Liberdade.

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Eduardo G. Souza e Lígia G. Souza.

sábado, 25 de novembro de 2017

O COMUNISMO E A FAMÍLIA



Por incrível que possa parecer o comunismo ainda é atraente para muitos, mas essas pessoas nunca ouviram falar sobre o que está oculto embaixo dos slogans e da realidade das sociedades comunistas, são mal-intencionadas ou ignorantes.
Na verdade, a origem o sonho comunista está nas ruínas do mercado trabalhista provocado pelo caos da Primeira Guerra Mundial. Mas, na Rússia teve início com a vitória do proletariado russo na Revolução de novembro de 1917.  Os líderes revolucionários, Lenin, Trotsky e outros comunistas internacionais, convocaram um Congresso Comunista em 1919, a convocação dos representantes dos partidos comunistas revolucionários do mundo, possibilitou, em março de 1919, em Moscou, a fundação da Internacional Comunista.
Do relatório final do Congresso da Internacional Comunista de 1919, extraímos:
"A Terceira Internacional foi criada na realidade em 1918, depois da luta prolongada contra o oportunismo e o "chauvinismo social", especialmente durante a guerra, que resultou na formação de Partidos Comunistas em vários países. O reconhecimento formal da Internacional aconteceu agora no primeiro congresso de seus membros realizado em Moscou neste março de 1919. A característica mais proeminente da Terceira Internacional, a saber, é a missão de levar a cabo os princípios do marxismo, e realizar os ideais do comunismo e do movimento trabalhista, manifestada imediatamente na medida em que essa terceira associação internacional de trabalhadores se tornou, em certa medida, idêntica à liga das repúblicas socialistas "soviéticas".
"A Primeira Internacional estabeleceu a base da luta internacional do proletariado para o comunismo. A Segunda Internacional marcou um período de preparação, um período em que o solo foi cultivado com vista à maior propagação possível do movimento em muitos países.
“A importância da Terceira Internacional Comunista na história do mundo é que foi a primeira a colocar na vida o maior de todos os princípios de Marx, o princípio que resume o processo de desenvolvimento do comunismo e do movimento trabalhista e expressado nas palavras, a “ditadura do proletariado”."
Mas esta Internacional Comunista morreu com o tempo. Somente a estrutura formal e o nome permaneceram. Pois ela realmente se tornou uma Internacional estalinista, interessada apenas na preservação da regra do regime burocrático de Stálin na Rússia.
Lenin, discutindo os princípios estabelecidos na Terceira Internacional, afirmou:
"Qualquer marxista, e qualquer pessoa que tenha conhecimento da ciência moderna, se perguntado se acredita na probabilidade de uma transição uniforme, harmoniosa e perfeitamente proporcionada em vários países capitalistas para a ditadura do proletariado, sem dúvida responde a essa pergunta negativamente. No mundo capitalista, nunca houve espaço para uniformidade, harmonia e proporções perfeitas.”
Com o advento do stalinismo, a Internacional Comunista deixou de ser uma organização dedicada à tarefa de lutar pelo estabelecimento de uma sociedade comunista mundial. Com a degeneração da Revolução Russa e a destruição do Estado operário, a sociedade stalinista desenvolveu um novo tipo de estado, um estado de coletivismo burocrático, sob o controle de uma nova classe de burocratas que possuíam e controlam as propriedades nacionalizadas.
O principal papel Internacional Comunista foi agir como tropa de choque da diplomacia russa. Os partidos nacionais não gozavam mais de independência. Suas políticas passaram a serem decididas pelo Soviete Supremo da União Soviética e suas lideranças foram alteradas à vontade de Moscou. O que interessava a Stalin e suas cortes, era o que essas organizações nacionais poderiam renderizar para a Rússia. E, portanto, a Internacional foi completamente subordinada aos interesses da nova Rússia de Stalin!
Ninguém, naquela época, poderia acreditar na "dissolução" da União Soviética, pois o fim dessa união significaria a Rússia dispensar os serviços de seus servos nos vários partidos comunistas em todo o mundo.
É verdade que Stalin tinha um desprezo infinito por eles. Ele sempre teve. Muito antes de dominar completamente a Internacional Comunista, e converte-la num braço do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Stalin falou com desdém da Internacional Comunista e dos países que dela faziam parte. No entanto, não é incomum os senhores terem um profundo desprezo pelos seus servos, mesmo quando esses servos são indispensáveis.
Sob o comando dos estalinistas e dos trotskistas "ortodoxos", o comunismo não levou a URSS, como qualquer sociedade progressista, ao desenvolvimento e ao progresso, e o pior, conduziu a uma forma de exploração do povo, que nem nas sociedades de classes do capitalismo acontecia.
Vários foram os fatores que levaram a essa “dissolução”, mas, além das questões econômicas, outras, como as sociais, também contribuíram significativamente. Entre elas podemos destacar a questão da estrutura familiar, atacada pelo comunismo rigorosamente, mas, em alguns países dominados pelo comunismo, as tradições confrontaram e suplantaram essa ideologia comunista. Um princípio básico do marxismo em sua aplicação chamada comunismo, é realmente substituir a estrutura familiar. No comunismo russo essa ideia foi aplicada rigorosamente, Stalin era paranoico quanto a qualquer possível resistência a proscrição da estrutura familiar tradicional. As crianças eram ensinadas que o estado era seu “pai” em vez de seus pais biológicos, e se essas pessoas falassem qualquer coisa contra o estado ou o governo, as crianças deveriam denunciá-las. A visão de Karl Marx sobre a religião também explica sua visão da família: "A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo."
Essa frase – “A religião é o ópio do povo” – é, em geral, pinçada do texto à “Crítica da filosofia do direito de Hegel”, escrita em 1843 e publicada em 1844 por Marx. Em seu contexto ele ataca a religião fundamentando suas ideias numa tese, que pode ser resumida:
"É este o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a religião, a religião não faz o homem. E a religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não se encontrou ainda ou voltou a se perder. Mas o Homem não é um ser abstrato, acocorado fora do mundo. O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. Esse Estado e essa sociedade produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, o seu ponto de honra espiritualista, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu compromisso solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião.
“A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola.
“A crítica arrancou as flores imaginárias dos grilhões, não para que o homem os suportes sem fantasias ou consolo, mas para que lance fora os grilhões e a flor viva brote. A crítica da religião liberta o homem da ilusão, de modo que pense, atue e configure a sua realidade como homem que perdeu as ilusões e reconquistou a razão, a fim de que ele gire em torno de si mesmo e, assim, em volta do seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira em volta do homem enquanto ele não circula em tomo de si mesmo.
“Consequentemente, a tarefa da história, depois que o outro mundo da verdade se desvaneceu, é estabelecer a verdade deste mundo. A tarefa imediata da filosofia, que está a serviço da história, é desmascarar a auto alienação humana nas suas formas não sagradas, agora que ela foi desmascarada na sua forma sagrada. A crítica do céu transforma-se deste modo em crítica da terra, a crítica da religião em crítica do direito, e a crítica da teologia em crítica da política."
O que enfureceu tanto Marx foi o ‘direito de propriedade’, pois mantendo o direito de herança da propriedade a família se perpetua por gerações. É por isso muitas pessoas fugiram para o Ocidente depois de ouvir que lá era possível possuir sua própria casa e deixá-la para seus filhos. Marx era contra a propriedade da propriedade privada, tudo deveria pertencer ao Estado, e seu uso seria regulamentado e controlado pelos Órgãos do Partido.
A propriedade social de bens móveis e imóveis ocorre porque é conveniente e, além disso, é necessário para o processo de produção. Mantém a existência da sociedade, facilita o desenvolvimento das forças produtivas, e os homens se apegam a ela, consideram-na natural e necessária.
A família considerada uma comunidade orgânica desenvolvida através e em torno do casamento, geralmente, embora hoje nem sempre, envolve um homem e uma mulher em união conjugal e sua prole. Portanto, inclui não apenas um casal, mas também seus filhos. Isso não exclui os casamentos sem filhos de usarem o rótulo de "família". As crianças são uma possibilidade natural do casamento. Também não exclui as famílias monoparentais. Estas são famílias, mas estão incompletas no sentido natural e orgânico.
O conceito de família tem uma longa história na tradição ocidental. Tradicionalmente, foi considerado como representando a estabilidade social, econômica e espiritual. A relação familiar é a "semente da sociedade", como disse o pensador jurisprudencial calvinista Johannes Althusius(1), e é a base da educação e da relação simbiótica com o próximo. A família, fundada na aliança do casamento, é uma instituição orgânica e natural que fornece um contexto seguro e natural para o florescimento humano. Mesmo os membros de uma família que não têm relações de sangue com os outros membros são participantes da instituição (as crianças adotadas são um exemplo óbvio disso). O conceito e o respeito a instituição da família estão por trás da ordem social, política e moral do Ocidente.
É claro que o casamento homossexual existe, em parte, por causa de uma mudança radical no entendimento ocidental da ideia de família. Houve, de fato, algumas mudanças na nossa compreensão da família para melhor. Alguns elementos negativos, como o que comumente se conhece como "patriarcado", foram removidos. No entanto, no processo, ocorreram mais mudanças negativas que positivas. Anteriormente, a família era considerada uma instituição com relacionamentos, hierarquias, deveres e obrigações incorporados. No entanto, a sociedade ocidental esqueceu, por meio tanto da omissão quanto do intensão, que a família não deve ser moldada a nosso gosto. A família não é um espaço para o voluntariado, onde os indivíduos autônomos simplesmente podem moldar deveres e obrigações pelo seu próprio gosto. Isso, no entanto, são apenas sintomas desse problema fundamental. O que representa uma mudança sísmica na compreensão da família: - o casamento; além da questão da procriação, outro componente radical: - procriação e crianças.
O casamento se transformou de uma das instituições sociais mais naturais e orgânicas em algo irreconhecível. Era anteriormente uma união de aliança, inviolável, exceto nas circunstâncias mais extremas, como abandono ou adultério. No Ocidente, o casamento era sagrado. Os compromissos eram assumidos ante do homem e de Deus, que as pessoas acreditavam ser aquele que havia criado o casamento. Uma parte natural e quase inevitável desta união sagrada era a procriação de crianças. Essas crianças nasceriam em uma família de aliança que, pelo menos, teoricamente, era um ambiente seguro e estável. O casamento significava família por padrão.
O casamento é agora um contrato voluntário de convivência. Como Alastair Roberts(2) escreveu em um recente artigo do Theopolis Institute: "A família agora está mais próxima de um ambiente privatizado e sexual para correntistas independentes que compartilham padrões semelhantes de consumo". Aqui, Roberts ilustra como as normas do casamento agora podem ser moldadas de acordo com os valores e aspirações dos parceiros matrimoniais. Considere a prática generalizada do divórcio sem motivo como representação disso. Na medida em que o casamento já não atende às necessidades e desejos de um ou de ambos os cônjuges, não há motivo para continuar o casamento. Se uma das partes no casamento se desinteressa, experimenta o tédio, "cai fora o amor", ou não consegue mais controlar a pressão da relação, a separação está próxima. O divórcio permite que as partes renunciem à maioria das obrigações inerentes ao casamento, incluindo as obrigações de companheirismo, proteção, provisão e fidelidade sexual. Também tem implicações para o casamento do mesmo sexo. Se as normas do casamento são livres de serem moldadas pelos parceiros, por que não podem se casar dois homens ou duas mulheres?
O inacreditável está acontecendo, países que conseguiram se libertar do jugo da demolida União Soviética, estão abraçando calorosamente as formas tradicionais da família e do casamento, a tradição se manteve latente durantes anos subjugada a forças dos tanques e dos fuzis automáticos russos, mas, tão logo a liberdade raiou, dos seus raios renasceram os valores abafados da cultura daqueles povos. Enquanto isso, a família ocidental, está sendo mortalmente ferida. A velha ideia de família está morta no Ocidente.
A família não é apenas uma construção sociológica, então devemos parar de tratá-la como uma. É na família que as pessoas vivem e prosperam. É natural. Ele traz consigo certas obrigações e deveres. Não é maleável, não importa o quão nós tentamos fazê-la. No entanto, vemos a família sendo tratada como uma instituição voluntária. Não é de admirar que muitas nações ocidentais agora permitam que dois homens ou duas mulheres se casem. Não é de admirar, quando é manifestamente óbvio que nos esquecemos do que é a família e por que ela importa. Esta marcha é alarmante e, à luz da dissolução de fato da família, o futuro do Ocidente parece realmente sombrio.
Eduardo G. Souza.

