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Eduardo G. Souza e Lígia G. Souza.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

O QUE É DISSONÂNCIA COGNITIVA?

Dissonância Cognitiva é um termo usado em psicologia para descrever o sentimento de tensão experimentado por uma pessoa quando ela crê em duas crenças conflitantes. Quando isso acontece, a pessoa se sente desconfortável e tenta descobrir uma maneira de conciliar as crenças, para elas não parecerem mais conflitantes e aliviar o seu desconforto. A dissonância é mais provável de acontecer principalmente sobre a ideia que possuímos de quem somos. Para melhor explicar esse conceito, seguem-se alguns exemplos de situações que introduzem dissonância cognitiva.

- Uma pessoa acredita ser inteligente, moralmente irrepreensível e/ou muito competente, mas comete alguns erros crassos que indicariam o contrário.
- Uma pessoa possui um vício, reconhece que o comportamento é prejudicial, mas quer continuar a fazê-los. (fumantes, jogadores compulsivos, alcoólicos, etc.)
- Um vendedor que têm de vender um produto que não confia particularmente, mas têm necessidade de exagerar sua qualidade para vendê-lo ao cliente.
- Uma pessoa que tem de conciliar sua crença religiosa, em confronto a sua formação científica.  
- Uma pessoa que tem de conciliar eventos históricos de sua religião, contrários a preceitos e valores morais e sociais que assimilou em sua sociedade.
- Uma pessoa que tem de conciliar sua fé em um Deus todo poderoso, bondoso e amoroso, mas que permite tanto sofrimento aparentemente desnecessário aos fiéis e as pessoas no mundo.
- Uma pessoa que têm de conciliar sua fé em um Deus todo poderoso, uno ciente, bondoso e amoroso, mas que usa meios terríveis para punir os homens, e comete atos falhos, pois os livros sagrados relatam ter Deus se arrependido de suas ações. 

Podemos observar a Dissonância Cognitiva, especialmente em Filmes e Livros, onde muitas vezes os autores introduzem o auto conflito para enriquecer o enredo, discutir e confrontar valores e comportamentos definidos socialmente, colocando em cheque as premissas de certo ou errado, e dar aos personagens justificativas para algo chocante que façam, ou para um final inesperado.

É possível identificar a Dissonância não somente por meios comportamentais, ela apareceu em exames de ressonância realizados pelo Dr. Drew Westen(1), que mostraram que quando uma pessoa está experimentando a dissonância, os processos de atividade cerebral (pensamento) são sobrecarregados e alterados e quando o paciente começa a reduzir a dissonância, os centros cerebrais que registram o prazer se ativam, e os processos de atividades (pensamento) são aliviados.

O problema é que um meio de aliviar a dissonância é utilizar o viés e ignorar as provas que impedem a descoberta da verdade ou a resolução do problema. O paciente tenta encontrar uma resposta para seu conflito, negando os indícios que podem construir a verdade ou negar a irrealidade.

Sendo um processo muito particular e pessoal, quando uma pessoa está experimentando a dissonância cognitiva é muito difícil outra pessoa interromper o processo. As tentativas de outra pessoa de interromper o processo resultarão na intensificação do processo e na determinação da pessoa que está experimentando a dissonância intensificar e continuar tentando reconciliar a dissonância.

Leon Festinger(2) realizou uma das primeiras experiências para criar condições que induzissem com segurança a dissonância. No experimento, os sujeitos foram instruídos a realizar tarefas chatas. Depois disso, alguns deles receberiam pagamento se conseguissem influenciar outros a participarem do experimento. Alguns sujeitos receberiam um pagamento de vinte dólares, outros um pagamento de um dólar e alguns não receberam a oferta. Quando solicitados a avaliarem a tarefa, o grupo que receberia um dólar declarou ser a tarefa altamente difícil, muito mais do que o grupo que foi pago vinte. O grupo que recebia vinte dólares tinha uma óbvia justificação externa para seu comportamento, mas aqueles que eram pagos com menor valor tinham que internalizar a falsidade de seu comportamento. As pesquisas teorizaram que o grupo de um dólar não acreditava ter justificação suficiente para mentir sobre as tarefas, de modo que foram forçados a mudar sua atitude para aliviar o estresse. O experimento concluiu que os sujeitos que receberam vinte dólares acreditaram genuinamente que as tarefas não eram tão desagradáveis.

Outro experimento semelhante foi feito por Elliot Aronson(3), onde dois grupos foram escolhidos para participar de um treinamento para realização uma tarefa. A tarefa era chata e desinteressante, mas aqueles que tiveram um treinamento mais duro sentiram-se mais comprometidos com a execução da tarefa do que aqueles que tiveram o treinamento mais fácil. Leon Festinger havia afirmado que: "chegamos a amar o que sofremos por ele".

Carol Tavris(4) e Elliot Aronson (o pesquisador citado acima) escreveram um livro sobre este assunto chamado “Mistakes Were Made (But Not By Me)” [Erros foram feitos (mas não por mim)]. Tavris e Aronson afirmam que as pessoas costumam tratar os erros como "batatas quentes": ficam loucas para se livrarem deles, mesmo que isso signifique jogá-los em mãos alheias e provocar queimaduras nos outros. Por que justificamos crenças tolas.  

Em uma entrevista, Carol Anne Tavris foi perguntada se a Dissonância Cognitiva se manifestava na crença religiosa, e a seguir resumos sua resposta:
“P: Existem pessoas religiosas que não exigem prova de suas crenças, é uma forma de aliviar sua dissonância cognitiva?”
“R: Quanto mais importante uma crença particular é para nós, mais fortemente vamos ignorar ou rejeitar evidências sugerindo que estamos errados. A religião é fundamental para muitas pessoas, é o significado e o propósito de vida. Este tipo de crença será defendido a qualquer custo. Um exemplo evidente da não confirmação do dogma que cria a Dissonância Cognitiva, é a teoria Evolucionista x a Criacionista. A maioria das pessoas religiosas quando são ameaçadas pela evolução científica, acham uma maneira de ajustá-la às suas crenças, mas alguns fatos científicos não podem ser enquadrados em suas crenças, então vai esforçar-se para tentar refutar a evidência científica ou tentar desconhecê-la. Estudantes da Teoria da Dissonância Cognitiva prediziam que quanto mais as pessoas se tornariam mais religiosas, mais sua fé seria fortalecida. O que a maioria das pessoas faz não é perder sua fé em Deus, mas reduzir a dissonância dizendo que Deus é responsável pelo Bem no mundo, os seres humanos são responsáveis ​​pelo Mal ou Deus está testando a fé. A resposta cristã à pergunta: Como Deus pode permitir que um enorme sofrimento acontecesse a um crente? É acreditar que é para testar a sua fé. Qualquer coisa que não é consoante com a crença em Deus é reinterpretada para torná-la consoante. Por exemplo, após um terrível desastre, os sobreviventes dirão algo como ‘Deus estava cuidando de mim’, mas omitindo o fato de que Deus então não estaria olhando para as outras pessoas que morreram.”

As pessoas passam a sofrer severamente de dissonância cognitiva quando decidem submeter suas crenças religiosas ao mesmo tipo de critério e embasamento que usam para decidir o seu dia-a-dia. Então alguns descobrem que não podem mais acreditar no Deus da sua religião, e eliminam a dissonância. Eu sei que é provavelmente muito difícil convencer qualquer cristão de que o Deus judaico-cristão não é racionalmente viável, mas o que podemos fazer é, através do uso da discussão racional, apontar a fraqueza em seus argumentos e princípios, e demonstrar que seus argumentos tendem a Introduzir a dissonância cognitiva em sua mente.

