Liberdade.

Todos os textos publicados nesse blog são livres para serem copiados e reproduzidos.
Porque não existe outra pretensão em nossos escritos, que não seja expressar o nosso pensamento, nossa forma de ver e sentir o mundo, o Homem e a Vida.
Se você acreditar seja necessário e ético, favor indicar a origem e o Autor. Ficamos lhe devendo essa!
Um grande abraço.
Eduardo G. Souza e Lígia G. Souza.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

NUNCA INDIQUE REMÉDIO PARA OUTRA PESSOA.

.
NUNCA INDIQUE PARA OUTRA PESSOA O REMÉDIO QUE VOCÊ USOU OU ESTÁ USANDO, E DEU OU ESTÁ DANDO CERTO, VOCÊ PODE CAUSAR GRAVES DANOS A SUA SAÚDE OU ATÉ MATÁ-LA.



Efeito adverso em medicina, é um efeito nocivo e indesejável resultante de uma medicação ou outro tipo de intervenção médica, como uma cirurgia. Um efeito adverso pode ser chamado de "efeito colateral", quando for secundário a um principal ou a um efeito terapêutico. Se o efeito adverso resulta de uma dosagem errada de uma droga ou um procedimento médico inadequado ou incorreto, isto é chamado de “erro médico”. Os efeitos adversos são muitas vezes referidos como "iatrogenia” (1) porque eles são provocados por um médico ou um tratamento. Alguns efeitos adversos ocorrem apenas no início do tratamento, diminuindo ou desaparecendo com a adaptação do organismo. Portanto, efeitos adversos são problemas que ocorrem quando o uso de um medicamento vai além do efeito desejado. Ou ocorrem problemas em paralelo ao efeito terapêutico desejado.


O resultado prejudicial é normalmente indicado por um resultado adverso, como morbidade, mortalidade, alteração no peso corporal, nos níveis de enzimas, perda de funções fisiológicas ou uma doença detectada em nível microscópico. Por exemplo, a heparina (glicosaminoglicano sulfatado) é um fármaco do grupo dos anticoagulantes, que é usado no tratamento da trombose e outras doenças com coagulação, mas pode causar hemorragias, um efeito colateral causado pelo tratamento anticoagulante que vai além do efeito desejado. Outro exemplo são os efeitos colaterais mais comuns do tratamento quimioterápico (2) do câncer, incluindo fadiga, náuseas, vômitos, diminuição da contagem de células do sangue, perda de cabelo e feridas na boca, são exemplos dos efeitos secundários da quimioterapia que ocorrem além do efeito terapêutico desejado.

O resultado prejudicial também pode ser indicado por sintomas relatados pelo paciente.

Os efeitos adversos podem causar uma mudança reversível ou irreversível no organismo, incluindo aumento ou diminuição da suscetibilidade do indivíduo a outros produtos químicos, alimentos, ou procedimentos, tais como interações medicamentosas.

Em ensaios clínicos, é feita uma distinção entre os eventos adversos (EAs) e eventos adversos graves (EAG). Geralmente, quando o evento provoca danos permanentes, morte, defeitos de nascimento ou exige internação hospitalar prolongada, é considerado um EAG. Os resultados destes ensaios são frequentemente publicados e incluídos nas bulas dos medicamentos, para fornecer informações para os pacientes e os terapeutas prescritores.

Os efeitos adversos são particularmente importantes em farmacologia, devido ao amplo, e por vezes incontrolável, uso de medicamentos por meio da automedicação. Assim, o uso de drogas responsavelmente torna-se uma questão importante, pois o uso de uma droga que é contra-indicada em várias situações pode aumentar o risco de efeitos adversos. Os efeitos adversos da automedicação podem causar complicações médicas de uma doença, agravando o quadro clínico do paciente, mascarando seus sintomas e afetando negativamente seu prognóstico. Os efeitos adversos, como os efeitos terapêuticos das drogas, são uma função da indicação e da dose da droga, e os níveis atingidos no destino, nos órgãos onde irá atuar, de modo que os efeitos adversos podem ser evitados ou diminuídos através de cuidadosa e precisa farmacocinética (3).

Os efeitos adversos também podem ser causados por interação medicamentosa. Isso geralmente ocorre quando o paciente não informa a seu médico ou ao farmacêutico todos os medicamentos que está tomando, incluindo ervas e suplementos dietéticos. O novo medicamento pode interagir favorável ou desfavoravelmente com o anterior, e potencializar ou diminuir o efeito terapêutico pretendido. Interações droga-droga, medicamento com alimentos, e com os chamados "medicamentos naturais", utilizados pela medicina alternativa, podem ocorrer, e provocar perigosos efeitos adversos. Por exemplo, o extrato de erva de São João ou Hipericão (Hypericum perforatum), um fitoterápico antidepressivo leve, usado no tratamento da depressão leve a moderada, pode reduzir a eficácia de contraceptivos orais e produz reações adversas como à indução ou inibição enzimática, um aumento do citocromo P450, alterando as enzimas oxidativas que são o componente fundamental do metabolismo hepático dos diversos fármacos, responsável pela de eliminação de muitas drogas do organismo, influencia significativamente a prática clínica, promovendo toxicidade ou falta de eficácia de vários fármacos.

Os fabricantes de medicamentos são obrigados a listar todos os efeitos adversos conhecidos de seus produtos. Quando os efeitos colaterais de uma medicação imprescindível são graves, por vezes o uso simultâneo de um segundo medicamento, mudanças de estilo de vida, mudanças da dieta ou outras medidas terapêuticas podem ajudar a minimizá-los.



(1) Iatrogenia refere-se a um estado de doença, efeitos adversos ou complicações causadas ou resultantes do tratamento médico. Em farmacologia refere-se a doenças ou alterações patológicas criadas por efeitos colaterais dos medicamentos. Embora seja usada geralmente para se referir às consequências de ações lesivas produzidas pelos médicos, pode também resultar das ações de outros profissionais da área de saúde, como psicólogos, terapeutas, enfermeiros, dentistas, etc.

(2) Quimioterápicos são compostos químicos utilizados na quimioterapia, método de tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.

(3) A farmacocinética é definida como o estudo quantitativo do desenvolvimento temporal dos processos de absorção, distribuição, biotransformação e excreção dos fármacos. Nestes estudos, os teores dos fármacos e seus metabólitos (produtos da biotransformação) no organismo são determinados, permitindo a obtenção de importantes dados sobre estas substâncias.



terça-feira, 14 de novembro de 2017

PAIS E FILHOS



Como os pais devem criar seus filhos?
Dada a importância crítica dos primeiros anos e até meses de vida para o desenvolvimento intelectual, emocional e comportamental de uma criança, é essencial identificar as melhores maneiras de criar crianças. Podemos falar sobre quanto tempo os pais devem gastar com seus filhos, com que frequência eles devem ler para eles, a que horas eles devem colocá-los na cama e outros tópicos. Mas para muitas pessoas a questão de criar filhos significa como os pais devem disciplinar seus filhos. Embora não exista uma resposta certa a esta questão que satisfaça todos, os estudiosos identificam pelo menos quatro estilos de disciplina.
- O primeiro estilo de disciplina, e aquele que a maioria dos estudiosos da infância aceitam, é chamado de disciplina ‘autoritária’ ou ‘firme’, mas ‘justa’. Neste estilo de disciplina, os pais estabelecem regras claras para o comportamento de seus filhos, mas, ao mesmo tempo, deixam seus filhos exercer um julgamento independente. Quando seus filhos se comportam mal, os pais explicam pacientemente por que seu comportamento estava errado e, se necessário, poderão discipliná-los. Eles raramente, usam castigos físicos e, em geral, proporcionam-lhes muito apoio emocional. A maioria dos especialistas da infância acham que a disciplina ‘autoritária e justa’ ajuda o desenvolvimento moral das crianças e ajuda a produzir crianças bem-comportadas.
- Muitos pais, em vez disso, praticam a disciplina puramente ‘autoritária’. Esses pais estabelecem regras firmes, mas excessivamente restritivas para o comportamento de seus filhos, não aceitam discutir ou explicar essas regras e geralmente não são muito amorosos na relação com os filhos. Quando seus filhos se comportam mal, os pais podem gritar com eles e puni-los com palmadas relativamente frequentes e até mesmo mais ásperas. Embora esses pais pensem que tal punição é necessária para ensinar aos filhos a se comportar, muitos especialistas da infância acham que sua disciplina ‘autoritária’ causa filhos que são mais propensos a se comportar mal.
- Um terceiro estilo de disciplina é chamado de ‘relaxante’ ou ‘permissivo’. Como esses nomes indicam, os pais estabelecem poucas regras para o comportamento de seus filhos e não os disciplinam quando se comportam mal. Essas crianças, também, são mais sujeitas, do que as crianças criadas por pais autoritários, a comportarem mal durante a infância e adolescência.
- A disciplina ‘não envolvida’ é o quarto e último tipo. Os pais que praticam esse estilo, geralmente ausentes, não oferecem aos seus filhos suporte emocional e não estabelecem regras para o seu comportamento. Esse estilo de relacionamento familiar não estabelece limites ou regras, e produz comportamentos antissociais e outros resultados negativos por parte das crianças. Especialmente quando comparado a famílias onde pelo menos um dos cônjuges está presente, essa estrutura familiar de abandono da prole produz indivíduos totalmente dissociados dos padrões sociais.     
Uma razão pela qual a disciplina ‘autoritária e justa’ é melhor do que a disciplina ‘autoritária’ para as crianças, é que evita as palmadas e outros tipos de castigos físicos, em favor de outros tipos de disciplinamento e punição mais inteligentes, que levam as crianças a raciocinar sobre o erro cometido.
Muitos especialistas acham que a palmada é ruim para as crianças e as torna mais propensas, e não menos propensas, a se comportarem mal. As palmadas, dizem eles, ensinam as crianças a se comportar para evitar serem punidas. Esta lição torna as crianças mais propensas a se comportar mal se acharem que não serão pegas, pois não aprendem a se comportar por sua própria vontade, mas por medo da punição.
As crianças que são constantemente punidas fisicamente, também podem se ressentir dos seus pais mais do que as crianças criadas de forma ‘autoritária e justa’ e, portanto, são mais propensas a se comportar mal porque sua relação com seus pais não é tão afetiva.
Assim, alguns pais que impingem castigos físicos aos filhos, o fazem porque eles acreditam no velho testamento, Provérbios 22.15: “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afugentará dela”, Provérbios 23.13-14: “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” e Provérbios 29.15: “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe”.
Ironicamente os castigos físicos podem fazer as crianças mais bem-comportadas ou mais malcomportadas, não adianta a ‘palmada’ se ela não vier acompanhada da explicação da sua necessidade para corrigir erros reincidentes que poderão trazer consequências desagradáveis ou comprometer o futuro da criança. Como vimos sem a conscientização a criança poderá se comportar mal quando achar que não será pega no erro.
Assimilação e acomodação são duas formas de conformação social, quando o indivíduo assimila um valor social, ele incorpora a sua personalidade aquele valor e independente de fatores externos, ele irá moldar seu comportamento ao padrão valorizado pela sociedade, a acomodação, por outro lado, não implica a incorporação do valor, o indivíduo assume o comportamento por medo da punição que poderá receber pelo desrespeito da norma social, mas, se ele achar que não será descoberto, que ninguém está vendo, ele poderá cometer o erro pois acredita que não será punido.
Uma ‘boa conversa’, que poderá vir acompanhada de uma ‘palmada’, quando necessária, vale muito mais que uma boa ‘surra’, sem uma ‘conversa’! O importante é a criança saber que errou, porquê, onde e como errou, quais as consequências atuais e futuras do seu erro e que está sendo punida pelo seu erro.
.
Lígia e Eduardo G. Souza

.  