(1)  Johannes Althusius nasceu em Diedenshausen na Westfália em 1557. Além do registro de nascimento, pouco se sabe de sua infância. Foi um filósofo e teólogo calvinista alemão, conhecido por sua obra "Politica methodice digesta et exemplis sacris et profanis illustrata"; edições revisadas foram publicadas em 1610 e 1614. Depois de receber o título de doutor tanto em Direito Civil quanto em Direito Eclesiástico em Basle, em 1586, passou a lecionar na faculdade de Direito na Academia Reformada de Herborn. Esse sucesso foi instrumental, pois assegurou para Althussius uma oferta para se tornar magistrado municipal de Emden, na Frieslândia Oriental, cidade que estava entre as primeiras da Alemanha a abraçar os artigos de fé da Reforma. Althussius aceitou tal oferta em 1604 e exerceu uma influência comparável à de Calvino em Genebra. Ele guiou a cidade sem interrupção até sua morte em 1638.
(2)  Alastair Roberts, PhD, pela Universidade de Durham, na Inglaterra, escreve nas áreas da teologia bíblica e da ética, mas frequentemente ultrapassa esses limites. Ele participa do podcast semanal Mere Fidelity, é editor da série Politics of Scripture no blog The Political Today e mantém o blog Alastair’s Adversaria.

Bibliografía indicada:
Boron, Atilio A.; Amadeo, Javier y González, Sabrina (comp). “La Teoria Marxista Hoy: Problemas y Perspectivas”. Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales - CLACSO, Ciudad de Buenos Aires, AR. 2006.
Engels, Friedrich. “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”. Editorial Vitória Ltda., Rio de Janeiro, RJ. 1964.
Marx, Karl. “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”. Boitempo Editorial, São Paulo, SP. 2010.
O’Toole, Roger. “Religion: Classic Sociological Approaches”. McGraw Hill, Toronto, Ont, CA. 1984.
Wikipédia, a enciclopédia livre. “Ópio do povo”. Acesso: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%93pio_do_povo


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terça-feira, 21 de novembro de 2017

SIMBOLOGIA E VALORES MILITARES



Porque os militares usam uma simbologia muito marcante? Das fardas, aos brasões, distintivos e galardões, passando pelos estandartes e as bandeiras, e tantos outros. Cada símbolo tem um significado e um valor, algumas vezes declarado, todos reconhecem, e outras oculto, reconhecido apenas por alguns.
Os conceitos de símbolos e de honra estão, muitas vezes, explicitamente ligados a assuntos militares e a guerra em particular. Os cientistas sociais têm estudado seriamente a influência dos símbolos no comportamento dos indivíduos e das sociedades. Usando as ferramentas metodológicas das ciências sociais, pesquisadores têm buscado examinar o papel que o simbolismo desempenha na conduta dos militares, e a influência dos símbolos na codificação de valores, como a honra, determinantes do comportamento desejado pelos militares.
Não podemos olvidar o papel que o simbolismo desempenha em nossas vidas e em nosso mundo. O símbolo, em geral, transmite uma mensagem alegórica, bastante clara, que todos podem entender. Em contraste, existem símbolos focais, que induzem apenas certos observadores a reconhece-lo e esperar um determinado resultado, em geral essa simbologia, faz parte de uma relação fechada, onde alguns estarão se comunicando simbolicamente com outros. E finalmente existem os símbolos de ‘valor’, são aqueles que tendem a ser reificados, isto é, são símbolos de valor representativo, tratando de emoções relacionadas a coisas ou elementos de alta importância ou valor, como a bandeira de uma nação.
Os símbolos focais e os de valor não são claramente entendidos por todos os observadores. Eles exigem maior cuidado por parte de quem o usa, para que eles transmitam o significado pretendido.
Sabemos que o simbolismo tem um forte valor para o conceito de honra. Através de uma simbologia rica e bastante significativa os militares, criam e usam modelos que demonstram uma grande preocupação em relação à honra e o prestígio das organizações militares.
Muitas pessoas sabem o que significam as palavras: Lealdade, Dever, Respeito, Serviço desinteressado, Honra, Integridade e Coragem pessoal. Mas, com que frequência, poucas realmente vivem esses valores.
Os militares aprendem esses valores em pormenores durante a sua formação básica, desde então eles passam a vivê-los todos os dias e em tudo o que eles fazem, estando eles em serviço ou fora dele. Em suma, são esses valores básicos acima listados, que podemos identificar na formação dos militares e sempre relembrados através dos símbolos militares. Do soldado ao general, todos são instruídos e treinados, para através da simbologia militar, incorporarem esses valores as suas personalidades, passando a moldar os seus comportamentos, de acordo com esses valores que abaixo serão detalhados:
FIDELIDADE
É ter verdadeira fé e defender a qualquer custo, à Constituição Brasileira, a Sociedade, as Forças Armadas, à sua unidade, à família e os outros militares. A fé e a fidelidade verdadeiras são uma questão de acreditar e de se dedicar conscientemente a algo ou a alguém. Um soldado leal é aquele que respeita a Lei, apoia a liderança e defende seus companheiros. Ao usar o uniforme das Forças Armadas Brasileiras, o militar está expressando sua lealdade. E com sua participação dedicada e diligente, ele mostra sua lealdade à Pátria, as Forças Armadas e a sua unidade.
DEVER
É desempenhar com dedicação suas obrigações. Cumprir o seu dever significa realizar com qualidade as tarefas que lhes são atribuídas. O dever significa ser capaz de conscientemente realizar tarefas como parte de uma equipe. O trabalho das Forças Armadas é uma combinação complexa de missões, tarefas e responsabilidades, tudo planejado e em constante movimento. O trabalho militar implica no cumprimento de uma tarefa dentro de uma estrutura muito maior. É cumprir suas obrigações como parte de sua unidade, mas a eficácia e eficiência com que ele realiza sua missão, contribuirá para a integridade e qualidade do produto final. O serviço militar é um trabalho em equipe e cada um de nós tem algo a contribuir.
RESPEITO
É tratar as pessoas como elas devem ser tratadas. O Militar aprende a "tratar os outros com dignidade e respeito, enquanto espera que os outros façam o mesmo". O respeito é o que permite apreciar o melhor em outras pessoas. O respeito é confiar que todas as pessoas farão seus trabalhos e cumprirão seus deveres. O respeito é o ingrediente vital para a manutenção da hierarquia militar. Por respeito o militar acata e cumpre as ordens emanadas das autoridades superiores, desde que sejam legais e justas. Por respeito a Pátria o militar executa com valor suas missões, dedicando o melhor de seus esforços.
SERVIÇO DESINTERESSADO
O militar coloca os interesses da Nação, das Forças Armadas e dos seus subordinados antes dos seus. O serviço desinteressado é maior do que apenas servir a uma pessoa. Ao servir o seu país, o militar está cumprindo seu dever lealmente sem pensar em reconhecimento ou recompensa. O objetivo da estrutura básica do serviço altruísta é o compromisso de cada membro da equipe de ir um pouco mais longe, suportar um pouco mais e olhar para um pouco mais além, e procurar descobrir como somar seu esforço aos do grupo.
HONRA
Honrar é viver os valores da Pátria, das Forças Armadas, da sociedade e da família constantemente. O prêmio mais alto que a nação e a sociedade podem oferecer a um militar é a Confiança. Este prêmio é o único que os Soldados fazem questão de receber e ostentar em vida diária. Os Soldados desenvolvem o hábito de serem honrados e solidificam esse hábito com cada escolha de valor que eles fazem. A honra é uma questão de realizar, agir e viver os valores de respeito, dever, lealdade, serviço altruísta, integridade e coragem pessoal em tudo o que se faz.
INTEGRIDADE
É fazer o que é certo, legal e moralmente correto. A integridade é uma qualidade que o militar desenvolve aderindo aos princípios morais e éticos. Ela exige que o militar não faça algo e não diga nada que engane os outros. À medida que a integridade dele cresce, a confiança que os outros colocam nele aumenta. Quanto mais escolhas ele fizer com base na sua integridade, mais esse valor será altamente valorizado e afetará os relacionamentos dele com familiares e amigos e, finalmente, a aceitação fundamental dele mesmo.
CORAGEM PESSOAL
É agir com destemor face ao medo, ao perigo ou a adversidade física ou moral. A coragem pessoal tem sido associada as nossas Forças Armadas, os “Pracinhas” brasileiros da FEB, a “Senta a Púa” e a “Rompe Mato” da FAB, são exemplos marcantes do valor dos “Soldados da Pátria Amada”. A coragem física é uma questão de treinamento físico e psicológico permanente, ela é um estado de prontidão duradouro, que coloca os militares sempre dispostos a arriscarem suas seguranças pessoais se necessário for. Enfrentar o medo ou a adversidade moral pode ser um longo e lento processo de permanência no caminho certo, especialmente porque cumprir essas ações e tomar certas decisões não é popular entre os outros. O militar constrói sua coragem pessoal diariamente defendendo e agindo sobre as coisas e em situações que ele reconhece serem honradas. 
Finalizando um militar sempre cumpre a sua missão, nunca aceita a derrota, nunca desisti e abandona um companheiro caído.
Eduardo G. Souza.







SERÁ QUE SÓ O COMUNISMO PROCURA DESTRUIR A FAMÍLIA?



Marx viu o ‘direito de herança’ como uma ameaça ao comunismo, pois perpetua o papel de família tradicional. Então como uma sociedade sem classes pode garantir a igualdade de ganhos, quando algumas pessoas ao nascimento recebem, injustamente, mais bens de seus pais do que outras?

Isso é irônico, dado que Marx usou e viveu da herança de Engels, que subsidiou seu trabalho, sua vida e da sua família, especialmente depois que Marx sugou o máximo de dinheiro possível de seus próprios pais, que ficaram muito amargurados com a forma como ele os explorava. A relação de Marx com seus pais foi claramente parasitária. A mãe de Marx expressou abertamente o desejo de que Karl parasse de escrever sobre o capital e começasse a trabalhar para sustentar ele e sua família. No entanto, em sua obra Marx recomendou abolir todo o direito de herança. Se isso acontecesse na época em que viveu, ele não teria conseguido sobreviver, pois não trabalhava e viveu a custas da herança da família de Engels. 

É claro que a herança era sobre a ‘propriedade privada’, que Marx e Engels desprezavam. Na verdade, o objetivo central do "The Communist Manifesto" é exatamente isso. Assim a teoria comunista pode ser resumida em uma única frase: “abolição da propriedade privada".

O ponto nove no plano de dez pontos de Marx e Engels determina: "abolição gradual de toda a distinção entre cidade e país por uma distribuição mais equitativa da população sobre o país". Assim as famílias foram, obviamente, dolorosamente afetadas. Nos regimes comunistas em nações como o Camboja, esta "abolição gradual" assumiu a forma de migrações em massa, realizadas durante a noite, forçadas pelos canos dos rifles automáticos, uma ação doentia e drástica que foi retratada vividamente no filme de 1984 "The Killing Fields"(1).

Separar as crianças dos pais... Leonid Sabsovich(2), por exemplo, levou esse conselho aos extremos, principal planejador urbano soviético nos governos de Lênin e Stalin, em uma série de documentos publicados pelo Kremlin no final da década de 1920, Sabsovich defendeu uma separação total das crianças dos pais logo nos primeiros anos do desenvolvimento infantil. Sabsovich perseguiu aqueles que dele discordaram. Sabsovich fundamentava sua sugestão de separação completa entre pais e filhos, afirmando que os pais naturalmente criariam seus filhos sob conceitos indesejáveis, cretinos, não progressistas e "cheios de preconceitos", que formariam pequenos burgueses, "nada inteligentes".

