Liberdade.

Todos os textos publicados nesse blog são livres para serem copiados e reproduzidos.
Porque não existe outra pretensão em nossos escritos, que não seja expressar o nosso pensamento, nossa forma de ver e sentir o mundo, o Homem e a Vida.
Se você acreditar seja necessário e ético, favor indicar a origem e o Autor. Ficamos lhe devendo essa!
Um grande abraço.
Eduardo G. Souza e Lígia G. Souza.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016


OS CHAKRAS



Os Chakras se fundamentam na crença da existência de sete esferas rotativas de energia distribuídas no corpo humano. A origem desta ideia vem de textos hindus. Em sânscrito significa "roda de giro" ou "roda de movimento".


Na fé hindu, os Chakras são conhecidos como centros de força ou fontes de energia do corpo humano. E também são descritos como vórtices de "matéria sutil" girando, como descrito por John Cross e Robert Charman, em seu livro  “Healing with the Chakra Energy System” (A cura com o sistema de energia dos Chakras). 


De acordo com a maioria das disciplinas mitologicas, há sete Chakras no corpo: The Crown, The Third Eye, The Throat, The Heart, The Solar Plexus, The Sacral, and The Root Chakra (a coroa, o terceiro olho, da garganta, do coração, do plexo solar, sacral, e o chakra da raiz), que estão distribuídos no corpo humano conforme a figura abaixo.


Eles também têm sido associados com a astrologia e outros conhecimentos empíricos.

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BRASIL... UM PAÍS DE HIPÓCRITAS!

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Hoje ao abrir o jornal O Globo, me defrontei com a notícia: “SUSPEITO TEM 16 ANOS E 15 CRIMES”!
Bem isso foi o que a polícia teve notícia. Quantos outros não foram registrados? Podem-se esperar, pelo histórico criminal do menor, outros tantos!
Então, me recordo da PALHAÇADA armada no CIRCO do congresso nacional, para discutir a alteração do ECA.
Quanta hipocrisia... 
Desde ontem já sabíamos que o menor tinha sido localizado e apreendido, pois os noticiários das rádios e tevês já tinham divulgado com estardalhaço a notícia.
Os programas das mídias comentaram e trouxeram ‘especialistas’ para comentar a morte do médico e a apreensão do menor. Inclusive em um programa da TV, o apresentador bradava histericamente: “Pezão cadê você? Onde está a polícia? Onde está o governador? Onde está o comando da polícia?” É óbvio que esse apresentador estava politicamente representando o dono do seu canal... Que vem tentando sistematicamente ser governador ou prefeito. Mas o governador não fez e não faz as leis, pois leis penais e criminais, leis sobre segurança pública e sobre menores é prerrogativa do congresso nacional, onde, aliás, o patrão dele está, e porque ele não grita para o patrão dele propor leis mais duras contra o crime?  
Quando o ECA foi criado, vários ‘especialista’ alertaram que o estatuto nunca seria viável em nosso país, são muitos os empecilhos. Esbarramos em problemas econômicos, sociais, políticos, etc... O ECA seria ótimo para a Bélgica, mas o Brasil, na verdade, está pior que a Índia!
O governo está fazendo cortes no orçamento, a educação, segurança e o sistema penitenciário têm suas verbas contingenciadas. Aliás, educação e segurança nunca foram privilegiadas com o interesse do governo federal.
Nossa sociedade parece que gosta de bandidos, não estou falando dos ladrões da petrobras, do mensalão e outras maracutaias, falo dos bandidos que assaltam, matam, traficam drogas, sequestram, estupram, etc... Todos os dias a imprensa mostra casos e mais casos de reincidências, criminosos que deveriam estar presos, estão nas ruas matando, assaltando, etc... Bandidos com extensa folha criminal, condenados por assassinado, latrocínio, estupro, etc., são libertados pela famosa progressão penal, é na progressão penal, que o marginal vai para a prisão albergue, sai e não volta mais. Quando não são beneficiados pelas famosas saidinhas, como a do dia das mães (que beneficia criminosos cujas mães já não estão mais por aqui), como a de final de ano, etc.
Qualquer um sabe que toda quadrilha que se presa tem vários menores para executarem o ‘serviço sujo’ ou ‘assumirem a bronca’ se por acaso ‘a casa cair’. Uma infinidade de policiais reclama de prenderem os bandidos e algumas horas ou dias depois os bandidos estarem soltos ‘curtido com a cara deles’. Portanto, socialmente, o ECA fracassou, e fracassou feio, pois além dos menores infratores se multiplicarem, vemos dia a dia aumentar também o número de menores vítimas ou desassistidos.
Por outro lado, sabemos que a maior concentração de votos está nas comunidades carentes onde vivem os ‘bolsistas do bolsa família’ e de outras benesses do governo. É nessas comunidades que se concentra a força eleitoral dos partidos e políticos populistas, e é ali também, por força da carência e da miséria, que ali se instala a marginalidade. E são esses marginais, seus familiares e dominados, que elegem os políticos, pois ali está a força eleitoral. Os governos têm interesse de manter essas comunidades ignorantes e miseráveis, pois assim é mais fácil manipulá-las!
Estamos em um beco sem saída, no fundo uma parede sólida defendida por um grupo de alienados e políticos populistas e/ou corruptos, que defendem com unhas e dentes os interesses dessa marginalidade, pois é a forma de conseguir os votos dessas pessoas que vivem ou são vítimas, subjugadas pelo crime.
Do outro lado a marginalidade que ataca e violenta a sociedade.
Estamos no meio do beco, por enquanto, ainda conseguimos viver confinados em prisões que nós mesmos estamos nos impondo, são grades, cadeados, não saímos à noite, evitamos certos locais, etc... Mas a cada dia recebemos notícias de novas cidadelas sendo derrubadas, casas são invadidas, pessoas são vitimadas em locais até pouco tempo improváveis, como nos shoppings.
O beco está cada dia menor e nosso espaço reduzido. A criminalidade, praticada por menores ou maiores está avançando sobre nós.
A polícia prende... A lei solta... A impunidade grassa... Os presídios estão sobrecarregados de bandidos ‘pé de chinelo’ que não têm dinheiro para pagar um advogado, enquanto isso o congresso fica preocupados com os cargos que seus afilhados vão ocupar nos 39 ministérios que consomem verbas que poderiam contribuir para diminuir a criminalidade, e não estão dando a mínima para a insegurança que domina o país.
Onde vamos parar? Até quando vamos consegui sobreviver? Até quando vamos contar com a sorte... “e o acaso vai nos proteger”?
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Eduardo G. Souza





SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL


Existem dois aspectos distintos da SAP: o médico e o jurídico.
Sob o ponto de vista médico a SAP é uma forma de abuso emocional infantil.
Pais em separações hostis geralmente desenvolvem depressão, raiva e podem chegar às agressões verbais e/ou físicas. A resultante destes sentimentos hostis é a transformação do amor em ódio, e uma total falta de comunicação e interação entre os conjugues. Tudo isso se estende aos filhos através dos pais, que não conseguem encobrir ou ocultar o litigio e suas consequências.
Como um problema médico, está intimamente relacionado com as falsas alegações de um dos pais sobre o comportamento e atos praticados pelo outro, chegando, em casos extremos, a alegações de abuso sexual contra a criança. Todos os subterfúgios são usados para eliminar o contato de um dos pais com a criança. A criança, como na “Síndrome de Estocolmo", se transforma em “refém” emocional, e o medo da mãe leva a criança a obedece-la incondicionalmente como um meio de sobrevivência, desenvolve um sentimento de lealdade cega e aumenta a identificação afetiva e emocional com a mãe. Existe também o risco da "Síndrome da Falsa Memória", mediante a qual a criança pode ser instilada a desenvolver falsas memórias do comportamento e atos praticados pelo pai.
Embora reconhecida pelos tribunais, raramente sua prática é combatida, porque, sendo uma forma de abuso emocional, é muito difícil de detectá-la e defini-la, primeiro porque a vítima, a criança, não a contesta e, em geral, o Serviço Social não está preparado para detectá-la. As outras formas de abuso infantil como: físico, sexual e de negligência, são facilmente identificadas pelos peritos. O abuso emocional, no entanto, exige uma formação adequada e uma sólida experiência em comportamento humano pelo profissional da área de saúde mental, sendo muito difícil ser registrado e corrigido.

No aspecto jurídico a Alienação Parental deve ser entendida e combatida com um crime. Pois como os Crimes de Ódio, que incitam o ódio com base na etnia, religião, credo ou opção sexual, a Alienação Parental incita a criança ao ódio e a repulsa contra um dos genitores. Ela deve ser considerada um crime grave, que tem sua base no "abuso emocional" de incapaz. Uma ação mais efetiva e atenta dos tribunais impediria que a Alienação Parental continuasse existindo e sendo usada como uma brecha na lei. 

domingo, 25 de setembro de 2016

A VIOLÊNCIA E A DESORDEM URBANA


Os recentes acontecimentos violentos em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outros Estados colocaram em foco novamente a desordem urbana, a revolta popular e o déficit de policiamento. Até o momento, os comentários de todo o noticiário se desloca para o aspecto político da questão e tendem a ser polarizados com o aumento da criminalidade e do uso de drogas, oferecendo condenações diretas as ações desenvolvidas pelos órgãos de repressão policial ou tentando explicar as coisas de maneira simplória, colocando todo o peso da violência na miséria e nas drogas, tem sido por demais fácil pintar uma tela com matizes carregados nesses fatores, abandonando o cerne da questão. As condenações às ações das forças policiais se tornaram cada vez mais desagradáveis, mobilizando toda uma gama de cidadãos, que por motivos políticos, sociais ou raciais são envolvidos ou estimulados a condenar as ações repressivas para subjugar indivíduos ou grupos envolvidos em atividades violentas e/ou criminais.
As respostas sugeridas e empregadas para combater a violência têm se mostrado de uma perturbadora ineficácia contra o estado de violência na sociedade. A Sociedade, a nos é dito frequentemente, está falida, está quebrada. Por outro lado, tem havido tentativas para sugerir políticas governamentais recentes, diretamente dirigidas ou procurando contribuir para o combate aos acontecimentos violentos recentes. No entanto, os fenômenos sociais complexos raramente são entendidos como causa-efeito imediatas, primeiro porque os acontecimentos provaram ser quase impossíveis de se prever, suas causas são desencadeadas por múltiplos fatores, não facilmente identificáveis, e os indivíduos envolvidos, muitas vezes, não pertencem aos grupos de risco, tudo isso deve nos advertir contra qualquer tentativa de explicações fáceis para os fenômenos de violência.
Profundas desigualdades sociais, tolerância e insensibilidade social, racismo, corrupção, brandura da legislação, drogas, lenocínio, etc., o déficit, o despreparo e a desconexão do policiamento, além do medo e desespero dos indivíduos, sem dúvida, contribuem para a situação em que nos encontramos. Toda essa situação ainda é agravada pela maneira como grandes comunidades foram criadas, contra todas as normas urbanas, nasceram e cresceram sem qualquer urbanização e segurança, ocupando áreas de riscos geológicos ou ecológicos, sem atendimento as suas necessidades básicas de saneamento, saúde, educação, etc., foram entregues a sua própria sorte e subjugadas pelo poder marginal do tráfico e da criminalidade, o que demonstra, superficialmente, as forças que estão em jogo.
Sem, ao mesmo tempo, haver uma chamada para a restauração da lei e da ordem, um combate à inviolabilidade dos direitos civis e de propriedade, uma posição política de luta contra a pobreza, uma reforma na legislação criminal, dando condições aos tribunais de punirem rigorosamente os infratores, uma reforma no sistema prisional, a reformulação, aparelhamento e treinamento das forças policiais e a defesa e desenvolvimento do status quo de todos os agentes envolvidos no combate a criminalidade e a violência, não existe outro caminho para reverter à situação atual.
Sabemos que este texto não irá fornecer todas as respostas, mas nossa esperança é que ele possa contribuir para abrir caminho a um debate mais bem abalizado e informado.
Eduardo G. Souza.


A QUEDA DO COMUNISMO NO LESTE EUROPEU E NA EUROPA ORIENTAL


Em 9 de novembro de 1989, 7 dias antes do meu aniversário, milhares de alemães extremamente felizes derrubaram o símbolo mais marcante da divisão da Europa – ‘o Muro de Berlim’.

Por duas gerações, o muro era a representação física da Cortina de Ferro, e da separação de um povo. E aqueles que ousavam ultrapassá-lo colocavam em risco suas próprias vidas, os guardas de fronteira da Alemanha Oriental tinham ordens firmes de atirar para matar, aqueles que tentassem escapar. O Muro representava a divisão da Europa, e a sua queda, podemos aceitar, como o fim da Guerra Fria.

Na Casa Branca, o presidente George W Bush e seu conselheiro de segurança nacional, Brent Scowcroft, observavam a cena concentrados em uma televisão, consciente da importância histórica do momento e dos desafios para a política externa americana estaria por enfrentar.

Nem mesmo o observador mais otimista do discurso do presidente Ronald Reagan, proferido em Berlim, em 1987, convidando pelo Secretário Geral do Partido Comunista Soviético, Mikhail Gorbachev, teria imaginado que dois anos mais tarde, o "muro de Berlim seria derrubado" e os regimes comunistas da Europa Oriental entrariam em colapso como peças de dominó. Em 1990, os antigos líderes comunistas estavam fora do poder, foram realizadas eleições livres e a Alemanha estava unida novamente.