As pessoas usam diferentes critérios de raciocínio com base no contexto da situação. Eles são chamados de “Esferas” quando o conceito é aplicado a um grupo e "Compartimentalização" quando aplicado a um indivíduo. Este conceito é discutido por Stephen Toulmins em "Introdução ao Raciocínio" e por Richard D. Reinke e Malcom O. Sillars em "Argumentação e Tomada de Decisão Crítica". A diferença nas esferas e compartimentos pode ser vista muito bem ao comparar Raciocínio Científico, Raciocínio Legal, Raciocínio Religioso, Raciocínio Artístico e Raciocínio Empresarial. Estou certo de que estas não são todas as esferas que podem ser identificadas, mas são úteis para esta discussão. A diferença entre elas é o peso que cada um coloca nos tipos de evidências e princípios que fundamentam os critérios de raciocínio. Muitas vezes um tipo de raciocínio tomado fora do contexto e aplicado em outra esfera ou compartimento é falho. Por exemplo, um tipo de evidência episódica usada no raciocínio jurídico, seria errado quando aplicado à ciência, assim como o testemunho de crentes religiosos, não prosperaria quando aplicado ao raciocínio jurídico. Esses critérios deslocados geram maus raciocínios e podem ser usados ​​para justificar conclusões ruins. No entanto, ao comparar os princípios em que as conclusões são cunhadas, não é tão fácil justificar conclusões ruins. Por exemplo, o conceito de evidência é fundamental para todos os tipos de raciocínio, mas o tipo de evidência não é. No entanto, se dissermos que as evidências necessárias para justificar a crença cristã não são suficientes para justificar a muçulmana, hindu, judaica, etc., então o princípio rompe e podemos dizer que a conclusão é falha.

Quando falamos de 'fatos embaraçosos' na Bíblia, entramos na discussão se eles são ou não úteis para construir um caso de autenticidade. O argumento é, ao incluir os "fatos embaraçosos" na Bíblia, isso dá autenticidade a eles?

Neste ponto alguns devem estar questionando o que seriam esses ‘fatos embaraçosos’ na Bíblia, não é o objetivo do texto elencar e discutir todos os ‘fatos embaraçosos’ do livro que fundamenta a fé judaico-cristã, sequer acrescentar argumentos para discutir a autenticidade desses ‘fatos embaraçosos’ ou da Bíblia. Mas, para ilustrar o contexto vamos apenas apresentar um desses ‘fatos embaraçosos’...

Teria o Deus bíblico criado tudo, inclusive o homem, ainda segundo a crença bíblica, ele é Onisciente - aquele que possui todo o conhecimento; Onipresente - aquele que está presente em toda parte; e Onipotente - aquele que pode todas as coisas, de forma completa e plena. Então para ele não existe passado, presente ou futuro, e ele tudo sabe, concordam? Mas, a Bíblia relata que o Deus Bíblico, dada a iniquidade e falta de fé do homem, pretendia eliminar toda forma de vida do planeta, pois arrependeu-se de ter criado o Homem...
“5 E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.
6 Então ARREPENDEU-SE o SENHOR de HAVER FEITO O HOMEM sobre a terra, e pesou-lhe em seu coração.
7 E disse o SENHOR: DESTRUIREI, DE SOBRE A FASE DA TERRA, O HOMEM QUE CRIEI, desde o HOMEM até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; Porque me ARREPENDO de os HAVER FEITO.”
GÊNESIS. 6: 5 a 7
(Grifos nossos)
Mas, Noé “achou graça aos olhos do Senhor”, e o Deus Judaico-Cristão resolveu salvá-lo e a seus filhos, então resolveu orientá-lo a construir uma arca é salvar um casal de animais de cada espécie, bem como Noé e sua família.

Como poderia um Deus que tudo sabe e tudo vê, sem considerar-se a cronologia temporal, não saber o que sua criação iria fazer, e arrepender-se de haver criado o homem?

É melhor aceitar que quanto mais longe o evento, mais cresce a possibilidade de duvidar-se da sua veracidade, e que é mais consistente com a criação de uma lenda, do que da autenticidade histórica, considerando não sabemos com exatidão quando e onde a escrita surgiu. Mas é quase certo que os primeiros registros escritos ocorreram praticamente na mesma época no Egito e na Mesopotâmia, por volta do ano 3500 a.C., então podemos considerar que o registro escrito da história dos hebreus somente aconteceu após a saída do Egito. Assim, podemos inferir que a história contada na Bíblia, em grande parte, foi transmitida oralmente, e diz a sabedoria popular: “quem conta um conto, aumenta um tanto (ou um ponto)”! A contradição é óbvia, a dicotomia entre o fato narrado e os atributos do Deus bíblico é patente, gerando a dissonância cognitiva... Mas, na dúvida, muitos adotaram o viés de culpar as traduções e os tradutores, ou procurando outras explicações menos convincentes.

Gostaria de enfatizar que os argumentos para garantir a autenticidade desses ‘fatos embaraçosos’, não contribuem de forma positiva, mesmo que não sejam necessários, pois não são necessariamente suficientes para garantir a veracidade dos fatos bíblicos narrados. O inquérito histórico exige que se leve em consideração todas as variáveis. Não apenas as alternativas plausíveis, mas também aquelas que não são muito fortes. Mas, no inquérito histórico de nada valem as opiniões, uma vez que elas são argumentos sem sustentação científica. As respostas devem partir dos dados e fatos contraditórios, da análise isenta e do confronto irrefutável desses dados e fatos. As respostas não podem ser baseadas em opiniões hipotéticas, mas do que consta irrefutavelmente dos registros.  


Muitos poderão argumentar que o exemplo que eu apresento para construir meu caso é falho, ou seja, as alternativas que estou usando não são muito fortes. Talvez baseados em argumentos hipotéticos tentes desconstruir o meu raciocínio. Não reivindico baseado nas contradições elencadas, ter a verdade ao meu lado. Neste caso, eu não usei esse exemplo para declarar que estou certo, usei-o simplesmente como o exemplo de uma dissonância cognitiva que é irrefutável.

Portanto, não pretendo discutir o comportamento do Deus bíblico e a sua existência, nem, tão pouco, se a bíblia registra fatos históricos ou lendas de um povo.  

Na verdade, acredito que meu objeto de ter sido alcançado, esclarecer o que é dissonância cognitiva, porque ela existe e como se apresenta.

Agora cabe as pessoas, simplesmente decidir se continuaram entre as paredes desses compartimentos, ou vão identificar e eliminar esses argumentos de viés, porque elas não serão convencidas por ninguém de outra forma. Pois como disse anteriormente - Sendo um processo muito particular e pessoal, quando uma pessoa está experimentando a dissonância cognitiva é muito difícil outra pessoa interromper o processo.

Eduardo G. Souza

(1)  Drew Westen é professor nos Departamentos de Psicologia e Psiquiatria na Universidade Emory em Atlanta, Geórgia. Bacharel em Artes na Universidade de Harvard, Mestre em Ciências Sociais e Políticas na Universidade de Sussex (Inglaterra), e Doutor em Filosofia e Psicologia Clínica na Universidade de Michigan. Sua pesquisa acadêmica abrange diversas áreas, a maioria focada na avaliação, classificação e diagnóstico de transtornos mentais em adultos e adolescentes, com especial ênfase nos transtornos de personalidade, embora também tenha feito pesquisas sobre transtornos alimentares, processos inconscientes, desordens de humor, processos psicológicos subjacentes à capacidade ou incapacidade de manter relações íntimas, apego, antropologia psicológica, neurociência social e afetiva, e uma série de outros tópicos. Publicou mais de 200 trabalhos de pesquisa científica em psicanálise, tentando integrá-la à psicologia empírica, psiquiatria e neurociência, grande parte do trabalho teórico de Westen tentou unir perspectivas, particularmente cognitivas, psicodinâmicas e evolutivas.
(2)  Leon Festinger (8/05/1919 – 11/02/1989) foi psicólogo e se tornou famoso pelo desenvolvimento da Teoria da Dissonância Cognitiva. Bacharel em ciência no City College de Nova Iorque, recebeu o título de Ph.D. na Universidade de Iowa. A teoria de Festinger da dissonância cognitiva trata das consequências psicológicas de expectativas não confirmadas. Um dos primeiros casos publicados sobre o tema é descrito no livro When Prophecy Fails (Festinger et al. 1956). Festinger e seus colegas leram uma nota num jornal local intitulada "Prophecy from planet clarion call to city: flee that flood", onde um grupo de pessoas dizia que uma tempestade de proporções catastróficas destruiria o Planeta Terra. Festinger e seus colegas viram nesse fato algo que levaria o tal grupo a sentimentos dissonantes (divergentes) quando a profecia falhasse. Os pesquisadores se infiltraram, então, no grupo para observar o seu comportamento. Quando a profecia revelou-se falsa, enquanto uma parte abandonou o grupo e a profecia, outra não abandonou suas crenças e, em vez disso, buscou explicações para a sua não concretização, apegando-se mais ainda às suas ideias e fé na profecia. A discrepância entre aquilo em que acreditavam e a realidade transformou-se na base para que Festinger e seus colegas elaborassem a Teoria da Dissonância Cognitiva que é, grosso modo, um descasamento entre as crenças pessoais de alguém e suas atitudes ou a realidade ao seu redor.
(3)  Elliot Aronson está listado entre os mais eminentes psicólogos do século 20, mais conhecido pela invenção da Jigsaw Classroom (sala de aula do jigsaw - uma técnica de aprendizagem cooperativa inventada e desenvolvida por Aronson e seus alunos na Universidade do Texas, usada com grande sucesso como um método de reduzir a hostilidade inter-étnica e o preconceito). Bacharel na Brandeis University, Mestre na Universidade Wesleyan e Ph.D. em psicologia na Universidade de Stanford. Ele também é conhecido por sua pesquisa sobre dissonância cognitiva e seus livros sobre psicologia social, no seu livro “The Social Animal”, ele declarou a primeira lei de Aronson: "As pessoas que fazem loucuras não são necessariamente loucas", afirmando assim a importância dos fatores situacionais em comportamentos bizarros. Ele também foi citado como o cientista que "mudou fundamentalmente a maneira que nós olhamos a vida diária”.
(4)  Carol Anne Tavris é uma psicóloga social americana e autora de inúmeras pesquisas e livros na área de psicologia. Bacharel em literatura comparada e sociologia na Brandeis University e Doutora em Psicologia Social na Universidade de Michigan. O foco mais recente de Tavris é a dissonância cognitiva , a teoria desenvolvida por Leon Festinger e avançada por Elliot Aronson na teoria da auto justificação. Na área legal, as pesquisas de Carol Tavris são vistas por advogados e juízes como de relevância fundamental, sobretudo no que diz respeito à diferença entre o testemunho com base em ciência psicológica real e com base em pseudociência e pareceres clínicos subjetivos.