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

MARIA MADALENA



A história de Maria Madalena está intimamente ligada a Jesus. Ela desempenha um papel principal em uma das cenas mais importantes nos Evangelhos. Quando Jesus é crucificado pelos romanos, Maria Madalena esteva lá apoiando-o em seus últimos momentos aterradores e ficou de luto por sua morte. Ela também descobre o túmulo vazio, e é uma testemunha da possível ressurreição. Ela estava lá no início de um movimento que ia transformar o Ocidente.
Mas a Maria Madalena que vive em nossas memórias é bastante diferente. Na arte, muitas vezes é representada como uma prostituta seminua ou uma pecadora que se arrepende dos seus pecados. Seu principal vínculo com Jesus seria como a mulher que lavou e untou seus pés. Mas para muitos ela somente é conhecida como uma prostituta.
Toda a história de Maria Madalena como uma prostituta caída e redimida, é uma imagem muito poderosa da redenção, um sinal de que, não importa quão baixo a pessoa tenha caído, ela pode se redimir.
É uma imagem muito poderosa, mas não é a história de Maria Madalena. Maria Madalena é mencionada nos quatro evangelhos do Novo Testamento, mas nenhum deles a menciona como uma prostituta ou uma pecadora. Em algum momento, Maria Madalena foi confundida com outras duas mulheres da Bíblia - Maria, irmã de Marta, e uma pecadora sem nome do evangelho de Lucas (7: 36-50), que lavaram os pés de Jesus e secaram com os cabelos. No século 6, o Papa Gregório Magno tornou este erro oficial declarando em um sermão que as três personagens eram na verdade a mesma pessoa. Então, Maria Madalena passou a ser a pecadora arrependida. A Igreja Católica declarou mais tarde que Maria Madalena não era a pecadora penitente, mas isso só aconteceu em 1969. Depois de tanto tempo, a má reputação de Maria Madalena ainda persiste.
Hoje Maria Madalena é considerada uma santa pelas igrejas católicas, ortodoxas orientais, ânglicas e luteranas e festejada no dia 22 de julho. As igrejas ortodoxas orientais também festejam Maria Madalena no domingo dos Myrrhbearers(1), segundo domingo após Páscoa.
Ela também é uma figura importante na Fé Bahá'í(2).           
Embora conheçamos bastante sobre a sociedade judaica na antiga Palestina há 2.000 anos, sabemos muito pouco sobre a própria Maria Madalena. A Bíblia não fornece detalhes pessoais de sua idade, condição social ou família.
O nome dela, Maria Madalena (מרים המגדלית), nos dá uma primeira pista sobre ela, sugere que ela pode ter vindo de uma aldeia chamada Magdala. Magdala foi uma pequena aldeia, as margens do Lago Gennesaret (o Mar da Galileia) na Galileia, cerca de 7 km ao norte de Tiberíades, que parece ter sido o local de nascimento de Maria Madalena, chamada a Maria Madalena, ou "Maria de Magdala". A aldeia é delimitada por uma escarpa alta perto do desfiladeiro de Wadi Arbel (Hamam), a dois quilômetros a oeste do Mar da Galileia." Migdal " é uma palavra aramaica que significa "torre" ou "fortaleza". Os gregos chamavam a aldeia de Tarichaea, em referência ao trabalho de salgar peixes, e a existência de restos que apontam esta atividade, um dos pilares da sua economia. Outro elemento importante de sua economia era a construção de barcos. O nome completo da aldeia seria Magdala Tarichaea. (3)
Um texto judaico (um Midrash) que menciona Magdala, chamado Lamentações de Rabbah (מדרש איכה רבה), conta que Magdala foi julgada por Deus e destruída por causa da sua fornicação. É possível que a descrição de Magdala como lugar de fornicação seja a origem da ideia que surgiu no cristianismo ocidental de que Maria Madalena era uma prostituta.
Sabemos que havia prostíbulos em outros lugares do Mediterrâneo, e a Galileia provavelmente não era exceção. Era culpa do Império Romano, que cobrava uma pesada carga tributária dos judeus, e muitas vezes as mulheres pagavam o preço mais pesado, para salvar suas famílias da miséria.
A conquista romana, e depois o domínio imperial romano, teria causado um impacto bastante dramático na Galileia. Economicamente, teria sobrecarregado às pessoas com pesados encargos fiscais e isso teria pressionado as famílias, quando uma família não podia mais pagar seus impostos, as crianças às vezes eram até vendidas como escravas, talvez tenha sido esse o destino de Maria Madalena.
Nesse contexto tão difícil, não é difícil imaginar que Maria Madalena possa ter se prostituído, mas essa evidência é puramente circunstancial. Como também podemos acreditar que ela não era casada, o nome dela, Maria Madalena, sugeri isso. Uma mulher casada naqueles tempos teria adotado o nome da família do marido e Maria Madalena não era um nome de família, mas de uma origem.
Não há nada sobre Maria Madalena nas tradições evangélicas que sugira que ela era casada, nunca foi descrita como viúva e não há registro dela ter filhos. Há 2.000 anos, uma mulher solteira sozinha era vista com suspeita. Talvez, por Maria Madalena aparecer como uma mulher sozinha, explicaria sua imagem negativa.
Mas existem suspeitas que Maria Madalena teria coabitado com Jesus. Na verdade, as igrejas cristãs nunca quiseram debater ou aprofundar essa discussão, o Vaticano temeu que essa dúvida fosse estudada. No entanto, alguns autores afirmam haverem evidências escritas de que Jesus foi casado com Maria Madalena e que tiveram filhos.
Mais do que isso, com base em novas evidências, autores afirmam que ao movimento original de Jesus surgiu um papel inesperado que a sexualidade desempenhava nele.
De acordo com um manuscrito com quase 1.500 anos encontrado na Biblioteca Britânica, Jesus se casou com Maria Madalena e teve filhos. O chamado "Evangelho Perdido", que foi traduzido do aramaico, pelo professor Barrie Wilson e o escritor Simcha Jacobovic, que passaram meses traduzindo o texto, revela novos fatos surpreendentes sobre a vida de Jesus.
Muitos especialistas minimizaram a importância histórica da figura bíblica de Maria Madalena, mas, de acordo com os tradutores do novo evangelho, ela é muito mais importante do que se pensava anteriormente.
O documento encontrado na poeira da Biblioteca Britânica nos esclarece sobre os anos obscuros da vida de Jesus.
Os estudiosos acreditam que Jesus nasceu em torno de 5 aC, e que ele foi crucificado em torno de 30 dD. Não sabemos absolutamente nada sobre Jesus desde o tempo que ele tinha oito dias (sua circuncisão, de acordo com a lei judaica), até, de acordo com o Evangelho de Lucas (2: 41-51), quando tinha doze anos, e viajou com seus pais para Jerusalém para celebrar a Páscoa. Terminados os festejos, a os pais regressaram para casa, mas o menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem, pois pensavam que ele estava na caravana, após um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o encontrando, voltaram a Jerusalém, três dias depois, encontraram-no no templo, sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos quantos o ouviam, estavam estupefatos com a sua inteligência e as suas respostas.
Mas o fato é que simplesmente não temos informações sobre os primeiros anos de Jesus, sua educação, amigos, escolaridade ou sua interação com os membros da família. Como obteve acesso aos escritos da Bíblia hebraica? A sinagoga de Nazaré, uma aldeia muito pequena na época, possuía pergaminhos da Lei Judaica e das profecias dos Profetas? Quem eram seus mestres religiosos?
Quão versado ele era em hebraico, além do aramaico que sabemos que ele falava? Ele falava grego?
Jesus reaparece no palco da história de repente com trinta e poucos anos. Neste ponto, Jesus anuncia o "Reino de Deus", isto é, o advento de uma transformação qualitativa na história humana, profetizada pela Bíblia hebraica, na qual a justiça reinará sobre a terra e a adoração do único Deus verdadeiro será universal.
Isso não é incrível? Ele é uma das pessoas mais influentes na história da humanidade e não sabemos nada sobre ele até começar seu "ministério". Mas o que aconteceu com Jesus antes dessa aparição repentina?
De acordo com o "Evangelho Perdido", em algum momento durante este período, ele se casou, teve relações sexuais e produziu filhos.
Antes que alguém desencadeie um ataque demolidor contra nosso texto, tenha em mente que não estamos atacando a fé de ninguém. Estamos analisando fatos históricos. A teologia deve seguir o fato histórico e não o contrário. Não estamos afirmando que nosso texto é a verdade absoluta. Até agora, estamos apenas apresentando e analisando fatos e dados que estão disponíveis na bíblia cristã e em outros documentos históricos.
Retornado ao assunto, se Jesus não tivesse casado, isso teria causado consternação a sua família, possível um escândalo na comunidade, já que em nível puramente histórico, isso realmente deve nos surpreender, pois o casamento e o nascimento de crianças eram esperados de um homem judeu (A idade usual para o casamento era de 16 a 18 anos para o rapaz), e o Novo Testamento certamente teria comentado sobre isso, nem que fosse para explicar e defender o comportamento incomum de Jesus. Mas temos um documento que afirma que ele era casado e gerou filhos. Não só isso, nosso documento indica que, para alguns de seus seguidores originais, o casamento de Jesus era o aspecto mais importante de seu ministério.
"O Evangelho Perdido" não é o primeiro a reivindicar que Jesus se casou com Maria Madalena.
A Bíblia e o "Evangelho Perdido" não são as únicas fontes sobre Maria Madalena. Em 1945, em Nag Hammadi(4), no sul do Egito, dois homens encontraram um vaso cerâmico selado. No interior, eles descobriram um tesouro de antigos de papiros. Embora nunca tenham recebido tanta atenção pública como os Pergaminhos do Mar Morto, estes realmente se tornam muito mais importantes para escrever a história do cristianismo primitivo. Os textos de Nag Hammadi nos falam sobre os primeiros cristãos. Eles foram escritos em copta, a língua do primitivo Egito cristão. Considerando que a maioria dos textos cristãos antigos foram perdidos, essa descoberta foi excepcional.
A descoberta inclui o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Philipe e os Atos de Pedro. Nenhum desses textos foi incluído na Bíblia, porque o conteúdo não está em conformidade à ‘doutrina cristã’, então eles são denominados de apócrifos. Eles relatam fatos e dados que não se encontram na Bíblia. Por exemplo, os evangelhos do Novo Testamento relatam que após a ressurreição Jesus passou algum tempo conversando com os discípulos, mas não contam muito sobre o que ele disse. Nos evangelhos de Nag Hammadi há um relato detalhado do que ele disse.
Embora não sejam aceitos como textos bíblicos, os especialistas acreditam que eles nos dão uma visão significativa da história cristã. Nestes textos apócrifos, podemos encontrar as tradições genuínas sobre Jesus, que por uma razão ou outra não chegou ao Novo Testamento.
Pela primeira vez em centenas de anos, havia uma nova fonte de informação sobre Maria Madalena. Ela aparece com muita frequência como um dos discípulos proeminentes de Jesus. Em certos textos onde Jesus está em discussão com seus discípulos, Maria Madalena faz muitas perguntas bastante pertinentes. Enquanto os outros discípulos às vezes parecem confusos, ela é a única que entende a mensagem.
Um dos documentos descobertos em Nag Hammadi é o Evangelho de Philipe, e nele Maria Madalena é uma figura-chave. Foi a causa de um dos atributos mais controversos feitos sobre ela.
Durante o longo enterro no deserto, alguns dos livros foram atacados por formigas. Neste evangelho, as formigas fizeram um buraco num lugar muito crucial. O texto diz: “E o companheiro da [...] Maria Madalena [...] a amava mais do que todos os discípulos e costumava beijá-la com frequência, sobre ela [...]. O resto dos discípulos [...]. Eles disseram-lhe: "Por que você a ama mais do que todos nós?" O Salvador respondeu e disse-lhes: "Por que eu não os amos como a ela? Quando um cego e um que vê estão ambos juntos na escuridão, eles não são diferentes um do outro. Quando a luz vem, então o que vê verá a luz, e aquele que é cego permanecerá na escuridão ". A lacuna, ou lacunas, esconde onde Jesus beijou Maria Madalena, o tema tem estimulado a curiosidade dos estudiosos por décadas.
Jesus e Maria seriam amantes? Alguns estudiosos interpretaram o beijo em um sentido mais espiritual e veem o beijo como um símbolo de uma forma íntima de ensinar a palavra de Deus, de aprender. A imagem de Jesus e Maria Madalena envolvidos em um beijo boca a boca, para eles não sugere necessariamente sexualidade, mas a transmissão do conhecimento divino.
Maria Madalena aparece neste texto não apenas como o discípulo que ele mais amava, mas também como uma figura simbólica de sabedoria celestial. Essas histórias de Maria Madalena, como a companheira mais próximo de Jesus e um símbolo da sabedoria celestial, estão em total contraste com a Maria Madalena da imaginação popular.