O colapso dos regimes não aconteceu de forma pacífica. Os tanques soviéticos que haviam esmagado manifestações em Berlim Oriental, em junho de 1953, na Hungria, em 1956, e novamente na Checoslováquia em 1968. Os militares soviéticos estavam intimamente envolvidos no planejamento da lei marcial decretada na Polônia em 1980, e as tropas soviéticas permaneceram estacionados em toda a Europa Oriental, tanto para garantia da segurança soviética, como um lembrete sinistro para os povos do Leste Europeu, da dominação soviética sobre seus países.

A forte pressão da administração Reagan, em apoio às aspirações de liberdade política dos cidadãos europeus e soviéticos do Leste Europeu, foi importante para que, em 1985, um novo tipo de liderança ascendesse na União Soviética. As políticas de Perestroika (reestruturação) e Glasnost (transparência) de Mikhail Gorbachev legitimaram ainda mais os apelos populares para uma reforma dentro da Rússia. Gorbachev também deixou claro - primeiro secretamente para os líderes do Leste Europeu, e depois publicamente - que a União Soviética tinha abandonado a política de intervenção militar em apoio aos regimes comunistas (A Doutrina Brejnev).

Em 6 de fevereiro de 1989, o Governo Socialista da Polônia abriu oficialmente, em Varsóvia, negociações com os membros da resistência sindical ‘Solidariedade’. O movimento sindical Solidariedade foi formado em agosto de 1980, após uma série de greves que paralisaram a economia polonesa, em 1981 foi decretada, sob o comando soviético, a lei marcial que levou a organização para a clandestinidade. O movimento sindical Solidariedade somente sobreviveu devido ao apoio das organizações trabalhistas ocidentais e dos grupos de emigrantes poloneses residentes na Europa e nos Estados Unidos. Os resultados das "Mesas Redondas", foram gravados em um documento assinado pelo governo polonês e os representantes do Solidariedade em 4 de abril de 1989. O tratado incluía eleições livres para 35% do Parlamento, eleições livres para o Senado recém-criado, um novo gabinete, e o reconhecimento da solidariedade como um partido político. Em 4 de junho de 1989, como resultado dos tanques chineses haverem esmagado os protestos estudantis em Pequim, o Solidariedade alcançou uma vitória eleitoral esmagadora. Em 24 de agosto, quase dez anos após o Solidariedade surgir em cena, Tadeusz Mazowiecki tornou-se o primeiro não comunista primeiro-ministro em um país na Europa Oriental.

Na Hungria, mudanças drásticas estavam igualmente em curso. O governo, que já era o mais liberal dos governos comunistas, permitiu associação e reunião dos cidadãos, e ordenou a abertura das fronteiras do país com o Ocidente. A abertura das fronteiras criou uma estrada para um número cada vez maior de alemães orientais, escaparem para o ocidente. O Partido Comunista Húngaro perdeu seu líder de longa data, Imre Nagy, o líder comunista da Revolução Húngara de 1956, quando em 4 de novembro, o Exército Vermelho invadiu a Hungria e derrotou rapidamente as forças húngaras. Calcula-se que 20.000 pessoas foram mortas durante a intervenção soviética. Nagy foi preso (e posteriormente executado) e substituído no poder pelo simpatizante soviético János Kádár. De início, János Kádár promoveu a perseguição dos revolucionários: 21.600 presos, 13.000 internados, 400 mortos. Na década de 60, porém, com a frase de efeito "quem não está contra nós, está conosco", declarou uma anistia geral, reprimiu gradualmente alguns excessos da polícia secreta e efetuou reformas liberais na economia e na cultura, de modo a tentar superar a hostilidade popular contra si próprio e o regime. Em 1988, Kádár foi alijado do cargo de secretário-geral do Partido Comunista e o dirigente reformador comunista Imre Pozsgay foi admitido no Politburo. No mesmo ano, o parlamento aprovou um "pacote democrático", que incluía pluralismo sindical; liberdade de associação, de reunião e de imprensa; uma nova lei eleitoral; e uma revisão radical da Constituição. Em 23 de Outubro, dez meses após o início das reformas políticas, a Hungria adotou uma nova constituição que permite um sistema multipartidário e eleições diretas.

O colapso econômico do regime comunista da Alemanha Oriental levou um número crescente de alemães orientais tentarem fugir para o Ocidente. Milhares buscaram refúgio em embaixadas da Alemanha Ocidental em outros países comunistas, eventualmente, forçando o governo a permitir-lhes a emigrar via trens especiais. Ao visitar Berlim Oriental, Gorbachev advertiu a liderança comunista da Alemanha Oriental da necessidade de reformas políticas, e confidenciou a seus assessores que o líder da Alemanha Oriental, Erich Honecker, deveria ser substituído. Duas semanas depois, Honecker foi forçado a renunciar, enquanto centenas de milhares marcharam em protesto nas principais cidades da Alemanha Oriental. Em 9 de Novembro de 1989, o mundo assistia pela televisão, o Governo da Alemanha Oriental anunciar a abertura de todas as fronteiras da Alemanha Oriental. Em uma reação inesperada do povo, no mesmo dia o ‘Muro de Berlim’ veio abaixo, quando um porta-voz da Alemanha Oriental, obviamente mal informado ou intencionalmente, disse a repórteres que as novas regras de imigração também se aplicavam a Berlim.

Antes do final do mês, Helmut Kohl, Chanceler da Alemanha Ocidental, revelou um plano para a reunificação das duas Alemanhas.

Quando o muro caiu, com ele caíram os temores de uma reação Soviética, e as peças do dominó começaram a cair em um ritmo acelerado.

Em outubro de 1989, a polícia prendeu centenas de pessoas em Praga após uma reunião não autorizada; apenas algumas semanas depois, centenas de milhares se reuniram em Praga para protestar contra o governo. Alexander Dubcek, o comunista reformista que liderou a Primavera de Praga em 1968, fez sua aparição pública após mais de duas décadas. Um novo governo, não comunista, assumiu o país em 5 de Dezembro, e, em 29 de dezembro, Vaclav Havel, um dissidente e famoso dramaturgo, foi eleito presidente.

Na Bulgária, protestos levaram ao afastamento de Todor Zhivkov, o líder de longa data do Partido Comunista Búlgaro, e sua substituição pelo reformista, Petar Mladenov. O novo governo rapidamente anunciou que o governo iria realizar eleições livres em 1990.

Só na Roménia aconteceram eventos violentos. Nicolae Ceausescu, um seguidor cada vez mais idiossincrático dos tempos stalinistas, se recusou fazer quaisquer reformas. Em 17 de dezembro de 1989, em Timisoara, o exército e a polícia dispararam contra a multidão que protestava contra as políticas do governo, matando dezenas pessoas. Os protestos se espalharam para outras cidades, em 21 de dezembro Ceausescu ordenou a repressão violenta das manifestações, resultando em centenas de mortos. No dia seguinte, Ceausescu foi forçado a fugir de Bucareste e foi preso por unidades do exército no campo. No governo interino, liderado pelo reformista Ion Iliescu, Ceausescu e sua mulher foram julgados, condenados, e executados em 25 de dezembro.

Até o verão de 1990, todos os antigos regimes comunistas da Europa Oriental foram substituídos por governos democraticamente eleitos. Na Polónia, Hungria, Alemanha Oriental e Tchecoslováquia, recém-formados partidos de centro-direita ascenderam ao poder pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Na Bulgária e na Roménia, comunistas reformadores mantiveram o controle dos governos, mas novos partidos de centro-direita chegaram aos Parlamentos e tornaram-se participantes na nova liberdade política. Um projeto foi criado para a reintegração do Leste Europeu nas estruturas econômicas, políticas e de segurança ocidentais.

Em 10 de novembro de 1989, Anatoly Chernyaev, assessor de política externa de Gorbachev, escreveu em seu diário, que a queda do ‘muro de Berlim’ representou "uma mudança no equilíbrio mundial de forças" e o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Eduardo G. Souza
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Livros indicados:

Antonio Gramsci do Liberalismo ao "comunismo Crítico"
   Autor: Losurdo, Domenico
   Editora: Revan

 Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo
   Autor: Lênin, V. I.
   Editora: Anita Garibaldi

 Depois da Queda - O Fracasso do Comunismo e o Futuro do Socialismo
   Autor: Blackburn, Robin
   Editora: Paz e Terra

 Cortar o Mal Pela Raiz! História e Memória do Comunismo na Europa
   Autor: Meira, Caio
   Editora: Bertrand Brasil

 Utopia do Expurgo - O que Foi o Comunismo?
   Autor: Koenen, Gerd
   Editora: Loyola

A PENA DE MORTE É A SOLUÇÃO.


Os programas policiais e os noticiários das emissoras de TV, e os jornais noticiam diariamente confrontos armados entre marginais em determinadas áreas das cidades. Os apresentadores, usando entrevistas com moradores das áreas, clamam com veemência por uma participação maior da policia na segurança desses locais, acusando os governos de serem omissos na garantia da segurança nessas áreas.

Em primeiro lugar é necessária uma reflexão sobre o comportamento desses moradores nesses eventos. O que temos visto em geral, quando a policia intervêm e confronta os marginais, são esses mesmos moradores acusarem os policiais de usarem força excessiva e de entrarem na ‘comunidade’ atirando. Só que eles esquecem ou querem esquecer que esses marginais, que estavam trocando tiros, e colocando em risco esses moradores, estão fortemente armados e atirando sem qualquer cuidado ou selecionando seus alvos. Como então os policiais poderão entrar nessas áreas sem trocar tiros com esses marginais?

Há muitos anos que a simples presença de um policial não inibe as ações criminosas de marginais!

E quando a ação da polícia abate um desses marginais, esses mesmos moradores, por livre ou imposta decisão, vão para as imediações colocar fogo em ônibus, interditar vias e usar outras formas de protesto, acusando os policiais de terem matado um trabalhador, que, em geral, está desempregado, nunca trabalhou e tem uma extensa folha penal.

E o pior, quando um real morador é vítima desse confronto, sempre foi um policial o culpado, pois marginal não paga indenização, mas, do Estado acionado por rábulas, que sempre aparecem nessas situações, especialistas em arrancar indenizações do Estado acusando os policiais, é mais fácil de conseguir algum dinheiro. Não importa a verdade, o que importa é tirar algum proveito da situação. Mesmo que todas as evidências apontem que os policiais não foram culpados, as acusações acontecerão e os tumultos com queima de ônibus, obstruções de vias públicas e confrontos com a ‘tropa de choque’ vão acontecer.

E porque a policia não consegue manter a segurança pública? Falta de efetivo... Pode ser um dos fatores. Falta de recursos... Pode ser outro fator. Falta de equipamentos adequados... Certamente, pois os marginais possuem armas muito mais potentes e sofisticas que as dos policiais, mas esse é apenas mais um dos fatores. A causa mais relevante e a questão legal! Os policiais estão a cada dia apenas ‘enxugando gelo’!

Nossa legislação penal é totalmente inadequada, apresenta buracos e mais brechas que facilitam a chicane e a libertação dos marginais. Em 1988, a ‘Constituição Cidadã’ garantiu que a justiça fosse a mais favorável possível àqueles que poderiam ser vítimas de qualquer injustiça, ela defende os direitos individuais procurando dar todas as garantias ao cidadão. Mas, enquanto procurou preservar direitos, postergou nos deveres, e criou mecanismos jurídicos de proteção tais, que hoje é muito difícil manter um criminoso preso. Os policiais prendem, os promotores acusam, e os juízes ‘soltam’, diz o ‘povo’. Mas, as pessoas esquecem que os juízes julgam seguindo a ‘Lei’, e os advogados de defesa que estão familiarizados com esses tipos de crime, são profundos conhecedores das brechas das leis.

Assim é normal, quando um marginal é preso, que seja detentor de extensa folha penal, constando inúmeras acusações e até condenações. E todos perguntam: “como esse individuo está solto?” A resposta é simples – a culpa é das ‘Leis Criminal e de Execução Penal’.

Por outro lado, se todos os apenados fossem presos, não haveria prisão para todos. A progressão penal tem colocado nas ruas muitos condenados, hoje basta cumprir 1/6 da pena para conseguir a progressão, não fora isso as cadeias estariam muito mais abarrotadas do que está acontecendo. Celas para um determinado número de detentos estão sendo ocupadas por quatro ou cinco vezes suas capacidades. Isso é uma realidade incontestável, poucas prisões conseguem manter o número de detentos por cela estabelecidos.

Então o que fazer?

Em primeiro lugar combater a miséria com seriedade e sem politicagem.

Miséria se combate com emprego, com salários que satisfaçam às necessidades básicas de uma família. Miséria se combate com oportunidades iguais para todos, educação, saúde, saneamento, habitação, segurança e lazer são as necessidades básicas que devem ser satisfeitas com um salário digno, que possibilite o cidadão a sair verdadeiramente da miséria, pelos seus próprios méritos, sem depender de benesses ou esmolas governamentais ou sociais.