Sabsovich acreditava e afirmou que as crianças deveriam ser, e eram, uma propriedade do Estado, em vez da família, então o Estado tinha o direito de obrigar os pais a encaminhar seus filhos para as "cidades infantis", especialmente concebidas para realizarem a educação dessas crianças. Essas cidades precisavam ser construídas "bem distantes da família". Tais propostas extremas de extinção das famílias, desse comunista urbano seriam incorporadas em seus planos para criar a "cidade socialista" ideal.

Ele era fanático... Comportamento inteiramente apropriado a um esquerdista convicto, assim, ele defendeu o poder absoluto do estado para afastar todos os que estavam atrapalhando o caminho da revolução.

Finalmente, vejamos o ponto dez do grande plano de Marx e Engels: Eles queriam "educação gratuita" para cada criança em "escolas públicas" geridas e controladas pelos comitês do partido. A família deixaria de existir como a "correlação sagrada de pais e filhos", pois o "amálgama burguês sobre a família e a educação". Marx afirmou: "A revolução comunista é a ruptura mais radical com as relações tradicionais; não é de admirar que o seu incremento envolva a ruptura mais radical com as ideias tradicionais." Sim, realmente, não devemos admirar que um dos principais ‘alvos’ de ruptura com relações e ideias tradicionais, seja a família.

Entre essas ideias, o epicentro, era naturalmente, a tradicional família bíblica e o casamento, que só naquele momento, dois milénios depois, estava sendo redefinida e, talvez, extinta em sua forma tradicional.

O que os comunistas nunca pensaram, é que essa ruptura mais radical das relações familiares tradicionais - tão radical que Marx e Engels ficariam estupefatos com o mero pensamento – estaria um dia acontecendo no Ocidente. Os países da extinta União Soviética, foram capazes de resistir a ideologia comunista e tão logo foi demolida a ‘cortina de ferro’, voltaram as velhas e tradicionais organizações familiares, como base de seus tecidos sociais.

Mas, hoje quem está quebrando completamente as longas tradições da história humana, não são mais os pioneiros do ataque a família tradicional, e sim os países ocidentais, que agem como se não fosse um grande problema a desintegração da família tradicional. Hoje os países capitalistas não abraçam mais o conceito de família tradicionalmente arraigado a fé judaico-cristã, pelo contrário, estão hoje incentivando a formação de famílias disfuncionais, poligâmicas ou do casamento de pessoas do mesmo sexo, e ainda acusam aqueles que são contra o casamento gay de ‘extremistas’ e, é claro, são apontadas como ‘detentoras de ódio discriminatório’.

Este é um momento especialmente excitante para os comunistas extremos. O que eles não conseguiram no mundo ex-comunista da extinta URSS, que tão logo foi possível abandonaram essa ideologia destruidora, estão vendo acontecer no Ocidente. Eles não têm dúvidas do seu vertiginoso e inesperado sucesso na destruição da família e, ainda melhor, entre seus tradicionais adversários. Eles estão vendo estupefatos acontecer nos países capitalistas uma mudança radical e inesperada na cultura dominante, que está realmente transformando a natureza humana. E isso está acontecendo com o apoio involuntário de uma grande quantidade de ‘cidadãos inconscientes e/ou inconsequentes’, e de elementos mal-intencionados que agem em benefício próprio ou interesses escusos. E já faz algum tempo.

Eduardo G. Souza
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(1)  OS GRITOS DO SILÊNCIO 1984 Drama/Ficção histórica O filme relata a versão do jornalista americano Sidney Schanberg sobre a Guerra do Camboja e sua amizade com um intérprete local. Com a cobertura da tomada de Phnom Penh, ele ganha o Pulitzer e volta ao Oriente em busca do amigo. Trailer no YouTube:  https://www.youtube.com/watch?v=56_Su32Tp5A
(2)  Leonid M. Sabsovich foi um planejador urbano e economista, famoso por suas propostas urbanistas durante os anos 1929-30 na União Soviética (URSS), levando-o a ser considerado um líder do urbanismo na União Soviética. Sabsovich delineou uma visão urbanística para a União Soviética, estabelecendo que todas as cidades e aldeias seriam substituídas por cidades com aproximadamente 25 a 50 unidades residenciais ao longo de um período de dez anos. Essas unidades de habitação urbanas acolheriam entre 1400 a 2000 pessoas em comunidade, proporcionando facilidades comunais para facilitar o desenvolvimento da ideologia comunista. O único espaço de vida privado seriam pequenas cabines de dormir. Ele imaginava as cidades como um "condensador social" que estariam bem equipadas para incutir nas pessoas atitudes e valores comunitários, que o novo mundo comunista exigia.

Bibliografia recomendada:
Edwards, Lee. “The Conservative Revolution: The Movement that Remade America”. Free Press. 1999.
Kengor, Paul. “Dupes: How America’s Adversaries Have Manipulated Progressives for a Century”. Intercollegiate Studies Institute. 2010.
Kengor, Paul. “The Communist: Frank Marshall Davis: The Untold Story of Barack Obama's Mentor”. Threshold Editions/Mercury Ink. 2012.
Kengor, Paul. “Takedown: From Communists to Progressives, How the Left Has Sabotaged Family and Marriage”. WND Books. 2015.
Kirk, Russell. “A Mentalidade Conservadora”. É Realizações Editora. 2012.

Marx, Karl & Engels, Friedrich. “Manifesto Comunista”. Boitempo Editorial. 2015. 

DESTINO NÃO EXISTE



Desde as primeiras idades da civilização, o destino é um conceito que a humanidade criou e continua a discutir. Este conceito, embora bastante antigo, ainda permanece sem uma resposta clara. Os filósofos antigos se opuseram na discussão de sua existência, e hoje as pessoas continuam divididas quando se trata da existência desse conceito.
O destino pode ser definido como um curso predeterminado de eventos que uma pessoa irá atravessar durante toda a vida. Essencialmente, não controlamos nosso destino e, portanto, não podemos mudar o que acontecerá.
Se o conceito destino está enraizado no indivíduo, como podemos ouvir sobre o destino de um povo ou de um continente? A noção de destino tem sido ampliada, e aplicada a grupos, sociedades, nações, etc. É comum lermos ou ouvirmos falar em ‘destino’ de um povo ou de uma nação.
Destino é a sucessão incorrigível dos eventos que ocorrem em nossa vida, e são, portanto, baseados numa linha de tempo fixa e particular. Muitos acreditam que o destino é um caminho que não pode ser mudado, pois é governado por um poder supremo e, portanto, cada um tem um destino predeterminado ou fixo, o que é mais do que um conceito, é uma crença.
Essa noção, que quase sempre é construída em torno de ideias religiosas, de que os eventos na vida do homem, seguindo um objetivo indecifrável, devem, inevitavelmente, acontecer, não importando o como e o porquê, e denominada ‘destino’. Claro, isso significa que o futuro é inevitável, dado que nem o passado ​​ou as leis da natureza, tão pouco a força motriz pessoal do homem, são capazes de mudá-lo, pois ele é definido por um deus ou deuses que, por trás de tudo, impõem sua vontade sobre os infelizes mortais.
O mais importante é a questão do poder do homem de contribuir para a formação da história da humanidade. De acordo com as noções de ‘destino’, há um objetivo fixo (divino) que será alcançado, não importa o quanto nos esforcemos contra isso. As ações humanas não fazem qualquer diferença, o destino garante que o futuro acontecerá, não importa o que escolhemos ou como atuemos.
Muitas pessoas acreditam que o destino pode ser predito ou estudado por adivinhos, xamãs, profetas, sibilas, videntes ou astrólogos. Em algumas culturas, até flechas foram lançadas para ler o destino. Da antiga Trácia à moderna New York, os homens têm usado diversos meios para predizer o seu futuro. O meio de se obter esse conhecimento é a adivinhação.
Todos aqueles que ‘não acreditam em si mesmos’, creditam ao seu destino, determinado por um poder supremo, a causa dos eventos que acontecem em suas vidas, em vez de lutar com coragem e responsabilidade pela condução de suas vidas.
"O caráter é o destino", é uma citação atribuída ao filósofo grego, Heráclito. Esta citação alude que o destino não é uma força externa predeterminada, mas o futuro ou o destino de alguém é determinado pelo seu próprio caráter e força interior.
O ‘Conceito de Livre arbítrio’ e o ‘Conceito de Destino’ estão sempre em desacordo. Eles sempre se contradizem e se um é verdade o outro não pode existir. Mas qual é o verdadeiro? Como podemos descobrir?
Os psicólogos definem o ‘livre arbítrio’ como a possibilidade de realizar ações alternativas em uma mesma situação, a capacidade de escolher uma delas e descartar todas as outras possibilidades. Isso está relacionado à luta dos motivos e a dominação e vitória de um motivo particular. Em outras palavras, a liberdade humana equivale à possibilidade de decidir qual linha de conduta tomar e qual rejeitar. Neste sentido, a liberdade assume um significado cheio de importância vital. De acordo com Spinoza, estamos em servidão na medida em que o que nos acontece é condicionado por causas externas e livres na medida em que agimos de acordo com nosso próprio julgamento.
O ‘livre arbítrio’ é o resultado de impulsos, pensamentos e sentimentos que nos permite fazer escolhas, tomar decisões, que afetam diretamente, e podem moldar, o curso da nossa vida.
A liberdade humana se manifesta não apenas na escolha de uma linha de conduta, não só no controle sobre as forças da natureza e na reforma consciente das relações sociais. É expressa vividamente também no controle do indivíduo sobre si mesmo, de seus instintos, inclinações e sentimentos. Ele é responsável tanto pela sua participação na sociedade como pela própria consciência, e pelas formas em que estas são expressas. O homem torna-se mais perfeito quando aprende, sob a influência da educação, das demandas morais, sociais e legais, restringir consistentemente os impulsos que são proibidos pelos padrões sociais. E, inversamente, vemos que a pessoa que perdeu o poder de autocontrole fala e age de uma maneira na qual ele não se permitiria fazer em um estado de espírito comum e que ele lamenta amargamente quando volta ao normal.
Hoje, em grande medida, abandonamos as crenças em poderes externos e sobrenaturais que podem determinar nosso destino e produzir o nosso futuro. Nós raramente falamos sobre a ‘providência’ no século XXI. De fato, não podemos acreditar que nosso futuro se baseia mais no poder divino, na nossa racionalidade, o conceito do ‘livre arbítrio’ infere que podemos, racionalmente, decidir abraçar um caminho como nosso. Nossa vida não decorre da predeterminação, mas da consciência interior e da forma como agimos.
Desde que nascemos, lutamos. Na vida, a sobrevivência é uma luta constante. Mas, também é nossa programação biológica, o truque mais cruel da natureza, querermos sempre avançar, ir mais longe. Estamos programados, é característica da personalidade humana, sempre lutar por mais e nunca nos conformarmos com o que temos.
Mais bens... Mais dinheiro... Mais recursos... Chegar mais rápido ao topo da carreira profissional... Uma avaliação mais elevada... Uma nota mais alta... Terminar mais rápido o curso... Avançar e chegar mais rápido... Mais experiências... Mais conhecimentos... Mais amores... Mais amigos... Mais... Mais... Mais...
É fácil olhar para os desafios e os objetivos futuros, o difícil é aguardamos o dia em que conquistaremos tudo... Será que esse dia chegará?
Você atingiu quase tudo. O caminho está completo. Você resolveu todos os problemas... Você chegou?
Não! Há sempre alguma coisa além... No caminho, em cada cruzamento ou bifurcação, novos desafios e objetivos vão surgindo... É sempre haverá mais!
Você pode olhar para a sua vida e observará que sempre quis a próxima coisa, uma vez alcançada a estabilidade em uma experiência, não há um ser humano que esteja satisfeito com a ‘estabilidade’, todos querem ‘avançar’, uma mudança, uma ‘novidade’, o próximo nível. Se você jogou um videogame, você sabe como esse desejo funciona, uma vez que você alcança um nível do jogo, quer avançar para o próximo nível, isso é feito para mantê-lo desafiador. Essa é a própria natureza humana e, é evidente que, a nossa natureza está sempre em um movimento direto para o novo.
Na vida, você nunca alcançará o "ponto final", onde você possa dizer: - finalmente consegui tudo o que eu quis!
Mesmo a morte não é um ponto final porque sua energia continuará, avançará para mais longe, em novas experiências de natureza não-física e poderá, talvez, manifestar-se ainda em uma nova forma física, pois tudo no universo é uma questão de movimento e a energia em movimento poderá manifestar-se de inúmeras formas.
Muitas pessoas acreditam, que através da espiritualidade, finalmente chegariam a um ponto em que não sentiriam mais nenhum desejo de novidade e simplesmente se enraizariam em um estado de pleno prazer, a felicidade total. Na verdade, isso é um equívoco, se você alcançar um ponto em que se torne muito estável em sua espiritualidade, então você vai querer se mover para o próximo nível, para alguma experiência nova que possa elevar ainda mais sua experiência espiritual. E certamente, você crê, que a estabilidade que você alcançará terá um novo sabor, uma nova maneira de viver sua vida espiritual. A vida sempre será uma jornada, esta é a natureza da ‘energia’ que está em você, ela nunca ‘morrerá’, sempre estará em movimento.
Não há um ‘fim’ na vida, porque esse caminho nunca foi o cumprimento de uma agenda fixa, cada momento é uma linha na agenda da vida que você experimenta. A vida, sempre em movimento, é uma sucessão de experiências, e uma experiência não é melhor do que a outra, pois não existe uma perspectiva absoluta, mesmo a experiência mais elevada é apenas uma experiência, nada mais, nada menos.
Essa perspectiva mantém você ajustado a realidade e atua como um "alarme", que dispara cada vez que você acredita que atingiu a "perfeição" (ou tem a ilusão que a atingiu) ou alcançou todos seus objetivos.
Não importa o quão grande são as suas ambições, não importa quão grandes sejam os seus objetivos, uma coisa é certa - quando você os atingir, você sempre estará frente a novos desafios e outros objetivos surgirão.
Então aceite isso e abrace-os. Sempre há ‘mais’!
É assim... Isto é a vida... Isso é muito bom, pois mantêm você vivo. Quanto mais é obtido... Não importa, pois sempre haverá mais a ser conquistado, porque é próprio da natureza humana ‘pretender’ a próxima coisa.
Não há nenhum marco, nenhuma conquista, nenhum limite para chegar. É uma corrida sem linha de chegada. Nenhum pote de ouro no final do arco-íris... Apenas uma vida de desafios, trabalho e problemas.
Toda vez que você alcança uma certa estabilidade com uma experiência, você vai querer avançar para uma nova experiência. Viver conscientemente é uma experiência diferente da experiência de viver inconscientemente, alinhar-se a sua vibração natural é uma experiência diferente da experiência da vida desconectada. Mas no final tudo é experiência, dizer que uma experiência é melhor do que a outra, é como dizer que ser adulto é melhor do que ser criança, porque esse não é realmente o caso. Ser uma criança é uma experiência própria e ser adulto é outra experiência com seu próprio sabor, é claro, parece ser melhor ter mais controle e maturidade na vida, mas essa é apenas uma perspectiva, e essa percepção também constitui uma experiência.
O melhor que você pode esperar são problemas simples e desafios interessantes, que deem espaço para o seu crescimento. Que contribuam para a sua melhoria e desenvolvimento.
Esse é o jogo, então abrace-o... Isso é a vida.
Perceba, então, que, embora vencer e alcançar seus objetivos seja importante, você não deve abandonar a sua tranquilidade, felicidade e a gratidão por esse futuro, por mais promissor que ele seja, não importa o quão brilhante, não importa o quão ele é importante para você, alcançar tudo que você deseja pode não trazer a felicidade.
Você decide o ritmo de sua jornada com base em quão rapidamente você se prepara para a nova realidade. Sempre haverá o próximo passo, então, relaxe a impaciência e aproveite a viagem, saborear cada momento da jornada é, naturalmente, uma experiência diferente de apenas correr de um destino para outro, em um frenesi indócil. Em vez disso, viva com dedicação e tenha gratidão pelo presente. Reflita sobre o que você tem e seja grato pelo que você hoje já conquistou.
Gratidão por cada obstáculo que você superou... Seja agradecido por cada bem que você adquiriu e pelo que você está ganhando.
Lembre-se, se você passar sua vida buscando um futuro, que poderá não existir, você vai perder a fatia da sua vida que está experimentando agora.
Bem agora você decide:
Destino existe?
Qual é o papel da causa e efeito em nossas vidas?
Deus ou nosso ‘livre arbítrio’ governa nossa vida?
São as influências da família, religião, educação, ou as experiências vivenciadas em nosso passado, que determinam quem somos e o que fazemos?
Nossa força de vontade, inteligência, persistência, etc. definem dinamicamente o nosso sucesso ou a nossa realização acontece dentro de um quadro básico imutável a que somos destinados?
Em que medida somos responsáveis ​​por nossas vidas e por atingirmos os objetivos que desejamos e, quando não alcançamos, a culpa é sempre do nosso destino?
Eduardo G. Souza


