a negociar com os agricultores da região, descumprindo a resolução de não fazer contato com os humanos, apontando essa ideia como mais uma invenção de Bola-de-Neve. Os porcos passaram a viver na antiga casa de Sr. Jones e começaram a modificar os mandamentos que estavam na porta do celeiro:
“4. Nenhum animal dormirá em cama ‘com lençóis’; 5. Nenhum animal beberá álcool ‘em excesso’; 6. Nenhum animal matará outro animal ‘sem motivo’; 7. Todos os animais são iguais, ‘mas alguns são mais iguais que os outros’.”
Napoleão foi declarado líder por unanimidade, e estabeleceu uma ditadura tão corrupta quanto a sociedade de humanos. As condições de trabalho degradaram-se, os animais sofrem um novo ataque humano e começam a lembrar-se que na época em que estavam submissos ao Sr. Jones era melhor, o slogan das ovelhas foi modificado passando a ser: “Quatro pernas bom, duas pernas melhor!”, pois agora os porcos andavam sobre as duas patas traseiras.
Napoleão, os outros porcos e os agricultores da vizinhança celebram, em conjunto, um acordo sobre a produtividade da “Fazenda dos Animais”. Os outros animais passaram a trabalhar arduamente em troca de míseras rações.
No final, os animais, olhavam para a casa, antes ocupada pelo Sr. Jones e agora viam os porcos vivendo em considerável luxo em relação aos demais animais, E o pior, viam Napoleão e outros suínos jogando carteado com Frederick e Pilkington, donos das fazendas vizinhas, e celebrando a prosperidade que os seus acordos proporcionavam às suas fazendas. Numa visão confusa, os animais já não conseguiam distinguir os porcos dos homens. mas eram sempre lembrados da “proclamada liberdade”, por sábios discursos suínos, principalmente os proferidos por Garganta, um porco com especial capacidade persuasiva.
Assiste-se assim a um escárnio grotesco da sociedade humana.
De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos - expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História - mimetizam os que estavam em curso na União Soviética.
Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram “A revolução dos bichos” a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo.
Depois das profundas transformações políticas que mudaram a fisionomia do planeta nas últimas décadas, a obra-prima de Orwell pode ser vista sem o viés ideológico reducionista. Mais de sessenta anos depois de escrita, ela mantém o viço e o brilho de uma alegoria perene sobre as fraquezas humanas que levam à corrosão dos grandes projetos de revolução política. É irônico que o escritor, para fazer esse retrato cruel da humanidade, tenha recorrido aos animais como personagens. De certo modo, a inteligência política que humaniza seus bichos é a mesma que animaliza os homens.
O livro extrapola a questão dos desvios que a revolução russa tomou. Poderíamos reconhecer diversos ditadores nas atitudes do personagem Napoleão: Fidel Castro em Cuba; Augusto Pinochet no Chile; Hugo Chávez na Venezuela; Slobodan Milosevic na Sérvia e na Iugoslávia; Mao-Tse-Tung na China; Idi Amin Dada em Uganda; Kim Il-sung na Coreia do Norte ou Pol Pot (Saloth Sar), no Camboja. A ficha criminal da humanidade está aí para provar. A história da humanidade está cheia de casos de abuso de poder. “O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente”, Lord Acton (John Emerich Edward Dalberg-Acton, 1º barão Acton, historiador britânico).  
Em nosso caso em particular, os porcos não contam com a ajuda dos cães, pois além de não os cooptar, como aconteceu em quase todos os casos, os porcos ainda os hostilizam. Isso garantiu, de certa forma, que os porcos não dominassem totalmente a “Fazenda dos Animais”, instituindo um regime totalmente totalitário, como aconteceu nos casos acima mencionados. Quem quiser saber melhor sobre o papel dos cães, é só ler o livro!
Escrito com perfeito domínio da narrativa, atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de personagens e situações, A revolução dos bichos combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias: a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift (um escritor anglo-irlandês, panfletário político, poeta e clérigo) seu representante máximo.
É preciso que esta fábula moderna continue contribuindo para alertar a humanidade dos perigos da ascensão de certos líderes com discursos demagógicos, cujos conteúdos disfarçam intenções ulteriores e cujas promessas de prosperidade e liberdade costumam favorecer apenas uma minoria. George Orwell nos ensina, enfim, a reconhecer ‘porcos’ disfarçados de ‘homens’.
O livro é encontrado na integra em: http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/animaisf.pdf

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

PATRIOTISMO







A definição padrão do dicionário da língua portuguesa, diz: Patriotismo é amor ou devoção a pátria!
A maior parte dos dicionários concordam com esta definição.
No estudo filosófico do assunto, Stephen Nathanson(1) (1993) define o patriotismo como envolvendo: o amor especial para o próprio país; o senso de identificação pessoal com o país; a especial preocupação pelo bem-estar do país; e a disposição a sacrificar para promover o bem da Pátria.
Assim, o patriotismo pode ser definido como o amor à Pátria, a identificação com ela e a preocupação especial pelo bem-estar dos compatriotas.
Esta é apenas uma definição. Uma descrição mais completa do patriotismo envolvendo conceitos filosóficos, psicológicos e epistemológicos, está além do escopo deste texto. Tal estudo analisaria as crenças do patriota sobre os méritos de seu país, sua necessidade de pertencer a um grupo e ser parte de uma narrativa mais abrangente, está relacionado com um passado e um futuro que transcendem os limites estreitos de um a vida do indivíduo e suas preocupações mundanas, bem como as condições sociais e políticas que afetam o refluxo e o fluxo de patriotismo, sua influência política e cultural, e muito mais.
Muitos pensam no patriotismo como uma expressão natural e apropriada do amor à Pátria em que nascemos e crescemos e de gratidão pelos benefícios da vida em seu solo, entre suas pessoas e sob suas leis. Eles também consideram o patriotismo como um componente importante de nossa identidade. Alguns vão mais longe e argumentam que o patriotismo é moralmente obrigatório, ou mesmo que é o núcleo da moral social.
O patriotismo nos dias de hoje é como o Natal - muitas pessoas envolvidas em uma atmosfera festiva repleta de luzes e espetáculos. Nós ouvimos lembretes sobre "o verdadeiro significado" do Natal - e podemos até mesmo pensar alguns momentos sobre esses lembretes, mas cada um de nós gasta mais tempo e pensamento na festa, nos presentes e em outras parafernálias de um feriado secularizado, do que aprofundamos nossa devoção ao verdadeiro significado do Natal. Isso, também acontece com patriotismo, pensamos no que vamos fazer no dia da Independência, no dia de Tiradentes, etc. Peça a um cidadão para discorrer sobre o significado do feriado nacional e com poucas exceções, você receberá um pastel de respostas ou uma negativa do conhecimento, muitas serão superficiais e muitas vezes erradas.
Os fundadores da nossa Pátria, os homens e as mulheres que nos deram razões para nos orgulharmos de nosso país e sermos patriotas, pensariam que perdemos nosso caminho e nos transformamos em pessoas ignorantes, se pudessem nos ver agora.
No entanto, há dias em que sentimos que o patriotismo está sendo atacado e abatido. Diariamente somos bombardeados com notícias negativas, ruins e estarrecedoras pelos órgãos de imprensa e pela internet. Então é fácil perder todos os motivos que teríamos para nos orgulharmos do nosso país. O Brasil é um lugar incrível com pessoas incríveis, certamente! Pelo menos essa era a ideia daqueles que observavam nosso país a distância. Hoje atingido pelas notícias que nos constrangem, o mundo está mudando sua visão de nosso país, e muitos estarrecidos perguntam – “como um país tão bonito, com uma natureza tão linda, pode ser tão corrupto e violento?”
O patriotismo não é uma confiança cega em qualquer coisa que os líderes políticos nos digam ou façam. O patriotismo não está simplesmente comparecer para votar. Você precisa saber muito mais sobre o que motiva um eleitor antes de julgar seu patriotismo. Ele pode estar votando só porque quer ganhar algo às custas de outra pessoa ou da sociedade. Talvez ele não se preocupe com o fato de o político que ele escolheu ser um corrupto mau-caráter. Lembre-se da sabedoria do Dr. Johnson(2): "A alegação do patriotismo é o último refúgio de um canalha".
Apesar de tudo isso precisamos não nos esquecemos de que ainda precisamos amar nosso país, respeitar a natureza manifestação de Deus e cuidar dos nossos cidadãos.
Patriotismo é mais que devoção a pátria, é respeito a pátria e aos cidadãos!
Devemos fazer tudo o que pudermos para ajudar os brasileiros a se sentir orgulhosos do nosso país. Nossos programas de educação escolar pública devem voltar a incutir o patriotismo e a paixão pelo Brasil na nossa próxima geração, assim como aconteceu com a maioria de nós no passado. O ponto mais importante é mostrarmos que o patriotismo ainda é relevante para nosso país, e que poderá ser incentivado com ações cívicas que eram comumente desenvolvidas nas Instituições Educacionais no passado, tais como o culto ao pavilhão nacional, o conhecimento dos hinos pátrios, estudo da estrutura e organização do país, além da disseminação dos valores cívicos e morais da nossa sociedade.
Devemos, no entanto, ter atenção as diferenças entre o patriotismo e o nacionalismo, esses conceitos muitas vezes são confundidos pela falta de clareza devido à dificuldade em distinguir os dois. Muitos autores usam os dois termos de forma intercambiável. No século XIX, Lorde Acton(3) diferenciou nacionalidade e patriotismo, definindo o primeiro como o amor e uma relação moral com a Pátria. Já a nacionalidade ele definiu como nossa conexão com a raça que é meramente natural ou física, enquanto o patriotismo é a consciência de nossos deveres morais para a comunidade política. No século XX, Elie Kedourie(4) definiu o nacionalismo como uma doutrina filosófica e política de pleno direito sobre as nações como unidades básicas de humanidade dentro das quais o indivíduo pode encontrar liberdade e realização e o patriotismo como um sentimento de amor para o seu país.
George Orwell(5) comparou os dois em termos de atitudes agressivas versus defensivas. O nacionalismo é a conquista d o poder, seu intento é adquirir o máximo de poder e prestígio possível para a sua nação, no qual submergem as individualidades. Enquanto o nacionalismo é, portanto, agressivo, o patriotismo é defensivo, é uma devoção a um país e a um modo de vida que se pensa melhor, mas não se deseja impor aos outros.
Não é hora de olhar para trás, mas olhar para a frente, para o futuro!
Patriotismo envolve responsabilidade pessoal. Nossa liberdade é proporcionada e sustentada a um preço elevado.
Ainda existem poucas organizações institucionais (como as Forças Armadas) e sociais (como a Maçonaria), que buscam inspirar o amor à Pátria e o culto aos símbolos e valores nacionais, e lembrar aos jovens o que é patriotismo, e procuram compartilhá-lo com os outros, envolvendo os familiares e amigos em atividades comunitárias e de responsabilidade civil.
Finalizamos, com a Declaração de Arbroath(6): "Não é por honra, glória ou riqueza que lutamos, mas somente pela liberdade, e nenhum homem bom desiste dessa luta, exceto com o sacrifício de sua vida".
Eduardo G. Souza