O PODER

Desde o início da história da humanidade, o homem foi subjugado pela força ou pela fé. O homem se submeteu ao domínio de outro homem pelo medo, seja o medo da força física ou da força divina. Os mais fortes dominavam pela força física e violência, e os mais espertos pelo convencimento de sua muito próxima relação com a divindade, e sua capacidade de intercessão junto à divindade, pugnando para resolução de seus problemas e perdão dos seus erros. Assim nasceram os Reis e as Religiões que dominavam as massas. 
Na idade média o Poder no mundo estava divido entre os Reis e as Igrejas, ambos lutando pelo poder.
Os Reis pragmáticos usavam a força para dominar e reter o Poder, as Igrejas idealistas usavam a fé para dominar e fazer o Povo obedecê-las, e assim deter o Poder.
Ambos fizeram guerras, torturas, genocídios, assassinatos, corrupção, etc., para ter o poder. Praticaram atos horríveis para garantir o domínio sobre as massas amorfas e ignorantes.
As sociedades evoluíram e alguns homens se rebelaram contra o Poder Monárquico e o Religioso. Revoluções derrubaram Reis e combateram as Igrejas, fortalecendo a figura de um Estado Democrático e Laico. As igrejas se dividiram, criando novas expressões religiosas, mas mesmo divididas não perderam o Poder.
Mas, essas tentativas falharam, pois os Reis foram substituídos por Políticos, e as Igrejas mudaram suas táticas de dominação, e usando o pensamento filosófico, estruturaram o dogmatismo religioso, buscando aproximar a divindade da racionalidade, transformando a divindade em algo mais compreensível ao Homem, estruturando a figura divina em algo mais reconhecível as massas ignorantes, mesmo atribuindo a divindade comportamentos, sentimentos, emoções e valores puramente humanos e alguns até totalmente materiais, e assim criaram uma dependência do homem à divindade, ao mesmo tempo lhe dando uma sensação de proteção, e mantendo o Poder sobre as massas.  
Na nova organização sócio-política o Estado deixou ser o Rei, e ascendeu uma nova casta a política. Hoje o Poder no mundo está dividido entre o Estado dominado pelos Políticos, e a Religião dominada pelas Igrejas. Mas, a luta pelo Poder continua cometendo as mesmas atrocidades, e tentando dominar o Povo seja pela força ou pela fé.
Nessa luta pelo Poder as massas são dominadas, exploradas, enganadas, corrompidas, etc., tudo é válido para manter o Povo subjugado ao Poder Institucionalizado.
E as massas ignorantes adoram ídolos materiais ou imateriais forjados num consenso midiático ou em expressões de fé.
Para pessoas esclarecidas é difícil compreender como as massas podem idolatrar pessoas que são ídolos criados através de campanhas publicitárias, para sustentar e perpetuar no Poder de grupos políticos que lutam por seus interesses. Da mesma forma que as pessoas adoram deuses que na verdade foram criados a Imagem do Homem, com os mesmos sentimentos e emoções que dominam o Homem, e apresentam anseios e comportamentos humanos, e abandonando a racionalidade, defendem interesses obscuros de grupos que lideram e exploram as massas, alguns conduzindo esses povos a guerras santas, causando destruição e muito sofrimento.
Enfim, o Poder trás em si não somente o enriquecimento e o poder decisório, mas a certeza da impunidade e o crescimento do Ego pela adoração e submissão da massa ignorante.
O que esperar do futuro? NADA! Essas duas forças dominam as Sociedades, e nunca farão nada para alterar esse status quo.
Somente um processo educacional sério, afastado dos vieses políticos e religiosos, poderia elevar às massas ignorantes a racionalidade. Professores sem comprometimentos políticos ou religiosos, capazes conduzir um processo educacional que dê a cada um, condições de desenvolvimento de suas capacidades e aptidões, além de proporcionar condições aos educandos de escolherem livremente seus valores e crenças, sem conformações ao Poder Político ou Religioso.
Se isso ocorresse esses dois grupos perderiam o Poder e o Domínio sobre as massas ignorantes e amorfas.
O Homem só será livre quando ele for capaz de entender seu papel na sociedade e seu valor como Ser. Enquanto ele viver sob o domínio da ignorância e do dogmatismo, ele será um escravo do Poder, e sua vida conduzida e dominada por valores instituídos esses Grupos do Poder.
Esses Grupos do Poder instituem regras, Leis e Dogmas cujos objetivos são subjugar e conformar o comportamento e as ações das massas aos interesses desses Grupos, para que possam se manter infinitamente no Poder. 
É óbvio que o Homem, mesmo sendo um Ser Livre, deve se submeter a valores e regras, mas esses valores e regras fazem parte da sua condição humana, e estão encravadas em sua racionalidade e personalidade, valores como a preservação da vida, o respeito da propriedade, a afeição da maternidade, etc., devem ser assimilados pelo Homem e respeitados, sem medo da coesão social.
O Homem Livre e Honesto não precisa de Leis para balizar seu comportamento, sua consciência é suficiente para transformá-lo em um Ser Livre e de Bons Costumes.
Eduardo G. Souza.



DEUS NÃO É AMOR, NEM ÓDIO!

O Universo é regido por Leis Naturais, essas leis foram instituídas por uma Inteligência Superior, um Grande Arquiteto, que chamamos comumente de Deus. O equilíbrio vem da dualidade de forças em oposição, escuridão e luz, frio e calor, forças centrifuga e centrípeta, etc., então podemos inferir que em relação ao comportamento humano, existe o ‘bem’ e o ‘mal’, mas, por outro lado devemos entender que todos os opostos são naturais para manter o equilíbrio, e são todos iguais para Deus, pois são os contrastes, são as forças em oposição, que mantém o mundo e o universo em movimento.

Deus não fica feliz quando alguém faz o ‘bem’, nem triste quando algum ‘mal’ é feito por outra.

As pessoas tendem a acreditar que estão fazendo algo por Deus fazendo o ‘bem’, como se o Eterno lucrasse de alguma forma, ou que isso lhe desse algum prazer.

Qualquer que seja a diferença entre os opostos, e há em muitos níveis, todos têm o seu valor, luz e escuridão, calor e frio, etc., tem o mesmo significado e valor para Deus. Já o ‘bem’ e o ‘mal’, são valores humanos, nem sempre o ‘bem’ foi ou é, considerado positivo, como também o ‘mal’, no tempo e no espaço, foi ou é, negativo, aqui se aplica bem a teoria da ‘relatividade’ de Albert Einstein, tudo depende do referencial, ou seja, os valores de um comportamento ou ação podem receber uma categorização de ‘bem’ ou ‘mal’, de acordo com a sociedade e o período histórico em que estiverem inseridos, portanto, os conceitos de ‘bem’ e ‘mal’ são relativos e determinados pelo homem.