domingo, 19 de novembro de 2017

REFLEXÃO EM MAIS UM ANO NESSE PLANETA



Contemplando os amplos mares insondáveis, eu me encanto... 
Sentindo a respiração de vento suave em minha face, eu me encanto...
Observando o profundo e enigmático céu azul, eu me encanto...
Admirando cada estrela como se fosse uma mensagem de paz, eu me encanto...
A natureza resplandece exuberante e eu me encanto...
Meu coração bate no ritmo da felicidade e do encanto de viver.  
Eu simplesmente vivo, simplesmente vivo a felicidade e a paz.
Cada palavra carinhosa que recebo é uma canção aos meus ouvidos.
Apreciando a natureza encontro glória do Grande Arquiteto.
Sinto sua presença preencher todo lugar no universo e na minha vida.
Na meditação e na adoração, eu encontro o Criador no interior do meu Ser.  
Não há nenhum lugar no universo em que nós não encontremos a inteligência do Criador.
Nos momentos que meu coração foi ferido, e as lágrimas humedeceram meus olhos.   
Foi no Criador, na minha Amada e na minha família que encontrei o conforto e a paz.
Não há nada neste mundo que o amor não possa superar.  
Quem encontra o amor e a amizade, encontra a felicidade e a paz.  
Tenho você, meu Amor, e minha Família, onde encontrei o amor, e vocês meus Amigos, que me contemplaram com a amizade.   
O que eu quero mais?
Eu tenho tudo...
Sou uma pessoa privilegiada e feliz...
E agradeço ao Criador pela vida e pelo livre-arbítrio, a liberdade de tomar minhas próprias decisões. 
Eu simplesmente vivo, simplesmente vivo a felicidade de viver o amor e a paz. 
Eduardo G. Souza
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COMUNISMO E CORRUPÇÃO



Os tanques soviéticos invadem Budapeste e Praga. Os bancos russos criam contas secretas e empresas de estatais sombrias, invisivelmente compram influência e engolem ativos estratégicos em toda a Europa.
Colaboradores no Oriente e outros acólitos levam ao Ocidente o pensamento leninista.
Lobbies empresariais e industriais introduzem nas negociações e divulgam de leste a oeste, o sucesso soviético.
Uma rede de partidos comunistas e grupos de esquerda propalam o sucesso do comunismo e cuidam dos interesses de Moscou.
Uma rede de corporações obscuras, negócios com energia e complexos esquemas de lavagem de dinheiro atraem as elites estrangeiras e formam um lobby poderoso no Kremlin.
Isso foi o passado, conheça o presente.
De muitas formas, a corrupção russa é o novo comunismo soviético. O dinheiro sujo do Kremlin é a nova ameaça vermelha.
No Oriente, a aliança de estados satélites, com economias sob o comando socialista no estilo soviético e os sistemas políticos autoritários, foi substituída por um aglomerado de cleptocracias, com características econômicas do capitalismo russo e governança disfuncional.
E as tentativas da União Soviética de subverter o Ocidente pelo poder do pensamento marxista-leninista, deram lugar à Rússia de Vladimir Putin buscando corrompê-lo com a isca do dinheiro fácil.
Quanto mais as coisas mudam, mais elas ficam iguais.
"O Kremlin não precisa ser o líder absoluto de um bloco de nações e do Pacto de Varsóvia, mas pode exacerbar as divisões existentes, subverter as instituições internacionais e ajudar a criar um mundo onde sua forma de autoritarismo corrupto floresça", Peter Pomerantsev(1) e Michael Weiss(2) escreveram em um artigo amplamente divulgado.
Hoje a ameaça real do Kremlin usa as armas da informação, da cultura e do dinheiro.
A União Soviética procurou espalhar o comunismo e estabelecer um bloco de nações leais a Moscou. A Rússia de Vladimir Putin procura espalhar seu modelo de negócios corruptos para estabelecer um bloco de nações dependentes do Kremlin.
A União Soviética estava principalmente preocupada com o seu quintal próximo, a Europa Oriental, mas também procurou espalhar seu modelo socialista pelo mundo. A Rússia de Putin também está se concentrando em seu quintal, a ex-URSS, mas também está empurrando a cleptocracia pelo mundo.
Hoje utiliza empresas de energia com estruturas de propriedade obscuras como as empresas RosUkrEnergo(3), Eural TransGas Kft(4) e MoldovaGaz JSC(5) para fisgar e controlar elites em estados anteriormente soviéticos, como Ucrânia, Bielorrússia e Moldávia.
Mais e o futuro... O Kremlin está criando empresas de mineração e outras atividades com a estrutura da Vemex(6), uma empresa de comércio de energia com uma estrutura de poder e uma organização indecifrável, que possibilitou que a Gazprom, controlar entre 10 a 12% do mercado de energia checa.
O Kremlin realmente dominou a arte de fazer acordos corruptos para criar relações cliente-cliente além das fronteiras russas.
"A Gazprom, com o apoio silencioso do Kremlin, criou cerca de 50 empresas intermediárias, soturnamente ligadas à Gazprom e espalhadas por toda a Europa", disse o analista Roman Kupchinsky(7), ex-diretor do Serviço Ucraniano da Radio Free Europe/Radio Liberty, em testemunho perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA em junho de 2008.
Kupchinsky citou também o grupo Centrex, com sede em Viena, de propriedade de uma empresa Holding de Chipre e da RN Privatstiftung na Áustria, bem como da rede Gazprom Germânica. Tais empresas, acrescentou, "não agregam nenhum valor ao preço do gás russo vendido nos mercados europeus, mas eles ganham enormes somas de dinheiro que parece simplesmente desaparecer através de empresas em Chipre e no Liechtenstein". Kupchinsky também disse ao comitê que "na Hungria, as empresas de fachada com suspeitas de vínculos com o crime organizado e a Gazprom procuram controlar grandes segmentos da distribuição doméstica de gás e da geração de energia".
Há também provas de que Putin recrutou alguns membros da antiga rede de inteligência “Stasi” (a temida polícia política do regime comunista alemão) do leste da Alemanha, para criar empresas de fachada em toda a Europa.
Um artigo investigativo de setembro de 2007 do jornalista alemão Hans-Martin Tillack(8) descobriu que a Gazprom Germânia era "uma organização de ex-membros dos serviços de segurança do leste da Alemanha".
"Esta é a história de uma invasão. Uma empreitada maciça, planejada com bastante antecedência. O Estado-Maior está localizado muito distante no Leste, em Moscou, a capital da Rússia. A área-alvo é a Alemanha e o resto da Europa Ocidental". Escreveu Tillack.
"A história desta invasão está repleta de ex-oficiais da Stasi e outras figuras sombrias. É uma história de empresas de fachada, que não possuem uma sede física, e nem sequer têm uma caixa postal, são empresas que só existem nos papeis aninhadas dentro de outras empresas. A impressão primordial é que eles estão escondendo o fluxo de fundos e capitais."
Mas é uma invasão que muitas elites no Ocidente estão querendo ou, inconscientes, participando.
"A conquista da corrupção russa, com fundos ilícitos regularmente lavados em todo o Ocidente, trabalha para o domínio do Kremlin tanto nacional como internacionalmente", escreveu Pomerantsev e Weiss.
"Se a premissa da ideia neoliberal da globalização é que o dinheiro é politicamente neutro, a ausência essa interdependência será um impulso para a aproximação, e o comércio internacional sublimará a violência em harmonia, a visão russa permanece na visão mercantilista, com dinheiro e comércio sendo usados ​​como armas e interdependência a um mecanismo da agressão".
O comunismo, apesar de suas falhas, tentou atrair ideais e aspirações humanas universais. Mas na prática, agiu contra a natureza humana.
A corrupção apela ao instinto humano mais universal e mais básico – ‘a ganância’. E, infelizmente, muitas vezes está em sincronia com a natureza humana - o que torna a nova forma de dominação potencialmente mais perigosa e insidiosa do que a antiga.
A corrupção não é apenas uma questão moral, ética, política, policial e jurídica. Agora é um problema de segurança nacional e precisa ser tratada como tal. 
Em nosso país, apesar da pouca ação direta da corrupção russa, não podemos negar, que os antigos comunistas, que tentaram impor o regime comunista pela força das armas, e foram derrotados pelas forças armadas, hoje são a principal força da corrupção que assola o país.
O exemplo da ação comunista na demolição social, através dos costumes, da cultura e da política está sendo aplicado sem sombra de dúvidas em nossa sociedade.
É verdade que grande parte dos corruptos está usando a corrupção como forma de enriquecimento ilícito, mas, por trás, dessa rede de corrupção em benefício próprio, podemos sentir oculta uma ação de destruição dos princípios que sustentam uma nação. E quando o povo, não suportar mais o ‘status quo’, qualquer possibilidade de mudança, de pôr um fim no caos, será aceita, mesmo que seja a implantação de um regime comunista de exceção!
Eduardo G. Souza