(1)  Stephen Nathanson é professor emérito em filosofia na Northeastern University, Boston, Massachusetts. Ele se formou com honras em filosofia no Swarthmore College e o doutorado em filosofia pela Universidade Johns Hopkins.
(2)  Samuel Johnson, também conhecido em língua inglesa como Dr Johnson, foi um escritor e pensador inglês conhecido por suas notáveis contribuições à língua inglesa como poeta, ensaísta, moralista, biógrafo, crítico literário e lexicógrafo.
(3)  John Emerich Edward Dalberg-Acton, 1º barão Acton, foi um historiador britânico. Foi diretor da revista católica The Rambler desde 1859. Opôs-se ao Syllabus, documento de oitenta pontos, publicado pela Santa Sé em 1864, durante o papado de Pio IX.
(4)  Elie Kedourie, foi um historiador britânico sobre o Oriente Médio. Ele escreveu de uma perspectiva conservadora, dissidente de muitos pontos de vista considerados como ortodoxos no campo. Ele lecionou na London School of Economics de 1953 a 1990. Uma contribuição dele para o estudo do nacionalismo, foi quando ele lançou seu livro, o “Nacionalismo”, em 1960, com as condições prevalecentes em 1992, quando ele saiu de cena.
(5)  Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudónimo George Orwell, foi um escritor, jornalista e ensaísta político inglês, nascido na Índia Britânica. Sua obra é marcada por uma inteligência perspicaz e bem-humorada, uma consciência profunda das injustiças sociais, uma intensa oposição ao totalitarismo e uma paixão pela clareza da escrita. George Orwell demonstrou sua hostilidade ao estalinismo e pelo socialismo soviético, em um regime que Orwell criou em seu romance satírico “A Revolução dos Bichos”.
(6)  A Declaração de Arbroath é um documento de declaração da Independência da Escócia perante o domínio do Reino da Inglaterra. Foi escrita em latim, em 1320, seis anos após a Batalha de Bannockburn e enviada para o Papa João XXII, para o reconhecimento de Robert the Bruce como Rei da Escócia.


terça-feira, 30 de janeiro de 2018

PORQUE ALGUMAS PESSOAS SÃO AGRESSIVAS NAS REDES SOCIAIS






A raiva é uma emoção humana normal e natural. É, de fato, uma das mais básicas de todas as experiências humanas. Todo mundo já sentiu raiva em um ponto em suas vidas e alguns de nós canalizaram essa raiva para a violência, outros não. Muita raiva sobre o que ultimamente está acontecendo, tem sido acumulada e expressa. Se fosse um pouco maior, estaríamos acumulando sacos de areia contra nossas portas e janelas, e trocando tiros nas ruas. Mas de onde ela vem? E por que é tão frequentemente dirigida a alvos estranhos?
Na verdade, a raiva não é de tudo ruim. Sem a raiva, injustiças graves não seriam respondidas, seríamos menos motivados para nos protegermos e talvez não tivéssemos sobrevivido como uma espécie.
No entanto, desde uma idade muito jovem, muitos de nós são bombardeados com a mensagem de que a raiva é ruim. Durante o período de nosso desenvolvimento emocional, quando somos altamente suscetíveis à pressão social de pais, cuidadores e professores, aprendemos que para sermos "bons" devemos desenvolver o autocontrole e esconder os sentimentos de raiva. Quando as pessoas aprendem que não podem expressar raiva abertamente, honestamente e diretamente dentro dos relacionamentos, a emoção não desaparece. Em vez disso, muitos de nós aprendemos a expressá-la em formas alternativas e secretas, muitas vezes através de comportamentos agressivos.
Mas, enquanto a raiva não gera a agressão tudo bem, entretanto, quando a raiva é canalizada para a agressão, são muito fáceis de fazerem vítimas, e, muitas vezes, por motivos mais insustentáveis do que se pensa, o que raramente é benéfico para qualquer um. Afinal, foi Sigmund Freud quem disse: "A raiva leva ao medo, o medo leva ao ódio e o ódio leva ao lado negro".
É importante diferenciar raiva e agressão. A raiva é o estado de excitação emocional e fisiológica. Você pode ficar com raiva de alguém ou de alguma coisa, mas optar por não se comportar agressivamente com alguém como resultado dessa raiva. Esse tipo de comportamento é considerado maduro. Da mesma forma, você pode ser muito agressivo com alguém (por exemplo, assaltá-lo), sem se irritar com essa pessoa (as probabilidades são que você não conhece nada sobre ele, além do fato de que ele tem objetos de valor que você quer), isso é considerado imaturo.
Existem muitas teorias sobre a agressividade humana. Mas uma questão interessante é por que as pessoas ficam tão irritadas com coisas relativamente inconsequentes tão frequentemente nos dias de hoje.
Os diversos autores têm procurado distinguir os termos ‘agressão’ e ‘comportamento agressivo’. Comportamento agressivo pode ser caracterizado por ataques verbais. A agressão é uma ação destrutiva contra si mesmo e/ou contra outros.
Psicologicamente, é um assunto complexo (como as emoções tendem a ser). A agressão (em humanos) é definida por Anderson(1) e Bushman(2) como "qualquer comportamento dirigido a outro indivíduo, que seja realizado com a intenção próxima (imediata) de causar danos. Além disso, o perpetrador deve acreditar que o comportamento causará danos e que o alvo está motivado para evitar o comportamento". Alguém está fazendo algo que você não gosta (por exemplo, uma pessoa que expressa opiniões contrárias as suas), você faz algo contra ele que você sabe causará danos (por exemplo, ofendê-lo ou ameaçá-lo), o que você espera é que ele não vá responder para evitar que você faça isso novamente (por exemplo, que essa pessoa pare de expressar suas opiniões).
A hostilidade é o componente cognitivo da agressão. É o que você pensa, que leva a um comportamento agressivo. A agressão hostil é quando você reage de forma agressiva e impulsiva a ameaças ou insultos percebidos. Por outro lado, a agressão instrumental é quando você usa a agressão para adquirir objetivos a longo prazo. Uma pessoa que aborrece abertamente você numa rede social, na frente de outros, provavelmente está usando a agressão instrumental para se promover às suas custas. Você, subsequentemente, responde de forma agressiva, ofensiva ou ameaçadora, isso é agressão hostil.
A hipótese da frustração-agressão diz que nos irritamos quando somos frustrados, quando nossos desejos, objetivos ou expectativas são frustrados. Há tantos motivos para isso nos dias de hoje, a Lei nos diz todas as coisas que podemos e devemos fazer, mas na hora de aplicação da Lei vemos algumas instituições tergiversar, a mídia nos diz como está terrível a economia, a política e tudo mais, a internet garante que tenhamos um fluxo constante de informações potencialmente frustrantes, é fácil ver porque as pessoas vivem em um estado permanente de raiva fervente.
No entanto, muitas vezes é difícil fazer qualquer coisa sobre essas frustrações, por isso é provável que resulte em agressão deslocada. Então, se você não pode alterar o que está lhe frustrando, você pode se voltar contra algo ou alguém que tenha menor possibilidade para prejudicá-lo se reagir. A agressão deslocada desenvolve uma variedade de comportamentos projetados contra outra pessoa, sem que o outro reconheça essa raiva subjacente. A excitação da raiva não se dissipa rapidamente, portanto, muitas vezes é transferida para alvos menos merecedores, mas mais convenientes.
Sua vida não está indo como você esperava e sua situação é uma merda? Pode não ser sua culpa! São aqueles malditos políticos, comunistas, etc., que estão arruinando a sociedade e atrapalhando o processo. Mas graças à internet, agora você tem ampla oportunidade de se vingar.
Você não pode perder um debate numa rede social! Há uma predisposição natural das pessoas para reconhecer questões controversas, defender posições e refutar posições opostas. Assertividade e argumentação são vistas como predisposições construtivas. A assertividade é a arte de defender o seu ponto de vista sem recuar e sem agredir, inclui ser vigoroso, firme, usando o raciocínio para defender posições pessoais, enquanto refuta as posições dos adversários, sem ofendê-los.
O importante em qualquer discussão, é colocar o que você pensa, respeitando a opinião do outro.
Alguns indivíduos profundamente desagradáveis ​​ficam muito bravos e agressivos quando são compartilhadas ideias contra aquilo que elas acreditam. As pessoas ficam muito irritadas com essas pessoas que enviam informações, notícias ou comentários em geral, que vão contra sua opinião, e fazem de tudo para detê-las. Algumas pessoas ficam com raiva dessas pessoas, e assumem, por sua vez, uma postura agressiva, por não obter as soluções ou respostas que elas queriam. As pessoas ficam muito irritadas com a suposta lógica por trás desses comentários. As pessoas ficam muito bravas com essas pessoas que estavam zangadas com as postagens ou os comentários.
Pode chegar um ponto que pessoas desconhecidas passam a se insultar, se agredir verbalmente e até fazerem ameaças. A agressividade Verbal é uma predisposição para atacar a integridade e o autoconceito do outro. Esse comportamento, geralmente considerado uma forma destrutiva e negativa de comunicação, fica muito complexo explicá-lo.
A agressividade verbal é vista como uma deficiência da habilidade do raciocínio lógico e das habilidades verbais necessárias para lidar com os desentendimentos normais e as frustrações diárias. A falta de habilidades de argumentação é um catalisador da agressão verbal, da violência. Em geral, quanto mais um indivíduo é rico em argumentação, menos ele é propenso a agressividade verbal.
Na verdade, a agressão verbal é um ataque pessoal, que objetiva insultar e ofender o outro, ao invés confrontar o seu pensamento ou a sua posição. Os indivíduos que lançam mão da agressão verbal são vistos como menos credíveis, têm comportamentos sociais menos satisfatórios e, em geral, recorrem a agressões físicas com mais frequência. As consequências da agressão verbal incluem: baixo autoconceito, frustração, ansiedade, raiva, ressentimento, constrangimento e até agressão física.
Essa é uma coisa que a internet faz bem! Ao mesmo tempo que ela oferece coisas amargas para nos irritar, pois não temos o poder mudar ou nos afastar, ela nos oferece muitas avenidas para deslocar e ventilar nossa raiva.
Obviamente, na verdade a questão é muito mais complexa, assumindo fatores societários, evolutivos e psicológicos além do alcance de uma única postagem na internet. Sou só um estudioso do comportamento humano.
Como você chegou até aqui, temos um pequeno favor para pedir. Não deixe sua raiva transformar-se em agressão verbal, lembre-se que o seu opositor, na maior parte das vezes, não é o responsável pelo que está acontecendo, ele pode ser uma vítima como você. A falta de habilidade no gerenciamento de conflitos, é uma razão primordial da violência nas relações pela internet. Saber quando parar de discutir é uma arte e também uma habilidade de comunicação. Então como você pode ver, precisamos de sua ajuda. Fazemos esse pedido porque acreditamos que nossa perspectiva é importante e porque também pode ser a sua perspectiva.
Eduardo G, Souza.