Não é uma questão de importância do conceito de ‘bem ou mal’, mas sim de extensões diferentes. Os contrastes naturais são universais, as Leis Naturais que regem as coisas ou forças contrastantes, são válidas em nosso planeta, em nosso sistema, em nossa galáxia e em qualquer canto do universo, no entanto, o valor dos conceitos de ‘bem’ e ‘mal’, não alcança coincidência nem mesmo em nosso planeta.

Deus não pertence a nada cognoscível, nem pode ser concebido existindo em termos do reino ordinário das coisas.

Quando uma pessoa executa uma ação, boa ou má, isso só pode ser feito sem a cooperação do Eterno, da força Divina nele ou da ação das leis da natureza. Pois essa ação é essencialmente humana. Fazer o ‘bem’, para o Ser esclarecido traz a sensação de ‘bem estar’ e felicidade, já fazer o ‘mal’, traz um ‘mal estar’ e remorso. Sentimentos puramente humanos.

Alguém agride verbalmente outro, digamos. Isso acontece dentro da estrutura de um cosmos mantido pelo poder Divino em todos os seus detalhes. Mas, todas as leis naturais continuam a operar, não são afetadas pela quebra de uma lei humana.

Não importa quão sinceramente alguém se esforce para se rebelar contra o Eterno, Deus continua a dar vida e não é ofendido em nada.

Quando a ação humana agride a natureza, certamente pode haver reações a tal ação, por quebrar as leis da vida e do mundo, mas, isso é uma resposta da própria natureza.

Além do mais, uma pessoa pode prosperar mesmo cometendo más ações, de modo que, ao que parece, existe uma indiferença divina as implicações morais das ações humanas. No entanto, as escrituras das diversas religiões falam da ira de Deus ou do fato dele ter se alegrado por algo que aconteceu no mundo dos homens. Então ficamos em dúvida da seletividade dessas ‘Ira’ e ‘Alegria’ Divina, em relação as ações Humanas, pois as escrituras contam castigos terríveis perpetrados contra “pecadores”, que de acordo com nossos valores humanos, cometerem erros bem menos graves que outros “pecadores”.
Nessa linha de raciocínio essa pessoa é muito azarada, pois o “pecado” dela suscitou a ‘ira’ e o ‘ódio’ de Deus, e outros pecadores mais violentos não foram castigados. Os “livros sagrados” tentam corrigir isso afirmando que ele foi punido porque “Deus gosta dele”... Caramba que senso de justiça divina! Este é o tipo de declaração que sugere mais do que afirma.

O que podemos, definitivamente, inferir como resultado das circunstâncias aventadas, é que determinadas pessoas são ‘odiadas’ por Deus! Isso é dedutível do valor dos conceitos, só existe uma contraposição ao ‘amor’, o ‘ódio’, significa da mesma maneira, em uma imagem antropomórfica, dizer, por exemplo, que a natureza também pode ‘amar’ e ‘odiar’. Nós humanos, podemos simplesmente dizer: ‘eu não gosto de alguém’! Mas, em nenhuma hipótese, podemos transmitir esse sentimento ao Eterno.

A natureza, ou Deus, não ama nem odeia ninguém.

Quando eu digo que Deus gosta ou não gosta de uma pessoa, eu realmente estou descrevendo a maneira como Deus se relacionaria com as coisas do mundo. A imagem antropomórfica, no entanto, carece de lógica emocional e racional.

Quando Deus é descrito na bíblia como estando furioso com um fiel e vinculando aos céus sua ira, porque esse fiel “caiu na idolatria”, penso porque essa mesma agressividade poderosa não alcança um dos falsos profetas ou ministros das escrituras que exploram os pobres ignorantes ou incautos em seu nome?

Sinto-me deprimido quando alguém afirma que, por causa das limitações da alma humana e da ignorância humana, os textos das Escrituras, das diversas religiões, têm de usar imagens antropomórficas. Portanto, as distorções surgem quando alguns homens se auto proclamam interpretes desses livros, afirmando sermos todos ignorantes e ele um ser especial iluminado pelo divino, No entanto, a história passada e presente, tem nos mostrado o quanto esses seres especiais são susceptíveis dos erros, que eles mesmos chamam de “pecados”, além de interpretarem as mensagens desses livros, chamados “sagrados”, mas, escritos pelos próprios homens, buscando atender seus interesses particulares, financeiros ou de poder, e levam sociedades a desgraças, violências e até a ‘guerras santas’.

O homem moderno e/ou sábio não consegue aceitar sem discutir esses dogmas e regras comportamentais impingidos em nome de Deus, ele busca respostas sem influência emocional ou de uma fé ortodoxa. Ele usa o maior dom que o Supremo Arquiteto concedeu ao Homem, a ‘Razão’, para encontrar o seu Criador.

Deus não AMA, nem ODEIA, esses são sentimentos emocionais humanos!

Eduardo G. Souza.



POR QUE EU SOU DEÍSTA.

Eu acredito que há uma inteligência universal que não podemos entender. Essa inteligência criadora é encontrada em toda parte e em toda a natureza. A concepção de uma criança, a germinação de uma semente para uma árvore, o vento, as marés e as estrelas no céu são evidências de uma inteligência inconcebível e incompreensível ao homem. Este é o meu Deus. Não um deus etnocentrista que escolheu uma turminha de pessoas e os guiou a uma terra prometida, que foi violentada pela guerra, como foi registrada pela história mundial. Não um deus simplório que permitiu uma cobra, em um jardim, corromper a mulher para tentar o homem, e como resultado foram expulsos do jardim. Não um deus inseguro que destruiu o planeta com uma inundação porque perdeu o controle do povo. Eu acredito que a inteligência que originou as criações do passado e as que ainda ocorrem, é evidenciada pela existência de uma divindade, um poder, e eu gosto de chamar de Eterno. Outros não acreditam neste deus, mas acreditam no deus que é descrito na Bíblia, na Torá, no Alcorão ou outro livro sagrado. Acredito que o verbo e a mensagem de Deus se encontram na natureza e que se encontra também em nosso Ser Interior através da inteligência, da razão e na moralidade.

Durante alguns anos pensei que minha fé era fraca e que eu não era um bom cristão, precisava orar e ler minha bíblia. Na verdade a Oração ajudou, mas a Bíblia não. A Bíblia acabou por lançar mais dúvidas, porque quando mais eu lia a Bíblia, mais contradições e coisas erradas, na minha concepção, eu encontrei. Havia muitas coisas que desafiavam a razão, e o pior, havia muitas coisas na bíblia que retratam Deus como etnocêntrico, ambíguo, emocional, duvidoso e fraco. Isso é mais humano do que uma divindade. Isso não é meu Deus. Também é confuso aceitar que Deus permitiria dividir seu poder com uma divindade poderosa e influente chamada Satanás e outros nomes. Eu sei que muitos cristãos são pessoas boas e honestas que acreditam e fazem boas ações em nome de Jesus. Eu, no entanto, divirjo deles, pois não acredito que precisamos fazer boas ações para alcançar "glória de Deus" e para ganhar a "salvação", devemos fazer o que é certo e bom para nos sentirmos bem conosco e felizes. As Pessoas não precisam viver sob a ameaça da ‘condenação eterna’ porque acreditam em coisas que desafiam totalmente a razão. A ameaça da condenação eterna e a promessa da vida eterna não são comprovadas e não têm fundamento epistemológico. Ninguém jamais morreu e voltou dos mortos, portanto não há evidências ou fatos que expliquem o que pode acontecer conosco quando nosso corpo perecer. Muitas pessoas acreditam, apenas porque são informadas por pseudos mensageiros da verdade, que se não seguirem os dogmas das igrejas e dos livros sagrados vão para o inferno. Isso não é fé, isto é extorsão espiritual.

Devo admitir que às vezes eu sinto que as pessoas acreditam que estou atacando os cristãos. Não é minha intenção, na verdade meus questionamentos não são sobre as pessoas, sobre os fiéis, eu divirjo com as religiões, não qualquer uma em particular, mas, questiono apenas essa visão de um deus quase humano, que e descrito como um Ser portador dos defeitos e idiossincrasias dos Seres Humanos.