Os textos “Apócrifos" assumiram conotações muito negativas, especialmente em comparação com a Bíblia. Muitas vezes é recomendado pelas Igrejas Cristãs tradicionais que não devem ser lidos, não devem ser levados a sério, não devem ser considerados, pois não são a verdade. O conteúdo desses livros é considerado por muitas pessoas como lendas. Então, podemos acreditar no Evangelho de Philipe? Maria Madalena era realmente a companheira mais próxima de Jesus? Bem, há outras evidências para isso, e algumas delas estão na própria Bíblia.
A Bíblia diz que Maria Madalena esteve presente nos dois momentos mais importantes da história de Jesus: a crucificação e a ressurreição. E Maria Madalena foi uma figura proeminente em ambos os eventos.
Além de Maria Madalena era uma das mulheres que sofreram e choraram ao pé da cruz, ela foi também uma das vigiaram o túmulo de Jesus. Era costume, naquela época, que as mulheres judias preparassem corpos para enterrar. Os cadáveres eram considerados impuros e, portanto, sempre era tarefa das mulheres lidarem com eles.
Porém, contam os novos testamentos, que quando Maria vai ao túmulo, o corpo de Jesus não está mais lá. O relato mais completo do papel de Maria Madalena depois de descobrir o túmulo vazio está no Evangelho de João. Ela está em estado de choque e corre para onde os discípulos estão reunidos para contar-lhes a notícia. Quando ela relata aos discípulos, ela não é acreditada. Então Pedro e outro discípulo retornam com ela para o túmulo, para verem por si mesmos.
Quando eles entram, Pedro reage com raiva e desânimo à visão do lençol que envolvia o cadáver descartado no lixo. Mas Maria Madalena entende o que aconteceu e conclui que Jesus deve ter ressuscitado dentre os mortos. Os dois vãos embora sem ouvir Maria Madalena.
Então, algo ainda mais extraordinário acontece. É o maior momento de Maria Madalena.
Maria Madalena está triste e sozinha quando alguém pergunta por que ela está chorando. Ela acredita ser o coveiro e diz: "Eles pegaram o corpo do meu senhor e não sei onde está". A figura diz seu nome. E então ela vê Jesus. Ela sobressaltada diz: "Mestre!" Ela ajoelha-se diante de Jesus, que está de pé diante dela, usando uma mortalha e avança a mão para alcançá-lo, mas ele se afasta e diz: "não me toque". Então ele orienta que ela deve ir ter com os outros e dizer-lhes que ele ressuscitou dos mortos. É um momento maravilhoso. Jesus está diante dela, mas ele está além do alcance dela.
Não podemos dizer se Jesus realmente apareceu para ela após ressuscitar ou se Maria Madalena simplesmente acreditou que o estava vendo. Mas de qualquer maneira, neste momento, a experiência de Maria Madalena levou o cristianismo para uma nova e importante direção.

Um novo caminho se desenvolveu, que não tinha nada com o que o próprio Jesus estava pregando, surgiu a crença de que Jesus não morreu ou que ele morreu, mas ressuscitou dentre os mortos. Essa crença não foi uma falha. Na verdade, foi um grande sucesso. E a pessoa que divulgou isso foi exatamente Maria Madalena.
A crença na ressurreição de Jesus foi o ponto de explosão do cristianismo. Foi quando ele mudou de um pequeno movimento para uma nova religião. E Maria Madalena foi uma figura chave neste evento.
Você pode pensar, então, que, no mínimo, Maria Madalena deve ser reconhecida como a maior dos apóstolos que fundaram o Cristianismo, e a primeira dos missionários que divulgaram a religião, como parecem estabelecer os fatos narrados na Bíblia.
E também pela razão dela ser destaque em outro texto gnóstico apócrifo chamado Codex Akhmin, por ter sido descoberto na cidade de Akhmin, no Egito, e foi parar em um bazar do Cairo, onde o pesquisador alemão Dr. Carl Rheinhardt, comprou esse curioso papiro em 1896, encadernado em couro e escrito em copta, ele foi denominado de “Evangelho de Maria Madalena”(5).
Como os livros encontrados em Nag Hammadi, o evangelho de acordo com Maria Madalena também é considerado um texto apócrifo. A história contada no texto começa algum tempo depois da ressurreição.
Os discípulos teriam acabado de ter uma visão de Jesus. Ele encorajou seus discípulos a saírem e pregarem seus ensinamentos ao mundo, mas eles tinham medo de fazê-lo porque ele foi morto por isso, e eles dizem "se eles o mataram, eles também nos matarão". Então Maria Madalena se levanta e diz: “não se preocupem, ele prometeu que estaria conosco para nos proteger”. Então o texto diz que ela moveu seus corações para o bem e começaram a discutir a mensagem de Jesus.
Nos textos do Evangelho de Philipe, Maria Madalena foi apresentada como um símbolo da sabedoria. No Evangelho de Maria Madalena, sua participação é mais proeminente, ela é a responsável pela evangelização, ensinando aos discípulos sobre os ensinamentos de Jesus.
Num trecho do relato, Pedro pede a Maria Madalena para lhe contar algumas coisas que ela teria ouvido de Jesus, mas que os outros discípulos não ouviram. Então ela diz: "Sim, eu vou te dizer o que lhe foi escondido". Ela fala sobre uma visão que teve de Jesus e uma conversa que teve com ele. Como o Evangelho de Maria Madalena relata, os detalhes dessa conversa têm a ver com o desenvolvimento espiritual e a batalha vital da alma contra o mal.
Neste ponto, surge uma controvérsia, André que passava, diz: "bem, não sei o que o resto de vocês pensam, mas essas coisas me parecem muito estranhas, me parece que ela está nos ensinando ensinamentos diferentes de Jesus ". Pedro então chama ele e diz: "Nós devemos agora nos voltar e ouvi-la? Jesus falou coisas em particular com uma mulher em vez de abertamente para nós? Ele preferiu ela que nós?"
Matheus defende Maria Madalena do ataque de Pedro contra ela. No texto, o problema de Pedro parece ser que Jesus colocou Maria Madalena acima dos outros discípulos para interpretar seus ensinamentos. Pedro vê Maria Madalena como uma rival na a liderança do grupo.
Pedro, na verdade, não precisava temer. A maioria das pessoas vêm Pedro como a rocha sobre a qual a igreja foi estabelecida. A igreja católica colocou ele como o principal ou a principal figura entre os discípulos, e Maria Madalena como uma figura lateral no elenco dos personagens.
Uma grande parte do texto apresenta diálogos entre Maria Madalena e os discípulos de Jesus, onde ela é a pessoa que responde às perguntas. Após a partida de Jesus, conforme o texto, a autoridade da igreja foi dada a Maria Madalena, indicando o texto que teria surgido uma religião, denominada Cristã, que tinha em Maria Madalena sua fundadora e a considerava mais importante que os outros apóstolos. Parte desse favorecimento, dela ser a única discípula conhecida, pode ter sido devido à sua habilidade como mulher de representar a importante figura de companhia feminina de Jesus, conforme o evangelho gnóstico mostra.
Uma das coisas absolutamente fascinantes sobre o Evangelho de Maria Madalena é que nos faz repensar esses fatos sobre a história cristã, e nos coloca frente a questão: - Todos os discípulos realmente entenderam a mensagem e pregaram a verdade?
Talvez o Evangelho de Maria Madalena seja muito radical. Ele apresenta Maria Madalena como mestra e guia espiritual aos outros discípulos. Ela não é apenas um discípulo; ela é o apóstolo para os apóstolos.
Eduardo G. Souza

(1)  Na tradição da Igreja Ortodoxa, Myrrhbearers, Mirróforos ou Portadores de Mirra são os indivíduos mencionados no Novo Testamento que estiveram diretamente envolvidos no enterro ou que descobriram o túmulo vazio de Jesus. Nas igrejas católicas ortodoxas e gregas orientais, o segundo domingo após a Páscoa é chamado “domingo dos Myrrhbearers” ou "domingo dos magos". As leituras das Escrituras nomeadas para os serviços neste dia enfatizam o papel desses indivíduos na morte e possível ressurreição de Jesus. Segundo o Novo Testamento esses indivíduos que seriam as Três Marias se refere a Maria Madalena, Maria de Cleopas e Maria Salomé. Entre as mulheres mencionadas, Maria Madalena está presente em todos os quatro relatos evangélicos, e Maria, mãe de Tiago, está presente nos três sinópticos, no entanto, existem variações nas listas de cada Evangelho relativas às mulheres presentes na morte, sepultura e descoberta.
(2)  A Fé Bahá'í é uma religião mundial baseada nos ensinamentos de Bahá'u'lláh. Ele ensinou que existe um Deus e uma família humana, e que as grandes religiões do mundo representam etapas sucessivas na evolução espiritual da sociedade humana. Os bahá'ís reconhecem a chegada de Bahá'u'lláh como a última expressão da orientação de Deus, abrindo o caminho para o estabelecimento da paz e da reconciliação, quando, como antecipado nas sagradas escrituras no passado, toda a humanidade alcançará sua espiritualidade e maturidade social, e viverá em harmonia e de acordo com a justiça. Os mais de cinco milhões de bahá'ís em todo o mundo estão aprendendo a traduzir os ensinamentos de Bahá'u'lláh para novos padrões de vida individual e comunitária. Embora sejam provenientes de diversas origens étnicas e culturais, estão unidos pela sua crença na natureza espiritual essencial da nossa existência e pelo desejo de um futuro justo e pacífico para todos os povos. Maria Madalena é altamente venerada na Fé Bahá'i. Abdul-Baha fez mais referências a ela do que a qualquer outra mulher na história, na verdade ela é a discípula amada mais citada de Cristo. As escrituras bahá'ís e Bahá'u'lláh se referem devotadamente a ela. Maria Madalena é muito reverenciada, se não a mais, na Fé Bahá'i! Esta é talvez a grande semelhança entre bahá'ís e cristianismo: a veneração a Maria Madalena.
(3)  Quem quiser saber mais sob Magdala, pode acessar: - “Ruínas da “sinagoga de Jesus” intrigam arqueólogos”, em https://noticias.gospelprime.com.br/arqueologia-ruinas-sinagoga-jesus/
(4)  Nag Hammadi é uma aldeia camponesa no Egito, na antiguidade conhecida como Chenoboskion, localizada a cerca de 225 km ao noroeste de Assuão, com aproximadamente 30000 habitantes. As Escrituras de Nag Hammadi, é uma coleção de treze livros antigos (chamados de "códices") contendo mais de cinquenta textos, foram descobertas em 1945. Esta descoberta, imensamente importante, inclui um grande número de "Evangelhos Gnósticos", textos se acreditava terem sido totalmente destruídos durante a antiga luta cristã para definir a "ortodoxia", entre os textos se encontram importantes escrituras como o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Filipe e o Evangelho da Verdade. A descoberta e tradução dos textos de Nag Hammadi, deu impulso a uma reavaliação importante da história cristã primitiva e à natureza do gnosticismo. Para mais informações sobre a descoberta de Nag Hammadi e os textos encontrados, consulte: “Os Evangelhos Gnósticos”, de Elaine Pagels, da Vintage Books, Nova Iorque, 1979, e “Uma Introdução ao Gnosticismo e à Biblioteca Nag Hammadi”, por Lance Owens, no site - http://www.gnosis.org/naghamm/nhlintro.html. Primeiro, leia o livro de Elaine Pagels, para uma visão geral das escrituras gnósticas e da discussão da Gnose antiga, e em seguida uma visão geral, oferecida por Lance Owens.