(1)  Craig A. Anderson é professor e diretor do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Iowa em Ames. Obteve seu doutorado na Universidade de Stanford em 1980. Ele realizou pesquisas sobre os efeitos dos videogames sobre as crianças. Ele foi professor da Rice University, Ohio State University e da Universidade de Missouri. Sua pesquisa examinou a associação potencial entre conteúdo violento dos videogames e a violência. Atualmente é membro do Conselho Executivo da Sociedade Internacional de Pesquisa sobre Agressão.
(2)  Brad J. Bushman é professor de comunicação de massa da Universidade Estadual de Ohio e consultor em psicologia. Publicou vários trabalhos sobre as causas e consequências da agressão humana. Seu trabalho questionou a utilidade da catarse e relaciona-se também com os violentos efeitos do videogame sobre a agressão. Licenciado em psicologia pela Weber State College (agora Universidade Estadual de Weber) em 1984, Ph.D. na Universidade do Missouriem em 1989 e possui três mestrados em psicologia, estatística e pedagogia.
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domingo, 21 de janeiro de 2018

PSICOPATA OU SOCIOPATA?




Temos visto em vários artigos nos jornais e em postagens na internet, políticos serem tachados hora de psicopatas, hora de sociopatas. Mas, afinal, eles são psicopatas ou sociopatas?
Estes dois termos não estão bem definidos na literatura da psicologia, daí a confusão sobre eles.
Bem, todos nós já assistimos filmes ou séries de TV onde um cara mau faz coisas extremamente bizarras de uma forma incrivelmente bem calculada, ele pode planejar ataques, cometer fraude, roubar ou ferir pessoas com uma completa falta de preocupação com suas ações. Ao ver essas pessoas, tendemos a marcá-las imediatamente como psicopatas. Em outras ocasiões, as pessoas usam o termo sociopata em vez disso.
Mas, existe uma diferença entre os dois? E quais são essas diferenças?
Vamos tentar esclarecer... Existem algumas semelhanças gerais, bem como diferenças entre esses dois tipos de personalidades patológicas.
Olhem, não existe uma resposta consensual e você verá muitas opiniões conflitantes. Algumas pessoas acreditam que a pessoa nasce psicopata, enquanto os sociopatas são criados, produtos de infâncias difíceis e ambientes domésticos traumáticos. Outros dizem que a sociopatia é apenas o último degrau para a psicopatia. Não há consenso geral.
As características comuns de um psicopata e um sociopata residem em seu diagnóstico compartilhado - transtorno de personalidade antissocial. Alguém que apresente três ou mais dos seguintes traços é diagnosticado como portador de um transtorno de personalidade antissocial:
- Regularmente quebra ou viola a lei; - Constantemente mente e engana os outros; - É impulsivo e não planeja com antecedência; - É ser propenso à luta e à agressividade; - Tem pouca consideração pela segurança dos outros; - É irresponsável, pode não cumprir obrigações financeiras e legais; - Não sente remorso ou culpa.
Em ambos os casos, alguns sinais ou sintomas estão quase sempre presentes antes da adolescência, eles mostram que a pessoa está a caminho de se tornar um psicopata ou sociopata.

- Psicopatas.
Os psicopatas são portadores de uma psicopatia, um transtorno de personalidade encontrado entre os seres humanos. Ao contrário de muitas outras doenças, esta é um dos distúrbios mais difíceis de detectar em seres humanos, pois os pacientes parecem absolutamente normais no exterior, sem apresentar sintomas óbvios (como normalmente ocorrem em distúrbios biológicos) que possam ser detectados usando os equipamentos médicos tradicionais. Os psicopatas podem exibir comportamentos de manipulação, não demonstrar respeito pela segurança ou pelo bem-estar dos outros ao seu redor, serem extremamente voláteis e serem desprovidos de qualquer empatia ou consciência. Mas, os psicopatas geralmente podem ser vistos pelos outros como sendo charmosos e confiáveis, mantendo empregos estáveis ​​e normais. Podem ainda, ter família ou um relacionamento amoroso aparentemente normal com um parceiro.

- Sociopatas.  
Devido a muitas semelhanças em seus comportamentos, os sociopatas, ou seja, pessoas que sofrem de sociopatia (um termo informal referente a um padrão de atitudes antissociais) nem sempre são facilmente discerníveis dos psicopatas. Ainda assim, o termo "sócio" ligado à palavra sociopatia nos dá a ideia de que, ao contrário da psicopatia, a sociopatia tende a se desenvolver devido ao ambiente em que vivem os sociopatas. Eles geralmente têm um senso grandioso de si, exibem emoções rasas e comportamento impulsivo, e também pode ter uma persistente necessidade de estimulação. Os sociopatas, em geral, tendem a ser mais impulsivos e erráticos em seu comportamento do que seus homólogos psicopatas. Apesar de terem dificuldades em formar ligações a outros, alguns sociopatas podem formar um elo com um grupo ou pessoa de mentalidade semelhante. Ao contrário dos psicopatas, a maioria dos sociopatas não mantém empregos de longo prazo ou apresentam uma vida familiar normal.

- Natureza da desordem.
Os psicólogos acreditam que os psicopatas nascem com o transtorno, o que significa que eles têm uma predisposição genética para tendências psicopatas. A psicopatia pode estar relacionada a diferenças fisiológicas do cérebro, pesquisa médica mostra que os psicopatas tendem a ter cérebros que são estruturalmente diferentes do cérebro de pessoas normais. Mais especificamente, as áreas do cérebro responsáveis ​​pelo controle de impulsos e da regulação emocional podem estar subdesenvolvidas em psicopatas.
Na maioria dos casos, os sociopatas não nascem com qualquer transtorno. Em vez disso, eles se tornam o que são, devido a vários fatores ambientais, como sua educação, trauma infantil ou uma história de abuso emocional. Como resultado, eles tendem a ser mais impulsivos e menos calculados em suas decisões e ações.

- Consciência.
A consciência é uma aptidão, faculdade, intuição ou julgamento que ajuda a distinguir o certo do errado. É um sentimento interior ou uma voz considerada como um guia para a correção do comportamento. Ela faz parte integrante em todas as nossas ações, especialmente nos "erros". Em termos psicológicos, a consciência é muitas vezes descrita como o sentimento de remorso quando o ser humano comete ações que vão contra suas normas e valores.
De acordo com L. Michael Tompkins(1), os psicopatas não têm consciência. Em outras palavras, eles não vão se sentir mal, não sentirão nenhum escrúpulo moral, se eles mentirem sobre algo importante, roubar ou machucar alguém, embora eles possam fingir. Eles podem demonstrar exteriormente arrependimento, mas eles não vão realmente sentir isso, pois em geral esse arrependimento é apenas para sustentar indiretamente suas ações e iludir as pessoas (por exemplo, estou arrependido de ter acreditado nele...). Os psicopatas raramente sentem culpa em relação a qualquer um de seus comportamentos, não importa o quanto eles prejudiquem os outros.
Os sociopatas, por outro lado, têm uma consciência, embora seja fraca, que não poderá impedir que eles façam algo que pensam ser errado ou imoral. Em outras palavras, antes de cometer uma fraude, eles sabem que o que eles estão prestes a fazer é errado, mas isso não impedirá que eles realmente o façam.

- Empatia.
Outra característica da personalidade que dita a maioria de nossas ações é a empatia. Existem muitas definições de empatia que abrangem uma ampla gama de estados emocionais. A empatia é a capacidade de sentir as emoções de outras pessoas, é a capacidade de colocar-se na posição da outra pessoa, juntamente com a capacidade de imaginar o que alguém poderia estar pensando ou sentindo, experimentando-os para nós mesmos através do poder da imaginação.
Embora tanto os psicopatas quanto os sociopatas falhem em simpatizar, de acordo com Aaron R. Kipnis(2), os psicopatas não têm nenhum respeito pelos outros. Eles podem usar os outros para o seu próprio bem com total desrespeito ao bem-estar dos outros ou mesmo à sobrevivência.
Os psicopatas tendem a ser bastante bons em ocultar e manipular suas emoções, o que, em geral, dificulta a formação de vínculos emocionais reais com os outros. Em vez disso, eles formam relações artificiais e pouco profundas, projetadas para serem manipuladas da maneira que mais beneficie os psicopatas. Como resultado, eles parecem absolutamente normais, às vezes até charmosos ou confiáveis. Eles também podem ser bastante inteligentes (por exemplo, Hannibal Lecter).
Os sociopatas, por outro lado, têm dificuldade em se misturar e interagir com as pessoas, muitas vezes tornando-se meio ou totalmente “estranhos” em um grupo.
Tanto os sociopatas quanto os psicopatas têm um padrão generalizado de desrespeito pela segurança e pelos direitos dos outros. As pessoas são vistas como peões para serem usadas para encaminhar os seus objetivos. O engano e a manipulação são características centrais para ambos os tipos de personalidade.