Fico muito agastado quando vejo pessoas arrojando termos como "Jesus é a salvação", o Brasil é uma "nação cristã". Apenas me perturba que as pessoas ainda acreditem em mitologias, contos de fadas, lendas e fábulas, ficando realmente prisioneiras delas, e não se permitam raciocinar logicamente e com um senso de razão. Elas podem se livrar da ameaça de um inferno inexistente e simplesmente aproveitar sua vida, apreciar e consagrar a natureza, e serem amáveis, fraternas, justas e éticas com os outros.

Em deus eu acredito! Mas, também que Ele me concedeu o ‘livre arbítrio’ e a ‘razão’, eu sou um Ser Racional, e não preciso de ninguém para me dizer quem Deus, e o que devo fazer e me comportar para agradá-lo. O meu Deus, quando criou o universo e o homem, estabeleceu Leis que regem a Criação, essas Leis Naturais estão no comportamento de cada coisa criada, essas Leis são Universais e mantém a ordem universal. O homem como criatura, está inserido no universo e, portanto, submetido a essa Lei Universal, e como toda a criação, essa Lei está no próprio homem, em seu interior. O homem ignorante em princípio, foi ais poucos encontrando essas Leis, da barbárie passou ao período clássico com a filosofia, e ascendeu ao período empírico com a ciência, aos poucos foi desvendando as Leis Naturais Universais. Nesse caminho o homem foi se descobrindo e descobrindo as Leis que devem reger sua existência, assim com as Leis Universais estão em todas as coisas, essa Lei Natural Humana está dentro do próprio homem, cabendo a ele, racionalmente, encontra-la.

Agradeço ao meu Deus ter criado o Homem racional e inteligente, e como sendo Eu um Ser Racional, me dado condições de mergulhar no interior do meu Ser, e ao encontrá-lo poder adorá-lo e descobrir como posso pautar meu comportamento nesse caminhar que é a vida, para seguir as Leis Naturais Universais, e poder me tornar um Espírito Livre e um Ser de Bons Costumes.  

Quando eu quero encontrar meu Deus, não preciso buscar qualquer edifício material, eu simplesmente penso, não preciso nem recitar palavras, pois ele está em mim. Ele está dentro de mim!

Isso é porque penso que sou Deísta.


Eduardo G. Souza.  
DEÍSMO, TEÍSMO, AGNOSTICISMO E ATEÍSMO.

DEÍSMO
O DEÍSTA acredita que há um Deus que criou todas as coisas, embora não intervenha no mundo humano, e não acredita em sua supervisão e governo da humanidade. Ele acredita que o Criador implantou em todas as coisas leis imutáveis, chamadas as Leis da Natureza, que agem ‘per se’, como um relógio funciona sem a supervisão do seu criador.
Se há um homem que é responsável por popularizar e promover o deísmo clássico, e que pode ser confiável para falar com autoridade sobre isso é o inglês Edward Herbert(1). Edward Herbert pensou e escreveu amplamente sobre a natureza da verdade e os meios de obter o conhecimento, e eventualmente desenvolveu uma nova compreensão da revelação. Como Herbert entendia, qualquer concepção de um Deus digno de adoração tinha que haver a honestidade, era inconcebível que um Deus honesto se ocultasse inteiramente do conhecimento humano. Afinal, se Deus não nos tivesse dito para adorá-lo, como poderia haver algum demérito em não fazê-lo? E se não houvesse evidência de que Deus existe, então como poderia haver alguma virtude em adorá-lo?
A resposta sacerdotal usual para isso é que Deus se revelou à humanidade, através da existência de uma igreja, da tradição bíblica ou outro livro sagrado, e através de um profeta ou sacerdote. Para Herbert, tudo isso parecia desajeitado e sem lógica, principalmente considerando que era o ensinado pela igreja, egoísta e dominadora, que lutava para dominar os homens. Um Deus que fosse capaz de criar seres humanos à sua própria imagem não precisaria de tais mecanismos torcidos e corruptíveis, mas teria deixado sua revelação em algum lugar próximo, onde nunca poderia ser perdida e muito menos ser corrompida.
Ele concluiu que a revelação de Deus residia em nós, não em qualquer escritura ou mensagem. Herbert alegou que os seres humanos nascem com ideias inatas. Essas ideias podem ser inicialmente latentes ou não manifestas, mas por introspecção, pensamento lógico e experiência de vida, podemos extrair essas ideias e aprender com elas. Ele acreditava que o conhecimento de Deus era uma dessas ideias inatas, e que as religiões atualmente existentes reivindicavam falsamente o crédito por ensinar as pessoas sobre Deus, o que estava dando às pessoas uma escolha difícil e enganosa entre religião e ateísmo.
Essa ideia de que Deus deixara mensagens internas inscritas no coração humano já existia no cristianismo e em outras religiões até certo ponto. Tomás de Aquino(2) tinha desenvolvido significativamente a ideia de Lei Natural, de que os mandamentos morais de Deus foram revelados internamente, de modo que a consciência do indivíduo foi um fator para determinar o que era certo ou errado. Herbert apenas levou isso mais longe, desacoplando a crença em Deus das religiões organizadas, colocando a experiência religiosa pessoal em primeiro lugar e pedindo que todas as revelações religiosas e doutrinas fossem questionadas.
Ao invés de estudar livros, supostamente inspirados, para descobrir o que Deus é, e o que Ele quer, ou pedir a uma classe sacerdotal para interpretar estes livros para nós, Herbert sugeriu estudar a natureza humana e a sociedade, tanto em nós mesmos como nos outros, e nestes livros encontrar as semelhanças entre as religiões do mundo, assim descobrindo ensinamentos úteis que possam ter valor universal.
Herbert estudou muitas religiões e denominações diferentes que encontrou, e concluiu que havia cinco conceitos que ocorreram repetidamente e que poderiam ser considerados fundamentais:
- Existe um Deus Supremo.
- Ele deveria ser adorado.
- Virtude e piedade são as principais bases do culto divino.
- Devemos nos arrepender dos nossos erros.
- A bondade divina dispensa recompensas e castigos tanto nesta vida como depois dela.
Na medida em que existe um credo para o deísmo, é isso.
Claro, isso foi o deísmo clássico, e isso mudou muito desde então. Os deístas modernos tendem a minimizar o papel epistemológico das ideias inatas ou a ignorá-las inteiramente, concentrando-se em argumentos filosóficos mais não antrópicos, alguns dos quais remontam à Antiguidade (por exemplo, o movimento não movido de Aristóteles). Ou seja, o deísmo moderno é menos emocional e mais racionalista.
Diferente do Teísmo, o Deísmo Moderno não tem corporação ou autoridade central para unir os praticantes do credo, mas geralmente as pessoas que se descrevem como deístas, o fazem porque compartilham esta crença. A crença no conceito de um Deus Criador, que é responsável pela existência do universo e é cognoscível (por meio de investigação filosófica, teologia natural e/ou lei natural), e que ele pode ocasionalmente transgredir as leis naturais do mundo, que ele estabeleceu. Assim, os deístas modernos são às vezes descritos como pessoas que creem que Deus se "retirou" ou se "separou" do mundo, e nos deixou livres para resolver nossos próprios problemas.
É claro que, como praticantes solitários, embora possam participar de cerimônias religiosas por tradição, os deístas modernos não reconhecem a autoridade das religiões organizadas em princípio, e afirmam que a vontade e o caráter de Deus não estão infalivelmente refletidos em qualquer tradição religiosa, Igreja ou escritura.