(1)  Peter Pomerantsev nasceu em 1977, em Kiev, na Ucrânia. Em 1978 mudou-se com seus pais para a Alemanha Ocidental, depois que seu pai, o radialista e poeta Igor Pomerantsev foi preso pela KGB, acusado de divulgar literatura antissoviética. Mais tarde, foi para Munique e depois Londres, onde seu pai, Igor Pomerantsev, trabalhou para o BBC World Service. A mãe de Pomerantsev, Liana Pomerantsev, é cineasta e seu documentário “Gulag”, ganhou o prêmio Grierson Award, do Best British Documentary. Pomerantsev frequentou a Westminster School, em Londres, a European School e estudou literatura inglesa e alemão na Universidade de Edimburgo. Ele participou dos Cursos Superiores para escritores de roteiros e diretores de filmes em Moscou. Após a universidade, ele se mudou para a Rússia em 2001. Pomerantsev viveu entre 2001 e 2010 em Moscou trabalhando na TV, em programas transmitidos no canal de entretenimento russo TNT. Em 2014, no seu artigo: "Inside the Kremlin's Hall of Mirrors” (leia em: https://www.theguardian.com/news/2015/apr/09/kremlin-hall-of-mirrors-military-information-psychology),  Pomerantsev explorou como a guerra de informações mudou no século XXI. Ele também contribuiu no estudo “tink tanks” sobre guerra da propaganda e desinformação, e editou uma série de estudos sobre o assunto, incluindo assuntos que vão desde o uso das mídias sociais até a literacia midiática.
(2)  Michael Weiss é um jornalista e escritor americano, nascido na cidade de Nova York, formou-se bacharel em História, em 2002, no Dartmouth College, uma Universidade de pesquisa na cidade de Hanover, New Hampshire. Weiss é editor-chefe da revista on-line “Interpreter”, que traduz e analisa notícias russas, editor sênior do “The Daily Beast” e colunista regular da revista “Foreign Policy”. Em 2015, ele co-escreveu o livro: “Inside the Army of Terror with Hassan Hassan” (Dentro do Exército do Terror com Hassan Hassan). Em novembro de 2014, Weiss publicou um artigo em sua revista on-line, onde ele acusou a Rússia de realizar campanhas de "propaganda e desinformação". O artigo de Weiss incluiu recomendações sobre como enfrentar a propaganda russa, que inclui a criação de um sistema internacional para a desinformação.
(3)  A RosUkrEnergo é uma empresa registrada na Suíça que transporta gás natural do Turquemenistão para países do leste europeu. 50% da empresa é detida pela Gazprom, através da sua subsidiária Rosgas Holding AG, registrada na Suíça, e outros 50% pela empresa privada Centragas Holding AG, registada na Suíça, em nome de um consórcio do Grupo GDF, de propriedade de Dmytro Firtash e Ivan Fursin. A empresa foi criada em julho de 2004 em um acordo do então presidente ucraniano, Leonid Kuchma, com o russo Vladimir Putin para substituir Eural Trans Gas. Em abril de 2006, o monitor de corrupção da Global Witness, com sede em Londres, publicou um relatório focado na RosUkrEnergo e outras empresas que agiram como intermediárias entre o Turquemenistão, a Rússia e a Ucrânia. O relatório destacou muitas ligações entre a RosUkrEnergo e a anterior Eural Trans Gas. Segundo o relatório, o advogado israelense Zeev Gordon havia registrado a Eural Trans Gas em nome do empresário ucraniano Dmytro Firtash. Também no final de abril de 2006, o Izvestia informou que o principal acionista da RosUkrEnergo é Dmytro Firtash. O relatório afirmou que ele detinha 90% da CentraGas Holding, equivalente a 45% da RosUkrEnergo. O relatório afirmou que um outro proprietário é outro empresário ucraniano Ivan Fursin, o principal acionista da Odessa Film Studio e um dos donos do Misto-bank.
(4)  A empresa Eural TransGas Kft. (ETG) é sucessora da Itera que transportava o gás turcomano para a Ucrânia. Segundo o jornal "Capital de Negócios”, a ETG foi registrada na aldeia húngara de Chabda. Ela foi fundada por quatro indivíduos: o israelense Averbukh Gordon e três cidadãos da Roménia Ancha Negreanu, Luz Lucas e Savvu Mihay, todos os quatro estão desempregados. Em 2003, a ETG tornou-se a única transportadora do gás turcomano para a Ucrânia. Como resultado, esta empresa com um pequeno capital declarado tem acesso a suprimentos de combustível de bilhões de dólares. Os motivos desse crescimento bem-sucedido da ETG, aparentemente, estão no alto grau de influência de seus clientes. Vários meios de comunicação sugeriram repetidamente a conexão da ETG com o conhecido empresário Semyon Mogilevich.
(5)  A empresa MoldovaGaz JSC é uma das maiores empresas do setor de energia da República da Moldávia. As atividades da empresa e das empresas subsidiárias concentra-se no transporte, fornecimento e distribuição de gás natural na República da Moldávia, bem como o transporte de gás natural para os consumidores dos Balcãs. A MoldovaGaz" está em uma situação crítica devido às dívidas acumuladas desde agosto de 2013, quando a entrada de dinheiro dos operadores do complexo de energia térmica (CTE) subitamente caiu em função da queda do consumo de gás natural. Como solução a empresa poderia entregar parte das ações da "MoldovaGaz", para a empresa russa “Gazprom” credora da maior parte da dívida. Assim, as redes de gás construídas a partir do dinheiro dos cidadãos da Moldávia passariam a pertencer a empresa russa, isso levará à subjugação energética da República da Moldávia a Moscou.
(6)  A Vemex é uma suposta empresa checa que vende gás natural russo. Desde que surgiu em 2001, aparentemente do nada, capturou cerca de 10% do mercado checo de gás no varejo. A sua estrutura de propriedade é essencialmente indecifrável, ela é propriedade de um grupo de empresas com sede na Suíça, Alemanha e Áustria, uma das quais é Centrex Europe Energy & Gas, fundada pelo braço de financiamento da Gazprom e registrada na Áustria e, segundo a Comissão Europeia, de propriedade de duas empresas, uma registrada em Chipre e outra controlada pela subsidiária alemã da Gazprom. Entre esses tipos de entidades sombrias e contratos importantes com empresas como Gazprom e Lukoil, a República Checa entrega a Rússia quase 80% de seu gás natural. "Muitas empresas russas estão sob a influência do estado, especialmente no setor de energia", disse Karel Schwarzenberg, um político checo de Habsburgo, em uma entrevista no início deste ano. (Desde então, Schwarzenberg tornou-se o ministro das Relações Exteriores.) "E a Rússia está se tornando cada vez mais um estado autoritário. Existe sempre o perigo de que a influência econômica se transforme em influência política".
(7)  Roman Kupchinsky nasceu em Viena, na Áustria e imigrou para os Estados Unidos em 1949. Graduou-se em Ciências Políticas pela Universidade de Long Island. De 1978 a 1988 foi presidente da Prolog Research Corp., uma editora de língua ucraniana e empresa de pesquisa. De 1990 a 2002 foi diretor do serviço ucraniano da Radio Free Europe/Radio Liberty. De 2002 a 2008 foi analista sênior da RFE/RL. Ele foi o autor de numerosos artigos sobre assuntos ucranianos, energia russa e política internacional. Ele editou o “Crime Organizado” da RFE e o “Relógio de Corrupção”, bem como duas coleções de artigos "O Problema da Nacionalidade na URSS" e " Pogrom in Ukraine". Ele faleceu em janeiro de 2010, em Arlington, na Virgínia.  
(8)  Hans-Martin Tillack é um repórter alemão. Nasceu em 1961, em Königs Wusterhausen. Estudou ciências políticas e sociologia em Marburg e em Berlim. Em 2005, ele recebeu o Leipziger Medienpreis, pela reportagem publicada na revista alemã Stern, que expor o escândalo do Eurostat, o órgão estatístico da UE baseado no Luxemburgo. Suas revelações sobre contas ocultas e contratos fictícios, levaram, em 16 de maio de 2003, ao Financial Times publicar várias manchetes que revelaram "Uma vasta rede de saque de fundos comunitários". Dois altos gerentes franceses foram removidos do cargo e toda a diretoria do Eurostat foi demitida. Seis investigações de fraude separadas no Eurostat foram exigidas pelo OLAF, o órgão anti-fraude da UE. Posteriormente, Hans-Martin Tillack foi preso pela polícia belga por determinação das autoridades da União Europeia, cujos órgãos ele estava investigando em relação a alegações de fraude. O OLAF acusou o repórter de ter subornado funcionários da UE para obter documentos para o artigo publicado em 2002 sobre alegadas irregularidades no OLAF. O jornalista foi detido, sua casa e escritório foram revirados, ​​e 16 caixas de documentos, duas caixas de arquivo, dois computadores e quatro telefones celulares foram apreendidos. Em 2007, o Tribunal Europeu julgou que o direito de Hans-Martin Tillack de não revelar as suas fontes de informação tinha sido violado e sentenciou à Bélgica pagar 10 mil euros por danos morais e 30 mil euros em custas. Os documentos apreendidos foram devolvidos a ele em 2008. Em janeiro de 2009, o órgão judiciário belga encerrou definitivamente o caso interposto pelo órgão de luta contra a fraude da UE, o OLAF, contra Hans-Martin Tillack.

Bibliografia:
Goldman, Marshall. “Petrostate: Putin, Power, and the New Russia”. Oxford University Press, 2008.
Holmes, Leslie. “Rotten States? Corruption, Post-Communism, and Neoliberalism”. Duke University Press, 2006.  
Kupchinsky, Roman. “The Merger Between Crime and Terrorism”. Corruption Watch: September 19, 2002. Publicado em Radio Free Europe/Radio Liberty, site: https://www.rferl.org/a/1342425.html
Kupchinsky, Roman. “Walking A Fine Line: The Media and Terrorism”. Corruption Watch: October 9, 2003. Publicado em Radio Free Europe/Radio Liberty, site: ttps://www.rferl.org/a/1342385.html Ostrovsky, Arkady. “The Invention of Russia: The Rise of Putin and the Age of Fake News”. Penguin Books, 2017.
Pomerantsev, Peter. “Nothing Is True and Everything Is Possible: The Surreal Heart of the New Russia”. Guardian First Book Award, Faber & Faber, 2015.
Ther, Philipp and Siljak, Ana. “Redrawing Nations: Ethnic Cleansing in East-Central Europe, 1944–1948”. Rowman & Littlefield, 2001.
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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

NUNCA INDIQUE REMÉDIO PARA OUTRA PESSOA.