(5)  Quem interessar-se em ler o Evangelho de Maria Madalena, o encontrará completo em: https://pt.scribd.com/document/358510376/Evangelho-de-Maria-Madalena-Completo-PDF

ESCOLAS MILITARES



Os elementos que compõem a organização das escolas militares mostram como as práticas disciplinares ritualizadas podem ser simbólicas e instrumentais, construindo e reproduzindo identidades, ao mesmo tempo em que atribuem hierarquia à linguagem moral aparentemente neutra de respeito.
Certamente uma das críticas mais veementes contra esta forma de educação é a visão comumente assumida entre persuasão e coerção. Ao invés de ver o uso coercivo da força como simplesmente um produto de persuasão, e preciso entender que a coerção também pode ser uma parte da persuasão. Os ritos militares são ricos de significados simbólicos que podem ter profundos efeitos sobre a subjetividade e até mesmo simbolicamente elevar seus atores acima dos interesses puramente materiais.
A persuasão e a coerção, portanto, não estão em conflito, e podem estar presentes simultaneamente dentro da prática disciplinar. Os ritos disciplinares e a conformação estão sempre localizados dentro de um sistema complexo de relações sociais além do quadro bidimensional de civil versus militar, com pessoas assumindo múltiplos papéis ou posições, por exemplo, um adulto pode punir uma criança, mas também poderá ser punido por um superior. O simbolismo dos rituais de militares moldou essas múltiplas formas de identidade, reafirmando as relações entre elas através da noção de "respeito".
Um ponto que vimos gerar discussão, é algumas pessoas não conseguirem entender a continência ao superior, um rito disciplinar observado durante o ingresso diário na escola, em que os alunos cumprimentam, através da continência, um outro aluno, que está ali representando a autoridade constituída, através de uma graduação ou posto. Tal ritualística não foi concebida como um castigo, mas sim como uma representação de respeito ao superior hierárquico e um meio de transformar a disposição moral interna; o aluno que é cumprimentado é percebido como representante do comando, portanto, digno de respeito até mesmo pelos seus companheiros. É importante ainda destacar que esse aluno não é escolhido aleatoriamente, ele é o “zero um” da sua turma, naquele momento, um dos melhores e mais qualificados alunos da escola. As promoções são, em geral, concedidas por “merecimento” e tempo, criando então uma aspiração de quase todos, a alcançarem os postos mais altos.
Outro ponto de destaque é a doutrina, uma comissão escolar (conselho disciplinar) formada por alunos e professores tem a função de resolver os conflitos sociais e reforçar a ordem moral e o respeito entre os alunos, por meio, mais uma vez, de punições, expandindo a prática disciplinar de uma função docente a uma base de coparticipação entre discentes e docentes.
É importante destacar que a violência escolar sofre uma drástica redução, em função da ordem disciplinar usada pelo regime militar. Aqui, a punição como ferramenta de coerção e correção moral, também se tornou uma ferramenta de disciplina do indivíduo, enquanto a violência era muitas vezes legitimada pela necessidade de autoafirmação e garantia de um espaço conquistado, no desenho do modelo disciplinar militar, a autoafirmação ou preservação do espaço e garantido através de um "complexo de respeito", onde o mérito e a disciplina são a base das relações do grupo. Nas configurações escolares militarizadas, aqueles que são punidos ficam obrigados a se submeter a vontade do grupo e as normas estabelecidas para manter a ordem.
Ainda mais importante, aqueles que estabelecem o castigo como forma de conformação as normas estabelecidas, são, frequentemente, os responsáveis ​​pela promulgação das referidas normas e doutrinas, unindo assim docentes, discentes e autoridades militares, na tentativa de controlar adequadamente as atividades escolares dentro de padrões disciplinares de alto nível.
Em geral os resultados são positivos e adequados, existem casos em que esses elementos simbólicos que combinam a persuasão cultural em coerção, podem levar os colegas a, algumas vezes, mostrar pouca simpatia pelos indisciplinados, endossando a aplicação da disciplina rígida e afastando aqueles que oferecem uma resistência "selvagem" as autoridades.
Portanto, o modelo de organização militar escolar, está alicerçado na disciplina e na ordem hierárquica, como forma de manter e defender a ordem, permanecendo confiável como um modelo ideal da ordem social nas escolas.
O modelo militar demonstra os aspectos potencialmente disciplinares dos ritos, simbolizando a ordem moral e afirmando as autoridades por trás deles. Ao mesmo tempo, chama a atenção para um aspecto raramente discutido nos estudos dos rituais: os laços potenciais entre símbolos ou práticas ritualísticas em contextos sociais. Da religião à política, da publicidade às interações diárias, os ritos são um aspecto omnipresente da existência social humana: o pensamento através dos laços e as possíveis transferências simbólicas entre esses ritos, pode ser uma direção promissora para um estudo mais aprofundado da disciplina militar nas escolas.
Eduardo G. Souza
Portador da Medalha “Marechal Trompowsky”
do Instituto dos Docentes do Magistério Militar
.


DISCIPLINA



“O talento sem disciplina é como um polvo a andar de patins. Há uma abundância de movimento, mas nunca se sabe se vai ser para a frente, para trás ou para os lados.” - H. Jackson Brown, Jr.

Disciplina é um conceito que todos conhecem, mas poucos realmente entendem. As pessoas mais bem-sucedidas da vida exercem a disciplina diariamente. Ela é vital para todo ser vivo e sem ela o mundo que nos rodeia seria o caos.
A disciplina é o hábito de agir de acordo com certas regras, e a predisposição para cumprir as leis e se conformar aos padrões sociais. A disciplina traz estabilidade e estrutura a vida da pessoa. Ele ensina a pessoa ser responsável e respeitosa. A disciplina ajuda a treinar a mente e o caráter de uma pessoa, construindo um senso de autocontrole e a prática da obediência. As pessoas que não têm autocontrole são incapazes de analisar os efeitos a longo prazo de suas ações.
Existem dois tipos de disciplina: interna e externa. A disciplina interna é o autocontrole e a capacidade de diferenciar o certo do errado. A disciplina externa é agir de acordo com as normas sociais, respeitar a lei.
A família é a primeira instituição onde se deve aprender disciplina na vida. A educação começa em casa primeiro. Deve-se adquirir hábitos saudáveis, saber como se comportar, como conviver em sociedade, em casa. Em uma família normal, alguém assume como a cabeça da família, então todos devem respeitá-lo, isso ajudará no bom funcionamento da família. No passado esse papel era ocupado pelo pai, hoje com as mudanças que foram acontecendo com a organização familiar, o ‘chefe’ da família pode ser qualquer um membro dela. E o pior é que, em alguns casos, há famílias que essa figura não é ocupada por ninguém. É dever dos pais fazer cidadãos bem disciplinados, estabelecendo exemplos de honestidade, fraternidade, moral, responsabilidade, etc. Esse processo educacional familiar tem que ser alicerçado no carinho, na justiça, na equidade, no rigor e na punição. No entanto, em qualquer visão objetiva, a família hoje, provavelmente, é menos eficaz a este respeito do que nunca.
A família atualmente, às vezes é pluralista ou permeável. Consiste em pequenos agrupamentos de fluxo livre que incluem famílias modernas sem força nuclear; algumas famílias tradicionais; pais solteiros; crianças geradas, por mães contratadas, em inseminação artificial ou adotadas por famílias gays e lésbicas, com ou sem contratos de casamento formal.
Hoje aumentou muito o número de mulheres que vivem sozinhas ou com seus filhos, essa tendência, referida como a feminização da família, em geral reflete mudanças na estrutura familiar, em grande parte dos casos, quando as famílias nucleares se dissolvem, o homem geralmente retém sua renda e status, enquanto a mulher e seus filhos caem para uma categoria socioeconômica inferior, onde se concentram as famílias chefiadas por mulheres. Obvio toda regra possui inúmeras exceções, e há uma tendência crescente das mulheres chefes de família até aumentarem o nível socioeconômico após a separação, mas essa tendência somente é observada nas classes sociais superiores. Já nas classes mais baixas, em que a única ou a mais alta fonte de renda e do cônjuge masculino, os recursos que restam destinados as crianças que vivem em famílias pobres chefiadas por mulheres, podem ser tão inadequados que o crescimento e o desenvolvimento delas são prejudicados. É claro que a família não é mais a principal instituição educacional fundamental, para a maior parte da nossa população.
O progresso de um país só é possível quando existe lei e ordem no país, como na família existe um líder, o pais é liderado pelo “chefe de governo”, um cidadão ‘responsável’, que todos devem respeitar. As autoridades devem demonstrar altos níveis de disciplina constantemente. Um líder inteligente sabe quando recuar e avançar.
A observância de regras bem definidas é a base da sociedade. Se não houvesse disciplina, as pessoas fariam o que quisessem e cometeriam erros, sem levar em consideração os direitos dos outros em primeiro lugar. A disciplina conforma o comportamento humano, contribuindo para uma sociedade melhor e torna o convívio mais agradável para todos.
Para o sucesso, deve haver disciplina! seja na vida, seja em uma família ou em uma nação. Até um jogador, deve obedecer ao técnico e seguir todas as regras e regulamentos esportivos, pois existem os árbitros e quem não segue as diretrizes será penalizado por violar as regras do esporte, para que possa trabalhar em equipe e vencer os jogos a disciplina é fundamental. Todo indivíduo tem que respeitar a hierarquia e seguir as regras, regulamentos e leis para o sucesso, seja individual, da família ou da nação.
Em qualquer instituto social tem que haver disciplina, e as instituições educacionais não podem fugir à regra. Quando há disciplina as atividades pedagógicas são realizadas e o processo ensino-aprendizagem alcança o sucesso esperado, além disso, a disciplina faz o estudante segui-la sempre na sua vida. Com disciplina o educando desenvolve a força mental necessária para controlar seu comportamento, sentimentos e desejos. Se alguém é disciplinado, indica que seus sentimentos e desejos estão sob controle.
O sucesso depende de muitas variáveis ​​diferentes. Habilidades, hábitos e todos os tipos de atitudes contribuem em grande parte para as realizações individuais. Embora existam muitas variáveis ​​importantes, existe uma que está acima das restantes: ‘autodisciplina’. O que mais determina o sucesso na vida de uma pessoa, é quanto maior for a sua capacidade de ser autodisciplinada. A capacidade de um indivíduo se autocontrolar permite que ele se comporte de forma consistente, rigorosa e controlada. A falta dessa habilidade pode ter resultados desastrosos. Você acha que uma empresa vai tolerar uma pessoa que está constantemente atrasada para trabalhar ou que procrastina em fazer seu trabalho? Disciplina é a chave para qualquer sucesso.
O crescimento do indivíduo, a felicidade familiar e o progresso de uma nação, somente serão alcançados se as pessoas reconhecerem o valor da disciplina em suas vidas. Todos os homens e mulheres bem-sucedidos são altamente disciplinados no que eles fazem. Todos os homens e mulheres malsucedidos são indisciplinados e incapazes de controlar seus comportamentos e seus apetites.
Portanto, um dos atributos mais importantes da educação em escolas públicas militares é a ‘Disciplina’!

Eduardo G. Souza 
.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

POR QUE AS PESSOAS AINDA APOIAM PARTIDOS QUE SE PROCLAMAM DE ESQUERDA OU COMUNISTAS?