TEÍSMO
O TEÍSTA acredita que há um Deus que fez e governa toda a criação, mas também exigi culto, responde a orações, julga pecadores e pode ter criado um filho divino ou outros seres humanos especiais. Os teístas estão certos de que seu(s) deus(s) existe(m) e têm fé nisso sem qualquer evidência objetiva e verificável. Há muitas religiões teístas, mas cada uma insiste que seu(s) deus(es) e(são) o(s) verdadeiro(s) a ela é a única verdadeira.
Teísmo é um termo teológico, isto é, um termo usado por teólogos para classificar o pensamento religioso. Ela se origina no contraponto da palavra ateu (que remonta à antiguidade), criada pela remoção do prefixo ‘a’, podemos dizer definitivamente que ser teísta é a condição de não ser ateu.
Embora a palavra, em francês e inglês, remonta aos 1600, foi apenas alguns séculos mais tarde que tentativas foram feitas para defini-la rigorosamente. Uma das primeiras pessoas a tentar definir teísta foi Ralph Cudworth(3), um teólogo de Cambridge, no início dos anos 1800, que em seu tratado “O Único Sistema Intelectual Verdadeiro do Universo” escreveu: “Por isso, declararemos, em seguida, qual é essa ideia de Deus, ou o que é essa coisa, cuja existência aqueles que afirmam, são chamados teístas, e os que negam, ateus. ... Portanto, toda a questão agora é, o que é isto ... que é a causa de todas as coisas que são feitas. ... E estes, que são rigorosamente e corretamente chamados teístas, afirmam que uma inteligência perfeitamente consciente, ou mente, existente de si mesmo desde a eternidade, é a causa de todas as outras coisas; e aqueles que, pelo contrário, afirmam que todas as coisas derivam da matéria sem sentido, sem um princípio original, e negam que há qualquer concepção consciente, sendo auto existente ou acabado, são aqueles que são devidamente chamados ateus.”
Cudworth estava tentando isolar um elemento ou uma tradição de pensamento que estava no cerne do cristianismo (assim como no judaísmo), mas não era sinônimo de nenhuma dessas coisas. O que ele identificou, e o que ele chamou de teísmo, era, basicamente, a ideia de que era possível que uma coisa como uma mente desencarnada existisse, e que a mente precedesse a matéria, e não o contrário. Nesse sentido, o termo teológico de Cudworth era próximo em significado ao que chamamos agora de "espiritualidade".
Mais recentemente, o “American Heritage Dictionary da English Language” definiu o teísmo como: “Crença na existência de um deus ou deuses, especialmente crença em um Deus pessoal como criador e governante do mundo.”.
De qualquer maneira, o teísmo é uma grande tenda. Ele envolve uma categoria de crenças, não uma crença específica, e uma perspectiva teológica, não uma única religião, ou mesmo qualquer religião em particular. Por exemplo, judeus, cristãos, muçulmanos, sikhs (O termo sikh significa em língua punjabi "discípulo forte e tenaz". A doutrina do siquismo consiste na crença em um único Deus e nos ensinamentos dos Dez Gurus do siquismo, registradas no livro sagrado dos siques), zoroastrianos (O zoroastrismo é uma religião fundada na antiga Pérsia. Zoroastro foi o fundador do culto dedicado a Ahura Mazda (Deus) e de outros cinco seres luminosos, os Amesha Spentas), adoradores dos deuses nórdicos, etc., estão todos associados com o teísmo. Embora existam religiões minoritárias que são ateístas, a maioria das principais religiões ocidentais tem sido teísta.
Minha própria impressão, a partir da leitura dispersa dos estudos antropológicos, é que os estudiosos da religião já não consideram útil classificar as perspectivas teológicas de todas as sociedades e movimentos sociais em apenas duas categorias e tendem a usar pelo menos três: teísta, não teísta, e ateísta (a própria religião teísta em geral seria subdividida em monoteístas, henoteístas, politeístas, etc.).

AGNOSTICISMO
O AGNÓSTICO só acredita no que é acessível e cognoscível. O agnosticismo é a incerteza formal sobre a existência ou inexistência de Deus(es). O agnóstico afirma que é impossível provar existência ou inexistência de Deus, e considera vã qualquer teoria metafísica e qualquer ideologia religiosa, uma vez que alguns desses preceitos ou ideologias não podem ser comprovados empiricamente.
O termo ‘agnóstico’ é derivado de duas palavras gregas: ‘a’, que significa não, e ‘gnose’, que significa conhecimento. Literalmente um agnóstico é uma pessoa que afirma não ter conhecimento. O agnosticismo argumenta que a existência de Deus não pode ser comprovada ou não provada, que é impossível saber se Deus existe ou não. Nisto, o agnosticismo está correto. A existência de Deus não pode ser empiricamente comprovada ou desmentida.
Os agnósticos não estão dispostos a tomar uma decisão, seja a favor ou contra a existência de Deus. Os teístas acreditam que Deus existe. Os ateus acreditam que Deus não existe. Agnósticos acreditam que não devemos crer ou descrer na existência de Deus, porque é impossível saber de qualquer maneira.
Os dois pensadores mais influentes para avançar a filosofia do agnosticismo foram David Hume(4) e Immanuel Kant(5). Enquanto Hume era tecnicamente um cético, seus argumentos levam inevitavelmente ao agnosticismo.
Na essência das ideias de David Hume estava sua afirmação de que há apenas dois tipos de declarações significativas. Ele escreveu em seu Inquérito “Concerning Human Understanding” (Sobre o Entendimento Humano): "Se tomarmos em nossas mãos qualquer volume, sobre divindade ou metafísica escolar, por exemplo, ela contém algum raciocínio abstrato sobre quantidade ou número? Não. Contém algum raciocínio experimental sobre matéria de fato e existência? Não. Jogue-o então às chamas, porque não pode conter nada além de sofismas e ilusões. A menos que uma afirmação tenha uma relação de ideias ou uma questão de fato, ela não tem sentido. Uma vez que as declarações sobre o conhecimento de Deus estão fora dessas duas categorias, Deus é essencialmente incognoscível.”. 
A segunda ideia fundamental de Hume foi a de que não há causas condicionadas. Nós nunca podemos saber com certeza que algo causou qualquer outra coisa. De acordo com Hume, todas as sensações são desconectadas, e qualquer conexão causal que fazemos está inteiramente em nossas mentes. Essas conexões são feitas somente depois que experimentamos repetidas conjunções de eventos. Sem a capacidade de entender a causa do universo, nunca podemos conhecer verdadeiramente nada sobre Deus.
A filosofia de Immanuel Kant foi grandemente influenciada por Hume. Kant tentou fundir as ideias de racionalismo e empirismo. O racionalismo sustentava que havia certo conhecimento inato dentro de todos. Pelo contrário, o empirismo sustentou que nascemos como uma “tabula rasa” (John Locke - que tem o sentido de ‘folha de papel em branco’), e todo conhecimento é adquirido pela experiência.
Kant concluiu reunindo os valores de ambos os lados, afirmou: “O conteúdo do conhecimento veio pela experiência (como sustentam os empiristas), mas a estrutura ou forma do conhecimento é desenvolvida na mente (como os racionalistas sustentam).”.
Esta "solução" resultou no agnosticismo para Kant. Se não se pode saber nada sem experiência através dos sentidos, e se esse senso de conhecimento só pode ser estruturado em nossas mentes por categorias inatas, então só podemos conhecer as coisas como elas são para nós. Nós nunca podemos conhecer a realidade como ela realmente é. Nosso ponto de referência é sempre nós mesmos e não as coisas em si. Há uma lacuna entre a aparência para nós e a realidade. A conclusão de Kant foi o agnosticismo sobre a realidade e Deus.
Existem duas formas básicas de agnosticismo. A forma leve afirma que Deus não é conhecido. Esta visão mantém a possibilidade de que Deus possa existir e ser conhecido. A forma aguda do agnosticismo afirma que Deus é incognoscível. Esta forma diz que Deus não pode ser conhecido por ninguém.
Dois outros tipos com respeito à capacidade de conhecer a Deus são agnosticismo limitado e ilimitado. O agnosticismo limitado sustenta que Deus é parcialmente incognoscível. É possível conhecer algumas coisas, mas não tudo, sobre Deus. O agnosticismo ilimitado, no entanto, afirma que Deus é completamente incognoscível. Diz que é impossível saber alguma coisa sobre Deus.