É necessária também uma revisão das ‘Leis Penal e de Execução Penal’, uma reforma séria que dê condições aos juízes de colocar e manter criminosos atrás das grades.

E acredito a essa altura muitos estarão pensando que eu iria propor o aumento de penitenciarias... Não! Pois considerando o nível que a criminalidade atingiu em nossa sociedade e as graves consequências econômicas que vivemos, não temos condições de investir na construção de novas penitenciárias e manter nelas um número ainda maior de presos, seria até econômica e socialmente imoral, retirarmos verbas que podem ser aplicadas em saúde, educação e infraestrutura para alojar e manter marginais.

Mas, como resolver esse problema?

Só existe uma solução...

Na verdade as autoridades atualmente mesmo com todo o rigor de suas ações, estão fazendo papel de tolos, pois reprimem a criminalidade, mas os marginais estão fazendo a cada dia coisas piores, então elas não percebem ou não querem perceber isso, pois aqueles que reconhecem são abatidos pelo desânimo.

Cada dia os criminosos são mais violentos e fazem de propósito, pois é uma forma de intimidar e afrontar a sociedade.

Será que a pena de morte poderia assustá-los? Ou o uso da pena de morte ou pena capital aumentaria a violência? Será que não há nenhuma esperança de dissuadir os criminosos de matar pessoas sem qualquer motivo?

A pena de morte ou pena capital é um dos temas mais controversos e está dividindo a sociedades, são diferentes os pontos de vistas, opiniões e razões abordadas por ambos os grupos.

Estamos defendendo usar a pena de morte como uma sentença para os assassinos reincidentes (premeditado ou não), os assassinos em série, os estupradores e pedófilos, e para aqueles reincidentes cujos crimes sejam considerados selvagens.

A pena de morte é aplicada com frequência em 57 países, outros 35 têm a legislação que permite a pena capital, mas não a aplicam a mais de 10 anos, entre os que ainda aplicam a pena de morte, estão países como Estados Unidos, Japão, Afeganistão, Botswana, Etiópia, Guatemala, Índia, Nigéria, Sudão, Síria, Zimbábue e Uganda.

De acordo com relatório da Anistia Internacional, 1.634 pessoas condenadas foram executadas em 2015. Um aumento de mais de 50% em relação ao ano anterior e o maior número registrado pela Anistia Internacional desde 1989. No entanto, a China, que lidera a lista das execuções, não divulga os números de aplicação da pena, pois são considerados segredo de Estado. A estimativa é que a China, sozinha, execute mais presos que todos os demais países juntos.

A maioria dos países deixa a decisão de adoção ou manutenção da lei capital a critério do povo. Assim, em vários países o povo foi ou é convocado por plesbicito para votar sobre o tema.

Em muitos lugares grupos de advogados, grupos de interesses especiais e lobistas se envolvem, e tentam influenciar os cidadãos para votarem contra ou a favor da lei.

Alguns defendem a vida de um criminoso alegando que todos têm "direito à vida", é um excelente argumento e deve ser aplicado também as vítimas. Alguns gritam, e gritam, sobre o direito do criminoso a vida, mas esquecem de se preocupar e pensar sobre aqueles cujo ‘direito a vida’ foi violado. Os direitos individuais de uma pessoa não são superiores aos de nenhuma outra pessoa. Em uma visão individual, uma pessoa tem apenas dois direitos – o ‘Direito à Vida’ e o ‘Direito de Escolha’ ou Direito de Decidir. Tudo o que você pode fazer é determinado por esses dois direitos.

Para manter uma sociedade civilizada e sadia, as pessoas devem ter uma moral ilibada e serem responsáveis por suas ações. Mesmo que o "direito à vida" possa, em princípio, garantir que nenhum indivíduo tem o direito de tirar a vida de outra pessoa, o ‘direito de escolha’, por outro lado, garante que cada ação praticada é fruto de uma decisão tomada pelo indivíduo. Então cada pessoa deve ser responsável pelos seus atos, se alguém tomar uma decisão errada deve arcar com as consequências da sua decisão.

Assim, a sociedade não pode permitir que um indivíduo sistematicamente tome decisões erradas, que coloquem em risco a vida de outros e a saúde da sociedade. A "maioria" não pode sofrer por ações criminosas de um individuo que coloque em risco essa maioria, então a sociedade deve tomar uma ‘decisão’, pois a saúde social é mais importante que a vida de um único marginal.

As pessoas que não são ateias, de uma forma ou de outra, querem seguir os ensinamentos religiosos ou apenas acreditar em Deus. Essas pessoas, em geral, acreditam serem superiores aqueles que não acreditam em um Deus. Eles acham-se melhores simplesmente por causa de sua fé religiosa ou de sua crença em Deus. Alguns usam suas crenças para defender a vida de assassinos contumazes, sem levar em conta os sentimentos dos familiares das vítimas, sem avaliar como uma morte prematura pode transformar em uma bagunça e tornar difícil a vida dos familiares da vítima, garantindo estarem certos de acordo com sua crença, se fechando em si mesmos a quaisquer outras opiniões contrárias.

Esta área específica é onde as coisas são muito nubladas. Aqueles que possuem uma crença religiosa ou simplesmente acreditam em Deus, creem serem perfeitos, e sua crença infalível. No entanto, como sabemos, os seres humanos não são perfeitos e são sempre falíveis. Então é quase impossível discutir e argumentar com aqueles que professam uma fé, sendo sua posição, de acordo com os princípios dogmáticos de sua crença, a favor ou contra a pena de morte.

Para buscar uma solução racional para os argumentos estabelecidos sobre a sentença de pena de morte, temos que compreender o direito moral, e objetivamente pesar o valor de uma pessoa em confronto com o valor de toda a sociedade. E analisar friamente se a única opção disponível se reduz a sociedade eliminar um assassino contumaz, com a certeza de ser esta a única alternativa para salvar vidas de pessoas úteis e ajustadas socialmente, se você acreditar ser melhor correr o risco que eliminá-lo, então acredite também que sua vida não vale um centavo nas mãos de um assassino.

O direito individual à vida é automático (nasce com o indivíduo), contudo quando o indivíduo tira a vida de outros, ele infringiu os direitos a vida dos outros. O direito de um indivíduo não pode ser superior aos direitos dos outros, e quando o indivíduo, por sua ação, nega os direitos dos outros a vida, ele está errado... e pelas regras de igualdade ele também deve ter seus direitos individuais negados.

A pena de morte é, sobre tudo, um de modo a prevenir o crime. Algumas pessoas, no entanto, afirmam que a pena capital não faz nada para impedir ou prevenir o crime. No entanto ela é forma de dissuasão e as estatísticas, não podemos negar, mostram que, quando aplicada, ela ajuda a deter os assassinos e os crimes que cometeriam.

Alguns defendem a prisão perpetua, acreditam que deve haver algo errado, comportamental ou fisicamente, com os assassinos, estupradores e pedófilos, e eles devem ser presos por toda sua vida, e não executados.

Na verdade esse grupo está empurrando sobre os ombros da sociedade um duro e continuo peso financeiro e administrativo, que em nada contribuirá para melhorar a sociedade. As verbas para manter esses criminosos encarcerados, seriam muito mais bem aplicadas em atendimento das necessidades do povo.

Em uma sociedade civilizada, cada indivíduo deve tomar as medidas necessárias, para responsabilizar ​​aqueles que tirarem a vida de outras pessoas. A mensagem deve ressoar a uma só voz, de modo a fazer todos compreenderem que aqueles que forem reincidentes em assassinar, estuprar e violar crianças pagará com a sua vida seus crimes.

Finalizando, acredito que a pena capital poderia ser aplicada por um determinado período, e, de acordo com os resultados, ser posteriormente avaliada a continuidade da necessidade de sua aplicação.

E os presos deverão ser executados da forma mais humana possível.

Eduardo G. Souza
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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A IMPORTÂNCIA DA MORAL SOCIAL.  


Ao longo dos anos, temos avançado na causa do bem-estar humano e na compreensão de que a vida é um bem de valor real, digna do esforço humano para mantê-la custe qualquer sacrifício.
Com a compreensão verdadeira da vida, compreendemos que temos pouco controle de nossas vidas ou do futuro. Muitas vezes apenas reagirmos cegamente sem entender porque, e vivemos como as folhas sopradas pelo vento. É a felicidade da ignorância, é a felicidade da estupidez. Mas a compreensão do que está fora de si, é o que separa o humano do animal. Sem compreensão da vida, não somos melhores do que os animais e, algumas vezes, nos comportamos pior que eles.  
No entanto, para alcançar a vida plena, temos que refletir sobre a nossa vida, e colocar a verdade à frente do ego, dos prazeres, do orgulho, dos preconceitos, etc., e, em busca da consciência do Ser, chegarmos à compreensão verdadeira e honesta de nosso comportamento como ser individual e social.
Quando repentinamente o mundo que aceitamos como nossa própria realidade, parece ter mudado e ficado mais violento, ficamos consternados: "Como é possível que essas coisas aconteçam?", "Precisamos mudar a lei!", dizemos uns aos outros. Nós não vemos que a lei, sem a sua compreensão, não vai mudar a nossa atitude ou dos outros perante a vida. A maioria dos crimes não é resultado de falha da lei ou porque os criminosos não são humanos, mas devido à falta de compreensão do indivíduo de sua condição humana.
Existe uma vasta literatura expondo a subversão da sociedade em nosso tempo, como foi tratada no livro "1984". Neste livro de George Orwell (um ativista da esquerda, que viu a luz) a realidade foi camuflada como ficção. Mas despojada da dramatização, a história predisse claramente o que estava para acontecer, ou seja, que a mentira seria apresentada como verdade, o ódio seria disfarçado como o amor e a guerra seria promovida como meio de impor a paz. A história seria constantemente reescrita para atender os planos do poder legal (Grande Irmão). As crianças (ensinadas em falsos valores) seriam espias de seus pais, para que eles tivessem um comportamento politicamente correto, tudo e todos estariam constantemente espionados.
Estamos vivendo em um mundo de privação da humanidade e da ignorância, porque não nos incomodamos em estudar e aceitar a lógica básica da vida. O comportamento social tem sido subvertido pelo individualismo. O senso comum tem se tornado uma mercadoria rara.
Eu tenho procurado fazer meu trabalho de conscientização, tenho ajudado a "mostrar o mundo ao mundo", para que no final não sejam capazes de dizer: "Nós não sabíamos, não tínhamos nenhum aviso". A vida é valiosa demais para desperdiçada.
Dizem que existem três tipos de pessoas no mundo: “aqueles que fazem as coisas acontecerem, aqueles que assistem as coisas acontecerem, e aqueles que nunca sabem o que os atingiu”. Aqueles que não querem se incomodar em tentar compreender os eventos, compõem as duas últimas categorias e é hoje a grande maioria das pessoas do mundo.
Nós não temos de sacrificar-nos a escravidão da ignorância. As luzes do mundo nunca brilharam mais brilhantes; hoje as noites escuras da ignorância foram transformadas em dias brilhantes do conhecimento; informações inundam nosso dia, a capacitação técnica tem mudado o mundo, mas ainda assim as sombras da ignorância e do desespero cada vez mais rapidamente formam nuvens e mais nuvens em nossas vidas.
O conhecimento é a única coisa de valor real que podemos acumular.
Um famoso filósofo chinês teria respondido à pergunta: "Qual é a primeira coisa que você faria como governante de um novo estado?", dizendo: "A primeira coisa que faria seria definir o significado das palavras."