Na verdade, alguns países ainda têm partidos comunistas, como Austrália, Áustria, Bangladesh, Brasil, Canadá, França, Itália, entre outros. Mesmo os EUA possuem na verdade dois partidos de esquerda.
Podemos teorizar que as pessoas procuram os comunistas porque não têm experiência do que é um estado totalitário. As pessoas estão apenas perseguindo fantasias ou ideais ignorantes, ou talvez seguindo algum guru intelectual. Talvez os comunistas sejam muito jovens, ou talvez muito velhos, para entender completamente as implicações de seus votos. Eles gozam da liberdade relativamente maior de nosso país, e votar no comunismo significa rebelião, e alguns adoram a ideia de que são rebeldes. Se eles soubessem como é o comunismo na verdade, provavelmente mudariam de ideia.
Esta visão simplista e utópica do comunismo, foi abandonada na Rússia, na China, e em vários países do leste europeu e da Ásia. As pessoas que sabem muito bem o que é o comunismo, que experimentaram os efeitos devastadores da eliminação da propriedade privada e do controle total dos meios de produção pelo Estado, não querem nem pensar em comunismo. Pois a tutela do comunismo, significa cancelar todas as liberdades. A Rússia e os países da demolida União das Repúblicas Socialistas Soviéticas viveram por quarenta anos um pesadelo e acabaram acordando e lutando para o fim do domínio comunista.

Então, por que no Brasil ainda existe quem acredite nisso? Qual é a força motriz dos votos para os partidos comunistas, em países não comunistas como o nosso?

Há muitas explicações possíveis, mas o que eu acho mais convincente é que algumas pessoas, em virtude de não terem vivido sob condições estatistas, não compreendem a responsabilidade que vem com o exercício da liberdade.
Acreditar no direito de propriedade privada e em uma sociedade livre significa uma grande responsabilidade.
O exercício da liberdade implica em decidir o que a sociedade deve fazer, e o que deve ser feito por você sozinho ou em cooperação com outros. No Estado Democrático existe o exercício da liberdade e as decisões recaem sobre os indivíduos, não são tomadas por um poder central como nos Estado Totalitários, e todos são responsáveis ​​por suas ações. Se você cometer um erro, você paga. Se você tiver sucesso, você obtém o benefício e é livre para escolher o que fazer com ele.

Em contraste, o controle pelo estado sempre significa um ataque a responsabilidade. Sob um regime comunista, a auto responsabilidade é eliminada. Quanto mais o governo invade a vida dos cidadãos, menos as pessoas sentem o senso de responsabilidade por suas ações. Os burocratas geralmente não têm a total responsabilidade por suas ações. Membros do Poder Central, administradores públicos e dos órgãos financeiros centrais e os juízes não pagam por seus erros. Eles experimentam uma espécie de imunidade de culpa pelas consequências de suas ações durante o tempo em que estão no poder.
O mesmo vale para policiais, médicos, professores, etc. Todos os erros cometidos por funcionários públicos são geralmente pagos por outros. A conta é paga pelos contribuintes. Nem mesmo as pessoas que comandam são totalmente responsáveis ​​sob o Estado Totalitário. Sob as redes de segurança maiores e maiores criadas pelo estado, as empresas ficam cada vez mais dependentes do comando dos órgãos do partido. Grandes empresas são pressionadas por aumento da produção, não existem direitos de importações e outros tipos de comércio. Bancos, indústrias, grandes empresas, como companhias aéreas, são comandadas e controladas por comitês do partido, e os trabalhadores sem estímulos e perspectivas de progresso funcional, “cometem grandes falhas" por leniência ou negligência.
Os indivíduos são cada vez menos responsáveis. Na Europa, muitas pessoas cresceram com a ideia de que o Estado lhes deve tudo: emprego, saúde, educação gratuita, férias, felicidade, transporte, etc. As pessoas são levadas a acreditar que o Estado sempre se preocupará com seus problemas e resolverá suas preocupações. As pessoas acreditam que o que quer que aconteça, o Estado estará lá resolver todos os seus problemas.
O resultado perverso de tudo isso é que os cidadãos não são mais responsáveis ​​por suas ações. Tudo isso pode ser explicado através do conceito de risco moral. O mecanismo funciona da seguinte forma: por um lado, a responsabilidade dos funcionários públicos é transferida para todos os afetados por seus erros; por outro lado, os trabalhadores exigem uma total responsabilidade do Estado. Dado que, em última análise, o Estado é responsável por tudo, pois todas as decisões são tomadas pelos órgãos centrais do partido, que administra todos os setores do Estado, então os cidadãos deveriam se preocupar com alguma coisa, eles devem lutar por alguma coisa ou aceitar tudo de acordo com as característica centralizadora do Estado?
Como em um regime comunista não há propriedade privada e, portanto, tudo depende do Estado, nesse caso, não temos uma mudança parcial de responsabilidade de alguns assuntos para outros assuntos. O comunismo acredita que o povo é incompetente, incapaz de tomar as suas próprias decisões, assim os líderes pensam o que é melhor para o povo, e tomam todas as decisões. A responsabilidade individual é simplesmente abolida. Nenhum indivíduo é responsável por qualquer coisa.
Quando o regime comunista é estabelecido há várias décadas, o caminho de volta para a liberdade é muito difícil. As pessoas se tornam habituadas a redes de segurança e a ausência de responsabilidade. O processo de transição é muito difícil.
Os países da Europa Oriental experimentaram, nos últimos anos, a transição de pessoas irresponsáveis ​​ (sob regimes comunistas) para pessoas parcialmente responsáveis ​​ (sob regimes democráticos). A partir dessas transições, aprendemos que as pessoas não podem aprender a ser responsáveis ​​do dia para a noite. Quanto mais uma sociedade perde o contato com mecanismos de causa e efeito, haverá um choque quando os indivíduos necessitarem lutar para garantir seu espaço na sociedade e sua própria subsistência, temos que entender que antes tudo era provido e providenciado pelo Estado, o emprego era garantido, sendo o trabalhador produtivo ou não, e tudo mais estava garantido pelo Estado, então por que lutar para crescer, se o indivíduo vai fazer o que é determinado pelo Estado, e não o que ele quer, agora passa a existir uma demanda por um espaço e posição dentro da sociedade, e implica em responsabilidade. A insatisfação por essa demanda, gera para alguns uma insatisfação, que pode assumir a forma de votos para os partidos comunistas.
A liberdade não é fácil de lidar com ela, quando as pessoas se acostumam com à escravidão. Lembro-me do artigo “Barriers to the Rehabilitation of Ex-Offenders”, de Mitchell W. Dale, sobre pessoas que foram libertadas da prisão após vários anos de cativeiro. A reintrodução no mundo livre onde as pessoas esperam que o indivíduo seja responsável pelo que você faz não é fácil. Da mesma forma, quando alguém viveu por 40 anos sob o comunismo, o caminho de volta é tremendamente difícil.
O caminho de volta para a democracia, para uma sociedade livre é muito difícil.
É impossível argumentar contra a constatação de que uma sociedade livre é uma sociedade mais próspera. Muitas pessoas argumentam que prosperidade não é o mesmo que felicidade, e, portanto, no caso isso não entra em questão. Certamente é verdade que mais e mais pessoas nas sociedades ocidentais sofrem de problemas como depressão e várias formas de doenças mentais, como distúrbios alimentares (anorexia e bulimia), etc. Não tenho dados para provar, mas é provavelmente que, na verdade, a porcentagem de pessoas que sofrem de depressão na Noruega, na Austrália, na Suíça, na Dinamarca, etc., e até mesmo nos Estados Unidos, seja menor que a mesma taxa em Cuba, Coreia do Norte, Vietnã e Laos.
Na verdade, não podemos relacionar a prosperidade, nem a dependência aprovisionada pelo estado, com a incidência da depressão. Estima-se que cerca de 16% da população mundial já sofreu de depressão ao menos uma vez na vida. É preciso entender que ela não é apenas uma tristeza passageira, mas sim uma doença. E, como toda doença, precisa ser diagnosticada precocemente e tratada da forma correta. Não se sabe ainda exatamente quais são as causas para a depressão ser desencadeada. Porém, diversos fatores podem estar envolvidos: mudanças físicas no cérebro, alterações químicas na função e efeito dos neurotransmissores do cérebro, desequilíbrio de certos hormônios e genética, é comum acontecer com pessoas que tenham parentes que também sofrem com a doença.
A maioria das pessoas que nascem nos países ocidentais, nasce relativamente abastada. Eles vão à escola até os 18 anos sem ter que trabalhar; depois disso, muitos deles vão para a universidade e cursam um pós-graduação, sem usar o dinheiro do governo no ensino superior. Em geral, encontram um emprego (ganhando o controle de suas vidas) em torno dos 25 a 26 anos de idade. Sabe-se que, em alguns países, as pessoas tendem a viver mais com seus pais, adiando o tempo em que passam a controlar suas vidas. Se você não precisa ser responsável por si mesmo até completar 25 anos, é difícil quebrar o hábito de dependência.
Além disso, os indivíduos que nascem em famílias ricas não têm a percepção plena das dificuldades que é fazer riqueza. Quanto mais velhos eles chegam ao comando dos bens familiares, mais eles podem sentir o fardo de serem responsáveis ​​por aquela fortuna. Quanto mais ricos os pais são, e quanto mais os filhos se beneficiam da generosidade dos pais, os pais não estão em uma posição firme para pressionar seus filhos a se responsabilizem por si mesmos. Este é um problema que os países comunistas sentem em menor grau.
Ao nos tirar a responsabilidade de nossas ações e prolongar a fase de dependência da vida, o estado interventor limita nossa capacidade de ser feliz. A maioria das pessoas nos países comunistas desconhece esses mecanismos. Mas todos nós somos afetados por eles. Nos países totalitários, as pessoas ficam frustradas porque não desfrutam de uma vida que podem controlar completamente. Eles trabalham para dar o seu rendimento ao Estado, para satisfazer as ordens e os desejos de outras pessoas, e para pagar os erros de outras pessoas. Ao mesmo tempo, eles esperam que os seus desejos sejam satisfeitos por outros e que seus erros sejam pagos por outros. Esta condição frustrante é uma das razões pelas quais a insatisfação surge cada vez mais em países onde o Estado tem um papel totalmente concentrador.
Assim, o próprio Estado cria as condições psicológicas que causam a dependência da população para viver em um mundo em que o Estado faz tudo, cuida de todos e mantém todos em estado permanente de uma dependência infantilizada. Quanto maior o estado, mais corrompe a mente e a cultura do povo.
Pode-se imaginar que a sociedade, sob o comunismo, seja como uma espécie de estada prolongada na casa de mãe e pai, sempre presentes, onde todos os bens pertencem a eles, e as decisões tomadas e os serviços são prestados pelos pais e não por si próprios. O comunismo significa nunca ter que deixar o ninho.
Ah, ainda, a ideia de que o comunismo e o planejamento do estado em geral leva a segurança e felicidade, mas a memória, essa abençoada característica humana, nos lembra como era a vida sob o cuidado de mãe e pai, em muitos casos um corolário de normas a serem cegamente seguidas e, em alguns casos, um abuso contra a liberdade individual. O comunismo é um mundo cinza, estagnado e sem qualquer criatividade e beleza, a um mundo que parece as sociedades dos velhos tempos e não dos gloriosos novos tempos pós iluminismo. O homem anseia pela Liberdade, René Descartes, Baruch Espinoza, Gottfried Wilhelm Leibniz, Carlos Bernardo González Pecotche, Mikhail Bakunin, Philip Pettit e outros pensadores, afirmaram que a Liberdade, pode ser compreendida como a ausência de submissão e de servidão, é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional.
Então como alguém pode apoiar e caminhar para esse regime, um mundo de servidão, desilusão e irresponsabilidade, e em que a volta é difícil e que poderá até nunca mais voltar.
Eduardo G. Souza