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NUNCA INDIQUE PARA OUTRA PESSOA O REMÉDIO QUE VOCÊ USOU OU ESTÁ USANDO, E DEU OU ESTÁ DANDO CERTO, VOCÊ PODE CAUSAR GRAVES DANOS A SUA SAÚDE OU ATÉ MATÁ-LA.



Efeito adverso em medicina, é um efeito nocivo e indesejável resultante de uma medicação ou outro tipo de intervenção médica, como uma cirurgia. Um efeito adverso pode ser chamado de "efeito colateral", quando for secundário a um principal ou a um efeito terapêutico. Se o efeito adverso resulta de uma dosagem errada de uma droga ou um procedimento médico inadequado ou incorreto, isto é chamado de “erro médico”. Os efeitos adversos são muitas vezes referidos como "iatrogenia” (1) porque eles são provocados por um médico ou um tratamento. Alguns efeitos adversos ocorrem apenas no início do tratamento, diminuindo ou desaparecendo com a adaptação do organismo. Portanto, efeitos adversos são problemas que ocorrem quando o uso de um medicamento vai além do efeito desejado. Ou ocorrem problemas em paralelo ao efeito terapêutico desejado.


O resultado prejudicial é normalmente indicado por um resultado adverso, como morbidade, mortalidade, alteração no peso corporal, nos níveis de enzimas, perda de funções fisiológicas ou uma doença detectada em nível microscópico. Por exemplo, a heparina (glicosaminoglicano sulfatado) é um fármaco do grupo dos anticoagulantes, que é usado no tratamento da trombose e outras doenças com coagulação, mas pode causar hemorragias, um efeito colateral causado pelo tratamento anticoagulante que vai além do efeito desejado. Outro exemplo são os efeitos colaterais mais comuns do tratamento quimioterápico (2) do câncer, incluindo fadiga, náuseas, vômitos, diminuição da contagem de células do sangue, perda de cabelo e feridas na boca, são exemplos dos efeitos secundários da quimioterapia que ocorrem além do efeito terapêutico desejado.

O resultado prejudicial também pode ser indicado por sintomas relatados pelo paciente.

Os efeitos adversos podem causar uma mudança reversível ou irreversível no organismo, incluindo aumento ou diminuição da suscetibilidade do indivíduo a outros produtos químicos, alimentos, ou procedimentos, tais como interações medicamentosas.

Em ensaios clínicos, é feita uma distinção entre os eventos adversos (EAs) e eventos adversos graves (EAG). Geralmente, quando o evento provoca danos permanentes, morte, defeitos de nascimento ou exige internação hospitalar prolongada, é considerado um EAG. Os resultados destes ensaios são frequentemente publicados e incluídos nas bulas dos medicamentos, para fornecer informações para os pacientes e os terapeutas prescritores.

Os efeitos adversos são particularmente importantes em farmacologia, devido ao amplo, e por vezes incontrolável, uso de medicamentos por meio da automedicação. Assim, o uso de drogas responsavelmente torna-se uma questão importante, pois o uso de uma droga que é contra-indicada em várias situações pode aumentar o risco de efeitos adversos. Os efeitos adversos da automedicação podem causar complicações médicas de uma doença, agravando o quadro clínico do paciente, mascarando seus sintomas e afetando negativamente seu prognóstico. Os efeitos adversos, como os efeitos terapêuticos das drogas, são uma função da indicação e da dose da droga, e os níveis atingidos no destino, nos órgãos onde irá atuar, de modo que os efeitos adversos podem ser evitados ou diminuídos através de cuidadosa e precisa farmacocinética (3).

Os efeitos adversos também podem ser causados por interação medicamentosa. Isso geralmente ocorre quando o paciente não informa a seu médico ou ao farmacêutico todos os medicamentos que está tomando, incluindo ervas e suplementos dietéticos. O novo medicamento pode interagir favorável ou desfavoravelmente com o anterior, e potencializar ou diminuir o efeito terapêutico pretendido. Interações droga-droga, medicamento com alimentos, e com os chamados "medicamentos naturais", utilizados pela medicina alternativa, podem ocorrer, e provocar perigosos efeitos adversos. Por exemplo, o extrato de erva de São João ou Hipericão (Hypericum perforatum), um fitoterápico antidepressivo leve, usado no tratamento da depressão leve a moderada, pode reduzir a eficácia de contraceptivos orais e produz reações adversas como à indução ou inibição enzimática, um aumento do citocromo P450, alterando as enzimas oxidativas que são o componente fundamental do metabolismo hepático dos diversos fármacos, responsável pela de eliminação de muitas drogas do organismo, influencia significativamente a prática clínica, promovendo toxicidade ou falta de eficácia de vários fármacos.

Os fabricantes de medicamentos são obrigados a listar todos os efeitos adversos conhecidos de seus produtos. Quando os efeitos colaterais de uma medicação imprescindível são graves, por vezes o uso simultâneo de um segundo medicamento, mudanças de estilo de vida, mudanças da dieta ou outras medidas terapêuticas podem ajudar a minimizá-los.



(1) Iatrogenia refere-se a um estado de doença, efeitos adversos ou complicações causadas ou resultantes do tratamento médico. Em farmacologia refere-se a doenças ou alterações patológicas criadas por efeitos colaterais dos medicamentos. Embora seja usada geralmente para se referir às consequências de ações lesivas produzidas pelos médicos, pode também resultar das ações de outros profissionais da área de saúde, como psicólogos, terapeutas, enfermeiros, dentistas, etc.

(2) Quimioterápicos são compostos químicos utilizados na quimioterapia, método de tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.

(3) A farmacocinética é definida como o estudo quantitativo do desenvolvimento temporal dos processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção dos fármacos. Nestes estudos, os teores dos fármacos e seus metabólitos (produtos da biotransformação) no organismo são determinados, permitindo a obtenção de importantes dados sobre estas substâncias.



terça-feira, 14 de novembro de 2017

PAIS E FILHOS



Como os pais devem criar seus filhos?
Dada a importância crítica dos primeiros anos e até meses de vida para o desenvolvimento intelectual, emocional e comportamental de uma criança, é essencial identificar as melhores maneiras de criar crianças. Podemos falar sobre quanto tempo os pais devem gastar com seus filhos, com que frequência eles devem ler para eles, a que horas eles devem colocá-los na cama e outros tópicos. Mas para muitas pessoas a questão de criar filhos significa como os pais devem disciplinar seus filhos. Embora não exista uma resposta certa a esta questão que satisfaça todos, os estudiosos identificam pelo menos quatro estilos de disciplina.
- O primeiro estilo de disciplina, e aquele que a maioria dos estudiosos da infância aceitam, é chamado de disciplina ‘autoritária’ ou ‘firme’, mas ‘justa’. Neste estilo de disciplina, os pais estabelecem regras claras para o comportamento de seus filhos, mas, ao mesmo tempo, deixam seus filhos exercer um julgamento independente. Quando seus filhos se comportam mal, os pais explicam pacientemente por que seu comportamento estava errado e, se necessário, poderão discipliná-los. Eles raramente, usam castigos físicos e, em geral, proporcionam-lhes muito apoio emocional. A maioria dos especialistas da infância acham que a disciplina ‘autoritária e justa’ ajuda o desenvolvimento moral das crianças e ajuda a produzir crianças bem-comportadas.
- Muitos pais, em vez disso, praticam a disciplina puramente ‘autoritária’. Esses pais estabelecem regras firmes, mas excessivamente restritivas para o comportamento de seus filhos, não aceitam discutir ou explicar essas regras e geralmente não são muito amorosos na relação com os filhos. Quando seus filhos se comportam mal, os pais podem gritar com eles e puni-los com palmadas relativamente frequentes e até mesmo mais ásperas. Embora esses pais pensem que tal punição é necessária para ensinar aos filhos a se comportar, muitos especialistas da infância acham que sua disciplina ‘autoritária’ causa filhos que são mais propensos a se comportar mal.
- Um terceiro estilo de disciplina é chamado de ‘relaxante’ ou ‘permissivo’. Como esses nomes indicam, os pais estabelecem poucas regras para o comportamento de seus filhos e não os disciplinam quando se comportam mal. Essas crianças, também, são mais sujeitas, do que as crianças criadas por pais autoritários, a comportarem mal durante a infância e adolescência.
- A disciplina ‘não envolvida’ é o quarto e último tipo. Os pais que praticam esse estilo, geralmente ausentes, não oferecem aos seus filhos suporte emocional e não estabelecem regras para o seu comportamento. Esse estilo de relacionamento familiar não estabelece limites ou regras, e produz comportamentos antissociais e outros resultados negativos por parte das crianças. Especialmente quando comparado a famílias onde pelo menos um dos cônjuges está presente, essa estrutura familiar de abandono da prole produz indivíduos totalmente dissociados dos padrões sociais.     
Uma razão pela qual a disciplina ‘autoritária e justa’ é melhor do que a disciplina ‘autoritária’ para as crianças, é que evita as palmadas e outros tipos de castigos físicos, em favor de outros tipos de disciplinamento e punição mais inteligentes, que levam as crianças a raciocinar sobre o erro cometido.
Muitos especialistas acham que a palmada é ruim para as crianças e as torna mais propensas, e não menos propensas, a se comportarem mal. As palmadas, dizem eles, ensinam as crianças a se comportar para evitar serem punidas. Esta lição torna as crianças mais propensas a se comportar mal se acharem que não serão pegas, pois não aprendem a se comportar por sua própria vontade, mas por medo da punição.
As crianças que são constantemente punidas fisicamente, também podem se ressentir dos seus pais mais do que as crianças criadas de forma ‘autoritária e justa’ e, portanto, são mais propensas a se comportar mal porque sua relação com seus pais não é tão afetiva.
Assim, alguns pais que impingem castigos físicos aos filhos, o fazem porque eles acreditam no velho testamento, Provérbios 22.15: “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afugentará dela”, Provérbios 23.13-14: “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” e Provérbios 29.15: “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe”.
Ironicamente os castigos físicos podem fazer as crianças mais bem-comportadas ou mais malcomportadas, não adianta a ‘palmada’ se ela não vier acompanhada da explicação da sua necessidade para corrigir erros reincidentes que poderão trazer consequências desagradáveis ou comprometer o futuro da criança. Como vimos sem a conscientização a criança poderá se comportar mal quando achar que não será pega no erro.
Assimilação e acomodação são duas formas de conformação social, quando o indivíduo assimila um valor social, ele incorpora a sua personalidade aquele valor e independente de fatores externos, ele irá moldar seu comportamento ao padrão valorizado pela sociedade, a acomodação, por outro lado, não implica a incorporação do valor, o indivíduo assume o comportamento por medo da punição que poderá receber pelo desrespeito da norma social, mas, se ele achar que não será descoberto, que ninguém está vendo, ele poderá cometer o erro pois acredita que não será punido.
Uma ‘boa conversa’, que poderá vir acompanhada de uma ‘palmada’, quando necessária, vale muito mais que uma boa ‘surra’, sem uma ‘conversa’! O importante é a criança saber que errou, porquê, onde e como errou, quais as consequências atuais e futuras do seu erro e que está sendo punida pelo seu erro.
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Lígia e Eduardo G. Souza

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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