- Mais perigoso?
Embora tanto os psicopatas como os sociopatas representem riscos e uma ameaça para os membros da sociedade em que vivem, porque muitas vezes tentam viver uma vida normal enquanto lidam com sua desordem. Os primeiros podem ser considerados mais perigosos, pois não têm consciência, nem experimentam quase nenhum sentimento de culpa associada às suas ações.
Mas, nem todos são perigosos! Ao contrário da crença popular, os psicopatas ou os sociopatas não são necessariamente violentos.
Há uma coisa incrivelmente importante que se deve ter em mente .... Só porque uma pessoa sofre de um transtorno de personalidade, não significa que ela seja perigosa para as pessoas ou a sociedade em geral. Deve entender-se que tais distúrbios estão fora do controle dos indivíduos, e que mesmo as pessoas normais podem mostram um comportamento sociopático em certas situações. As pessoas que sofrem de distúrbios de personalidade podem ter problemas para se adaptar ao modo de vida "convencional", mas isso não significa que desejem prejudicar os outros.

- Vida criminosa.
Quando um psicopata se envolve comportamentos criminosos, ele tende a fazê-lo de forma a minimizar o risco para si mesmo. Ele planejará cuidadosamente as atividades criminosas para garantir que não seja pego, tendo planos de contingência preparados para todas as contingências.
Quando um sociopata se envolve em comportamentos criminosos, ele pode fazê-lo de forma impulsiva e em grande parte não planejada, com pouca consideração pelos riscos ou consequências de suas ações. Ele pode ficar agitado e irritado facilmente, às vezes resultando em explosões violentas.
Ambos, os psicopatas e os sociopatas, são capazes de cometer crimes horríveis, mas os sociopatas são menos propensos a praticá-los contra aqueles com quem mantém um vínculo. Os psicopatas, por exemplo, são muito mais propensos a ter problemas com a lei, enquanto os sociopatas são muito mais propensos a ferir as regras da sociedade.

Psicopatia e sociopatia são diferentes títulos culturais aplicados ao diagnóstico de transtorno de personalidade antissocial. Cerca de 3% da população pode ser diagnosticada como portadora de um transtorno de personalidade antissocial. Esse distúrbio é mais comum entre os homens, e é detectado principalmente em pessoas com problemas de abuso de álcool ou substâncias tóxicas, ou em indivíduos encarcerados. Os psicopatas tendem a ser mais manipuladores, podem ser vistos pelos outros como mais charmosos, levam a aparência de uma vida normal e minimizam o risco em atividades criminosas. Os sociopatas tendem a ser mais erráticos, propensos a raiva e incapazes de levar a maior parte de uma vida normal.
Afinal, quem tem razão? Você chegou a uma conclusão... Quem está certo, aqueles que afirmam serem os políticos, em geral, psicopatas ou os que dizem serem eles sociopatas? Você decide!
Eduardo G. Souza

(1)  O Dr. Tompkins é um psicólogo clínico, que atua principalmente no tratamento de pessoas sofrem de dor crônica, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), estresse e ansiedade.
O Dr. L. Michael Tompkins formou-se em psicologia com a vocação de ajudar as pessoas, trabalhando com encarcerados na Instituição Correcional Tehachapi, na Califórnia, na Prisão Estatal da Califórnia, em Folsom, e no Sacramento County Jail, bem como com os doentes mentais graves no Centro de Tratamento de Saúde Mental do Condado de Sacramento, ele descobriu que era eficaz e gostava de ajudar adultos que realmente queriam trabalhar os seus problemas.
O Dr. Tompkins não apenas escuta os problemas das pessoas, ele os ajuda a abordá-los, enfrentá-los e resolvê-los, se possível. O Dr. Tompkins vê a psicologia como um detetive, que procura investigar e resolver os problemas, descobrindo detalhes relevantes da vida da pessoa que estão causando a angústia.
Ele é especialista no tratamento de pessoas que sofrem de dor crônica, depressão, distúrbios de ansiedade, TEPT, abuso de substâncias, violência doméstica, sofrimento, dificuldades em relacionamentos e Transtornos de Personalidade do Eixo II. E também atua como consultor de gestão, no atendimento de homens e mulheres de negócios, que têm problemas complexos no local de trabalho e em outros aspectos da vida.
Por ser um veterano, ele trabalha voluntariamente no tratamento de adaptação de veteranos e na ajuda a policiais no difícil cumprimento de suas missões.
Amável e compassivo, mas rigoroso quando necessário, sempre usando o humor quando apropriado, o Dr. Tompkins geralmente é capaz de dissipar o nevoeiro e chegar aos problemas reais que perturbam uma pessoa, de forma rápida e competente.
(2)  Dr. Aaron R. Kipnis é um psicólogo clínico de Santa Monica, Califórnia. Ele trabalhou com pessoas - indivíduos e famílias – da faixa de 1% inferior da economia, são aqueles que vivem com um dólar por dia nas regiões mais pobres da Índia.
Desde 1997, é professor de psicologia em tempo integral do Pacifica Graduate Institute no condado de Santa Bárbara.
O Dr. Kipnis escreveu cinco livros: The Midas Complex: How Money Drives Us Crazy and What We Can Do About (O Complexo Midas: como o dinheiro nos deixa loucos e o que podemos fazer sobre isso); Knights Without Armor: A Guide to the Inner Lives of Men (Cavaleiros Sem Armadura: Um Guia para as Vidas Internas dos Homens); Angry Young Men: How Parents, Teachers, and Counselors Can Help Bad Boys Become Good Men (Homens jovens irritados: como os pais, os professores e os conselheiros podem ajudar os meninos maus a se tornar bons homens); Gender War Gender Peace (Gênero Guerra Sexo Paz); e What Women and Men Really Want: Creating Deeper Understanding and Love in Our Relationships (O que as mulheres e os homens realmente querem: criando uma compreensão e um amor mais profundos em nossos relacionamentos), muitos capítulos e partes de livros, produziu uma peça e um documentário premiado sobre a erradicação da pobreza na Índia e no Afeganistão. A partir do seu livro mais recente: O Complexo Midas: Como o dinheiro nos deixa loucos e o que podemos fazer sobre isso, ele periodicamente realiza oficinas - o Complexo de Midas - ao redor do país.
Ele foi perito em processos judiciais e consultor para muitas organizações educacionais, de saúde mental, corporativas e governamentais. Aaron é frequentemente consultado pelos meios de comunicação nacionais e como palestrante em conferências.

Bibliografia sugerida:
Bouchard, T.J., Jr., Lykken, D.T., McGue, M., Segal, N.L. and Tellegen, A. "Sources of human psychological differences: The Minnesota Study of Twins Reared Apart". Science. 1990.
Patrick, Christopher J, ed. “Handbook of Psychopathy”. Guilford Press. 2005.
Zuckerman, Marvin. “Psychobiology of personality”. Cambridge University Press. 1991.




sábado, 13 de janeiro de 2018

JUSTIFICAR OS ERROS APONTANDO OS DOS OUTROS




Em geral as discussões são, infelizmente, não apenas um exercício da lógica, mas, em geral, um exercício de persuasão, sagacidade e retórica. Portanto, simplesmente, não é razoável esperar que toda proposição ou conclusão siga com precisão e rigor, a partir de um conjunto claro de fatos e dados identificados desde o início, uma sequência lógica de raciocínio.
Em vez disso, em geral, as pessoas tentam reunir vários fatos, ideias e valores que os outros compartilhem ou possam ser persuadidos a aceitar e, em seguida mostram que esses argumentos podem levar a uma conclusão mais ou menos plausível.
Infelizmente a lógica não é a única ferramenta útil usada nesse processo, mas afinal, "plausibilidade" é uma questão bastante subjetiva que não segue regras lógicas rígidas.
Em última análise, os participantes em uma discussão têm de decidir, à luz dos argumentos apresentados, qual a posição mais plausível e escolher um dos lados. Mesmo quando logicamente "não saibamos" as respostas para a questão em discussão, por uma questão de apreço ou simpatia a um dos lados, assumimos uma posição.
Além disso, vamos ser honestos, em uma discussão não esperamos apenas encontrar a verdade, mas também, e principalmente, vencer os oponentes.
Assim, se você achar que um ‘argumento falacioso’ pode persuadir os participantes a ficar com você, você certamente irá usá-lo, certo? O truque é não ser pego usando esses ‘argumentos falaciosos’.
‘Argumento falacioso’ é quando uma pessoa não consegue defender seu ponto de vista logicamente, então procura contra argumentar fazendo uso de ideias arraigadas na sociedade, mesmo não comprovadas, de comparações esdrúxulas, sem nexo, da sua posição ou autoridade e, até mesmo, de mentiras regadas com um pouco de verdade (meias verdades).
Então, por que usar falácias em uma discussão?
Em primeiro lugar, as pessoas fazem questão de mostrar-se inteligente. As pessoas, em geral, não aceitam que podem cometer um erro no raciocínio, mas caso seja impossível ocultá-lo, não se furtam em procurar contorná-lo lançando mão de subterfúgios e desvios do raciocínio lógico (falácias). Isso mostra que, muitas vezes, você entende os argumentos da oposição possivelmente melhor do que ela, mas não quer de forma alguma aceitá-los.
Em segundo lugar, e talvez mais importante, lançando mão de uma falácia você derrubar um argumento do debate ao invés de apenas enfraquecê-lo. Em geral, os participantes de uma discussão respondem a um argumento simplesmente apresentando um contra-argumento, não buscam mostrar que o argumento original não é verdadeiro ou muito significativo, mas buscam tergiversar, buscando falácias como: aquilo não é importante em comparação com outras preocupações, não deve ser levado a sério por ‘ene’ motivos, ou o que quer que seja...
Esse tipo de resposta pode dar certo, exceto quando o argumento original é tão forte que permanece no centro da discussão, de forma convincente, resistindo a todas as ofensivas de retórica mostrando o quanto é importante.
Uma falácia muito usada é – ‘os outros também’!
Tu quoque ("você também"). Essa é a falácia de defender um erro, argumentando que o(s) adversário(s) fez(fazem) o mesmo erro. Só que um ‘erro’ ainda é um ‘erro’, independentemente que muitas pessoas cometam esse ‘erro’!
Por exemplo: "Eles acusam nossos companheiros de serem corruptos... Mas os amigos deles também foram corruptos!" É um argumento falacioso! Pois um erro praticado por uma pessoa, não justifica o erro de outra.
Embora claramente falacioso, o argumento ‘tu quoque’ vem desempenhando um papel destacado nas discussões no ‘facebook’, porque ele pode ajudar a estabelecer uma cortina de fumaça, desviando as discussões do enfoque central em debate – ‘nunca se roubou tanto o erário na história desse país’!
Essa falácia tenta deixar de lado a questão central em discussão – saber-se se a roubalheira e os desvios de verbas são verdade ou não...
Assim, cada lado se envolve em ad hominem ataques, e ambos os lados têm feito um desserviço à sociedade, um tentando mostrar a realidade, sem aceitar que houveram erros também no passado, o outro tentando justificar a realidade, alegando que ‘os outros também erraram’, então temos a negação de um lado e a falácia do outro!
Não existe como negar a realidade – ‘hoje o Brasil é um dos países mais corrupto do mundo’! Por outro lado, não se pode negar que a corrupção nos últimos tempos atingiu proporções insustentáveis. Além disso, é falaciosa a tentativa de justificar esse nível de corrupção alegando que ‘sempre foi assim’ ou que ‘fulano’ e ‘beltrano’ também roubaram. Roubou tem que ser preso, julgado e condenado, como vem acontecendo nos últimos tempos.
Não adianta tentar salientar que certas vantagens ou desvantagens sociais alcançadas podem justificar a desonestidade, o tempo do ‘rouba mais faz’, não pode estar mais arraigado em nossa sociedade.
A dignidade está em ‘reconhecer’ o ‘erro’ e não em tentar ‘justificá-lo’.
E finalmente, cabe ao gestor à responsabilidade de tudo que acontece em sua gestão – ‘eu não sabia’ – não é justificativa, pois mostra incompetência, desídia, falsidade ou mentira!
Eduardo G. Souza
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PATRIOTISMO