O MAIOR ESCÂNDALO DE CORRUPÇÃO QUE ASSOLA O PAÍS


Sem esquecer os escândalos anteriores, como o clássico ‘Mensalão’, vamos nos concentrar apenas no mais importante atualmente.
Nos últimos três anos, o Brasil foi dominado por um escândalo que começou Petrobrás e cresceu para envolver funcionários públicos, pessoas no topo dos negócios, políticos e até mesmo presidentes.
A Operação da Polícia Federal começou em 2009 com a investigação de crimes de lavagem de dinheiro por empresas ligadas ao ex-deputado federal José Janene, em Londrina, no Paraná. Além do ex-deputado, estavam envolvidos nos crimes os doleiros Alberto Youssef e Carlos Habib Chater. O alvo, Carlos Habib Chater, tinha como base de atuação o “Posto da Torre”, tradicional ponto de venda de combustíveis em Brasília que inspirou o nome da operação: “Lava-Jato”. O posto só aceitava pagamentos em dinheiro vivo, o que, para a PF, facilitava a mistura entre dinheiro sujo e limpo. Um relatório de inteligência financeira aponta que o posto movimentou, em um único mês, em 2005, R$ 3,05 milhões.
Dois ex-presidentes, aliados próximos Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, se encontraram sob investigação desde 2014. Em face disso, esse escândalo de corrupção que envolve milhões de dólares em contrapartidas e mais de 800 políticos e membros da elite empresarial, cada dia traz novidades e parece nunca ter fim.
Mas, à medida que os tentáculos da investigação, chamada ‘lava jato’, vão se estendendo, outros escândalos surgiram e vão surgindo.
Isso levou alguns daqueles que são acusados ​​alegarem que são vítimas de grupos políticos, com o objetivo de expulsá-los dos cargos políticos que ocupam.
Mas sobre o que é esse escândalo? O que é a Operação Lava Jato?
A Operação Lava Jato começou em março de 2014 como uma investigação sobre as acusações de que as maiores empresas de construção civil do Brasil superfaturaram contratos de obras, manutenção e serviços com a Petrobras.
Os investigadores descobriram que os diretores da empresa (escolhida a empresa de petróleo e gás mais ética do mundo em 2008) desviavam verbas, e usavam o dinheiro que resultava dos sobre valores das adjudicações dos contratos em benefício próprio e uma parte era entregue ao governo para suborno e financiamento das milionárias campanhas políticas do partido do governo e dos seus aliados.
O que já era suficientemente ruim, ficou muito pior quando o Partido dos Trabalhadores foi arrastado nesse escândalo de corrupção, por acusações de ter canalizado parte desses fundos desviados para pagar políticos, comprar seus votos e gastar com campanhas políticas milionárias.
Entre os acusados ​​no escândalo estavam dezenas de políticos, e Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do país, extremamente popular, conhecido popularmente como "Lula".
Três anos após a investigação ter começado, Lula foi declarado culpado da primeira das cinco acusações contra ele, segundo o processo ele recebeu um apartamento tríplex no Guarujá da empresa de engenharia OAS em troca de sua ajuda na obtenção de contratos com a Petrobras e com o governo de outros países aliados.  
As pessoas comemoram quando o ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi condenado pela acusação de corrupção e condenado a nove anos e meio prisão pelo Juiz Sergio Moro, em Curitiba. Ele foi condenado, mas ainda não está preso, aguarda o resultado de um recurso.
Mas Lula, nega todas as acusações, diz que a investigação e o julgamento foram politicamente motivados para impedir que ele voltasse a presidir o país ganhando as próximas eleições.
Lula não é o único ex-presidente a enfrentar uma investigação, outros dois ex-presidentes seguiram seus passos estão enfrentando alegações de corrupção.
O ex-procurador-geral da república, Rodrigo Janot, acusou duas vezes o atual presidente Michel Temer, o ex-vice-presidente que assumiu o cargo de presidente em agosto do ano passado, de ter recebimento de dinheiro dos donos da empresa gigante JBS, que também está envolvida em um escândalo de corrupção.
As acusações foram encaminhadas ao STF, que por decisão da maioria ministros, decidiu seguir o que estabelece a Constituição e notificar a Câmara das denúncias e obter autorização para investiga-lo. Enviadas para a câmara dos deputados, esta por duas vezes decidiu que ele não deve ser investigado, negando levantar sua imunidade presidencial. Temer nega todas as acusações.
Existem também duas investigações separadas que atingem sua predecessora Dilma Rousseff, que seguiu Lula no cargo depois que ele governou por dois períodos.
O que levou Dilma a ser afastada?
Totalmente afastada das acusações da Operação Lava Jato, Dilma, uma aliada bem próxima de Lula, foi deposta do cargo em agosto de 2016, condenada por transferir irregularmente fundos entre orçamentos governamentais, o que é ilegal de acordo com a legislação brasileira.
Ela argumentou que esta prática era comum aos presidentes anteriores, mas seus críticos disseram que ela estava tentando tapar os buracos do déficit originado pelos programas sociais populares, que ela usou para aumentar suas chances de ser reeleita em 2014, o que acabou acontecendo.
Dilma lutou contra as alegações, argumentando que seus rivais de direita estavam tentando removê-la do cargo desde sua reeleição.
Mas ela perdeu, e seu vice-presidente, Michel Temer, do PMDB de centro-direita, foi empossado e vai governar até janeiro de 2019, quando o presidente eleito na votação no próximo ano assumirá o governo.
No entanto, os apoiadores da Dilma possuem outra teoria quando se trata de sua queda, eles alegam que seus rivais do político queriam que ela fosse afastada, porque ela não os protegeria da Operação Lava Jato. Tese discutível considerando que seu mentor e predecessor, além de um grande número de membros do seu partido o PT, estão investigados, acusados e condenados pelos crimes que geraram a Operação Lava Jato.
Na verdade, a Lava Jato até agora não foi abafada, e o escândalo que envolveu o mais alto nível da diretoria da Odebrecht, ainda mantém presos diretores e o presidente da Empreiteira.
A direção da gigante da construção civil brasileira, que é o maior conglomerado de construção da América Latina, admitiu ter subornado funcionários da Petrobrás e políticos para garantir contratos no Brasil e em outros países da América do Sul.
De fato, seu ex-Presidente, Marcelo Odebrecht, que está cumprindo uma pena de prisão de 19 anos por corrupção, foi considerado culpado de pagar mais de US$ 30 milhões em subornos a funcionários da Petrobrás e políticos em troca de contratos e influências.
Ele e outros 76 funcionários da Odebrecht estão fornecendo informações aos investigadores como parte de um acordo de delação premiada.
Odebrecht ainda pode derrubar outro presidente, Marcelo afirma que parte dos 48 milhões de dólares que ele doou para as campanhas da Dilma e do Temer na eleição presidencial brasileira de 2014 foi ilegal.
Isso está sendo investigado pelo Superior Tribunal Eleitoral. Se for encontrada a fraude, suas campanhas poderão ser anuladas, o que significa que Temer poderá ser destituído do cargo.
Tanto Temer quanto Dilma negam todas as alegações de fraude nas suas campanhas.
Eduardo G. Souza

IDENTIDADE DE GÊNERO



A questão fundamental quando se fala de "identidade de gênero", é que propriedades, se houverem, estão sendo descritas e usadas. Realmente não se pode ter uma "identidade" em sentido convencional da palavra, sem uma definição dos atributos distintivos dessa identidade. As identidades de um grupo são baseadas em atributos de identificação dos membros do grupo por características "identificáveis". Essas características podem ser físicas ou sociais.
As características físicas são em geral inatas e marcantes, um indivíduo não pode simplesmente escolher seu sexo ou afiliar-se a uma etnia. Uma pessoa branca não pode simplesmente escolher participar da identidade do grupo oriental, porque não pode ser identificada pelo grupo e pelos outros como oriental, pois não possui os atributos físicos e culturais desse grupo. Certamente alguém poderá dizer: mas, se ela fizer uma cirurgia plástica poderá adquirir a aparência oriental, certo! Mas, ela nunca será oriental, pois o seu DNA sempre a identificará como pertencente a etnia branca. Correto? É impossível modificar uma "identidade convencional” sem intervenções externas que modifiquem atributos específicos dos indivíduos que possuem aquela identidade, porque as identidades convencionais devem ser feitas em referência a características que identificam um grupo.
Ter uma identidade deve ser, na maioria dos sentidos, possuir elementos identificável como características e comportamento, para que as pessoas possam lhe atribuir essa identidade com base nessas características.
Há, claro, certas identidades de grupo que podem ser reivindicadas simplesmente por auto declaração, como identidades políticas ou religiosas. Mesmo a associação a esses grupos sendo definida socialmente, ao declarar uma filiação, o indivíduo tem que assumir certas características, dentro do contexto social, que o identifique inserido nesse grupo. Por exemplo, ao se identificar como mulçumano, na verdade, não basta se declarar um mulçumano, porque os mulçumanos, como um grupo religioso, não são apenas definidos por uma afiliação escolhida, e sim por uma identidade que o próprio grupo e a sociedade atribuem às pessoas desse grupo, com base em suas características comportamentais.  
Então, quando um homem biológico declara que "se identifica" como mulher, em que base pode reivindicar uma identidade feminina? Ele pode dizer honestamente que quer ser mulher e, potencialmente, pode dizer que "se identifica com as mulheres" na medida em que experimenta empatia ou compreensão em relação às mulheres, mas nenhuma dessas coisas torna alguém feminino na definição convencional de "feminino".
Na verdade, a vontade de querer ser feminino faz com que o indivíduo seja paradoxal angustiada. Por que alguém ficaria angustiado por querer ser algo que ele já sente ser?
Se a identidade de gênero feminino é realmente uma metáfora de se sentir como uma mulher, isso levanta a questão de como eles sabem como é uma mulher. O problema de fazer afirmações sobre coisas inteiramente internas, coisas que só podem ser acessadas por introspecção pessoal e até mesmo impossíveis de articular claramente, é que tais coisas são, por natureza, inacessíveis para outras pessoas, portanto, não pode haver base para comparação. Então, trabalhando sob o pressuposto hipotético de que existe uma qualidade como uma "identidade interna de gênero", como se pode saber se sua "identidade de gênero interna" é mais parecida com a de um homem ou de uma mulher? Para que alguém saiba se a sua "identidade de gênero" é masculina ou feminina, ela teria que ser capaz de sentir ou experimentar a "identidade de gênero" de outro homem e a "identidade de gênero" de uma outra mulher, ou seja, ter alguma maneira de acessar as duas para compará-las. Teria que sentir a identidade de gênero de outras pessoas para determinar se era mais masculino ou mais feminino, mas como a "identidade de gênero" é um estado interno, isso não pode ser hipoteticamente possível. Para dizer "sentir-se como uma mulher" exige saber o que mulher sente; de outra forma, como alguém poderia reconhecer o que de fato sentia "como uma mulher" e que não gosta de outra coisa.
Se um paciente fosse levado um psiquiatra e se identificasse com como membro da família real britânica, seria basicamente um absurdo, porque a sociedade não lhe proporciona essa identidade. Se ele dissesse que se sentiam como um nobre britânico e não como um cidadão comum, como ele saberia o que é um nobre britânico. Se ele dissesse que queria ser um nobre britânico, esse desejo poderia ser "razoável", mesmo que totalmente irrealista; se ele desejasse a riqueza, a fama, o charme da vida nobre, o poder da realeza britânica ou alguma outra coisa, seria até “desejável”, mas também seria absurdo. Mas, quando ele quer assumir uma "identidade", quando acredita que "se sente um nobre britânico", por fim, se o um paciente insiste que é verdadeiramente um membro da família real britânica, quando não é, só pode mesmo ser conduzido a um psiquiatra, pois parece seriamente perturbado, delirante ou psicótico.
O fato de que há pessoas que afirmam se identificar, se sentirem ou serem mulheres quando aparentemente são masculinas, não torna essas afirmações muito razoáveis.
Enfim, mesmo quando alguém muda externamente seu aparelho sexual, internamente continua o que nasceu, seu DNA não muda com qualquer procedimento científico hoje disponível. E o DNA não muda, nasceu geneticamente homem ou mulher, mesmo com qualquer procedimento médico cirúrgico, geneticamente vai morrer como nasceu.
Eduardo G. Souza.