MARIA MADALENA



A história de Maria Madalena está intimamente ligada a Jesus. Ela desempenha um papel principal em uma das cenas mais importantes nos Evangelhos. Quando Jesus é crucificado pelos romanos, Maria Madalena esteva lá apoiando-o em seus últimos momentos aterradores e ficou de luto por sua morte. Ela também descobre o túmulo vazio, e é uma testemunha da possível ressurreição. Ela estava lá no início de um movimento que ia transformar o Ocidente.
Mas a Maria Madalena que vive em nossas memórias é bastante diferente. Na arte, muitas vezes é representada como uma prostituta seminua ou uma pecadora que se arrepende dos seus pecados. Seu principal vínculo com Jesus seria como a mulher que lavou e untou seus pés. Mas para muitos ela somente é conhecida como uma prostituta.
Toda a história de Maria Madalena como uma prostituta caída e redimida, é uma imagem muito poderosa da redenção, um sinal de que, não importa quão baixo a pessoa tenha caído, ela pode se redimir.
É uma imagem muito poderosa, mas não é a história de Maria Madalena. Maria Madalena é mencionada nos quatro evangelhos do Novo Testamento, mas nenhum deles a menciona como uma prostituta ou uma pecadora. Em algum momento, Maria Madalena foi confundida com outras duas mulheres da Bíblia - Maria, irmã de Marta, e uma pecadora sem nome do evangelho de Lucas (7: 36-50), que lavaram os pés de Jesus e secaram com os cabelos. No século 6, o Papa Gregório Magno tornou este erro oficial declarando em um sermão que as três personagens eram na verdade a mesma pessoa. Então, Maria Madalena passou a ser a pecadora arrependida. A Igreja Católica declarou mais tarde que Maria Madalena não era a pecadora penitente, mas isso só aconteceu em 1969. Depois de tanto tempo, a má reputação de Maria Madalena ainda persiste.
Hoje Maria Madalena é considerada uma santa pelas igrejas católicas, ortodoxas orientais, ânglicas e luteranas e festejada no dia 22 de julho. As igrejas ortodoxas orientais também festejam Maria Madalena no domingo dos Myrrhbearers(1), segundo domingo após Páscoa.
Ela também é uma figura importante na Fé Bahá'í(2).           
Embora conheçamos bastante sobre a sociedade judaica na antiga Palestina há 2.000 anos, sabemos muito pouco sobre a própria Maria Madalena. A Bíblia não fornece detalhes pessoais de sua idade, condição social ou família.
O nome dela, Maria Madalena (מרים המגדלית), nos dá uma primeira pista sobre ela, sugere que ela pode ter vindo de uma aldeia chamada Magdala. Magdala foi uma pequena aldeia, as margens do Lago Gennesaret (o Mar da Galileia) na Galileia, cerca de 7 km ao norte de Tiberíades, que parece ter sido o local de nascimento de Maria Madalena, chamada a Maria Madalena, ou "Maria de Magdala". A aldeia é delimitada por uma escarpa alta perto do desfiladeiro de Wadi Arbel (Hamam), a dois quilômetros a oeste do Mar da Galileia." Migdal " é uma palavra aramaica que significa "torre" ou "fortaleza". Os gregos chamavam a aldeia de Tarichaea, em referência ao trabalho de salgar peixes, e a existência de restos que apontam esta atividade, um dos pilares da sua economia. Outro elemento importante de sua economia era a construção de barcos. O nome completo da aldeia seria Magdala Tarichaea. (3)
Um texto judaico (um Midrash) que menciona Magdala, chamado Lamentações de Rabbah (מדרש איכה רבה), conta que Magdala foi julgada por Deus e destruída por causa da sua fornicação. É possível que a descrição de Magdala como lugar de fornicação seja a origem da ideia que surgiu no cristianismo ocidental de que Maria Madalena era uma prostituta.
Sabemos que havia prostíbulos em outros lugares do Mediterrâneo, e a Galileia provavelmente não era exceção. Era culpa do Império Romano, que cobrava uma pesada carga tributária dos judeus, e muitas vezes as mulheres pagavam o preço mais pesado, para salvar suas famílias da miséria.
A conquista romana, e depois o domínio imperial romano, teria causado um impacto bastante dramático na Galileia. Economicamente, teria sobrecarregado às pessoas com pesados encargos fiscais e isso teria pressionado as famílias, quando uma família não podia mais pagar seus impostos, as crianças às vezes eram até vendidas como escravas, talvez tenha sido esse o destino de Maria Madalena.
Nesse contexto tão difícil, não é difícil imaginar que Maria Madalena possa ter se prostituído, mas essa evidência é puramente circunstancial. Como também podemos acreditar que ela não era casada, o nome dela, Maria Madalena, sugeri isso. Uma mulher casada naqueles tempos teria adotado o nome da família do marido e Maria Madalena não era um nome de família, mas de uma origem.
Não há nada sobre Maria Madalena nas tradições evangélicas que sugira que ela era casada, nunca foi descrita como viúva e não há registro dela ter filhos. Há 2.000 anos, uma mulher solteira sozinha era vista com suspeita. Talvez, por Maria Madalena aparecer como uma mulher sozinha, explicaria sua imagem negativa.
Mas existem suspeitas que Maria Madalena teria coabitado com Jesus. Na verdade, as igrejas cristãs nunca quiseram debater ou aprofundar essa discussão, o Vaticano temeu que essa dúvida fosse estudada. No entanto, alguns autores afirmam haverem evidências escritas de que Jesus foi casado com Maria Madalena e que tiveram filhos.
Mais do que isso, com base em novas evidências, autores afirmam que ao movimento original de Jesus surgiu um papel inesperado que a sexualidade desempenhava nele.
De acordo com um manuscrito com quase 1.500 anos encontrado na Biblioteca Britânica, Jesus se casou com Maria Madalena e teve filhos. O chamado "Evangelho Perdido", que foi traduzido do aramaico, pelo professor Barrie Wilson e o escritor Simcha Jacobovic, que passaram meses traduzindo o texto, revela novos fatos surpreendentes sobre a vida de Jesus.
Muitos especialistas minimizaram a importância histórica da figura bíblica de Maria Madalena, mas, de acordo com os tradutores do novo evangelho, ela é muito mais importante do que se pensava anteriormente.
O documento encontrado na poeira da Biblioteca Britânica nos esclarece sobre os anos obscuros da vida de Jesus.
Os estudiosos acreditam que Jesus nasceu em torno de 5 aC, e que ele foi crucificado em torno de 30 dD. Não sabemos absolutamente nada sobre Jesus desde o tempo que ele tinha oito dias (sua circuncisão, de acordo com a lei judaica), até, de acordo com o Evangelho de Lucas (2: 41-51), quando tinha doze anos, e viajou com seus pais para Jerusalém para celebrar a Páscoa. Terminados os festejos, a os pais regressaram para casa, mas o menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem, pois pensavam que ele estava na caravana, após um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o encontrando, voltaram a Jerusalém, três dias depois, encontraram-no no templo, sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos quantos o ouviam, estavam estupefatos com a sua inteligência e as suas respostas.
Mas o fato é que simplesmente não temos informações sobre os primeiros anos de Jesus, sua educação, amigos, escolaridade ou sua interação com os membros da família. Como obteve acesso aos escritos da Bíblia hebraica? A sinagoga de Nazaré, uma aldeia muito pequena na época, possuía pergaminhos da Lei Judaica e das profecias dos Profetas? Quem eram seus mestres religiosos?
Quão versado ele era em hebraico, além do aramaico que sabemos que ele falava? Ele falava grego?
Jesus reaparece no palco da história de repente com trinta e poucos anos. Neste ponto, Jesus anuncia o "Reino de Deus", isto é, o advento de uma transformação qualitativa na história humana, profetizada pela Bíblia hebraica, na qual a justiça reinará sobre a terra e a adoração do único Deus verdadeiro será universal.
Isso não é incrível? Ele é uma das pessoas mais influentes na história da humanidade e não sabemos nada sobre ele até começar seu "ministério". Mas o que aconteceu com Jesus antes dessa aparição repentina?
De acordo com o "Evangelho Perdido", em algum momento durante este período, ele se casou, teve relações sexuais e produziu filhos.
Antes que alguém desencadeie um ataque demolidor contra nosso texto, tenha em mente que não estamos atacando a fé de ninguém. Estamos analisando fatos históricos. A teologia deve seguir o fato histórico e não o contrário. Não estamos afirmando que nosso texto é a verdade absoluta. Até agora, estamos apenas apresentando e analisando fatos e dados que estão disponíveis na bíblia cristã e em outros documentos históricos.
Retornado ao assunto, se Jesus não tivesse casado, isso teria causado consternação a sua família, possível um escândalo na comunidade, já que em nível puramente histórico, isso realmente deve nos surpreender, pois o casamento e o nascimento de crianças eram esperados de um homem judeu (A idade usual para o casamento era de 16 a 18 anos para o rapaz), e o Novo Testamento certamente teria comentado sobre isso, nem que fosse para explicar e defender o comportamento incomum de Jesus. Mas temos um documento que afirma que ele era casado e gerou filhos. Não só isso, nosso documento indica que, para alguns de seus seguidores originais, o casamento de Jesus era o aspecto mais importante de seu ministério.
"O Evangelho Perdido" não é o primeiro a reivindicar que Jesus se casou com Maria Madalena.
A Bíblia e o "Evangelho Perdido" não são as únicas fontes sobre Maria Madalena. Em 1945, em Nag Hammadi(4), no sul do Egito, dois homens encontraram um vaso cerâmico selado. No interior, eles descobriram um tesouro de antigos de papiros. Embora nunca tenham recebido tanta atenção pública como os Pergaminhos do Mar Morto, estes realmente se tornam muito mais importantes para escrever a história do cristianismo primitivo. Os textos de Nag Hammadi nos falam sobre os primeiros cristãos. Eles foram escritos em copta, a língua do primitivo Egito cristão. Considerando que a maioria dos textos cristãos antigos foram perdidos, essa descoberta foi excepcional.
A descoberta inclui o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Philipe e os Atos de Pedro. Nenhum desses textos foi incluído na Bíblia, porque o conteúdo não está em conformidade à ‘doutrina cristã’, então eles são denominados de apócrifos. Eles relatam fatos e dados que não se encontram na Bíblia. Por exemplo, os evangelhos do Novo Testamento relatam que após a ressurreição Jesus passou algum tempo conversando com os discípulos, mas não contam muito sobre o que ele disse. Nos evangelhos de Nag Hammadi há um relato detalhado do que ele disse.
Embora não sejam aceitos como textos bíblicos, os especialistas acreditam que eles nos dão uma visão significativa da história cristã. Nestes textos apócrifos, podemos encontrar as tradições genuínas sobre Jesus, que por uma razão ou outra não chegou ao Novo Testamento.
Pela primeira vez em centenas de anos, havia uma nova fonte de informação sobre Maria Madalena. Ela aparece com muita frequência como um dos discípulos proeminentes de Jesus. Em certos textos onde Jesus está em discussão com seus discípulos, Maria Madalena faz muitas perguntas bastante pertinentes. Enquanto os outros discípulos às vezes parecem confusos, ela é a única que entende a mensagem.
Um dos documentos descobertos em Nag Hammadi é o Evangelho de Philipe, e nele Maria Madalena é uma figura-chave. Foi a causa de um dos atributos mais controversos feitos sobre ela.
Durante o longo enterro no deserto, alguns dos livros foram atacados por formigas. Neste evangelho, as formigas fizeram um buraco num lugar muito crucial. O texto diz: “E o companheiro da [...] Maria Madalena [...] a amava mais do que todos os discípulos e costumava beijá-la com frequência, sobre ela [...]. O resto dos discípulos [...]. Eles disseram-lhe: "Por que você a ama mais do que todos nós?" O Salvador respondeu e disse-lhes: "Por que eu não os amos como a ela? Quando um cego e um que vê estão ambos juntos na escuridão, eles não são diferentes um do outro. Quando a luz vem, então o que vê verá a luz, e aquele que é cego permanecerá na escuridão ". A lacuna, ou lacunas, esconde onde Jesus beijou Maria Madalena, o tema tem estimulado a curiosidade dos estudiosos por décadas.
Jesus e Maria seriam amantes? Alguns estudiosos interpretaram o beijo em um sentido mais espiritual e veem o beijo como um símbolo de uma forma íntima de ensinar a palavra de Deus, de aprender. A imagem de Jesus e Maria Madalena envolvidos em um beijo boca a boca, para eles não sugere necessariamente sexualidade, mas a transmissão do conhecimento divino.
Maria Madalena aparece neste texto não apenas como o discípulo que ele mais amava, mas também como uma figura simbólica de sabedoria celestial. Essas histórias de Maria Madalena, como a companheira mais próximo de Jesus e um símbolo da sabedoria celestial, estão em total contraste com a Maria Madalena da imaginação popular.