Esse homem sabia da necessidade do conhecimento. Um significado claro para as palavras que usamos é essencial. Quando nós permitimos e incentivamos a adaptação de palavras para um determinado grupo, com significados próprios, perdemos a coesão social e promovemos as divisões sociais.
Então, vamos tentar definir o significado da palavra do que talvez seja o mais importante em uma sociedade humana. A palavra "moral".
A palavra moral significa o tipo de comportamento ou ação que é socialmente benéfico. Moral não é apenas, como alguém ou algum dicionário pode definir, uma questão de se comportar de acordo com a convenção social. A moral vai além de se comportar de acordo com a consciência, ou agir de modo racional dominando as ações emocionais. Moral não é uma exigência arbitrária da lei, do governo, dos pais ou de Deus, é um comportamento que, em longo ou curto prazo, é verdadeiramente de natureza benéfica para a vida. Se a moral faz exigências sobre a consciência é coincidência.
Se o verdadeiro sentido da palavra "moral" fosse positivamente ensinado e socialmente promovido, é improvável que a decadência social pudesse prosperar.
"Ideologia" é outra palavra que também merece uma menção. Ela significa uma ideia sobre o que se imagina seria socialmente ideal. Pode ser uma ideia pensada por alguns acadêmicos que acreditam que a sociedade pode ser planejada para atender desejos de uma elite, desprezando as lições da história da humanidade, ou pode ser parte de um brilhante plano para subverter ou enfraquecer uma sociedade adversária.
O que está sendo feito hoje, em todo o mundo, é simplesmente uma versão “high tech”, mais refinada, do que foi feito na Alemanha de Hitler e na Rússia de Stalin, é parte de um plano para tirar vantagem do desejo humano normal de obter alguma coisa por nada e culpar os outros pelos seus problemas.
O enredo é manipular o comportamento social, para o benefício do poder ditatorial.
Quando as lições de compreensão, a experiência e a razão são substituídas por desejos humanos deformados, a confusão e a frustração se tornam a base para o comportamento humano, e a sociedade torna-se cheia de conflitos, violência e práticas de corrupção.
O estudo das civilizações passadas revelam padrões comuns de crescimento e decadência, que terminam com a promoção do entretenimento e do prazer irresponsável. O individualismo substitui as atitudes cooperativas que originalmente fazem uma grande nação.
A Bíblia adverte contra a adoração de ídolos, e os ídolos em tempos pré-cristãos eram principalmente imagens de madeira ou metal. Hoje temos adoração de ídolos que podem variar de cantores pop a outros artistas, a equipes esportivas e jogadores, partidos políticos e a líderes. Estes ídolos ocupam uma quantidade enorme do tempo do pensamento da sociedade, bem como os esforços dedicados de muitas pessoas inteligentes e altamente motivadas.
Que valor humano ou social resulta da ocupação de uma energia enorme e do esforço intelectual quando dedicado ao culto de atividades desnecessárias? Artes, esportes, política, etc., podem preencher uma necessidade social, mas quando a energia é dirigida a um ídolo em oposição ao bem-estar humano, ela está sendo socialmente desperdiçada e colocando em risco o bem estar social.
Afirma-se frequentemente que uma civilização foi superada pelos bárbaros, mas essa é a visão dos perdedores. Não há nada mais bárbaro ou primitivo do que o próprio comportamento social que leva à decadência dessa sociedade. Quaisquer armadilhas externas contra avanço da sociedade podem ser superadas quando a união social é mantida, mais nada pode alterar os resultados destrutivos de uma ação social que tem a intenção da gratificação pessoal, em vez do progresso humano e social.
A saúde de uma sociedade é medida pela sua moralidade. Pela natureza do poder moral, que "bárbaros" são superiores a moralidade? Mesmo que os bárbaros possam ser violentos, brutos e cometerem atrocidades terríveis, esses atos são menores em valor frente às atrocidades realizadas por uma sociedade degenerada, desperdiçando suas realizações humanas. Uma sociedade preparada para sacrificar os interesses particulares pelo bem-estar da comunidade tem uma forte motivação para combater e superar a degeneração social. Nós pensamos que nossa sociedade não pode declinar, mas decadência social é historicamente uma possibilidade.
Hoje as nações avançadas são efetivamente governadas por uma insanidade ditatorial. Sofrem com a perda significativa da memória histórica. Não existe uma sociedade que possa destruir o câncer da imoralidade social e inspirar um novo começo. Se uma "moral social" não emergir das crises que estão vivenciando as nações, nada poderá evitar um novo desastre da humanidade.
Eduardo G. Souza
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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

OS EUA E AS RELAÇÕES COM CUBA


Os Estados Unidos tem hoje a melhor oportunidade de por fim a miséria e ao sofrimento do povo cubano. Por mais de meio século, Fidel Alejandro Castro Ruz e agora seu irmão Raúl Modesto Castro Ruz dominam o poder em Cuba. Infelizmente, não poderia ter sido evitado, mas hoje os Estados Unidos tem condições de, finalmente, dar ao povo cubano a liberdade que merece, e sem que um único tiro seja disparado. A oposição em massa ao regime moribundo dos Castros dá uma oportunidade única e uma obrigação aos Estados Unidos de libertar o povo cubano. E essa eliminação do regime comunista cubano também irá ajudar em parte a vencer a guerra contra o terror.

A deterioração da economia e as ameaças às liberdades individuais patrocinadas pelos mal sucedidos regimes comunistas ocidentais, são, em princípio, as principais causas de suas próprias queda um dia. Certamente a deterioração da economia e a tirania levaram à queda de muitos países comunistas, e o melhor exemplo é a derrocada da União Soviética. Cada regime comunista usa a técnica da "opressão das massas", para manter o poder conquistado pelas revoluções, até mesmo aqueles que se auto definem como "democráticos", são liderados por marxistas dissimulados, e roubam a liberdade de milhões.

Assim, pode-se tentar justificar as primeiras violações em massa de direitos individuais promovidas por Castro, como uma justificativa para a vitória e manutenção das conquistas da revolução. Só que a revolução em vez de trazer a liberdade do povo, trouxe a tirania do partido comunista. Considerando que Castro e os seus revolucionários, em nome da revolução, sacrificaram, com culpa ou não, sem um julgamento justo, milhares de vidas, não é de se estranhar que, posteriormente, cometessem os abusos em massa dos direitos individuais que se seguiram. De acordo com ‘O Livro Negro do Comunismo’, desde o início de seu reinado, Castro mandou prender pelo menos 400 mil pessoas e matou, ou contribuiu para a morte, de 25 mil a 37 mil pessoas.

Em relação à "expansão das revoluções", resolução aprovada pelo II Congresso do Partido Comunista de Cuba, em 1980, declarou: "... a importância de continuar a promover a consolidação de uma frente comum para apoiar as transformações estruturais indispensáveis ​​exigidas pela região. Este processo será apoiado pela incorporação, em larga escala, de grupos cristãos e organizações nas lutas de libertação nacional e justiça social, como ocorreu na Nicarágua e El Salvador”.

Ele também declarou em uma entrevista a Le Fígaro Magazine: "Os Estados Unidos queriam que nós fizéssemos um erro estratégico e tático, ao proclamar a revolução como um movimento comunista. Na verdade, eu era um comunista... Eu achei que um bom marxista-leninista não deveria proclamar ser uma revolução socialista nas condições que existiam em Cuba em 1959. Eu acho que fui um bom marxista-leninista em não fazer isso, e não dar a conhecer as nossas crenças subjacentes. O que os Estados Unidos queriam para nos julgar, era saber o que nós pensamos, e se nos deixaríamos ser manobrados ou manipulados por ele. Eu acho que foi uma coisa excelente não anunciarmos o marxismo-leninismo ou a natureza socialista da revolução na época". Lembrem-se, os EUA não sabia que Castro era comunista até alguns anos após a sua revolução.

A primeira tentativa de Castro de destruir a liberdade de outros povos, além dos cubanos, foi quanto em 1948 ele ajudou a revolução na Colômbia, ao mesmo tempo, tentou derrubar o ditador da República Dominicana. Se Castro fosse um verdadeiro defensor da liberdade, estas seriam boas ações, mas todos nós sabemos que, se essas tentativas fossem bem sucedidas, uma tirania antiga seria substituída por uma nova tirania com mais aliados.

As violações dos direitos individuais se estenderam até mesmo a estrangeiros. Por exemplo, acredita-se que as forças cubanas que foram para o Vietnã, foram mobilizadas para ajudar na tortura e no interrogatório de prisioneiros de guerra americanos e inimigos, o que pode significar que Castro teve papel no desaparecimento milhares de prisioneiros de guerra nas Guerras do Vietnã e da Coreia, onde os prisioneiros americanos e inimigos foram torturados, e às vezes banidos para prisões de trabalho forçado em países do Bloco Oriental. Acredita-se que muitos deles ainda são prisioneiros, ​​podendo ainda estar vivos.

Castro nunca conseguiu o seu sonho de transformar outros países no modelo de sua própria utopia. Mas, conseguiu influenciar alguns. O melhor exemplo disso é a Venezuela, que produzia cerca de um quarto do petróleo importado pelos Estados Unidos, e era um país estratégico mundial. Quando Chávez decidiu adotar o modelo ‘bolivariano’ em seu país, não surpreendeu o apoio que recebeu de Fidel Castro. Hugo Chávez era um admirador declarado de Fidel Castro, da China e do comunismo, rapidamente tomou o poder após a sua eleição. Para preparar o seu regime totalitário, ele criou os Círculos Bolivarianos, a versão venezuelana de Comitês de Defesa Revolucionárias de Cuba. Os Círculos Bolivarianos dominaram as delegacias de polícia em todo o país, e nacionalizaram as unidades das maiores empresas de petróleo. Parte desse petróleo confiscado foi posteriormente exportado para Cuba de graça ou a preços escandalosamente baratos, permitindo que o regime cubano sobrevivesse por algum tempo.

Os planos de Fidel Castro para ajudar Hugo Chávez foram os mesmos que ele usou no Chile de Salvador Allende, que envolveu o envio de forças especiais cubanas para ajudar na montagem de um regime totalitário. Fontes da oposição na Venezuela denunciaram a presença de militares cubanos, e como esses assessores e oficiais de inteligência dominaram os serviços de inteligência da Venezuela, as escolas militares, o controle dos portos e aeroportos, a Guarda Presidencial de Chávez, e todas as unidades da indústria do petróleo.

Quando as forças de oposição levantaram-se e quase tiraram Hugo Chávez do poder na Venezuela, Fidel Castro correu para ajudar Chávez, forças especiais cubanas assumiram a sua segurança, garantiram sua posição, e, finalmente, levaram a vitória de Chávez. De certa forma a vitória de Hugo Chávez na Venezuela alimentou as tendências comunistas de grupos no Brasil, na Argentina, no Equador e no resto da América Latina. Era, naquele momento, até quase provável, que os sonhos de Castro de uma revolução latino-americana bem sucedida, liderada por si mesmo, pudessem realmente se tornar realidade nos anos subsequentes.

Nesse contexto, vocês podem até se surpreender por Cuba não violar tratados internacionais e ter armas químicas e biológicas, além de patrocinar o terrorismo, e também não ter ousado quebrar acordos da Guerra Fria entre os anos de 1960 a 1970. No entanto, em 1962, a inteligência americana notou um súbito aumento no número de navios soviéticos a caminho de Cuba, transportando equipamentos para o início da montagem de pampas para lançamento de mísseis. O secretário de Defesa, Robert McNamara, determinou que a movimentação fosse observada de perto.

Apesar dos indícios suspeitíssimos, John Kennedy e seus auxiliares caíram no conto de Nikita Kruschev, que jurava de pés juntos que a URSS não colocaria armas ofensivas em Cuba. Mas, comunicações entre cubanos na ilha e seus parentes exilados em Miami, denunciavam os trabalhos estranhos dos russos, o governo americano, contudo, optou por desprezar as informações. Apenas o diretor da CIA, John McCone, acreditava nas informações vindas de Cuba e nas observações de seus agentes, que indicavam ser a carga dos navios soviéticos bélica, o diretor da CIA, no entanto, foi incapaz de convencer o presidente. A negligente inocência de Kennedy chegou a tal ponto, que ele não entendeu o recado, uma semana antes da crise explodir, do presidente de Cuba, Osvaldo Dorticós – que era apenas mensageiro do regime, pois quem mandava mesmo era Fidel –, quando discursou na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que afirmou com uma clareza cristalina: "Se Cuba for atacada, saberá se defender. Repito: temos meios para nossa defesa. Também temos nossas armas inevitáveis, as armas que preferíamos não ter adquirido, as armas que desejamos jamais utilizar".

Dias depois um avião U-2 equipado com câmaras fotográficas especiais fotografou o que parecia ser uma nova construção militar em San Cristóbal, na província de Pinar del Rio, no oeste de Cuba. As fotografias foram examinadas com minúcia e confirmaram: os soviéticos se preparavam para instalar mísseis em Cuba, e as características das instalações fotografadas pelos americanos indicavam que esses mísseis seriam carregados com ogivas atômicas.

As implicações eram gravíssimas. Os soviéticos fincariam bases para serem capazes de disparar um míssil nuclear contra qualquer cidade americana. Ciente da gravidade do assunto, o assessor especial para Assuntos de Segurança Nacional, McGeorge Bundy, o primeiro a receber o explosivo relatório, decidiu levar imediatamente ao conhecimento do chefe. Ao despertar para o desafio, o mais jovem presidente eleito da história americana (aos 43 anos, em 1960) enfim mostrou possuir a estatura intelectual e moral necessária para liderar a principal democracia do mundo. Imediatamente relatórios do gabinete do presidente dos Estados Unidos ao Congresso denunciaram violações de tratados por Cuba em setembro e outubro de 1962. O relatório denunciou que a violação aconteceu pela tentativa de ‘implantação de armas ofensivas’ (mísseis MRBM e IRBM; e bombardeiros médios) em Cuba.

Calejado após algumas trapalhadas nos dois primeiros anos de governo, Kennedy definiu o confronto como a linha mestra de condução da crise. Sabendo do apoio dos países não alinhados a Moscou, o presidente decidiu não fazer nenhum movimento brusco, e ofereceu um tempo para que Kruschev sentisse a pressão e recuasse. Foi, de fato, o que acabou ocorrendo, resultado do bloqueio naval no Atlântico. Nikita Kruschev, o soberano de um império que se caracterizava pela sua frieza e destemor diante do sentimentalismo dos ocidentais, foi o primeiro a ceder. A Casa Branca recebeu uma mensagem incomum. No lugar dos comunicados impessoais e sisudos geralmente assinados por Kruschev, chegava uma carta extensa e franca, claramente escrita sob forte emoção, os nervos de aço de Kruschev haviam fraquejado? O certo é que ele decidiu oferecer um acordo aos americanos, e redigira a carta de próprio punho, sem consultar a cúpula comunista. Sua proposta era que se Kennedy prometesse não atacar Cuba, todos os mísseis iriam embora.