ATEÍSMO
O ATEU não crê na existência de um Deus. Ele pensa que a chamada ‘criação’ é resultado de leis naturais.
O ateísmo é geralmente definido incorretamente como um sistema de crenças. O ateísmo não é uma descrença em deuses ou uma negação de deuses, na verdade o ateísmo é uma total ausência de crença.
Ateísmo, do grego ‘a’, que significa sem, e ‘theos’, que significa deus, é a ausência de crença na existência de deuses.
Dicionários mais antigos definem o ateísmo como "a crença de que não há Deus". Alguns dicionários chegam mesmo a definir o ateísmo como "maldade", "pecaminosidade" e outros adjetivos depreciativos. Claramente, a influência teísta entorpece dicionários. As pessoas não podem confiar nesses dicionários para definir ateísmo. O fato de que os dicionários definem o ateísmo como "não há Deus" trai a influência teísta. Sem a influência teísta, a definição deveria pelo menos ser "não há deuses".
“Nossa crença não é uma crença. Nossos princípios não são uma fé. Não dependemos apenas da ciência e da razão, porque são fatores necessários ao invés de suficientes, mas desconfiamos de tudo o que contradiga a ciência ou ultraje a razão. Podemos diferir em muitas coisas, mas o que nós respeitamos é a livre investigação, a inteligência e a busca de ideias para seu próprio bem.” - Christopher Hitchens.
Por que os ateus devem permitir, que os teístas definam quem são os ateus? Outras minorias permitem que a maioria defina seu caráter, opiniões e opiniões? Não eles não. Então por que todos esperam que os ateus se deitem e aceitem a definição colocada sobre eles pelos teístas do mundo? Os ateus definir-se-ão.
O ateísmo não é um sistema de crenças nem é uma religião. Embora existam algumas religiões que são ateístas (certas seitas do budismo, por exemplo), isso não significa que o ateísmo é uma religião. Dois argumentos jocosos geralmente são usados ​​para contrapor a afirmativa absurda que o ateísmo é uma religião: a) Se o ateísmo é uma religião, então careca é uma cor do cabelo, e b) Se o ateísmo é uma religião, então a saúde é uma doença. Um novo foi introduzido em 2012 por Bill Maher(6): "Se o ateísmo é uma religião, então a abstinência é uma posição sexual".
O único fio comum que une todos os ateus é a falta de crença em deuses e seres sobrenaturais. Isso ocorre porque os ateus não têm um sistema de crenças comum, escritura sagrada, profetas, sacerdotes, ministros ou papa ateu, que os unam. Isso significa que os ateus frequentemente discordam de muitas questões e ideias teístas, fundamentadas um sistema de cresças e líderes religiosos.
Eduardo G. Souza.

(1)  Edward Herbert, 1.º Barão Herbert de Cherbury era um soldado britânico, diplomata, religioso, poeta e filósofo. Nasceu em 3 de março de 1583, Eyton on Severn, Reino Unido. Faleceu em 20 de outubro de 1648, Londres, Reino Unido.
(2)  Tomás de Aquino, em italiano Tommaso d'Aquino, foi um frade da Ordem dos Pregadores, suas obras tiveram enorme influência na teologia e na filosofia, principalmente na tradição conhecida como Escolástica, e, por isso, é conhecido como "Doctor Angelicus”. Nasceu em 1225, Roccasecca, Itália. Faleceu em 7 de março de 1274, Abadia de Fossanova, Priverno, Itália.
(3)  Ralph Cudworth, teólogo e filósofo inglês. Nasceu em 1617, em Aller, Somersetshire. Faleceu em 26 de julho de 1688, em Cambridge.
(4)  David Hume foi um filósofo, historiador e ensaísta britânico nascido na Escócia que se tornou célebre por seu empirismo radical e seu ceticismo filosófico. Nasceu em 7 de maio de 1711, Edimburgo, Reino Unido. Faleceu em 25 de agosto de 1776, Edimburgo, Reino Unido.
(5)  Immanuel Kant foi um filósofo prussiano. Amplamente considerado como o principal filósofo da era moderna, Kant operou, na epistemologia, uma síntese entre o racionalismo continental, e a tradição empírica inglesa. Nasceu em 22 de abril de 1724, Königsberg, Alemanha. Faleceu em 12 de fevereiro de 1804, Königsberg, Alemanha.
(6)  William "Bill" Maher, Jr., é um comediante, apresentador de televisão, comentarista político e escritor americano. Nasceu em 20 de janeiro de 1956, Nova Iorque, Nova Iorque, EUA.
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POR QUE A IDEIA DE DEUS APARECEU?

- Explicação Histórica
De acordo com a teoria científica da evolução, proposta por Charles Darwin, toda a vida evoluiu de um ancestral comum durante milênios, assim o homem em sua infância era uma criatura muito primitiva e ignorante. O Homem, sozinho num mundo que parecia ser muito caótico e assustador, procurava explicações sobre porque as coisas aconteciam e procurava maneiras de tornar o mundo mais seguro.

Sendo ignorante cientificamente, o homem inventou os Deuses. Os Deuses eram vistos como Coisas ou Seres todos Poderosos, Coisas ou Seres que controlavam o mundo do homem. Buscando conforto e segurança (desejos humanos naturais), o homem atribuiu aos Deuses o poder de intervir nos assuntos do mundo, e por vários meios de súplica e oferendas, os Deuses poderiam ser subornados para beneficiar o homem, e atender aos propósitos e as necessidades do homem. Essa suplica era feita de várias maneiras, tais como, orações, sacrifícios, oferendas, xamanismos, ritualísticas, etc.

Os cientistas materialistas esperavam que, quando a ignorância e a aparente aleatoriedade dos eventos no mundo pudessem ser explicadas, preditas e controladas pela Ciência, a crença em Deus como uma entidade pararia, porque não haveria mais necessidade da intervenção divina na vida do homem. A ciência cuidaria do homem, e Deus, como disse Nietzsche, estaria morto. Isso claramente não aconteceu.

- Explicação Psicológica
Deus é considerado pelos psicólogos materialistas como uma ilusão que é imaginada por indivíduos emocionalmente imaturos. Deus é concebido para ser uma figura Paterna, Materna ou até mesmo de um Amigo Imaginário, que pode confortar e proteger o indivíduo supostamente imaturo, que é analisado como uma pessoa que não progrediu mentalmente além da infância. Ou seja, um indivíduo que não conseguiu amadurecer psicologicamente em plena idade adulta. Não conseguindo assumir toda a responsabilidade por si mesmo, ele precisa confiar em delírios, buscando conforto e proteção em um Ser que não existe.

- Explicação Teológica
São Tomás (Summa Theologica I: 2: 3, Cont. Gent., I, xiii) e depois dele muitos escritores escolásticos avançam os cinco argumentos seguintes para provar a existência de Deus:

O movimento, ou seja, a passagem da disposição para o agir, como ocorre no universo, implica um primeiro Motor imóvel (primum movens immobile), que é Deus. Senão devemos estabelecer uma série infinita de motores, o que é inconcebível. Pela mesma razão, os sistemas eficientes, que vemos operando neste mundo, implicam na existência de uma Causa Primeira que não é causada, isto é, que possui em si a razão suficiente para sua existência; E este é Deus. O fato de que os seres contingentes existem, isto é, seres cuja não existência é reconhecida como possível, implica a existência de um ser necessário, que é Deus.

A ordem perfeitamente dispostas que mantêm existindo o universo, só pode ser entendida pela comparação com um padrão absoluto que é também real, isto é, um Ser infinitamente perfeito como Deus. A maravilhosa beleza que o universo exibe, evidencia a existência de um design inteligente, um Designer Supra Humano, que não é outro senão o próprio Deus.

A esses muitos teístas acrescentam outros dois argumentos: O consenso comum da humanidade (geralmente descrito pelos escritores católicos como o argumento consensual), O testemunho, registrado nas escrituras, da existência de uma suprema lei moral, e, portanto, à existência de um Legislador Supremo (isto pode ser chamado de argumento moral).
Eduardo G. Souza.
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CONCEPÇÕES DA NOÇÃO DE DEUS

Vou chamar o Criador do Universo de Deus, embora esta entidade ou força tenha sido representada e é representada, por muitos termos diferentes, tais como Espírito Universal, Mente Superior, Força Criativa, Supremo Arquiteto, Causa Primeira, etc.

Há, basicamente, duas formas como Deus pode ser concebido:
Deus como uma ideia e Deus como uma entidade real, essa última, é a forma, como a maioria dos seres humanos pensa que é Deus.

Deus pode ou não existir como uma realidade objetiva?
A ideia de Deus tem existido em praticamente todas as culturas conhecidas. Mesmo dentro da tradição budista, "divindades" (Budas encarnados) vieram à existência, de acordo com a crença do povo comum, para a frustração de alguns monges e mestres budistas tradicionalistas. E também para a frustração de cientistas materialistas e ateus militantes, Deus continua a ser acreditado em todo o mundo. Isto então coloca um problema para os ateus militantes e cientistas materialistas, que esperavam que o desenvolvimento da Ciência como um sistema de ideias para explicar a realidade da natureza, a crença em Deus iria declinar. Portanto, eles procuraram entender por que as pessoas ainda se apegam ao conceito de Deus.

Já teologicamente existem três maneiras de conceber a ideia de Deus: Teísmo, Deísmo e Panteísmo.