Os textos “Apócrifos" assumiram conotações muito negativas, especialmente em comparação com a Bíblia. Muitas vezes é recomendado pelas Igrejas Cristãs tradicionais que não devem ser lidos, não devem ser levados a sério, não devem ser considerados, pois não são a verdade. O conteúdo desses livros é considerado por muitas pessoas como lendas. Então, podemos acreditar no Evangelho de Philipe? Maria Madalena era realmente a companheira mais próxima de Jesus? Bem, há outras evidências para isso, e algumas delas estão na própria Bíblia.
A Bíblia diz que Maria Madalena esteve presente nos dois momentos mais importantes da história de Jesus: a crucificação e a ressurreição. E Maria Madalena foi uma figura proeminente em ambos os eventos.
Além de Maria Madalena era uma das mulheres que sofreram e choraram ao pé da cruz, ela foi também uma das vigiaram o túmulo de Jesus. Era costume, naquela época, que as mulheres judias preparassem corpos para enterrar. Os cadáveres eram considerados impuros e, portanto, sempre era tarefa das mulheres lidarem com eles.
Porém, contam os novos testamentos, que quando Maria vai ao túmulo, o corpo de Jesus não está mais lá. O relato mais completo do papel de Maria Madalena depois de descobrir o túmulo vazio está no Evangelho de João. Ela está em estado de choque e corre para onde os discípulos estão reunidos para contar-lhes a notícia. Quando ela relata aos discípulos, ela não é acreditada. Então Pedro e outro discípulo retornam com ela para o túmulo, para verem por si mesmos.
Quando eles entram, Pedro reage com raiva e desânimo à visão do lençol que envolvia o cadáver descartado no lixo. Mas Maria Madalena entende o que aconteceu e conclui que Jesus deve ter ressuscitado dentre os mortos. Os dois vãos embora sem ouvir Maria Madalena.
Então, algo ainda mais extraordinário acontece. É o maior momento de Maria Madalena.
Maria Madalena está triste e sozinha quando alguém pergunta por que ela está chorando. Ela acredita ser o coveiro e diz: "Eles pegaram o corpo do meu senhor e não sei onde está". A figura diz seu nome. E então ela vê Jesus. Ela sobressaltada diz: "Mestre!" Ela ajoelha-se diante de Jesus, que está de pé diante dela, usando uma mortalha e avança a mão para alcançá-lo, mas ele se afasta e diz: "não me toque". Então ele orienta que ela deve ir ter com os outros e dizer-lhes que ele ressuscitou dos mortos. É um momento maravilhoso. Jesus está diante dela, mas ele está além do alcance dela.
Não podemos dizer se Jesus realmente apareceu para ela após ressuscitar ou se Maria Madalena simplesmente acreditou que o estava vendo. Mas de qualquer maneira, neste momento, a experiência de Maria Madalena levou o cristianismo para uma nova e importante direção.

Um novo caminho se desenvolveu, que não tinha nada com o que o próprio Jesus estava pregando, surgiu a crença de que Jesus não morreu ou que ele morreu, mas ressuscitou dentre os mortos. Essa crença não foi uma falha. Na verdade, foi um grande sucesso. E a pessoa que divulgou isso foi exatamente Maria Madalena.
A crença na ressurreição de Jesus foi o ponto de explosão do cristianismo. Foi quando ele mudou de um pequeno movimento para uma nova religião. E Maria Madalena foi uma figura chave neste evento.
Você pode pensar, então, que, no mínimo, Maria Madalena deve ser reconhecida como a maior dos apóstolos que fundaram o Cristianismo, e a primeira dos missionários que divulgaram a religião, como parecem estabelecer os fatos narrados na Bíblia.
E também pela razão dela ser destaque em outro texto gnóstico apócrifo chamado Codex Akhmin, por ter sido descoberto na cidade de Akhmin, no Egito, e foi parar em um bazar do Cairo, onde o pesquisador alemão Dr. Carl Rheinhardt, comprou esse curioso papiro em 1896, encadernado em couro e escrito em copta, ele foi denominado de “Evangelho de Maria Madalena”(5).
Como os livros encontrados em Nag Hammadi, o evangelho de acordo com Maria Madalena também é considerado um texto apócrifo. A história contada no texto começa algum tempo depois da ressurreição.
Os discípulos teriam acabado de ter uma visão de Jesus. Ele encorajou seus discípulos a saírem e pregarem seus ensinamentos ao mundo, mas eles tinham medo de fazê-lo porque ele foi morto por isso, e eles dizem "se eles o mataram, eles também nos matarão". Então Maria Madalena se levanta e diz: “não se preocupem, ele prometeu que estaria conosco para nos proteger”. Então o texto diz que ela moveu seus corações para o bem e começaram a discutir a mensagem de Jesus.
Nos textos do Evangelho de Philipe, Maria Madalena foi apresentada como um símbolo da sabedoria. No Evangelho de Maria Madalena, sua participação é mais proeminente, ela é a responsável pela evangelização, ensinando aos discípulos sobre os ensinamentos de Jesus.
Num trecho do relato, Pedro pede a Maria Madalena para lhe contar algumas coisas que ela teria ouvido de Jesus, mas que os outros discípulos não ouviram. Então ela diz: "Sim, eu vou te dizer o que lhe foi escondido". Ela fala sobre uma visão que teve de Jesus e uma conversa que teve com ele. Como o Evangelho de Maria Madalena relata, os detalhes dessa conversa têm a ver com o desenvolvimento espiritual e a batalha vital da alma contra o mal.
Neste ponto, surge uma controvérsia, André que passava, diz: "bem, não sei o que o resto de vocês pensam, mas essas coisas me parecem muito estranhas, me parece que ela está nos ensinando ensinamentos diferentes de Jesus ". Pedro então chama ele e diz: "Nós devemos agora nos voltar e ouvi-la? Jesus falou coisas em particular com uma mulher em vez de abertamente para nós? Ele preferiu ela que nós?"
Matheus defende Maria Madalena do ataque de Pedro contra ela. No texto, o problema de Pedro parece ser que Jesus colocou Maria Madalena acima dos outros discípulos para interpretar seus ensinamentos. Pedro vê Maria Madalena como uma rival na a liderança do grupo.
Pedro, na verdade, não precisava temer. A maioria das pessoas vêm Pedro como a rocha sobre a qual a igreja foi estabelecida. A igreja católica colocou ele como o principal ou a principal figura entre os discípulos, e Maria Madalena como uma figura lateral no elenco dos personagens.
Uma grande parte do texto apresenta diálogos entre Maria Madalena e os discípulos de Jesus, onde ela é a pessoa que responde às perguntas. Após a partida de Jesus, conforme o texto, a autoridade da igreja foi dada a Maria Madalena, indicando o texto que teria surgido uma religião, denominada Cristã, que tinha em Maria Madalena sua fundadora e a considerava mais importante que os outros apóstolos. Parte desse favorecimento, dela ser a única discípula conhecida, pode ter sido devido à sua habilidade como mulher de representar a importante figura de companhia feminina de Jesus, conforme o evangelho gnóstico mostra.
Uma das coisas absolutamente fascinantes sobre o Evangelho de Maria Madalena é que nos faz repensar esses fatos sobre a história cristã, e nos coloca frente a questão: - Todos os discípulos realmente entenderam a mensagem e pregaram a verdade?
Talvez o Evangelho de Maria Madalena seja muito radical. Ele apresenta Maria Madalena como mestra e guia espiritual aos outros discípulos. Ela não é apenas um discípulo; ela é o apóstolo para os apóstolos.
Eduardo G. Souza

(1)  Na tradição da Igreja Ortodoxa, Myrrhbearers, Mirróforos ou Portadores de Mirra são os indivíduos mencionados no Novo Testamento que estiveram diretamente envolvidos no enterro ou que descobriram o túmulo vazio de Jesus. Nas igrejas católicas ortodoxas e gregas orientais, o segundo domingo após a Páscoa é chamado “domingo dos Myrrhbearers” ou "domingo dos magos". As leituras das Escrituras nomeadas para os serviços neste dia enfatizam o papel desses indivíduos na morte e possível ressurreição de Jesus. Segundo o Novo Testamento esses indivíduos que seriam as Três Marias se refere a Maria Madalena, Maria de Cleopas e Maria Salomé. Entre as mulheres mencionadas, Maria Madalena está presente em todos os quatro relatos evangélicos, e Maria, mãe de Tiago, está presente nos três sinópticos, no entanto, existem variações nas listas de cada Evangelho relativas às mulheres presentes na morte, sepultura e descoberta.
(2)  A Fé Bahá'í é uma religião mundial baseada nos ensinamentos de Bahá'u'lláh. Ele ensinou que existe um Deus e uma família humana, e que as grandes religiões do mundo representam etapas sucessivas na evolução espiritual da sociedade humana. Os bahá'ís reconhecem a chegada de Bahá'u'lláh como a última expressão da orientação de Deus, abrindo o caminho para o estabelecimento da paz e da reconciliação, quando, como antecipado nas sagradas escrituras no passado, toda a humanidade alcançará sua espiritualidade e maturidade social, e viverá em harmonia e de acordo com a justiça. Os mais de cinco milhões de bahá'ís em todo o mundo estão aprendendo a traduzir os ensinamentos de Bahá'u'lláh para novos padrões de vida individual e comunitária. Embora sejam provenientes de diversas origens étnicas e culturais, estão unidos pela sua crença na natureza espiritual essencial da nossa existência e pelo desejo de um futuro justo e pacífico para todos os povos. Maria Madalena é altamente venerada na Fé Bahá'i. Abdul-Baha fez mais referências a ela do que a qualquer outra mulher na história, na verdade ela é a discípula amada mais citada de Cristo. As escrituras bahá'ís e Bahá'u'lláh se referem devotadamente a ela. Maria Madalena é muito reverenciada, se não a mais, na Fé Bahá'i! Esta é talvez a grande semelhança entre bahá'ís e cristianismo: a veneração a Maria Madalena.
(3)  Quem quiser saber mais sob Magdala, pode acessar: - “Ruínas da “sinagoga de Jesus” intrigam arqueólogos”, em https://noticias.gospelprime.com.br/arqueologia-ruinas-sinagoga-jesus/
(4)  Nag Hammadi é uma aldeia camponesa no Egito, na antiguidade conhecida como Chenoboskion, localizada a cerca de 225 km ao noroeste de Assuão, com aproximadamente 30000 habitantes. As Escrituras de Nag Hammadi, é uma coleção de treze livros antigos (chamados de "códices") contendo mais de cinquenta textos, foram descobertas em 1945. Esta descoberta, imensamente importante, inclui um grande número de "Evangelhos Gnósticos", textos se acreditava terem sido totalmente destruídos durante a antiga luta cristã para definir a "ortodoxia", entre os textos se encontram importantes escrituras como o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Filipe e o Evangelho da Verdade. A descoberta e tradução dos textos de Nag Hammadi, deu impulso a uma reavaliação importante da história cristã primitiva e à natureza do gnosticismo. Para mais informações sobre a descoberta de Nag Hammadi e os textos encontrados, consulte: “Os Evangelhos Gnósticos”, de Elaine Pagels, da Vintage Books, Nova Iorque, 1979, e “Uma Introdução ao Gnosticismo e à Biblioteca Nag Hammadi”, por Lance Owens, no site - http://www.gnosis.org/naghamm/nhlintro.html. Primeiro, leia o livro de Elaine Pagels, para uma visão geral das escrituras gnósticas e da discussão da Gnose antiga, e em seguida uma visão geral, oferecida por Lance Owens.

(5)  Quem interessar-se em ler o Evangelho de Maria Madalena, o encontrará completo em: https://pt.scribd.com/document/358510376/Evangelho-de-Maria-Madalena-Completo-PDF