"Entendemos perfeitamente que, se atacarmos vocês, vocês responderão da mesma forma. Somos pessoas normais, que compreendemos e avaliamos corretamente a situação. Só lunáticos e suicidas poderiam agir de outra forma. Não queremos destruir seu país, mas sim, apesar das nossas diferenças ideológicas, competir pacificamente, e não por meios militares. Somente um louco é capaz de acreditar que as armas são os principais meios de vida de uma sociedade. Se as pessoas não mostrarem sabedoria, elas entrarão em confronto, e a exterminação recíproca começará." escreveu Kruschev.

Kennedy não pode, porém, aparecer como um mocinho pacato que afugentou o bandido que apontava uma arma para sua testa. É importante lembrar que o inimigo foi atraído pelo próprio presidente, que era muito mal assessorado por militares que adoravam um conflito armado. Com a inútil, mal organizada e fracassada invasão à Baía dos Porcos, em abril de 1961, Kennedy ofereceu de bandeja a melhor desculpa possível para Castro e Kruschev – a de que era imperioso armar a ilha para evitar outra tentativa de invasão a Cuba. Os Estados Unidos aprenderam a lição e não voltaram mais a cogitar invadir Cuba, mesmo depois do fim da guerra fria.

Cuba também tentou violar os acordos de proliferação de armas entre 1970 e 1974 pela tentativa da aquisição e uso de submarinos carregados com mísseis nucleares soviéticos em águas territoriais cubanas. Novamente as ameaças de intervenção dos Estados Unidos frustraram os intentos bélicos de Fidel. 

É claro que Cuba não usa somente violar tratados na tentativa de uma abordagem para promover os seus objetivos. Por exemplo, em 22 de maio de 1977, Jimmy Carter recomendou que os americanos deveriam parar de serem paranoicos quanto à ameaça do comunismo cubano, poucos dias depois Cuba enviou uma grande força militar para a Etiópia, em uma interferência comunista internacional. Qualquer um que parecia ser uma ameaça para Cuba, como Ronald Reagan, por exemplo, era considerado um alvo, poderia ser assassinato, sofrer um forte ataque de propaganda ou outras formas de minimizar sua capacidade de ameaçar Cuba. Quando era presidente, Ronald Reagan, poucos dias depois de falar contra Fidel Castro, recebeu um pacote com um boneco espetado por uma agulha dessas usadas por agentes funerários, juntamente com um bilhete com uma ameaça de morte. O bilhete foi assinado por "amigos de Cuba". Se isso foi sobre as ordens e inteligência de Cuba ou não, não sabemos, mas mostra que Cuba usava forças amigáveis mesmo nos Estados Unidos.

Na verdade as questões militares e até o sonho de converter os países latinos americanos ao comunismo ficaram no passado, hoje o principal problema de Cuba é que a sociedade e o povo podem ser bem controlados, mas pouco é produzido. Fidel Castro não conseguiu transferir seu sucesso inquestionável na política para o dinamismo econômico. As coisas estão tão complicadas na economia cubana, que o melhor exemplo é a baixa produtividade agrícola. De acordo com informações do governo cubano, Cuba teve que gastar 1,9 bilhões de dólares na importação de alimentos só no último ano. Desde 2002, quando Fidel ainda era o Comandante, o país vem reduzindo a produção de açúcar, a fim de produzir mais alimentos. Após o colapso da economia açucareira, o país quis desenvolver novos sectores de produção - mas o projeto falhou miseravelmente. Os técnicos agrícolas cubanos admitem que os resultados tenham sido devastadores.

Particularmente atrozes para a agricultura são os efeitos do "tudo pertence ao governo", essa política tem consequências negativas para o setor agrícola, onde as reformas socialistas tentaram resolver todos os problemas, mas o problema central - a propriedade da terra – nunca foi solucionado. Esse problema é colocado claramente na declaração de um lavrador: "Por que eu deveria investir na terra, se ela não pertence a mim?"

Os problemas cubanos se agravaram e não existem perspectivas de melhora com a deterioração da economia e a crise política da Venezuela. Dependente do petróleo e dos recursos vindos da Venezuela, Cuba vê com muita preocupação a diminuição da produção de óleo e a desvalorização monetária que assolam a Venezuela. A crise venezuelana já é sentida e atinge duramente a economia cubana.  

Ao mesmo tempo, os salários não podem acompanhar o ritmo do custo de vida. E, nesse quadro, o peso cubano perdeu 176 por cento do seu poder de compra desde 1989. Para tentar minorar o problema, em 1994, Fidel Castro criou o ‘peso cubano convertível’ (CUC), com um valor igual ao dólar estadunidense, um CUC vale cerca de 30 pesos cubanos. O CUC é a moeda que os turistas usam (o turismo é hoje a maior fonte de divisas do país), ela é aceita em hotéis, restaurantes, lojas de artigos turísticos, locadoras de veículos, táxis e todos que prestam serviços turísticos. O peso cubano, a moeda nacional usada pelos cubanos, não é aceita em locais que recebem os turistas. Um taxista que consiga transportar turistas faturando 25 CUCs por dia, em 20 dias de trabalho, um mês, vai embolsar, em moeda nacional, 12 mil pesos cubanos, o que equivalente a cerca de 50 meses de salário de um cubano que ganhe o salário mínimo. Se uma pessoa optar por largar seu emprego para esmolar em frente a um hotel e conseguir dos turistas 1 CUC por dia, no final do mês ela terá ganho 900 pesos cubanos, mais que o dobro do salário mínimo de um trabalhador (até parece às bolsas benesses do Brasil). Essa busca desesperada pelo CUC e outras moedas estrangeiras, principalmente o dólar, tem impulsionado a prostituição (feminina e masculina) e uma rede mafiosa de contrabando de charutos cubanos, muito apreciados por charuteiros de todo o mundo. Por isso, Raúl Castro não pode oferecer a juventude cubana algumas perspectivas positivas para o futuro.

Na maioria das vezes a culpa pela situação ruim da economia cubana é da administração, da tomada de decisões e do planejamento, centralizados e superburocratizados. A economia está estrangulada pelos burocratas estatais cubanos.

Outro problema enfrentado por Raúl é a dependência da Venezuela, que está fornecendo petróleo barato ou doado para Cuba. No momento, cerca de 30 mil especialistas cubanos – médicos, engenheiros e militares - estão na Venezuela. A remuneração deles está sendo uma fonte significativa de receita para Cuba amortizar a dívida do óleo fornecido pela Venezuela. No entanto, a crise política e econômica que acontece na Venezuela, coloca em risco o fornecimento de petróleo e a receita advinda do trabalho desses cubanos na Venezuela e em outros países. 

Nos tempos coloniais, Cuba era escrava da Espanha, em seguida, dos Estados Unidos e, após a revolução, para a União Soviética. Agora é dependente da Venezuela e de seu presidente Nicolás Maduro - mas isso é discutido somente a portas fechadas pela cúpula do governo em Cuba. Um legado do Comandante, que está fazendo o povo sofrer.

Mas os Castros tem dado pouca atenção ao sofrimento dos cubanos e a baixa produtividade da economia e ficam muito felizes em atribuir ao ‘embargo comercial’ americano à culpa de todos os males que consomem a economia e destroem o país.

Agora cabe ao irmão mais novo de Fidel, Raúl limpar essa bagunça, e esse reparo, passa necessariamente, por uma aproximação com o governo norte americano. Já que não conta mais com a ajuda da extinta URSS, a Venezuela, que desde o tempo de Chávez e Fidel, lhe prestava ajuda, está falindo e os países latinos americanos parecem dar uma guinada para a ‘direita’. Mas, parece que Raúl Castro ainda está apegado aos caquéticos princípios revolucionários que levaram Cuba a decadência social e econômica.

Hoje os Estados Unidos não precisam lançar mão de medidas militares contra Cuba, ao contrário, com o isolamento e o colapso da economia cubana, os Estados Unidos com um movimento de apoiou a Cuba, poderá facilmente mudar sua imagem de país opressor, que ainda está na consciência de parte do povo cubano, e se transformar em um país amigo de deu a mão a Cuba quando ela desce ladeira abaixo.

Em um encontro histórico, Raúl Castro pediu a Barack Obama que seja suspenso o embargo econômico à ilha. O líder norte-americano se comprometeu a avançar com a normalização das relações entre os dois países, mas o bloqueio permanece. Pois, por outro lado, Obama solicitou ao líder cubano que o governo respeite os direitos humanos e as liberdades política do povo cubano. Portanto, não cabe somente aos Estados Unidos, nesse momento, estender a mão para salvar o regime dos Castros, mas ao governo cubano promover as mudanças necessárias para assegurar a democracia e a liberdade do povo. E assim, sem violência ou o sacrifício de vidas de americanos ou cubanos, libertar a nova geração cubana da tirania, da opressão e da miséria, pois os jovens do povo cubano são amantes e anseiam a liberdade. 

Eduardo G. Souza.

Fontes:

Allison, Graham & Zelikow, Philip. Essence of Decision, Explaining the Cuban Missile Crisis.
Ayerbe, Luis Fernando. A Revolução Cubana.
Bandeira, Luis Alberto Moniz. De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina.
Brenner, P. & Kornbluh, P. Clinton’s Cuba Calculus.
Chairman, Joint Chiefs of Staff. Justification for US Military Intervention in Cuba (includes cover memoranda). 
Courtois, Stéphane e outros. O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO - Crimes, terror e repressão. (Apenas a título de esclarecimento são coautores: Jean-Louis Panné, Andrzej Paczkowski, Karel Bartosek, Jean-Louis Margolin, e colaboraram: Remi Kauffer, Pierre Rigoulot, Pascal Fontaine, Yves Santamaria e Sylvain Boulouque) Tradução CAIO MEIRA.
Moser, John & Hahn, Lori. The Cuban Missile Crisis, 1962: 'The Missiles of October'.
Pope, Ronald R. Soviet Views on the Cuban Missile Crisis: Myth and Reality in Foreign Policy Analysis.
Valle, Amir. Habana Babilonia – Prostitution in Kuba.
Valle, Amir. Jinetera.


A DERROCADA DA VENEZUELA ARRASTA CUBA A UM NOVO PERÍODO DE CRISE... EUA A SALVAÇÃO! 


Todo dia novas vítimas dos baixos preços do petróleo aparecem, exibindo os patentes sinais da sua aflição. Primeiro, foi à Venezuela, que ofereceu um triste espetáculo com a desintegração da sua economia com a queda dos preços do petróleo. Em seguida, foi à Rússia, que está à beira de um desagradável e autodestrutivo desequilíbrio fiscal, caminhado para uma grave crise financeira. Em seguida, um evento mais bizarro, o colapso de um país que é vítima dos preços em queda livre, sem nunca ter sido um grande produtor de petróleo. Cuba é vítima, porque o país vinha sendo mantido pela Venezuela, que está indo à falência.

Os dois primeiros estão passando por situações humilhantes. A Venezuela está forçada a parar de comprar aliados políticos em toda a América Latina para apoiar a sua ideologia populista, o socialismo do século XX. A Rússia, que joga em um grupo muito maior e mais importante, teve que abandonar suas intenções de engolir seus vizinhos. Nenhum deles, no entanto, sofreu uma desonrosa humilhação como a de Cuba, que foi forçada a infligir a si mesma, a aproximação do país de Fidel e Raul Castro com o chamado "Império Capitalista", que eles juraram lutar contra, sem dar trégua, até vê-lo sucumbir, até a sua morte. Aproximar-se dos Estados Unidos e humildemente pedir para ser autorizada a entrar na esfera da influência econômica americana, abrindo-se a investidores americanos, pedindo para ser autorizada a vender seus produtos nos mercados norte-americanos, pedindo para ser autorizada a receber mais remessas de dólares enviados pelos cubanos que vivem nos Estados Unidos para suas famílias em Cuba e implorando pelo fim do embargo, isso é muita humilhação.

A queda drástica nos preços do petróleo foi o necessário para empurrar Cuba em direção ao capitalismo, para acabar com toda sua retórica de guerra de classe e da necessidade de revoluções sangrentas. Isto não é surpreendente. Não é a primeira vez que Cuba se encontra desamparada, à procura de algum subsídio de outro país, porque não pode subsistir com seus próprios meios. Fidel Castro e o Partido Comunista destruíram a economia cubana logo depois que realizaram a revolução em 1950. Desde então, Cuba tem necessidade patrocinadores.

Isto não parecia ser um problema naquele momento, porque para a União Soviética era mais do que um prazer, se oferecer para ajudar na sobrevivência da ilha carente, em troca de cinco vantagens que Castro poderia oferecer: a presença militar soviética a 240 milhas da Costa Leste americana; A disposição de Castro de atuar como um aliado militar, e em nome da União Soviética, enviar seu exército e mercenários para lugares distantes como Angola; uma base física para ameaçar os Estados Unidos na América Latina; o carisma e a retórica de Castro e a admiração dos povos latinos por seus revolucionários; e, por apenas um curto período de tempo, uma plataforma para lançar mísseis nucleares contra os Estados Unidos.

Desta forma, a ilha sobreviveu durante algumas décadas, porque a União Soviética passou a subsidiar com petróleo barato, que boa parte era vendida por Cuba nos mercados internacionais, retendo o lucro, e com dinheiro.