FÉ RACIONAL



Como alguém pode acreditar racionalmente em Deus?
É possível que um cristão seja racional, que pense e analise coisas relacionada a religião dentro dos preceitos da tautologia?
Perguntas difíceis! Convivi e convivo com cristãos, muçulmanos, judeus, espiritas, budistas, hinduístas, umbandistas, candomblecistas, rosa-cruzes, magos, agnósticos e até com ateístas, entre outras expressões da fé humana. Por necessidade profissional e curiosidade (coisa que trouxe a humanidade para onde estamos) precisei escutar, questionar, analisar e registrar suas opiniões e crenças, muitas vezes tentado a abrir uma discussão sobre o assunto, mas, por normas de pesquisas, sempre procurei ouvi-los sem interferir em suas formas de ver a divindade e a fé. 
Na verdade, não há pessoas totalmente racionais ou irracionais. Todos acreditam em coisas estúpidas e inteligentes o tempo todo. E se uma pessoa somente acreditasse nas coisas com base na racionalidade e apenas fizesse coisas que tivessem uma base racional, essa pessoa seria realmente um ‘chato’.
Um cristão não é uma pessoa totalmente irracional, mas muitas das ideias por trás do cristianismo são irracionais. Não faz sentido aceitar algo que você sabe não ser verdade, apresenta uma série de fatos e dados que não condizem com a verdade, são fantasiosos ou necessitem de uma credulidade forte demais para aceitá-los. No entanto, um cristão não pode ser totalmente racional sobre tudo o que ensina a sua religião.
Se um cristão liberal pudesse pensar algo como: "Jesus foi um grande Mestre que nos deu um vislumbre de Deus, e a Bíblia é um livro complexo, cheio de contradições e mitos"; então seria perfeitamente possível um cristão ser racional.
No entanto, é quase impossível que as pessoas que se declaram cristãos, admitam que as profecias do Velho Testamento sobre Jesus não são tão precisas como muitas pessoas acreditam. E até admitirem que o Novo Testamento pode não ser tão credível, porque todos os quatro evangelhos foram escritos décadas após a morte de Jesus e mesmo depois das cartas de Paulo.
Mas como um cientista ou um profissional bem-sucedido na área tecnológica pode ser um cristão? Como ele pode conciliar isso, como acreditar em coisas irracionais?
Eu diria que ele vai discordar de você, de que os fenômenos relatados são todos irracionais, alguns podem ser credíveis, e acredito que ele deve usar uma espécie de compartimentação emocional para fé e outra para as racionalizações e para lidar com o resto.
Ser racional significa ser capaz de pensar criticamente. Mas nem todos os crentes são automaticamente irracionais e não podem "pensar e analisar coisas". Mesmo como cristão, as pessoas podem analisar dados, fatos, opiniões, fazer pressupostos baseados no mundo que as rodeia. Só porque algumas pessoas aceitam ‘algumas’ coisas que não são consideradas "racionais", não as transforma em pessoas totalmente escravas da fé. Mas, aquelas que só vivem em função da fé, acabam necessitando da ajuda de um profissional, para escapar desse terrível cativeiro em que se enclausuram.
Talvez o Deus bíblico não consiga ser racional, por culpa da ficção que os escritores da bíblia criaram, são história tão fantasiosas, que não conseguem escapar ao crivo da racionalidade. Muitos autores têm buscado conciliar as histórias bíblicas com achados arqueológicos e geológicos, mas, em cada uma dessas tentativas, mesmo com os esforços do autor, não é possível essa conciliação com os fatos e dados científicos.
Os criacionistas incondicionais, fundamentados no relato bíblico, acreditam que Deus criou o mundo dentro de seis dias. No entanto, não podemos duvidar da criação do mundo através da evolução. Alguns autores tentam dar cunho a bíblia tentando associar esses seis dias a eras arqueológicas, então podemos crer que Deus testou organismos inferiores durante o período cambriano, e depois os dinossauros foram testados em um projeto beta durante o período mesozoico. Então ele se cansou deles e limpou-os da face da Terra com um único golpe de asteroide. Mais tarde, ele disse: "Estou muito cansado de brincar com espécies simples, vamos fazer algumas evoluídas para poder jogar com elas". E ele criou os homens e jogou com eles, o cheque mate de Adão foi dado pela queda da rainha, Eva, e com a ajuda da rainha preta, a serpente. Como foi óbvio o jogo com Abraão. Abraão foi testado se mataria seu próprio filho. E não se atreva a questionar por que ele usou o mal e o sofrimento no mundo no jogo, como descrito em Jó, para testar a fé. Deus não é realmente o personagem mais agradável em toda a ficção bíblica, ele derrubou e levantou exércitos e reinos, separou povos e aniquilou outros a sua vontade, matou e protegeu homens de acordo com as necessidades do seu jogo, segundo nos conta a bíblia.
No momento em que um cristão chegar ao ponto de tentar justificar suas crenças, mesmo com todas as contradições bíblicas, através da fé, certamente cruza a linha de racionalidade O cristão racional teria que seguir a lógica, e a lógica racional é que não podemos confiar na Bíblia como a palavra de Deus, temos que aceitá-la somente como um documento histórico, a história de um povo, apresentando com imprecisão uma série de eventos, sem qualquer compromisso com a verdade. Assim, alguns cristãos não hesitam em rejeitar (ou tentar dar nova interpretação) os versículos que os incomodam ou que consideram amoral.
Então um cristão racional estaria no caminho do ateísmo? 
Os céticos muitas vezes afirmam que a crença no deus cristão, ou qualquer deus, é uma questão de fé cega sem qualquer razão racional. Mas a fé não precisa ser cega. Deus nos criou com mentes pensantes e ele quer que nós as usemos, e racionalmente ele nos dá motivos para acreditar nele.
Todos nós temos pistas que nos levam a encontrar Deus. Todos nos perguntamos como o universo foi criado e por que nós mesmos estamos aqui. Todos nos perguntamos se há um significado ou propósito maior para a vida.
Quase todos vivem em uma sociedade onde existe um conceito de Deus e onde as pessoas falam sobre Deus e a espiritualidade. Essas questões nos levam a pensar em Deus e a fazer perguntas como: Deus existe? e Como posso me comunicar com ele?
Algumas pessoas podem optar por respostas como, por exemplo, orando, e continuar fazendo perguntas e procurando respostas. Outras podem responder: ouvindo pessoas, frequentando igrejas, lendo a livros sagrados, etc.
Mais se a pessoa busca a Deus pela razão, ele pode revelar-se pela causa primeira e permitir que ela saiba quem ele é observando o universo e a vida. Deus pode interagir com ela de uma maneira individual e dar à pessoa razões para acreditar nele. Deus, como um Mestre onisciente, sabe quais serão as evidências convincentes para cada pessoa, e sabe quais experiências que elas precisam vivenciar e quais lições precisam aprender (e a melhor maneira de aprender) para acreditar nele. Somente experiências pessoais com Deus e o encontro com ele no interior do Ser, dá à pessoa razão para acreditar que ele existe.
Nós continuamente fazemos escolhas sobre como buscaremos Deus e nos aproximaremos dele. A resposta está em nós escolhemos fazer o certo ou errado, para alcançar e falar com Deus, não basta orar, rezar, fazer oferendas, etc. É preciso viver em Deus, encontrá-lo em si mesmo, ouvi-lo através da razão e das leis da natureza, e escolher o bem. Essas oportunidades que Deus nos proporciona, nos dá a responsabilidade por nossas escolhas e decisões.
As pessoas que vivenciaram da presença divina em seu Ser, têm muitas razões para acreditar em Deus, elas sentiram os efeitos de sua interação com Deus, e a experiência e permanente busca, confirmaram que elas interagiram pessoalmente com ele. Esta evidência, para não mencionar outros motivos, e suficiente para acreditar que Deus existe, e é suficiente para acreditar que existe uma base racional para sua fé.
O homem não precisa da bíblia ou qualquer outro livro sagrado, não precisa de nenhuma outra pessoa ou intermediário, para encontrar Deus. Basta observar o infinito, o universo, a terra, o homem, as plantas ou os animais, para encontrar as marcas patentes da presença e da existência do Criador. Porque, a criação do universo e do mundo, mostram a presença invisível de Deus, o seu poder eterno e a sua natureza divina. Os fenômenos naturais e a ordem universal, são provas claramente visíveis da ‘existência de um princípio criador’, origem e razão universal. Não existem desculpas para a negação da existência desse ‘princípio’, que você pode denominar como quiser. Através dos detalhes intrincados e da beleza magnífica de tudo que Deus criou, podemos vê-lo e ouvir a sua voz.
Como? Observem o instinto e o trabalho das formigas para armazenarem alimentos durante todo o verão, e aprendemos sobre sabedoria e laboriosidade. Observem os céus em sua imensidão, e entendemos mais a grandeza de Deus. E, ao plantar e cultivar a terra, conhecemos sobre o milagre da morte e do renascimento. Deus projetou e criou tudo isso, e nos deu o conhecimento e a razão para que pudéssemos, observando sua obra, termos consciência da sua existência.
Assim, podemos conhecer Deus pelo que Ele fez e faz. O universo é sua obra. Da mesma forma que um pintor pode conquistar admiradores pelas suas belas telas, podemos glorificar a Deus ao observarmos sua criação, reconhecendo sua inteligência e compartilhando o que aprendemos com os outros.
A fé racional nos leva a crer que - O Arquiteto do Universo existe, e o universo é a prova da sua existência.
Eduardo G. Souza

ESSES PASTORES!