Desde o início da formação dos grupos humanos a lealdade ao grupo foi um dos fatores de agregação dos indivíduos.  Todo grupo social tem suas próprias noções de lealdade.
A instituição da família incorporou lealdade à família como um fator mais forte do que ao próprio grupo social. Quando os filhos se separam do resto da família ou quando os irmãos se afastam, o resto da família reage com tristeza. As associações familiares enfatizam os benefícios que provêm de uma participação e cooperação ativa entre os membros da família. Os grupos tribais já enfatizavam os benefícios da colaboração e da lealdade.
A noção de patriotismo é diferente de tais formas de fidelidade grupal e familiar. A diferença reside na sua estreita afinidade com o conceito de Nação. O patriotismo não se baseia em parentesco ou descendência compartilhada, como nas famílias e tribos. O patriotismo baseia-se na ideia de uma Nação.
Uma Nação é muito mais que um grande grupo de pessoas ou uma tribo em grande escala. Uma Nação pode até não ter uma organização de estado ou autogoverno (os judeus são um exemplo de uma nação que durante muito tempo não era um país ou um estado. Muitos são os exemplos históricos de povos que eram Nações nessa condição). A identidade nacional baseia-se em valores, cultura, tradições, história, idioma e etnia compartilhadas.
As nações podem parecer permanentes, mas, as questões políticas e culturais, podem fazer com que elas não durem para sempre. Na realidade, elas surgem e se dissolvem com as circunstâncias históricas em mudança, às vezes durante um período de tempo relativamente curto, como a Tchecoslováquia e a Iugoslávia.
Outro aspecto, é que por causa da migração, muitos dos estados modernos têm dentro de suas fronteiras diversos grupos sociais que desafiam a ideia de homogeneidade nacional e dão origem à diversos grupos diferentes, em vez de membros homogêneos da nação.
Na era da globalização, dos transportes e das comunicações globais, novas identidades surgem para desafiar o conceito tradicional de "nação", mas, a atração do nacionalismo continua sendo uma força poderosa, uma cola que une as pessoas e ajuda (para o melhor ou o pior) a manter a coesão da sociedade.
O patriotismo e a nacionalidade são baseados em valores, atitudes e símbolos que todos podem compartilhar.
Mas, é importante diferenciar os conceitos de "nação" e "nacionalismo". O conceito de nação, em geral, é definido como um grupo etnocultural, com uma organização política, e os seus membros possuem lealdades cívicas. O nacionalismo, embora possa desenvolver um sentimento de comunidade e identidade aos seus membros, tais laços de apego possuem consequências positivas e negativas que podem levar a extremos de violência e genocídio, como o exemplo da Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
O conceito de patriotismo é muito complexo. Não é tão simples como recitar um juramento ou cantar um hino.
Patriotismo é uma expressão natural e apropriada do apego emocional ao país em que nascemos e crescemos, é a gratidão pelos benefícios da vida em seu solo, entre suas pessoas e sob suas leis. Patriotismo é um componente importante de nossa identidade. Alguns vão mais longe e acreditam que o patriotismo é moralmente obrigatório, ou mesmo que é o núcleo da moral.
Você ama seu país? Você se orgulha de ser um brasileiro? Bem, então você pode acreditar que é um patriota! Mas, será que você é realmente um patriota, ou seu patriotismo existe apenas quando o país compete nas competições esportivas. Pense nos diferentes grupos dos quais você se orgulha de fazer parte. Você se orgulhar de ser ou ter sido estudante de uma escola ou universidade. Você pode se orgulhar de jogar, ter jogado ou torcer por uma equipe esportiva. Você pode se orgulhar de ser membro da sua família. Você também, com certeza, se orgulha de ser cidadão brasileiro? Se assim for, isso é uma demonstração de patriotismo. Amar e apreciar o seu país é uma atitude muito patriótica. Mas, o patriotismo não é só sentir-se orgulhoso do seu país, mas sim de levar esse orgulho um passo adiante e colocá-lo em ação. Um patriota vê seu status como cidadão brasileiro não somente como uma honra, mas, como uma grande responsabilidade. Portanto, as pessoas patriotas pensam sobre como suas escolhas refletirão em seu país.
Pense nisso no contexto de sua família. Digamos que você diga uma mentira (é claro, você nunca faria tal coisa, mas vamos apenas fingir). Essa mentira, se descoberta, lhe causará vergonha, mas também fará com que sua família fique envergonhada. As pessoas patriotas fazem escolhas que nunca farão seu país ficar envergonhado.
Você pode achar que balançar a bandeira brasileira em um estádio esportivo, vestir uma camisa verde e amarela, pintar partes de seu corpo de verde e amarelo, faz de você um patriota, que isso é uma demonstração de amor à pátria. Será? Não sei exatamente quando os eventos esportivos se tornaram sinônimo de patriotismo, mas, fico decepcionado em não ver, salvo algumas exceções, como algumas organizações civis, instituições sociais e órgãos militares, essas grandes exaltações a nossa bandeira e ao nosso hino em outros lugares, além de arenas esportivas e campos de futebol.
Um patriota expressa seu amor pela pátria procurando conservar os recursos do país, preservar sua beleza natural e seu patrimônio histórico, e torná-lo rico, poderoso, culturalmente preeminente e influente na cena mundial.
O patriotismo está enraizado no amor ao país e aos conterrâneos, e também a própria cultura e as tradições da Nação.
O patriota procura garantir que o país atenda aos requisitos morais e promova os valores morais. Ele trabalha para uma sociedade justa e humana, e mostra solidariedade para com os necessitados. Ele também se preocupa com o histórico moral do passado do país e suas implicações para o presente.
O patriotismo cria uma identidade nacional e dá origem a sentimentos nativistas extremamente fortes. E muitos estarão prontos para "morrer pela Pátria" em tempo de guerra.
A essência do patriotismo é a devoção ao bem público, seja oficial ou cidadão. Aceitar uma política que em essência se acredita prejudicial ao país é então, com tal entendimento, altamente antipatriótico, exibindo fraqueza de espírito ou desprezando as consequências desse erro.
Assim, por sua própria definição, o patriotismo exige amor e devoção a Pátria.
Toda instituição secular em um país moderno deve cultivar uma lição de patriotismo. Mas a educação escolar deve ser a área especial da nossa preocupação. É ali onde a maioria dos jovens se reúnem atravessando os limites da religião e das etnias. É ali onde as novas gerações estão sendo construídas. Isso torna ainda mais necessário intensificar a introdução de valores nas escolas. Os valores devem estar em sintonia com a moral e as tradições do nosso país. Os valores a serem ensinados devem enfatizam a liberdade de pensamento e as verdades que são compartilhadas pela maioria, e não apenas por alguns.
Ainda muito jovem decorei o lindo poema “A Pátria”, que Olavo Bilac escreveu em tornos dos anos 1900.
“Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum pais como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera,
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha…

Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! não verás pais nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!”
E nunca mais o esqueci, e aprendi, desde criança, graças a minha professora de português, Dona Helena, que tenho que “amar com fé e orgulho a terra em que nasci!”, e tenho sempre procurado fazê-lo.