No entanto, no início de 1990 a União Soviética acabou e seus herdeiros recusaram-se continuar a pagar para a manutenção de Cuba. A magnitude do desastre pode ser apreciada, pela queda da economia cubana, estima-se que o Produto Interno Bruto do país per capita caiu em 36% entre 1989 e 1993. Os Castros forçaram os cubanos, para ajustar a economia, a apertarem ainda mais os cintos já apertados. Para forçar os cubanos a um ajuste tão drástico, Fidel Castro agravou drasticamente a repressão.

Cuba claudicou por alguns anos, sobrevivendo com alguma ajuda de amigos europeus. Em seguida, a sorte favoreceu Cuba na figura de Hugo Chávez, que queria fazer uma revolução na Venezuela. Cuba tinha uma vantagem importante e decisiva para ele, através dos anos de servidão Soviética, os cubanos tinham aprendido algumas técnicas que ele poderia usar: as habilidades consideráveis ​​para espionar, desinformar e conspirar que tinham adquirido da KGB; o seu conhecimento dos ambientes políticos e militares na América Latina; suas conexões com os revolucionários nesses países; a sua capacidade de se envolver nos projetos sócio-políticos da região, através de assistentes sociais e conselheiros políticos; e suas habilidades políticas consideráveis. Ou seja, o Partido Comunista de Cuba tornara-se um empreiteiro revolucionário de alta potência, com um território estrategicamente localizado e todas as vantagens que um regime autoritário pode proporcionar.

Chávez fechou um acordo com os comunistas cubanos. Em troca de um enorme subsídio anual, os cubanos preparariam para a Venezuela um projeto completo das ações revolucionárias e estratégicas.

Os valores precisos que a Venezuela transferiu para Cuba, ao longo dos anos, não são conhecidos atualmente. De acordo com Carmelo Mesa-Lago, um eminente professor da Universidade de Pittsburgh, durante os anos de expansão da produção de petróleo venezuelana, a Venezuela teria abastecido com até US$ 9,4 bilhões, por ano, a economia cubana. Fê-lo através de diversos canais, incluindo a venda de petróleo a preços altamente subsidiados, a provisão de fundos para projetos de investimento específicos e a contratação de centenas de profissionais de saúde, segurança e outras especialidades que trabalham até hoje na Venezuela.

Assim, a Venezuela deu emprego a pessoas que estariam desempregadas em Cuba. Uma vez que os trabalhadores recebem apenas uma pequena fração das grandes somas que a Venezuela paga por eles (US $ 5,6 bilhões por ano), a Venezuela também transfere dinheiro diretamente para o governo cubano. Além disso, a utilidade dos trabalhadores Cubanos é duvidosa. A ideia era usar esses médicos num projeto de medicina familiar denominado ‘Barrio Adentro’, (chamado livremente pelos venezuelanos de ‘bairros’) mas, o projeto está falindo. Informações de dezembro de 2014 estimavam que 80% das clínicas ‘Barrio Adentro’ foram abandonadas.

Mas os cubanos fizeram muitas outras coisas para Chávez, apoiando todas as suas iniciativas em fóruns internacionais e elogiando-o em todas as ocasiões disponível. Na verdade, Chávez tinha comprado todo o país, que trabalhava para ele.

Com o tempo, no entanto, algo de extraordinário, embora previsível, aconteceu. Para tirar proveito de suas habilidades, Chávez permitiu que os cubanos penetrassem profundamente nos círculos mais íntimos do poder na Venezuela. Este foi um movimento perigoso. Após a morte de Chávez tornou-se evidente que o poder efetivo da Venezuela havia sido transferido para Cuba. Foi lá onde as principais decisões foram tomadas. A presença política cubana na Venezuela tornou-se avassaladora. Cuba se tornou a liderança parasitária da Venezuela, utilizando o seu poder político e ideológico para extrair recursos de seu hospedeiro.

A Venezuela passou a sustentar Cuba, mas à falência venezuelana, está deixando Cuba impotente e arruinada novamente. A retirada do apoio da Venezuela irá forçar novo ajuste na renda per capita, pelo menos, tão grave como o dos anos 90.

Hoje, com as mudanças políticas que estão acontecendo na América Latina, Argentina e Brasil caminhando em direção à direita, Evo Morales ariscado a não poder continuar no poder. Cuba não pode contar mais com o auxílio financeiro desses países para manter sua utopia comunista.

Assim, de forma realista, para enfrentar a fome que se anuncia, Cuba terá que encontrar outra saída. Entrar no campo econômico americano é a única opção dos cubanos. Renovar as relações diplomáticas foi o primeiro passo para entrar neste novo caminho.

Os Estados Unidos, no entanto, não irá fornecer o apoio que Cuba tem obtido de outros países. As habilidades que Cuba desenvolveu, servem apenas para países que querem fazer revoluções, Na verdade, Cuba não tem nada para oferecer aos Estados Unidos. Para sobreviver, Cuba terá que fazer algo que o Partido Comunista, como todos os parasitas, não gostam de fazer, trabalhar, produzir algo. Para fazer isso, Cuba terá de reformar o seu sistema político. Como a Rússia, a China, o Vietnã e tantos outros países ex-comunistas, Cuba vai ter que engolir seu orgulho e reintroduzir o capitalismo. A reconciliação com os Estados Unidos é parte deste processo, que já começou.

A decisão de Cuba é um passo irreversível em sua história. Não será capaz de voltar ao seu papel de contratada parasitária de revoluções. Claro, agora não há nenhum país que iria levá-la como professora ou administradora de métodos repressivos e de ações efervescentes antiamericanas. Todos os seus potenciais clientes - como Kirchner na Argentina, Dilma no Brasil, Morales na Bolívia, Correa no Equador, Ortega na Nicarágua - estão fora do poder, falidos ou em processo de assim se tornar. Todos eles dependem de exportações de petróleo e de commodities, e estão lutando para adaptar as suas economias, cada vez mais fracas, a um novo mundo de preços baixos de commodities.

Mas, mais fundamentalmente, os líderes cubanos perderam o gramou de revolucionários, irremediavelmente, porque eles deram às mãos a violência, a tortura e a opressão, para eliminar os inimigos que eles tinham que matar para garantir o progresso das massas em direção ao paraíso comunista.

Eles basearam suas ações em plantar o ódio contra os Estados Unidos e o capitalismo, para eles a encarnação do mal. Eles previram e apregoaram a queda do capitalismo inúmeras vezes ao longo de décadas. Eles persuadiram movimentos de esquerda em toda a América Latina a rejeitar a formação de blocos comerciais com os Estados Unidos, dizendo que a formação desses blocos consolidaria o ‘Império Capitalista’.

Agora, como podem dizer a essas mesmas pessoas que o capitalismo e os Estados Unidos não caíram e, em vez disso, aconteceu o colapso e o fim da União Soviética e de todos os países comunistas, com exceção de Cuba e da Coréia do Norte na década de 1990, e agora Cuba se aproxima do colapso também? Como explicar que todas as coisas que eles disseram sobre o venturoso caminho do comunismo para o futuro, não aconteceram e, possivelmente, jamais acontecerão?  O que dizer do fim da União Soviética, motor do comunismo mundial, da situação tétrica da Venezuela de Chávez e Maduro? Pior ainda, como eles vão dizer, a seus clientes revolucionários, que não só o ‘Império Capitalista’ não caiu, mas que Cuba quer se juntar a ele, embora ela não esteja usando o termo ‘Império’ desta vez?

Assim, a renovação das relações diplomáticas com os Estados Unidos e o simples fato de que ele está estudando o fim do embargo a Cuba, colabora para o fim do carisma revolucionário cubano. Com seu carisma revolucionário desaparecendo, Cuba está perdendo a vantagem que tinha que ser gerente parasitária de Movimentos Revolucionários Comunistas.

Com o tempo, os clientes revolucionários de Cuba e seus movimentos estão desaparecendo. Cuba já não tem um país para sustentá-la e ajudá-la em suas lutas diárias para sobreviver. Eles já não são mais o símbolo da resistência comunista vitoriosa. Cuba não tem nem uma ideologia para lhe escorar. Hoje os líderes revolucionários cubanos, têm apenas o gosto amargo na boca, que lhes foi deixado por uma ideologia fracassada e perdedora.

É adequado lembrar que isso que está acontecendo, é a conclusão de um processo que começou no final de 1980, com o declínio e queda da União Soviética, e que já deveria ter terminado há muito tempo, não fosse a intervenção de Hugo Chávez. Cuba comunista pertencia ao antigo século XX, século das guerras de classes e de caudilhos revolucionários extravagantes prometendo liberdade e progresso, e causando repressão e morte. Esse século tinha que terminar, esse ciclo tinha que se fechar, e se fechou.

Espero seja o fim de uma era decadente da América Latina, que os novos caminhos que estão se abrindo, com o fim do comunismo e da má gestão econômica desses caudilhos bolivarianos, possa trazer o desenvolvimento e a liberdade. 

Na verdade, o sofrido povo cubano é que será beneficiado pela aproximação de Cuba, pois a maioria da população nos Estados Unidos, que estão longe ou perto da Flórida, não vai sentir qualquer mudança em suas vidas, exceto, talvez, experimentando o prazer de legalmente fumar um charuto cubano.

Eduardo G. Souza

Fontes:

Brouwer, Steve. Revolutionary Doctors: How Venezuela and Cuba Are Changing the World's Conception of Health Care.
Cooke, Julia. The Other Side of Paradise: Life in the New Cuba
Frank’s, Marc. Cuban Revelations: Behind the Scenes in Havana.
Loss, Jacqueline. Dreaming in Russian: The Cuban Soviet Imaginary.
Loss, J., & Prieto, J. Caviar with Rum - Cuba-USSR and the Post-Soviet Experience.
Mesa-Lago, Carmelo. Cuba Under Castro: Assessing the Reforms.
Mesa-Lago, Carmelo. Cuba en la Era de Raúl Castro: Reformas Económico-Sociales y sus Efectos.
Mikoyan, Sergo & Savranskaya, Svetlana. The Soviet Cuban Missile Crisis - Castro, Mikoyan, Kennedy, Khrushchev, and the Missiles of November.
Pérez, Louis A. Cuba: Between Reform and Revolution.
Sánchez, Germán. Cuba and Venezuela: An Insight Into Two Revolutions.
Sánchez, Germán. Cuba y Venezuela: Reflexiones y debates.
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O QUE É O PT


Inicialmente é importante lembrar que antes de Cuba e Venezuela, houve no Brasil algumas tentativas de implantação de um regime comunista.

Mas, do final dos anos 70 até o início de 2000, o Brasil representou o maior sonho da esquerda, especialmente da esquerda marxista, era a grande possibilidade de ocorrer a maior revolução comunista sul-americana do século XX. Ao contrário dos guerrilheiros de Fidel Castro, que haviam tomado o poder em Cuba e, eventualmente, estabelecido um regime comunista, e diferente do carismático Hugo Chávez, que liderou um movimento populista de esquerda na Venezuela, o movimento político de esquerda do Brasil foi originado nas organizações sindicais, sob a bandeira das lutas da classe trabalhadora por uma vida melhor. As organizações do trabalhismo brasileiro e dos movimentos socialistas apareceram no final do século XX, e para avançar eles estavam seguindo o script marxista clássico. Primeiro, durante a década de 1970, os metalúrgicos do ABC realizaram várias greves, que sob a camuflagem da luta sindical por melhores salários, ocultavam seu verdadeiro papel de combater o governo militar. Então, em 1983, os trabalhadores organizaram a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que se tornou a principal convergência das organizações de trabalhadores no país, tentando organizar um proletariado indisciplinado. Os sindicatos dos trabalhadores das indústrias, dos serviços e dos funcionários do governo se filiaram à CUT, fortalecendo o movimento sindical. A CUT e à esquerda cristã (teologia da libertação), usaram os seus recursos para em 1984 organizar o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), cuja bandeira era a redistribuição da terra, através de uma reforma agrária, mas muitos que participaram dessa organização nada tinham a ver com o movimento agrário.

Em 1980, o movimento sindical, intelectuais radicais de esquerda, pequenos partidos políticos de extrema-esquerda, e as comunidades de base cristãs inspiradas na Teologia da Libertação fundaram o Partido dos Trabalhadores (PT). O Partido dos Trabalhadores nasceu inspirado pelo socialismo, mesmo havendo várias correntes políticas e visões amplamente diferentes, isso significava que ideias e interesses diferentes, que iam da proposta de uma grande reforma social e da regulação da sociedade, de programas redistributivos de renda para ajudar os pobres, a proposta de uma revolução política e social para derrubar o capitalismo e criar uma sociedade comunista. Como ele nasceu sem objetivos e ideias convergentes, borbulhavam as discussões internas e os debates, enquanto se desenvolvia um processo constante de interação dos sindicatos com os grupos comunitários. O que parecia um movimento amplo e democrático foi aos poucos se transformando em um movimento radical. Os trabalhadores que estavam esperando uma alternativa ao egoísmo patronal, aqueles que sofriam com a burocracia autoritária do governo, e os que não aceitavam austeridade da socialdemocracia, foram envolvidos pelas ostensivas propostas populistas características dos caudilhos e de um reformismo tipicamente contemporâneo do comunismo.