- Teísmo
O Teísmo é a crença em um Deus pessoal distinto na natureza do mundo, mas ativo dentro dele. Esse é o tipo de Deus que os seguidores das religiões "reveladas" acreditam e esse tipo de Deus pode perdoar pecados, responder orações, realizar milagres e geralmente exige ser ou pelo menos gosta de ser adorado. As religiões "reveladas" são aquelas que acreditam que a natureza e a vontade de Deus são "reveladas" através de livros sagrados e/ou profetas. As principais religiões deste tipo são o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

- Deísmo
O Deísmo sustenta que a natureza e as atividades de Deus são completamente separadas de qualquer coisa no mundo e Deus não responde orações, não perdoa pecados, não faz milagres ou não precisa ser adorado. Deus não é geralmente pensado em um sentido pessoal.

No Deísmo, a fé não é necessária, pois os Deístas experimentam a Razão dada por Deus e sabem que, através do estudo da Cosmogênese, da Natureza e da Ciência, o homem pode conhecer Deus. Uma vez que existem evidências na Natureza e na Ciência da existência de Deus, a fé em sua existência não é necessária, pois sua crença é racional. O Deísta acredita racionalmente em Deus, em vez de ter fé nele, e a única oração que um deísta pode fazer é um agradecimento por o Homem ter sido criado um Ser Racional. Os Deístas não adoram a Deus como os teísta, eles são gratos e apreciam as coisas que Deus deu ao Homem como vida e os dons, como a Razão, e acreditam que exercitar esses dons é uma das melhores maneiras de mostrar afeição ao seu Criador.

- Panteísmo
O Panteísmo é a crença que sustenta que Deus não tem uma existência distinta do mundo ou do Universo. Em outras palavras, é a visão de que Deus é tudo e todas as coisas são Deus, incluindo uma árvore, pessoas, animais, uma rocha, o céu é Deus, o sol é Deus, você é Deus, etc. Se existe um mundo espiritual separado da existência material, ele também é Deus. O panteísmo é a base da crença de muitos cultos (por exemplo, o hinduísmo e o budismo em certa medida) e falsas religiões.  Vários cultos de unidade e unificação, como por exemplo, os “adoradores da mãe natureza" e os praticantes da Teoria denominada "Nova Era", são essencialmente panteísta e, como se poderia supor de tal teoria, sua crença em Deus pode ser muito vaga e difusa. De acordo com o panteísmo rigoroso até eventos como as guerras, o Holocausto, etc., foram Deus, mas muitos panteístas preferem não pensar a sua filosofia através de estudos que possam confrontar suas conclusões lógicas.

“Quando você olha para o céu noturno ou para as imagens do Telescópio Espacial Hubble, você fica dominado pelos sentimentos de admiração e deslumbramento com a esmagadora beleza e poder do universo? Quando você está no meio da natureza, em uma floresta, perto do mar, em um pico de montanha, você senti uma sensação de sagrado, como o sentimento de estar em uma vasta catedral? Você acredita que os seres humanos devem ser uma parte da natureza, ao invés de estar acima dela? Se você respondeu sim a todas essas perguntas, então você tem inclinações panteísta.” Dr. Paul Harrison. Elements of Pantheism: A Spirituality of Nature and the Universe (Elementos do Panteísmo: Uma Espiritualidade da Natureza e do Universo) (2013).

“Quando os panteístas científicos dizem ‘Reverenciemos o Universo’, não estão falando de um ser sobrenatural. Estão falando sobre o modo como nossos sentidos e nossas emoções nos obrigam a responder ao mistério e ao poder esmagadores que nos rodeiam. Somos parte do universo. Nosso planeta foi criado a partir do universo e um dia será reabsorvido pelo universo. Somos feitos da mesma matéria e energia do universo. Não estamos exilados aqui, estamos em casa. E nunca teremos a chance de ver o paraíso face a face, se acreditarmos que a nossa verdadeira casa não está aqui, mas em uma terra que está além da morte, se acreditarmos que o paraíso fulgurante só pode ser encontrado em livros velhos, em construções antigas, dentro de nossa cabeça ou fora desta realidade, então vamos ver a realidade, vibrante, luminosa, como se observássemos através de um vidro escuro. O universo nos cria, nos preserva e nos destrói. É profundo e velho além de nossa capacidade de alcançar com nossos sentidos. É bonito além de nossa capacidade de descrever em palavras. É complexo para além da nossa capacidade de compreender plenamente pela ciência. Devemos nos relacionar com o universo com humildade, temor, reverência e celebração. E buscar uma compreensão mais profunda, das maneiras pelas quais os crentes se relacionam com seu Deus, pela a adoração rastejante ou a expectativa de que há alguém lá fora que possa responder suas orações.” Carl Sagan, Pale Blue Dot (Pálido Ponto Azul) (1994).


Eduardo G. Souza. 
CONCEPÇÃO DO UNIVERSO

Os filósofos conceberam que no universo existiam duas entidades distintas e separadas. Eles chamaram Ideia e Matéria. A matéria pode ser compreendida como tudo aquilo que é físico. A ideia pode ser entendida como aquilo que não é físico, como os pensamentos, sentimentos, percepções, consciência, etc. Platão deu força ao mundo das ideias, ao criar o ‘Mito da Caverna’: Para o escopo da filosofia, a Ideia também abrange o que seria considerado como Espírito, Alma, Deus ou outras entidades metafísicas. Geralmente, existem dois tipos de pontos de vista filosóficos que podem ser derivados desses termos:

- Materialismo
Esta teoria afirma que a Matéria é a única natureza do universo. Isto é, não existem entidades, como Deus ou Espírito, que estejam separadas da Matéria ou que tenham criado a matéria e a existência, portanto, Deus ou um Ente Criador não existe. E que quaisquer representações da Ideia que existam no mundo, tais como pensamentos humanos, instintos animais, consciência, sentimentos, etc., só existem como derivados da matéria, isto é, elas são formadas por reações químicas e funções físicas do cérebro. Uma vez que este cérebro deixa de existir, ou seja, morre, assim também morreram as Ideias que o Ser hospedou. Não há consciência imaterial, como uma alma, espírito, essência, etc., que sobreviva após a morte. A vida física é a realidade e a única existência.

Este é um ponto de vista mantido pelos ateus e muitos, embora não todos, cientistas. Este ponto de vista geralmente afirma que o Universo é eterno e nunca foi criado, apenas existe.

- Idealismo
Este é o ponto de vista de que o universo é, em última instância, composto apenas da Ideia, e que a Matéria (realidade física), é uma manifestação dela. Esta teoria postula que o mundo foi criado pela Ideia, também chamada de Criador, Arquiteto do Universo ou Deus, e que a vida pode ou não continuar num plano espiritual após a morte física.

Este é, obviamente, o ponto de vista clássico da maioria das religiões e caminhos espirituais. O único caminho espiritual que não parece acreditar neste é o budismo, que geralmente acredita que o mundo existe independentemente de um criador, mas a maioria dos budistas não se descreveria como materialistas no sentido clássico.


Eduardo G. Souza. 
QUEM NASCEU PRIMEIRO, O OVO OU A GALINHA?

Depois de estudar as histórias da criação, observei que todas contam que após criar o planeta, teria o Deus histórico criado os seres vivos, iniciando pelos animais. Contam ainda as histórias da criação que macho e fêmea os criou. Então ele resolveu criar o homem, somente o macho criou, por quê? 
Depois, segundo as histórias da criação, vendo o homem triste, por não ter uma companheira como os animais, ele o fez adormecer e através de um procedimento cirúrgico extraiu-lhe uma costela e dela criou a mulher. Por que se nenhum outro animal precisou passar por uma cirurgia, somente o homem precisou? Os outros animais macho e fêmea foram criados, por que somente o homem não foi criado macho e fêmea?
Só existe uma possibilidade para essa resposta... As histórias da criação foram escritas por HOMENS!
Assim, para poder colocar a mulher em segundo plano ou até fora do plano da criação, inventaram que ela só foi criada para acabar com a tristeza e solidão do homem.
Que história mal contada... E não entendo como as mulheres ainda podem acreditar nela!
É lógico que se as histórias da criação fossem escritas pelas mulheres, talvez elas tivessem sido criadas junto com os homens ou até primeiro, aliais cientificamente seria bem mais lógico ela ser criada primeiro! Ou não?
Eu sei, eu sei, muitos vão dizer que essas histórias da criação são alegorias... E como tal não devem ser tomadas ao pé da letra, precisam ser interpretadas... Bem nesse carnaval da criação, no carro alegórico da criação do homem, o carnavalesco colocou o homem no andar de cima e a mulher no de baixo! Por quê?
Eduardo G. Souza
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