Eduardo G. Souza 
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

EU SOU APENAS UM LATINO-AMERICANO

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A família ainda é o centro do universo dos povos latino-americanos. E, por família, quero dizer, pais, irmãos, avós, primos, tios, tias, sobrinhas, sogros, antigos empregados domésticos, seus melhores amigos, os melhores amigos de seus pais ou dos seus filhos, os gatos e cachorros da família e outros animais de estimação amados. As pessoas vivem com sua família até a idade adulta (e além) e é bastante comum que todos os membros saibam tudo sobre os outros e tenham alguma inferência na vida de cada um dos membros do clã. Isso até pode ser irritante às vezes, mas às vezes é bom ter tantas pessoas preocupadas com você.
Uma das expressões mais usadas pelos latino-americanos é: CALMA! As pessoas, em geral, têm muita calma. Afinal não estão na Europa, nos EUA ou no Japão, então por que a corrida? O ônibus, o metrô ou trem pode vir ou não (na maioria dos nossos países, nem sequer temos horários para os transportes coletivos), podemos cumprir um compromisso ou não (dependendo do nosso humor e muitas outras variáveis), podemos chegar a tempo ou não. A América Latina vive em seu próprio fuso horário muito especial, chamado pelos americanos de "The Take It Easy Time Zone" (O fuso horário vá com calma). Há uma razão para isso, existem, simplesmente, muitas coisas que escapam do nosso controle. Temos que lidar com a burocracia, a bagunça e a falta de informações eficientes diariamente, então, em vez de nos enfurecermos e partimos para a ‘briga’, preferimos manter a calma.
Nós latino-americanos adoramos mostrar nosso carinho e amor. Os estrangeiros quando vêm para a América Latina, estranham como as pessoas vivem se abraçando e apertam vigorosamente as mãos, e como isso é significativo para nós. Eles ficam muito espantados de como as pessoas se tocam, se beijam muito, se abraçam, um tapinha nas costas aqui, um tapinha lá, um beijo aqui, um beijo lá. E na maioria das vezes isso não significa nada mais do que realmente é - um simples sinal de carinho.
Falamos muito e muito alto e não estamos conscientes disso. Quando estamos em outro país em um grupo de pessoas latino-americanas, provavelmente todos podem facilmente nos reconhecer, porque falamos alto e nunca paramos de falar. Na verdade, ser falante é uma característica positiva para nós. Quanto mais falante e eloquente você é, mais "popular" você é. Dito isto, você pode imaginar o quão incomodo o silêncio pode ser para nós. É por isso que as pessoas nunca param de falar, nem deixam que outras pessoas terminem suas frases e, como sempre estamos nos interrompendo, o volume aumenta gradualmente.
A comida é uma das coisas mais importante na vida. A comida não é apenas o enchimento do estômago, não é uma mera necessidade fisiológica. Comer é uma atividade social para nós que pode durar horas, é um momento para compartilhar experiências, trocar ideias ou ‘jogar conversar fora’. Não abrimos mão de um demorado e feliz almoço ou jantar com a família ou um grupo de amigos. E se você for convidado para a mesa por alguém, deve se sentir honrado. Quando alguém convida “vamos almoçar”, certamente significa um estreitamento de relação, a confirmação ou o nascimento de uma amizade, algumas vezes até uma nova e grande relação afetiva.
As marcas da nossa religiosidade estão em toda parte. Em primeiro lugar, cerca de 80% dos latino-americanos se declaram cristãos, mas muitos de nós não vamos regularmente as igrejas. Pois, para muitos a religião não tem nada a ver com ir à igreja. A religião está bastante presente em nossas atividades diárias. Existem inúmeros provérbios e adágios relacionados à religião. Encontramos ícones religiosos em cada canto das cidades, nas rua e prédios. As pessoas evocam a presença e a proteção de Deus e dos Santos incessantemente e costumam fazer o sinal da cruz constantemente. As pessoas também são muito supersticiosas quando se trata de tradições e práticas religiosas.
Os latino-americanos são muito vaidosos e costumam se enfeitar muito e cuidam bastante de si mesmos. Na verdade, as meninas começam a usar modelitos de marca, fazer suas unhas e cabelos em uma idade precoce (muitas vezes encorajadas por suas mães). Para meninos e meninas, é extremamente importante ter um corpo agradável e elegante, uma pele saudável e um cabelo bem tratado, muitas vezes colorido e um corte de um supermodelo. Não é de admirar que os concursos de beleza sejam tão famosos nesta parte do mundo.
Vocês podem trazer outras características a esta lista, é claro. É apenas uma generalização, por isso, não leve isso a sério demais. Eu sou latino-americano e muitas coisas que descrevi não se encaixam na minha personalidade, mas acho que todos nós temos um pouco desse típico latino-americano...
Que...
“Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior
Mas trago, de cabeça, uma canção do rádio
Em que um antigo compositor baiano me dizia
Tudo é divino, tudo é maravilhoso 
Eduardo G. Souza.



COMO ERA MEU PAÍS QUANDO EU ERA JOVEM...


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As pessoas eram bastante religiosas, algumas frequentavam a igreja com frequência, outros mantinham sua espiritualidade sem necessariamente frequentar uma igreja. Sinais religiosos, como o sinal da cruz, eram normalmente muito praticados pelas pessoas, ao passarem por um cemitério ou uma igreja, por exemplo. Quanto maior era o nível de educação, a espiritualidade era mais silenciosa. Era muito comum encontrar as mesmas pessoas na sexta-feira em um terreiro de umbanda ou candomblé e no domingo na missa.  
Ligada a essa forte espiritualidade as pessoas abraçavam a crença de sinais e presságios. Você encontrava muitas pessoas altamente supersticiosas - evite fazer negócios na sexta-feira, para não perder dinheiro, evite passar por baixo de uma escada, pois traz má sorte, não cruze o caminho de um gato preto, pois terá má sorte durante o dia, se um pássaro preto pousar em seu caminho, isso é sinal de má sorte, ao sair de casa pela manhã sempre pise primeiro com o pé direito, para um dia de sorte.
Existiam superstições gerais como as mencionadas, ou mais pessoais, algumas das quais eram extremamente surpreendentes, e mesmo no alto nível das empresas ou órgãos do estado. Não era surpresa se alguém evitasse concluir um negócio ou não assinasse um contrato por causa de uma superstição pessoal.
Muitas pessoas também acreditavam no "olho gordo", que ocorria quando alguém invejasse outros, ou no “olho carinhoso”, que era capaz de curar doentes. Existiam feitiços tradicionais e bênçãos para remover os efeitos do 'olho gordo'.
Muitas pessoas antes de sair de casa pela manhã, não abriam mão de ler seu horóscopo em um jornal ou ouvi-lo pelo rádio, para tentar contornar o que poderia ser perigoso.
Não haviam muitas estradas e, em sua maioria não eram de boa qualidade, uma viajem Rio-São Paulo chegava a durar mais de 8 horas, o trânsito nas grandes cidades não era tão intenso e conturbado como hoje, mas, os conflitos, em geral, eram resolvidos apenas com alguns palavrões, às vezes - embora muito ocasionalmente – com uma troca de sopapos. Eram difíceis os assassinatos por questões de trânsito.
Não era apenas o trânsito a causa de conflitos - os brasileiros adoravam trocar um bom argumento, começando pelo futebol, mesmo quando sabiam que não estavam necessariamente corretos. São as raízes latinas do nosso povo. Mas, ao mesmo tempo, os brasileiros tendiam a evitar muitos conflitos quando uma autoridade estava envolvida, as pessoas eram mais disciplinadas (uma "regra" que não era seguida quando o futebol, a política ou uma regra de trânsito estavam envolvidas).
Essa disciplina era mais frequentemente vista no trabalho, onde os brasileiros tendiam a aceitar certas pressões dos chefes, a fim de evitar conflitos, pensando que as coisas se resolveriam com o tempo e para proteger sua posição. Também era comum que isso acontecesse frequentemente nos relacionamentos pessoais, quando as coisas que eram consideradas prejudiciais à relação ou a amizade eram mantidas sob o silêncio.
As pessoas eram mais assíduas e pontuais, em geral os brasileiros primavam por cumprir seus compromissos rigorosamente. Era considerada uma grande descortesia e uma falta de respeito, deixar uma pessoa esperando por um longo período de tempo. Os médicos e dentista de hoje, teriam sérios problemas naquela época, certamente muitos clientes não retornariam para novas consultas.
Existia um comércio de porta a porta, vendedores apresentavam seus produtos e vendiam registrando suas vendas em uma caderneta ou cartão, mesmo não tendo esse documento um valor legal, as pessoas cumpriam seus compromissos e pagavam os valores acordados no prazo estipulado. Aliás, a venda para pagar no final do mês e o valor das compras registrado em uma caderneta, também era uma prática comum em pequenos estabelecimentos comerciais, como o açougue, a padaria, a leiteria, o armazém, etc.  
As pessoas respeitavam as filas e os lugares previamente determinados. Dificilmente alguém desrespeitava o silêncio em uma sala de espetáculos, quando ele necessário, como em um teatro, cinema, etc., se não se comportasse adequadamente o ‘lanterninha’ botava para fora. Como não existiam celulares, ninguém era incomodado pelo toque em hora inadequada ou por uma longa conversa em alta voz.
É, as pessoas eram mais bem-educadas e honestas.
Eduardo G. Souza. 
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COMO ERA MEU PAÍS QUANDO EU ERA JOVEM...


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Os estrangeiros geralmente eram bem recebidos no Brasil e praticamente queridos. Um estrangeiro veria isso desde seu primeiro encontro com o Brasil ou com os brasileiros em geral.  
Os estrangeiros que chegavam ao Brasil, eram muito mais bem tratados do que seriam em muitos outros países. Os estrangeiros geralmente se integram muito bem no Brasil e eram aceitos pelos brasileiros em seus grupos de amigos. Os brasileiros gostavam de ter amigos estrangeiros.
Haviam, no entanto, pessoas que não gostavam tanto dos estrangeiros - o pensamento por trás disso era que eles vinham para "roubar" o nosso país, comprar as grandes empresas, comprar as terras e as florestas, e que, em geral, os estrangeiros passavam a ser nossos 'chefes' e fazer grandes lucros explorando os brasileiros mal pagos.
Fosse qual fosse o ponto de vista para os estrangeiros, no entanto, os estrangeiros enchiam nossos hotéis, restaurantes e bares nos grandes eventos nacionais como o carnaval, etc., e gozavam de uma razoável segurança.
Aliás, segurança era coisa que muitos nem imaginam o que seja em nossos dias. Podíamos transitar a noite em nossas ruas sem medo, parar com os amigos numa esquina, na porta do prédio ou em um bar, para conversar sem qualquer medo ou receio. Frequentávamos casas de show, ensaios das escolas de samba, boates, etc., e saiamos pela madrugada em qualquer medo de ser assaltado ou morto. Não se ouvia falar em ‘bala perdida’!
Nos subúrbios as famílias, ao anoitecer, colocavam cadeiras nas calçadas e ficavam conversando, contando ‘causos’ ou antigas histórias, enquanto a gurizada brincava despreocupada de pique, pique bandeira, queimado, carniça, garrafão, etc...
Ao retornar cansado da escola ou do trabalho, você podia cochilar no ‘bonde’ despreocupado, sem risco de ser assaltado ou morto.
Você podia ir à praia tranquilamente, sem medo de arrastão ou que suas coisas fossem roubadas. Podia acampar, fazer uma trilha, etc., sem ser assaltado e assassinado.
Podia parar sua lambreta, vespa, moto ou carro, e ficar ‘admirando’ (sem outros comentários ou afirmativas, por favor) o mar ou uma bela paisagem com sua garota! Sem medo de você e ela serem mortos, após ela ser estuprada.
É, existia segurança em nosso país.
Eduardo G. Souza.

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COMO ERA MEU PAÍS QUANDO EU ERA CRIANÇA E JOVEM...