Em 1989, a PT apresentou como seu candidato à presidência Luiz Inácio da Silva, mais conhecido por seu apelido Lula, o principal líder dos metalúrgicos. Lula aparecia como um Eugene Victor Gene Debs, que foi um líder sindical americano, um dos membros fundadores da Industrial Workers of the World, e cinco vezes candidato pelo Partido Socialista Americano a Presidente dos Estados Unidos. Lula era o Debs brasileiro, um líder operário que iria unir o movimento operário brasileiro, em um partido operário, e que pretendia colocar o socialismo na ordem do dia do maior país da América Latina. Durante a década de 90 o PT desenvolveu modelos de governos democráticos e participativos, o exemplo mais famoso foi o de Porto Alegre, o partido implantou o modelo de orçamento participativo em outras cidades. Dentro do PT uma variedade de organizações socialistas revolucionárias estava ativa, entre elas a Democracia Socialista da Quarta Internacional, que acreditava que o PT tinha o potencial de se transformar em um partido socialista revolucionário. O Brasil era um sonho marxista. E, como se viu, foi. Parecia bom demais para ser verdade.

Lula fez campanha para a presidência em 1989, 1994 e 1998, e, finalmente, foi eleito em 2002, tornou-se presidente com 61,3 por cento dos votos. Mas, durante esse primeiro mandato, em vez de conduzir a classe trabalhadora para uma luta operária contra os capitalistas e os políticos de direita do país, como muitos esperavam, ele os abraçou e uniu-se com eles.
Surpreendendo muitos dos seus apoiadores e membros do Partido dos Trabalhadores, Lula continuou muita das políticas neoliberais de seu antecessor Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). Assim as privatizações e desregulamentações continuaram. Lula virou as costas para a reforma agrária, e fortaleceu os grandes produtores rurais e a agricultura em grande escala. Ao mesmo tempo, no entanto, manteve benefícios sociais implantados por FHC, como o ‘Bolsa Escola’, um subsídio da educação que provia ajudas mensais em dinheiro a famílias pobres cujos filhos estavam matriculados na escola. O governo Lula mudou o nome do programa para ‘Bolsa Família’ e ampliou o público alvo rapidamente a partir de 2003, até que cobriu quase toda a população pobre. Como resultado, a taxa de pobreza do país caiu entre 2003 e 2009, de 22 para 10 por cento, tirando muitas pessoas da pobreza e levando poucos deles para a classe trabalhadora. No entanto, ao mesmo tempo em que ele começou a fortalecer os programas sociais que reduziram a taxa de pobreza, durante seu primeiro mandato Lula começou a afastar o partido da esquerda. Como e por que Lula e o PT se afastaram da esquerda radical?

O declínio político do PT e do seguimento de esquerda.

Vamos voltar para o início. O PT como um jovem partido ganhou força e espaço, especialmente entre os setores mais instruídos e bem remunerados da sociedade no sudeste do Brasil, ou seja, nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, e no sul, especialmente em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e logo conseguiu eleger prefeitos em várias cidades. Lula que concorreu como candidato do partido para presidente, em 1989, saiu-se excepcionalmente bem na campanha, ganhando 47 por cento dos votos, mas, em seguida, em 1994, Lula foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso, enquanto ao mesmo tempo governadores do PT, senadores, e prefeitos não conseguiram se reeleger em 1992 e 1996. Lula e os seus apoiantes chegaram à conclusão que tinham retrocedido eleitoralmente em relação aos resultados de 1989, e esse retrocesso teria sido resultado do discurso de extrema esquerda adorado pelo partido, pelo que tiveram que se deslocar da esquerda radical para a centro-esquerda. Sua visão foi reforçada pelo sucesso eleitoral de FHC no estabelecimento de políticas neoliberais que, pelo menos no curto prazo, tinham recebido ampla aceitação da maioria da população brasileira e havia comprovado o sucesso do discurso social-democrático.

Embora a ala da esquerda radical do PT obtivesse a maioria no Congresso do partido de 1993 (o oitavo Encontro) e aprovasse um programa de extrema-esquerda, pedindo a luta revolucionária, Lula exerceu sua influência pessoal para ganhar maior autonomia para sua campanha de 1994 - como ele faria novamente em 1998, 2002 e 2006. Sob a influência de Lula o partido moderou sua linguagem política, escondeu os radicais, procurou estreitar as relações com grupos empresariais, e começou a fazer alianças com centrista e até mesmo com os partidos conservadores.

Os programas de combate à pobreza do governo Lula, foram especialmente direcionados para grande parte da população pobre do Nordeste. Em 2002 Lula escolheu José Alencar, um bilionário industrial, como seu companheiro de chapa, enquanto, ao mesmo tempo, o partido abandonou a palavra "socialismo" e adotou o slogan de "Lulinha, Paz e Amor" e "O PT por um Brasil decente". Como presidente, Lula contou com um dos maiores partidos no Congresso Nacional, mas não tinha a minoria, por isso, ele formou alianças com partidos de centro e até de direita e, a fim de consolidar sua coalizão política, ele começou a 'comprar' os representantes de outros partidos, pagando-lhes um subsídio mensal chamado de 'mensalão' como revelado no escândalo de 2005.

Lula e a direção do PT começaram a se tornar mais autônomos, mais fragilmente ligados à sua base social. Embora criado pelos sindicatos, o PT nunca tinha subordinado as organizações sindicais aos laços oficiais, mas Lula subordinou os sindicatos aos interesses do seu governo. A CUT e os sindicatos dos metalúrgicos que tinham levado Lula ao poder, se tornaram mais burocráticos e menos ligados às suas bases sociais, e acabaram cativos políticos do PT, dependendo de verbas governamentais, enquanto muitos de seus líderes se tornaram, ao mesmo tempo, funcionários públicos comissionados ou funcionários do partido e líderes sindicais.

Por outro lado, nomeando "diretores e representantes do governo" nos conselhos dos fundos de pensão, o governo e o PT tinham, à força de suas posições, se tornado grandes jogadores das finanças brasileiras; usando suas forças maquiavélicas pressionaram os fundos a usarem seus recursos financeiros em investimentos duvidosos, de alto risco e claramente podres, para atender interesses escusos do governo, do PT e dos aliados. Hoje os principais fundos de pensão dos trabalhadores: Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa), Petros (Petrobrás), Geap (servidores públicos), Eletros (Eletrobrás), Centrus (Banco Central), Portus (Portobrás), Postalis (Correios), Serpros (Serviço de Processamento de Dados), Real Grandeza (Furnas) e Sistel (Telebrás), e outros cujos nomes indicam a empresa ou setor a partir do qual foram produzidos, devido à crise do Mensalão apresentaram quebras e prejuízos drásticos, ocasionadas por aplicações corruptas feitas em projetos de interesse do governo e, principalmente, nos bancos Rural e BMG, instituições de onde saía o dinheiro que o empresário Marcos Valério distribuía ao PT e aos partidos aliados.

O Governo e o PT utilizaram os fundos de benefício dos trabalhadores, para entrarem nos mercados financeiros comprando papéis de baixo rendimento e de alto risco para atender interesses escusos do governo e do partido.

Os programas de combate à pobreza de Lula, adotados a partir de 2001, tiveram um impacto significativo sobre a pobreza, o resultado foi que, em 2006, as pessoas pobres do Nordeste do Brasil, que formavam a base dos partidos mais conservadores, começaram a votar em Lula, e mais tarde em Dilma Rousseff, uma mudança política de enorme significado. Programas de benesses de Lula mudou a base do partido, dos mais instruídos e mais bem remunerados, grupos historicamente mais politicamente ativos do Sudeste, para as pessoas mais politicamente inativas e muito mais pobres do Nordeste, que vinham historicamente votaram em partidos tradicionais.

O PT de Lula alargou seu poder político com base em uma parceria com o poder financeiro e as grandes empresas, por um lado, e com os pobres, por outro, Lula desenvolveu sua estratégia política, de permanência no poder, formando uma aliança com os banqueiros, industriais e empreiteiras, ao mesmo tempo em que estabeleceu, através do ‘bolsa família’, um forte elo com os pobres.

Lula olvidou a reforma agrária, e negligenciou as comunidades indígenas e tradicionais do campo. Ao mesmo tempo, porém, houve um acréscimo gradual na produção industrial, através de uma duvidosa e arriscada política de incentivos fiscais, o consumo interno de bens e serviços cresceu, mas a exportação de produtos manufaturados permaneceu estancada. O Brasil permaneceu sendo um país exportador de commodities, e o forte de suas exportações continuaram dependentes das indústrias extrativas, como a mineração, madeireira e agricultura, em especial a soja.

Com a aproximação de Lula com a direita, ele foi criticado e desafiado publicamente pelos esquerdistas do PT, em particular os trotskistas da IV Internacional, como também por ex-comunistas e esquerdistas independentes. Estas lutas levaram em dezembro de 2003, com o voto de dois terços da direção nacional (55 dos 84 integrantes), a expulsão da senadora Heloisa Helena (AL) e dos deputados João Batista Oliveira de Araújo (conhecido como Babá) (PA), Luciana Genro (RS) e João Fontes (SE), por indisciplina e infidelidade partidária. Além disso, foi aprovada, por maioria, a proposta do ‘Campo Majoritário’ de total solidariedade ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O julgamento foi realizado em um luxuoso hotel de Brasília. Ao chegar para o julgamento, Babá disse que a escolha do local simboliza o que aconteceu com o PT após a tomada do governo. E lembrou: “quando fundamos a CUT, em 1983, ficamos acampados no pavilhão da Vera Cruz (antigo estúdio de cinema), em São Bernardo. Dormíamos em colchonetes de três centímetros. Metade da delegação do Pará voltou com pneumonia. Hoje, estamos aqui, nesse templo da burguesia. Poderiam ser mais discretos”, provocou Babá.

As correntes políticas de Babá - ‘Corrente Socialista dos Trabalhadores’, e de Luciana Genro - ‘Movimento Esquerda Socialista’, historicamente oriundas do trotskismo ortodoxo, consideraram-se expulsas do partido e desligaram-se do PT. A situação de Heloísa Helena era mais complicada, ela pertencia à ‘Democracia Socialista’, corrente ligada a um setor mais moderado do trotskismo, relacionada com o antigo Secretariado Unificado da IV Internacional, que já havia decidido continuar no partido. Mesmo assim, alguns militantes da DS, de diversas regiões do país, em solidariedade a Heloísa, também se consideram expulsos e saíram do PT.

Velha Esquerda do Brasil: anarquistas, comunistas, e outros.

Para entender como o PSTU, o PSOL e outros partidos de esquerda nasceram, temos que olhar para a velha esquerda.

Na virada do século XX, o movimento sindical brasileiro, era formado por imigrantes europeus, e foi liderado por anarquistas que realizaram as primeiras greves. O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi fundado em 1922 por ex-anarquistas sob o impacto da Revolução Russa; foi dirigido durante anos por Luís Carlos Prestes, que tinha liderado um levante revolucionário na década de 1920, que levou o efetivo de 14 mil homens iniciar a longa marcha pelo país denominada de ‘Coluna Prestes’, depois ele se juntou ao PCB. Na década de 1930, os comunistas, ainda liderado por Prestes, se tornaram um típico partido pró-soviético, seguindo todas as orientações da Internacional Comunista e da União Soviética. Mais fragmentado do que os partidos comunistas em outros países, o PCB abandona os trotskistas no final de 1930, bem como outras tendências socialistas revolucionárias décadas depois. Ainda assim, manteve-se o partido de esquerda mais importante do Brasil até 1964.

Com a chegada ao poder do governo populista autoritário de Getúlio Vargas no golpe de 1930, os comunistas foram expulsos para clandestinidade. No entanto, ironicamente, seguindo a linha de frente popular o PCB apoiou Vargas, quando o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial e enviou tropas para lutar na Europa. Os comunistas cresceram no Brasil, e tiveram alguma influência nos sindicatos durante os anos 40, mas nunca se tornaram a força dominante no trabalho, pois os sindicatos eram controlados pelo Estado. Em seguida, o comunismo entrou em crise na década de 50, depois de Nikita Khrushchev revelou os crimes de Stalin, no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética. Por todas estas razões, o Partido Comunista nunca se tornou uma grande força na política brasileira, nem os trotskistas ou qualquer outro fragmento da esquerda.

A combinação da queda do comunismo na era Varga, em conjunto com as notícias da Revolução Cubana de 1959 e a ascensão do maoísmo como uma tendência internacional no início de 1960, assim como a revolução militar que ocorreu em 1964, levou à proliferação de pequenas células de esquerda, neocomunistas, castro-guevaristas, trotskistas e maoístas, algumas delas envolvidas no movimento clandestino armado. Dilma Rousseff era membro de um desses grupos clandestinos, a Organização Revolucionária Marxista - Política Operária.

Como vimos, foi nesse caldo heterogêneo que surgiu o PT, se consolidando na união da maioria das principais organizações socialistas brasileiras atuais.

Com as rupturas no PT, quem saiu na frente para a composição de um novo partido foi o PSTU, partido que surgiu a partir da expulsão pelo PT da então corrente interna ‘Convergência Socialista’, ocorrida em 1992. A corrente, estruturada nacionalmente, acabou se unindo a vários grupos socialistas, que também romperam com o PT, na formação de uma 'frente revolucionária', que culminou, em setembro de 1993, na fundação do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU.