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Os brasileiros geralmente não compartilhavam seu patriotismo com o mundo, nós nos preocupávamos muito mais com o Brasil ou quando o país participava de algum evento ou discussão na cena internacional – vibrávamos quando ganhávamos um prêmio esportivo ou artístico. Então, grande parte dos brasileiros expunham seu coração verde e amarelo.
Esse coração verde e amarelo que era cultivado desde a mais tenra idade, nos bancos escolares. Nos hinos pátrios eram impressos nas contracapas dos cadernos escolares. E cantávamos esses hinos, nos solenes momentos de elevação e arreamento da bandeira nacional, que em algumas escolas era diária e, em outras, no início e final da semana. Ostentar uma fita verde e amarela no uniforme significava ser um dos melhores alunos da turma e fazer parte do pelotão da bandeira era o desejo da maioria, bem, ser o porta-bandeira era o máximo que um aluno podia almejar.
Já no ginásio os alunos começavam a pensar em uma carreira profissional e almejar ser um profissional destacado e respeitado. Alcançar os bancos de uma Faculdade era o sonho de muitos, mesmo sabendo das dificuldades que teriam que enfrentar nessa caminhada.
Os professores acompanhavam os alunos até a porta da sala de aula, onde todos ingressavam em silêncio. No ginásio, que a troca de professores era permanente, geralmente, cumprimentávamos os professores ao adentrarem a sala de aula. Em minha época de aluno, duvido, mesmo na universidade, que um aluno adentrasse ou se ausentasse de sala de aula sem autorização do professor. Os professores eram tratados de Senhor e Senhora, na Universidade de Mestre(a) ou Doutor(a).
As datas cívicas eram devidamente comemoradas e os heróis nacionais cultuados com admiração e motivo de orgulho nacional. Era comum os professores determinarem que fossem realizadas e apresentadas pesquisas sobre os fatos e personagens de nossa história e também da história mundial. 
No resto do tempo, no entanto, os brasileiros oscilavam entre amar seu país no bem e no mal, e odiar aqueles que tentavam prejudicá-lo. Sim, odiávamos, até o ponto em querer expulsar ou matar aqueles que tentavam prejudicar a nação.
Naquela época, muitos desejavam ou decidiam deixar o país. E, mesmo quando isso acontecia, deixar o país para buscar uma vida melhor em outros lugares, os brasileiros, quase sempre, eram atraídos de volta e não apenas pela família que deixaram para trás, mais pelo seu país.
O fato mais surpreendente é que, apesar de criticarmos muito o nosso país - e não fazermos muito sobre as coisas que criticam – nós, os brasileiros, não suportávamos quando os estrangeiros o criticavam. "Eu posso criticá-lo, porque é meu país", era o padrão de pensamento de muitos brasileiros. Se um estrangeiro, criticasse o Brasil demais, ele iria aborrecer os brasileiros, mesmo que geralmente compartilhássemos da mesma opinião.
É, nós éramos patriotas, em sua maioria os brasileiros cultuavam nossa Pátria.
Eduardo G. Souza.  

COMO ERA MEU PAÍS QUANDO EU ERA CRIANÇA...


Mesmo que muitos não admitissem abertamente, e mesmo que andássemos pegando emprestado muito dos modos americanos de pensar e agir, a maioria dos brasileiros estava muito apegada às suas famílias. Os mais novos iam visitar os familiares próximos, às vezes, diariamente, e, em muitos casos, os jovens cuidavam de seus idosos, complementando sua baixa renda.
Funcionava em ambos os sentidos, com muitos jovens recebendo apoio de suas famílias até a maioridade - quer vivendo em casa com os pais ou recebendo ajuda financeira.
Se os pais viviam no subúrbio e os jovens e as crianças na cidade, era comum a reunião familiar nos finais de semana na casa dos idosos. Era uma festa ir a casa dos Avós! Sempre havia uma surpresa ‘deliciosa’ para a sobremesa e aquele carinho, enroscadinho, nos braços da vovó, além do trocadinho que o vovô sempre dava para ajudar na merenda durante a semana.
O tempo com a família também era muito importante, e muitas vezes era gasto em conversas, jogos de tabuleiro ou cartas, todos juntos assistindo TV, visitando parentes ou participando de reuniões familiares, como aniversários, casamentos, etc.
De qualquer forma, era melhor não ficar no caminho de um brasileiro e sua família! Elogiar a família ou pelo menos perguntar sobre a família, os filhos, e você ganhava muito no relacionamento com um brasileiro, mesmo quando lidava com negócios.
Os presentes para os membros da família e o interesse pelos membros da família ia muito longe com os brasileiros. Para muitos europeus ocidentais e americanos, onde as relações familiares não eram necessariamente tão próximas, esse fato era uma surpresa no primeiro contato com o Brasil.
É, era assim para a maioria dos brasileiros.
Eduardo G. Souza.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O EXPERIMENTO DE "ADRIAN ROGERS"




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Um professor de economia na universidade Texas Tech, nos Estados Unidos, nunca havia reprovado um só aluno, até que certa vez reprovou uma classe inteira.

Os alunos desta classe em particular, insistiam que o socialismo realmente funcionava. Afirmavam que com um governo assistencialista intermediando a riqueza, ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.

O professor então disse: “Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas. Todas as notas serão concedidas com base na média da classe, e, portanto, serão justas. Todos receberão as mesmas notas, o que significa que, em teoria, ninguém será reprovado, assim como também ninguém receberá um ‘A’”.

Depois de calculada a média da primeira prova todos receberam “B”. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Já aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Como resultado, a segunda média das provas foi “D”. E ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um “F”. E as notas não voltaram a patamares mais altos.

Mas as desavenças entre os alunos, a busca por culpados e acusações, até palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por “justiça” pelos alunos, era a principal causa das reclamações, então as inimizades e senso de injustiça passaram a fazer parte daquela turma.


No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da turma. E assim, todos os alunos repetiram aquela disciplina… para total surpresa.
O professor explicou: “o experimento socialista falhou porque quando a recompensa é grande, o esforço pelo sucesso individual é grande. Mas quando o governo elimina todas as recompensas, ao tirar coisas dos que se esforçaram para dar aos que não batalharam por elas, então ninguém mais vai se esforçar e tentar ou querer fazer seu melhor. Tão simples quanto isso.”
1. Você não pode levar o mais pobre à prosperidade apenas tirando a prosperidade do mais rico;
2. Para cada um recebendo sem ter de trabalhar, há uma pessoa trabalhando sem receber;
3. O governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa;
4. Ao contrário do conhecimento, é impossível multiplicar a riqueza tentando dividi-la;
5. Quando metade da população entende que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

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Um experimento, em qualquer área do conhecimento humano, trabalha com amostras que podem ser ou não controladas, mas sempre observáveis. A realidade fornece os fatos e os dados que devidamente analisados e medidos podem comprovar ou negar a hípose. Assim pois a realidade pode ser incabível em um experimento. O experimento só oferece respostas plausíveis se testado em outras situações, os seus resultados se repetem.
Óbvio que esse seria um experimento não factível, pois nenhum sistema educacional aceitaria esse processo de avaliação da aprendizagem. Portanto, trata-se de uma ficção criada por alguém, para ilustrar uma situação que, sem dúvidas, é uma realidade considerável, sopesando as características gerais intrínsecas da personalidade humana, fartamente observadas e registradas pela psicologia. A tese em si não é nada irreal, mas também não é incontestável, pois a sua hípose não pode ser testada num experimento real como proposto na história arquitetada.
Bem, mas ficam as conclusões atribuídas ao pseudo professor universitário ADRIAN ROGERS...

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"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.
Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação."