O PSTU foi fundado na tradição do “trotskismo ortodoxo”, inspirado nas ideias do ativista e pensador argentino, Nahuel Moreno. Internacionalmente, o partido faz parte da Liga Internacional dos Trabalhadores, seção da IV Internacional, fundada pelo próprio Moreno em 1982.

Em janeiro de 2004, no Rio de Janeiro, aconteceu uma reunião que participam a senadora Heloísa Helena, os deputados Luciana Genro, Babá e João Fontes (expulsos do PT por terem se mantido fiéis às bandeiras históricas da classe trabalhadora), representantes de várias correntes políticas, personalidades, lideranças de movimentos sociais e intelectuais. Por não verem alternativa à esquerda, os participantes da reunião aprovaram um documento intitulado - Esquerda Socialista e Democrática – Movimento por um Novo Partido.

O primeiro Encontro Nacional do novo partido ocorreu em junho de 2004. Por votação, o plenário decidiu que o nome da nova agremiação seria Partido Socialismo e Liberdade - PSOL.

Tendo o PSOL se formado a partir de dissidências do PT e do PSTU, acolheu diversas tendências que haviam discordado de políticas do PT que tinham por conservadoras. E abrigou diversas correntes de esquerda, muitas delas leninistas, trotskistas, marxistas libertários e eurocomunistas.

Heloísa foi eleita Presidente do partido, mas quando o PSOL apoiou, em 2010, a candidatura de Dilma no segundo turno, ela renunciou e abandonou o partido em protesto.

Dilma era originária do PDT do Rio Grande do Sul, mas, em seguida, juntou-se ao PT e chegou muito próxima de Lula e, finalmente, sua sucessora ‘escolhida a dedo’ por Lula. Quando ela assumiu o cargo em 2011, Dilma continuou a abordagem estratégica de Lula de colaborar com os banqueiros, industriais e empreiteiros, ao mesmo tempo, que procurou expandir ainda mais os programas sociais, procurando manter base social popular do governo. Na década de 2010, ficou claro que o modelo econômico do PT estava correndo sérias dificuldades.

A Crise brasileira – O Modelo Econômico

Sob os governos Lula e Dilma, o modelo econômico do Brasil dependia da exportação crescente de produtos agrícolas, incluindo biocombustíveis; da venda de minerais, principalmente do minério de ferro para a China; do crescimento do mercado consumidor interno, tornado possível pelo credito fácil e pela contenção dos preços dos produtos industrializados, principalmente automóveis, através da concessão de diversos incentivos fiscais e pelo represamento irresponsável das tarifas das empresas controladas pelo governo. O modelo funcionou bem de 2004 até 2010, quando o crescimento médio de 4,5 por cento, possibilitando a expansão industrial e dos programas sociais que estimularam o mercado consumidor. O Brasil superou rapidamente a crise econômica de 2008. Depois de uma recessão em 2009, alcançou uma taxa de crescimento excepcional de 7,5 por cento em 2010. Depois disso, no entanto, a economia começou a declinar, com crescimento de apenas 2,7 por cento em 2011, um mero 0,9 por cento em 2012, e por apenas 2,5 por cento em 2013. Muitos analistas econômicos garantiram que o modelo econômico do PT já estava esgotado. O mercado consumidor do Brasil expandiu-se rapidamente, com consumidores comprando produtos feitos em outros países, o Brasil cunhou um problema na balança de pagamentos, o seu saldo da conta se deteriorou de forma constante desde 2004. O Brasil era então fortemente dependente da expansão econômica chinesa, mas a China parou de investir pesadamente em infraestrutura, como ferrovias e na construção civil, deixando a sua idade do ferro, o que significou que as suas compras de minério de ferro brasileiro caíram. O modelo de desenvolvimento promovido por Lula e Dilma levou a uma economia baseada na mão de obra barata, em vez de bons empregos. Cerca de 94 por cento dos postos de trabalho criados pagavam apenas um salário mínimo por mês. De fato, alguns críticos argumentaram que a queda da produção industrial já era um problema sério.

Surpreendentemente, grandes manifestações varreram o país em junho de 2013, representando uma erupção social como não tinha sido vista em quarenta anos e se constituiu numa rejeição explícita ao governo do Partido dos Trabalhadores, mas ainda mais importante, aos políticos e ao governo em todos os níveis. Os protestos refletiram tanto as crescentes expectativas de desemprego e queda no poder aquisitivo da classe trabalhadora, como a reação das classes média e alta a corrupção e a roubalheira instalada no país. Segundo as agências de pesquisas, cerca de 18,5 milhões de pessoas (de uma população total de 200 milhões) se juntaram as manifestações que ocorreram em 400 cidades e 22 capitais de estado, primeiro contra o aumento das tarifas dos transportes urbanos e, em seguida, contra a corrupção e roubalheira instalada nas empresas estatais e órgãos governamentais, desvendadas pelo ‘mensalão’ e naquela época pela operação ‘lava jato’. Em grande parte compostas de jovens, muitos com uma boa educação, mas sem bons empregos, as manifestações deram expressão às aspirações das pessoas, que giram, principalmente, em torno de transporte público, saúde, educação, habitação e emprego e também o sentimento coletivo de que a sociedade poderia receber melhores serviços, considerando a alta tributação que lhe é imposta. O enorme investimento do governo de Dilma na construção de estádios para a Copa do Mundo, exacerbou o sentimento de frustração daqueles que queriam mais e melhores escolas e hospitais.

Os manifestantes foram inicialmente violentamente reprimidos pelo governo, mas, em seguida, quando se tornou evidente que eles tinham a simpatia do público, o governo rapidamente fez concessões menores, ofereceu promessas de reforma, e em seguida cuidadosamente virou as costas para os descontentes e ignorou as questões que levantaram. As agências de pesquisa constataram que 72 por cento da população aprovou as manifestações e que 89 por cento não tinham fé nos partidos e nos políticos. Os protestos foram seguidos por uma onda de greves envolvendo 3,5 milhões trabalhadores, um levante dos trabalhadores, como não tinha sido visto no país há décadas.

Ao mesmo tempo, muitas pessoas se juntaram às manifestações para protestar contra a corrupção, a corrupção do governo do PT. Os meios de comunicação, partidos conservadores e grupos de direita se uniram na luta contra a corrupção. E quanto mais se aprofundavam as investigações, a corrupção mais se ligava ao governo do PT e seus aliados políticos. A esquerda tentou negar a sua participação direta nos crimes, mas não foi geralmente bem sucedida. A falta de uma liderança clara nas manifestações proporcionou confrontos cada vez mais violentos entre policiais e anarquistas identificados como o "Black Bloc", fazendo muitos ficarem com medo de participar, levando ao declínio do movimento. Claramente as manifestações de junho foram um processo natural, espontâneo e complexo, com diferentes agendas e grupos políticos, sem que houvesse uma liderança permanente e declarada.

Como a eleição de outubro de 2014 se aproximava, a questão era, onde estavam aqueles que participaram e simpatizavam com esses movimentos?

A morte inesperada de Eduardo Campos levou o Partido Socialista Brasileiro a indicar Marina Silva para substituí-lo. Marina, ex-membro do Partido dos Trabalhadores, foi eleita senadora pelo PT e ministra do Meio Ambiente no governo Lula. Ela havia concorrido à presidência em 2010, alcançando o terceiro lugar, com 19 por cento dos votos (19 milhões de votos). Marina não conseguiu apresentar uma mensagem política clara, por exemplo, a tentativa de ganhar apoio do movimento LGBT sem afrontar os evangélicos, e perdeu a eleição para Dilma e Aécio Neves.

Dilma, apoiada pela organização do PT, usando falsas acusações contra Aécio, como, por exemplo, que ele iria acabar com o ‘bolsa família’, e com os votos do Nordeste, que viviam graças aos programas do governo, derrotou Aécio por uma votação de 51,4 por cento contra 48,5 por cento, uma apertada vitória no segundo turno. Os partidos de esquerda, como PSOL, PDT, PTB, etc., exortaram seus membros a votar contra Aécio, o que significava um voto para Dilma, embora algumas correntes sugerir que os membros da esquerda votassem em branco, pois o PT, não era mais, ou nunca foi, um partido de esquerda.

Durante a campanha Aécio denunciou que o governo do PT gastava muito mais do que arrecadava, gerando um déficit desastroso nas contas públicas. Dilma negou veementemente, mas a verdade é que para garantir as benesses governamentais e não deixar as consequências da temerária gestão econômica ser revelada, Dilma continuou gastando sem controle e sem a devida arrecadação. O rombo nas contas desapareceu maquiado e, com a ajuda do congresso, as despesas foram subcontabilizadas.

A posse do segundo governo de Dilma em 2015 trouxe, na tentativa desesperada de Dilma para tentar reverter a terrível situação em que se encontravam as finanças governamentais, o doutor em economia pela Universidade de Chicago, Joaquim Levy, então diretor-superintendente de gestão de ativos do Bradesco, para o cargo de Ministro da Fazenda. Levy assumiu o ministério com a proposta de cortes de despesas, diminuição de cargos comissionados, revisão de contratos de prestadores de serviços, redução do número de ministérios, bem como um controle severo do desperdício de dinheiro em áreas não prioritárias. Essas providências seriam associadas à elevação da carga tributária ou a criação de taxações específicas. Como aumentar a carga tributária brasileira? Uma das mais altas do mundo, cerca de 40% do PIB. Países com taxação semelhante oferecem serviços públicos incomparavelmente melhores. No nosso caso, boa parte é consumida para alimentar a própria máquina que nos infelicita.

Lula criticou, criticou, criticou, nos bastidores, a política econômica que Levy tentou implantar para salva a economia nacional. Lula afirmava que a política de Levy afastava Dilma de sua base social, o que era um risco, principalmente em meio a um momento de fragilidade política do governo, em razão do então possível processo de impeachment da presidente Dilma. Ele aconselhou, em várias ocasiões, a presidente a substituir Levy, mas não era só ele, os membros do PT no congresso também se colocaram publicamente contra Levy. Assim a queda de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda foi considerada uma vitória do ex-presidente Lula e de seus seguidores.

Nelson Barbosa assumiu o Ministério da Fazenda, gozando de confiança de Lula, ele era assíduo frequentador do Instituto Lula. Com a posse de Nelson Barbosa todos os esforços de Levy para equilibrar as contas governamentais foram abandonados, e o governo caiu novamente da gastança, sem uma arrecadação que pudesse sustentar as despesas. Com a aprovação do Congresso, várias despesas foram autorizadas, através de créditos suplementares, aumentando o déficit nas contas públicas. O negócio estava tão descontrolado que a presidente autorizou despesas sem os necessários aportes financeiros e autorização do congresso e os bancos estatais cobriram despesas sem a provisão de fundos, caracterizando operações de crédito.

Finalmente, quando a situação da economia atingiu níveis insustentáveis, levando a um índice de próximo a 15% de desemprego, uma inflação se aproximando perigosamente dos 12%, uma dívida interna superior aos 3 trilhões de reais e a externa chegando a 2 bilhões de dólares. O congresso resolveu aceitar o pedido de impeachment da presidente. Passando pela Câmara e chegando ao Senado, finalmente a presidente foi impedida e afastada do governo, dando fim a um período de mais de 12 anos do PT no poder.

Nesse período o PT montou, participou e aceitou o maior esquema de corrupção e roubo do erário já praticado no país. Hoje sabemos que o ‘mensalão’ foi apenas um ensaio para o ‘petrolão’, que conseguiu levar a maior empresa estatal a uma situação quase falimentar. Qualquer pessoa em sã consciência não pode acreditar que uma gangue tomando o poder pudesse organizar um esquema tão corrupto, sem que as lideranças do PT e seus correligionários, pelo menos desconfiassem. Quando os líderes do PT negam conhecimento do que aconteceu, só podemos crer que seja por desfaçatez ou incompetência.

A operação ‘lava jato’ da PF, do ministério público federal e da justiça federal, a cada nova fase deflagrada, trás a luz fatos e dados estarrecedores que desvendam uma rede criminosa montada para financiar partidos, políticos e enriquecer pessoas envolvidas, à custa de desvios e roubos praticados em empresas estatais e órgãos públicos.

O quadro atual sugere uma tendência de que 2014 foi a última eleição presidencial vencida pelo PT, embora tentem falar que Lula voltará a correr em 2018, tudo depende do Juiz Sergio Moro e da Justiça Federal, e pelas últimas decisões do STF, parece que o fim de Lula será mesmo condenado.

Finalmente, hoje o PT é um partido dominado por sindicalistas, movimentos sociais (MST, MSTS, etc.) e outros grupetos, que procuram satisfazer seus mais obscuros desejos. Intelectuais, Movimentos ligados as Igrejas, Esquerdas de verdade, políticos idealistas, etc., que se uniram para fundar o PT, foram expulsos ou aos poucos foram se afastando, e hoje alguns lideram movimentos contra o PT. Na verdade o PT desacreditou a esquerda, o movimento sindical e as organizações sociais. O PT desmoralizou as lutas da classe trabalhadora e o governo, e criou uma maior aceitação do povo as políticas e partidos da direita.

Eduardo G. Souza

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