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VIOLÊNCIA

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O homem é, por natureza, uma parte de uma sociedade. Ele tem que viver com outros indivíduos nessa sociedade. Esta vida em conjunto resulta em um relacionamento interpessoal e social entre os indivíduos. Então, o indivíduo não tem liberdade absoluta para fazer o que quiser, pois isso vai contra a liberdade dos outros, resultando em intermináveis divergências e disputas que podem levar à extinção da sociedade.
Por esta razão, leis e regras devem ser estabelecidas para limitar essa liberdade e organizar as relações entre os indivíduos para permitir que todos os membros da sociedade vivam em paz e harmonia e, de fato, preparem a sociedade para a paz e sua existência contínua.
Numa época que, em nosso país, a guerra é levada a cabo por indivíduos, não por exércitos, e armas de guerra estão prontamente disponíveis para qualquer marginal as usar, precisamos de uma nova legislação para abordar adequadamente este paradigma de mudança da segurança.
De acordo com o recente relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil bateu, com números de guerra, o recorde de violência em 2016, 61.619 pessoas morreram violentamente no país, o maior número de homicídios em sua história.
Todos os atentados terroristas do mundo nos cinco primeiros meses de 2017 não superam a quantidade de homicídios registrada no Brasil em cada três semanas de 2015. Em 498 ataques terroristas, 3.314 pessoas morreram, de acordo com levantamento da “Esri Story Maps” e da “PeaceTech Lab”. Já o Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, cerca de 3.400 pessoas foram assassinadas no Brasil a cada três semanas em 2015. A comparação foi feita pelo “Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada” (Ipea) e pelo “Fórum Brasileiro de Segurança Pública”, que divulgaram o Atlas da Violência 2017.
Um estudo sobre assassinatos no mundo, divulgado pelas Nações Unidas, em Londres, aponta que o Brasil registra 11,4% do total de mortes violentas do planeta. Segundo o estudo da ONU, cerca de 437.000 pessoas foram assassinadas em 2012 no mundo; desses, 50.108 foram no Brasil.
O número de assaltos no Brasil em 2016 é pelo menos duas vezes maior do que a média mundial, segundo um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A pesquisa, chamada de “Better Life Initiative” (Iniciativa Vida Melhor), apontou que no Brasil 7,9% das pessoas entrevistadas relataram terem sido vítimas de assaltos nos 12 meses anteriores. A taxa é quase o dobro da média de 4% nos outros países pesquisados pela organização.
A violência não deve ser vista como uma questão pessoal de um indivíduo que experimenta a violência. O surgimento e crescimento da violência depende da reação da sociedade. Pode condenar e punir, o que minimiza a possibilidade da ocorrência da violência, ou a tolerar e ignorar contribuindo para a reincidência e seu crescimento. Portanto, a violência é definida como um problema social. Além disso, a violência é um problema social devido às suas consequências.
Esse comportamento violento tem sido evidente há muitos anos e as pessoas não experimentam isso de forma isolada, toda a sociedade está lidando atualmente com essa onda crescente de violência, e todos nós somos vítimas em potencial dessas ações violentas.
A legislação em vigor, que emergiu após os governos militares, na tentativa de permanecer fiel à tradição democrática liberal, dogmaticamente nasceu tolerante com os intolerantes.
Os legisladores, na convicção equivocada e perigosa, de que a liberdade do indivíduo é sacrossanta, e deve ser cultivada, seja qual for o custo, permitiram que pessoas usando a própria Lei, praticassem atos violentos, disseminassem o ódio e alastrassem o crime. A ausência da punição adequada invariavelmente aumenta a violência, como vimos em nossa sociedade e no mundo, resultando no aumento de atos violentos perpetrados contra os cidadãos que respeitam a lei.
O paradoxo da tolerância foi descrito por Karl Popper em 1945. O paradoxo afirma que, se uma sociedade é tolerante sem limites, sua capacidade de ser tolerante será eventualmente aproveitada ou destruída pelo intolerante. Popper chegou à conclusão aparentemente paradoxal de que, para manter uma sociedade tolerante, a sociedade deve ser intolerante à intolerância.
Esta formulação, não implica que devamos suprimir totalmente as filosofias tolerantes da nossa legislação. Contanto, não podemos rejeitar argumentos racionais, e um desses é que temos que manter o controle da segurança pública, e a supressão dessa segurança seria totalmente imprudente. Temos que reivindicar o nosso direito de garantir nossa segurança, e suprimir, se necessário, mesmo pela força, todas as situações e indivíduos que possam colocar em risco nossa integridade física.
Não existem dúvidas, pois é fácil concluir, que os criminosos não estão preparados para aceitar, em um nível de argumento racional, a necessidade de respeitar e submeter-se as Leis. Somente as punições firmes e rigorosas podem coibir o crime e a violência, porque é enganadora a ideia que eles irão respeitar a Lei através argumentos racionais, pois as respostas que recebemos são projeteis de suas pistolas e fuzis automáticos.
Karl Popper concluiu que estamos garantidos ao recusar-nos a tolerar a intolerância: "Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante". Devemos afirmar que qualquer indivíduo que usa a violência e se posiciona fora da lei, deve ser tratado como criminoso, sem merecer qualquer tolerância e punido rigorosamente por sua ação criminosa, não podemos mais ser condescendentes com aqueles que cometem o latrocínio, o assassinato ou o sequestro, são criminosos que devem ser tratados como criminosos.
A última ideia merece repetição: Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar o intolerante. Devemos afirmar que qualquer indivíduo que usa a violência e se posiciona fora da lei, deve ser tratado como criminoso, sem merecer qualquer tolerância e punido rigorosamente por sua ação criminosa, não podemos mais ser condescendentes com aqueles que cometem o latrocínio, o assassinato ou o sequestro, são criminosos que devem ser tratados como criminosos.
Não podemos confundir o abuso com que os criminosos vêm desafiando as nossas Leis, com o rótulo de "liberais" que elas receberam. Você não é obrigado a tolerar, isto é, permanecer pacificamente frente a intolerância exibida pelos criminosos. Os princípios "liberais" da nossa legislação, acabam servindo ao assassinato de inocentes indefesos, e os marginais zombam do aparelho judicial que tenta reprimir suas ações deletérias. Existe uma tolerância incompreensível e injusta com aqueles que cometem crimes contra a pessoa, essa tolerância institucionalmente legal, acaba se transformando uma falsa justiça.
Uma sociedade tolerante com a violência, torna difícil para as vítimas cuidar de sua própria segurança e dos seus direitos.
A verdadeira segurança de uma sociedade não é apenas a ausência da violência. É também a presença vigilante da justiça.
Nós como uma sociedade não temos mais tolerância para a violência. Por muito tempo, nossa sociedade manteve silêncio sobre o fato de que muitos sofrem violência, mas não nos sentíamos próximos daqueles que estavam sendo vítimas, hoje, entretanto, não nos sentimos seguros nem no lugar onde deveríamos estar mais seguros, em nossa casa.
Temos um sistema que protege os perpetradores da violência, ignorando os direitos de seus sobreviventes. A violência é, em última análise, uma ameaça direta à participação democrática dos cidadãos e, portanto, uma ameaça direta à democracia de nosso país. Como podemos construir uma sociedade igual e progressiva, quando ainda não podemos garantir a segurança de todos os nossos cidadãos?
A questão de como punir os assassinos tem sido debatida há séculos, mais proeminente tem sido o debate se é ou não justificável aplicar a pena de morte a alguém que tenha tirado a vida de uma vítima inocente. Para alguns, não há dúvida de que um assassino deve ser julgado, e se condenado, poderá ser sentenciado a pena capital. Essas pessoas acreditam que se alguém tirou a vida de um inocente, deve perder a sua. Outros acreditam que nunca há justificativa para matar alguém e que a pena de morte é tão errada quanto o assassinato.
Uma das questões em torno desse debate é se a pena capital inibe ou não outros criminosos de cometer assassinato. Existem pesquisas que concluíram que à pena de morte favorece a diminuição dos crimes letais. No entanto, pesquisas conflitantes, afirmam ter determinado que não há uma resposta efetiva a diminuição dos assassinatos. Ambas correntes reivindicam essas pesquisas como prova definitiva para sustentar seu ponto de vista.
A principal alternativa apresentada à pena de morte para assassinos é a prisão perpetua. Mesmo isso é muito controverso, porque muitas pessoas sentem que manter um prisioneiro vivo e atrás das grades para o resto de sua existência é um desperdício de dinheiro do contribuinte.
Algumas sociedades, como a nossa, limitam o encarceramento a um limite de tempo. Afirmando que durante esse período o criminoso poderá ser reabilitado. Isso também leva à questão de saber se as pessoas encarceradas em penitenciárias podem ou não ser reabilitadas e voltar a entrar no mundo livre como membros responsáveis e benéficos da sociedade. Essa tese tem sofrido severo desgastes, considerando que resultados de pesquisas estatísticas realizadas em todo mundo, têm alcançado números alarmantes de criminosos reincidentes. Aliás, em nosso país, esses números superam a qualificação de ‘alarmantes’, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizou uma pesquisa sobre reincidência criminal, o resultado desse trabalho foi publicado em 2015 (não encontramos dados mais recentes), 24,4% dos criminosos presos são reincidentes. Isso expôs a fragilidade da possibilidade de recuperação dos detentos em nosso sistema carcerário, um em cada quatro condenados é reincidente no crime.
Ainda é importante ressaltar que o instituto alerta para o fato de que há no Brasil pelo menos quatro interpretações possíveis para o conceito de “reincidência”. Entenda: - “Reincidência genérica” - Ocorre quando há mais de um ato criminal, independentemente de condenação, ou mesmo autuação, em ambos os casos; - “Reincidência legal” - Segundo a legislação, é a condenação judicial por novo crime até cinco anos após a extinção da pena anterior; - “Reincidência penitenciária” - Quando um egresso retorna ao sistema penitenciário após uma pena ou por medida de segurança; e – “Reincidência criminal” - Quando há mais de uma condenação, independentemente do prazo legal estabelecido pela legislação brasileira.
No relatório da pesquisa o Ipea diz o seguinte: “Ainda são escassos no Brasil os trabalhos sobre reincidência criminal, o que colabora para que, na ausência de dados precisos, imprensa e gestores públicos repercutam com certa frequência informações como a que a taxa de reincidência no Brasil é de 70%, como afirmou recentemente o então presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso”.
Ao distinguir o assassinato doloso e o homicídio culposo e distinguir graus ao assassinato (O assassinato em primeiro grau, é planejado com antecedência e realizado de forma fria e calculada, garante uma pena de morte, em alguns países, ou um longo encarceramento, em muitos países sem liberdade condicional. O assassinato em segundo grau, que não é premeditado, muitas vezes um crime de paixão ou que aconteceu no "calor de um momento", uma vez que não mostra a maldade da premeditação, geralmente recebe uma pena menor. O assassinato em terceiro grau é acidental. O criminoso não tem a intenção de matar a vítima.), quanto tempo o criminoso passa atrás das grades depende em grande parte das circunstâncias que envolvem o assassinato, e ao instituir a potencial liberdade condicional e determinar a aplicação da pena somente após esgotarem-se todos os graus de recurso, a lei penal, abriu um campo para que crimes e punições pudessem ser ordenados de maneira moralmente satisfatória e culturalmente coerente, mas, por outro lado, engessou o poder decisório de juízes e jurados, em decisões que deveriam determinar a aplicação rápida de punições mais severas.
Por esses motivos a nossa legislação penal está falhando, produzindo uma sensação de impunidade e a ideia de que só ficam presos os criminosos ‘pé de chinelo’. Por outro lado, ironicamente, a não aplicação da pena de morte nesse momento crítico e caótico em que se encontra a segurança pública, provoca uma perigosa tensão no sistema carcerário, que está sobrecarregado e superlotado, ajudando a criar essa tensão perigosa e anormal na vida na prisão. O resultado dessa acumulação da tensão carcerária, está ajudando a ancorar punições menores para crime de um nível muito alto.
A falta de aplicação rígida da Lei contribui para um grande número de assassinatos e outros crimes em nossa sociedade, porque não infligem aos criminosos o castigo que eles merecem. Em vez disso, apenas encarceramos os criminosos e em alguns casos nem isso. E, em muitos casos, ainda aparecem canalhas ou idiotas que alegando ‘direitos humanos’ ainda os defendem e se compadecem deles, mas, esquecem a vítima que perdeu a vida sem qualquer compadecimento, e os parentes ou filhos que perderam seu ente querido e o apoio nesta vida. Esses assassinos não têm piedade das pessoas ou da sociedade, o que torna o país um lugar perigoso para viver. Todos temem por suas vidas por causa desses assassinos implacáveis que não pensam nas consequências de seus atos e não se preocupam com as vidas que tiram sem sentido e por um motivo tolo.
Finalizando, quero mais uma vez deixar bem claro que, nas atuais circunstâncias que se encontra nosso país, sou favorável que, ao menos por um determinado tempo, seja aplicada a pena de morte, para aqueles reincidentes que tiraram algumas vidas, por que premeditaram o seu ato ou por um motivo violento como o latrocínio. Essa é a única solução para restabelecer a segurança individual e permitir que a nossa sociedade possa viver sem temer a violência.
Eduardo G. Souza.
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