Para aqueles leitores que não estão familiarizados com a “expulsão de demônios”, é uma mania religiosa que varre ostensivamente o mundo há cerca de quinze anos. Durante a "expulsão de demônios", as pessoas são inexplicavelmente levadas a comportamento histéricos, "falando em línguas", comportando-se como animais selvagens, e muitas vezes caindo no chão como se de repente tivessem algum tipo de ataque epiléptico. Como podemos ver em diversas mídias que estão postadas no YouTube.
Esses fenômenos, podem ser classificados como histeria em massa para a maioria dos observadores - cientistas e leigos – como deduziram. Os estudos desses fenômenos têm sido registrados em centena de livros que descrevem e discutem a histeria de massa. As conclusões têm demonstrado que aqueles que participaram disso, foram emocionalmente envolvidos, são indivíduos muito sugestionáveis ​​e não há dúvida de que as expectativas criadas e o desejo de desempenhar um papel importante na ocasião (isso é – ‘querer aparecer’), também prevaleceram.
A crença de que os demônios existem e podem possuir as pessoas é, naturalmente, material de ficção e filmes de terror, mas também é uma das crenças religiosas mais amplamente difundidas no mundo. A maioria das religiões afirma que os seres humanos podem ser possuídos por espíritos demoníacos (a Bíblia, por exemplo, conta seis casos de Jesus expulsando demônios) e oferece o exorcismo para combater esta ameaça. Então, na medida em que as pessoas acreditam que os exorcismos "funcionam", devido ao poder da sugestão e da psicossomática, eles poderão funcionar se a pessoa acreditar que está possuída (e que um exorcismo irá curá-la), então ele poderá curá-lo.
Hollywood, é claro, tem capitalizado o fascínio do público com o exorcismo e a possessão demoníaca, com filmes, muitas vezes. designados como "baseados em uma história verdadeira". Existem inúmeros filmes inspirados no exorcismo, incluindo "O Último Exorcismo” (The Last Exorcism), "O Exorcismo de Emily Rose” (The Exorcism of Emily Rose), "Filha do Mal” (The Devil Inside) e "O Ritual” (The Rite), variando em qualidade, originalidade e significado. O maior sucesso, no entanto, é do clássico "O Exorcista” (The Exorcist), nas semanas seguintes ao lançamento do filme em 1974, as igrejas católicas dos EUA receberam pedidos diários de exorcismos. O roteiro foi escrito por William Peter Blatty, adaptado do seu best-seller de 1971, do mesmo nome. Blatty declarou que a inspiração do filme veio de um artigo do Washington Post, que ele havia lido em 1949, sobre um menino de Maryland que havia sido exorcizado. Blatty acreditou (ou alegou acreditar) que era uma história verídica, embora pesquisas posteriores revelassem que a história tinha sido sensacionalista e estava longe de ser credível.
Michael Cuneo, em seu livro “American Exorcism: Expelling Demons in the Land of Plenty” (em português, Exorcismo Americano: Expulsando Demônios na Terra da Abundância), credita a Blatty e ao filme "The Exorcist", em grande parte, o interesse atual no exorcismo. Quanto à precisão histórica, porém, Michael Cuneo diz que o filme de William Blatty é uma enorme fantasia, fundamentada em uma história frágil do diário de um sacerdote. Realmente houve um menino que passou por um exorcismo, mas praticamente todos os detalhes sangrentos e sensacionais que aparecem no livro e no filme foram exagerados e completamente inventados.
Na verdade, a partir do sucesso do filme, muitos passaram a acreditar que os exorcismos são reais e relíquias da Idade das Trevas, e que aqueles que sofrem o exorcismo são realmente possuídos por espíritos ou demônios. A partir de então, exorcismos em abundancia estão sendo realizados, em muitas igrejas neopentecostais ou de origem totalmente desconhecida, por pessoas totalmente desqualificadas e algumas “mal-intencionadas”, muitas vezes em pessoas que estão emocionalmente e mentalmente perturbadas, necessitando dos cuidados de um profissional, ou em muitos casos são fraudes praticadas para levar as pessoas a acreditarem no poder de falsos profetas ou charlatões, e assim doarem dinheiro ou bens para eles.
Muitas pessoas gostam de filmes assustadores, mas a crença real em demônios e da eficácia do exorcismo pode ter consequências mortais:
- Um garoto autista de oito anos morreu durante uma cerimônia religiosa na igreja Templo da Fé, em Milwaukee, no Estado de Wisconsin (EUA), realizada, segundo o pastor, para exorcizar os "espíritos" responsáveis por sua condição (Folha Online, 25/08/2003).
- A freira Maricica Irina Cornici, morreu num ritual de exorcismo levado a cabo por um padre e quatro freiras num convento cristão ortodoxo. A jovem de 23 anos, viveu num orfanato e no claustro do monastério Santa Trinidad, em Tanacu, (Romênia), onde ela passou seis dias sem água e sem comida. Maricica foi exorcizada pelo padre Daniel Corogeanu, de 29 anos, e quatro freiras, eles a prenderam com correntes a uma cruz de madeira. teve suas mãos e pernas amarradas, e uma toalha foi colocada em sua boca. A morte de Maricica, amordaçada e amarrada, foi causada por uma violência física muito grave. Segundo o padre Corogeanu, Maricica estava possuída por demônios e maus espíritos, era violenta, espumava e rejeitava a água benta e, por isso, teve que ser imobilizada (Terra.com, 21 de junho de 2005).
- O adolescente franco-africano Kristy Bamu, de 14 anos, saiu de Paris, acompanhado de quatro irmãs, e foi visitar sua irmã mais velha, Magali Bamu, de 29 anos, e o namorado dela, Eric Bikubi, 28, em Londres. Magalie junto com o parceiro, tentou exorcizar os espíritos malignos que teriam tomado Kristy e suas duas irmãs. O trio foi forçado a cantar e orar sem parar durante dias, sem direito a comida ou sono. Kristy passou a ser o foco do fervor religioso de Eric, que passou a usar violência física, o menino foi agredido durante dias com pedaços de pau, barras de metal, alicates e um martelo. Finalmente, Kristy foi colocado numa banheira com as duas irmãs e a torneira aberta até transbordar. Fragilizado pelas agressões, o adolescente afogou-se e morreu (Daily Mail, mar 30, 2012).
- Jaqueline Sanchez de Belize, uma jovem de 22 anos, morreu por não conseguir respirar, na Igreja Pentecostal de San Ignacio de Velasco, na América Central, depois que sofreu uma parada cardiorrespiratória durante um exorcismo para livrá-la de um "demônio" que estava dentro dela. Seus pais acreditavam que ela tinha sido possuída por um demônio, pois vinha sofrendo de convulsões, histeria e doenças que os médicos não conseguiam diagnosticar, após ela ter jogado com uma tábua Ouija utilizada para realizar a comunicação com espíritos. Testemunhas disseram que o corpo de Jaqueline foi "levantado" no ar dentro da igreja enquanto falava com uma voz de homem (O Popular, 30/11/2015).
- Uma "revelação divina" fez com que a nicaraguense Vilma Trujillo, de 25 anos, fosse amarrada e queimada viva numa fogueira para ser "curada" em uma suposta tentativa de exorcismo. A Jovem foi levada para "uma oração de cura", no dia 15 de fevereiro, a um templo da igreja evangélica Visão Celestial das Assembleias de Deus, em El Cortezal, (Nicarágua), lá ela teve os pés e mãos amarrados e ficou sob a guarda de Juan Gregorio Rocha, pastor da igreja. Dias depois, a diaconisa da igreja, Esneyda del Socorro Orozco, ordenou que "por uma revelação divina, deveria ser feita uma fogueira no pátio do templo para curar a vítima por meio do fogo”, em 21 de fevereiro, depois da meia-noite, Trujillo foi queimada na fogueira (Por BBC – Globo.com, 15/03/2017).
A ideia que os espíritos invasores são malignos é, em grande parte, um conceito judaico-cristão. Muitas religiões e seitas aceitam que a posse por entidades pode ser tanto benéfica quanto maléfica, e se ocorrem por curtos espaços de tempo são fenômenos comuns - e não especialmente alarmantes - da vida espiritual. O espiritismo, uma religião que floresce em toda a América desde 1800 e é praticado em muitos países hoje, ensina que a morte é uma ilusão e que os espíritos podem comunicar-se com os humanos. Algumas correntes acreditam em uma forma de possessão chamada canalização, na qual os espíritos dos mortos usar o corpo de um médium e se comunicar através deles. Centenas de livros, esculturas, telas e até algumas sinfonias, foram supostamente compostas por espíritos.
Claramente, estamos lidando com situações que não são verdadeiramente espirituais na sua natureza, mas podem ser infelizmente compartilhadas por crentes e não crentes. Obviamente, cabe-nos interpretar as emoções associadas e encontrar o significado delas... ou não.
É possível que isto não seja nada mais do que o surto hipnótico trabalhando em mentes sugestionáveis.  A hipnose emprega o mesmo truque mental, seja em uma palestra em um treinamento industrial ou nas artimanhas dos evangelistas da TV. Podemos assistir em várias mídias na internet, um participante ou vários voluntários, entrarem em colapso e caírem ao chão, começarem a gritar, sacudir-se, dançar freneticamente, gritar ou falar palavras inteligíveis, emitirem som como animais e outros comportamentos totalmente bizarros, que parecem ser um estado de transe, esse(s) participante(s) algumas vezes estão representando ou fingindo, o que torna muito questionáveis essas mídias.
A algum tempo, quando eu ainda fazia uma pesquisa universitária sobre o tema, entrevistei uma senhora que havia participado de uma dessas sessões de exorcismo, numa dessas igrejas questionáveis. Ela me relatou ter sido convidada por uma vizinha que frequentava a igreja, depois de vários convites, um dia ela resolveu acompanhar a vizinha, então ela relatou: “sentei junto com a minha vizinha. Depois de várias músicas tocadas muito alto, com as pessoas cantando aos gritos, o pastor começou a falar, primeiro em um tom normal, depois começou a gritar, gritar, gritar, então as pessoas começaram a gritar também, era um barulho infernal, minha vizinha ao meu lado, se sacodia e me empurrava e cutucava, então, para meu horror minhas mãos estavam fazendo coisas estranhas e eu rugia. Eu disse: ‘Oh Senhor por favor, por favor, não me faça rugir, somente os animais rugem, as pessoas não rugem’, aí, não sei porque, me levantei e eu girei bem alto e eu fiz um grande barulho, e eu estava rastejando pelo chão, fazendo coisas terríveis e metade de mim estava pensando: 'Isso não pode ser eu', mas outra parte sabia que era".
Coisa terrivelmente perturbadora o testemunho dela!
Questionei o porquê do seu comportamento, ela respondeu: “o pastor disse que eu tinha recebido o ‘Espírito Santo’, e agora eu tenho que fazer o trabalho do Senhor”.
Por sua própria conta, ela foi invadida e possuída por uma força que a reduziu ao comportamento bestial, rastejando e rugindo como um animal selvagem, contra sua vontade consciente. Ela simplesmente foi controlada, física e psicologicamente, por uma força de controle. E, no entanto, sua experiência mesmo que dolorosa obviamente não era a presença do Espírito Santo no seu Ser, não é assim que o Espírito Santo opera na vida de uma pessoa. Ele não santifica pessoas possuindo-as como um demônio e forçando-as a fazer coisas estranhas e sub-humanas. O espirito santo deve ser o elo de ligação de Deus com o Homem, trazendo a verdade para suas mentes, iluminando sua compreensão. Qualquer pessoa com algum discernimento espiritual sabe que essa força obscura não era o Espírito Santo. Mas, considerando o viés da pesquisa, infelizmente eu não pude dizer isso a ela.
Uma coisa importante para entender a histeria de massa, é que ela pode arrastar até mesmo aqueles que estão em guarda contra ela. A partir do relato, parece-me que é o que aconteceu, foi um caso clássico de histeria de grupo, onde a vítima foi arrastada, através de uma série de estímulos sensoriais a um comportamento incitado e compatível ao grupo.
É um comportamento comum, quando um grupo de pessoas está fugindo de alguma coisa, outros, mesmo não sabendo o motivo, outras fugirem e correrem com o resto do grupo, o mais rápido que puderem. As pessoas fogem, os corações batem disparados, as pessoas morrem de medo, mesmo não tendo ideia do porquê. Quando cessa a correria, as pessoas então querem saber do que estavam correndo, então alguém pode disser, por exemplo, que um homem mostrava uma arma. Os sentimentos e as emoções são absolutamente irresistíveis e ninguém deve sentir-se envergonhado depois de, não por covardia, mas por segurança, assumir esse comportamento. Na verdade, essa é uma reação muito normal nos nossos dias. Na realidade não devemos estranhar nossa incapacidade total e repentina de manter nossa individualidade, é natural instantaneamente, consciente ou contra a nossa vontade, submergir ao comportamento do organismo maior, o grupo.
Tal aconteceu com minha entrevistada, ela foi jogada com outras pessoas no chão e assumiu um comportamento bizarro, mesmo contra sua vontade, neste caso, a conformidade social entrou no jogo. A conformidade social é extremamente poderosa e às vezes é de controle total sobre o comportamento. Eu sei que isso é verdade, não apenas por causa da experiência descrita acima, mas porque já vi isso centenas de vezes na internet.
A conformidade social tem suas raízes na estratégia da sobrevivência evolutiva. Os seres humanos têm que trabalhar juntos para sobreviver e qualquer pessoa que "balança o barco" é considerada "antissocial" e rapidamente condenada ao ostracismo pelo resto do grupo. Não se comportar como se espera é uma grave inaptidão social.
Em um desse vídeos que estão no YouTube, podemos ver uma moça que inicia uma dança girando e balançando os baços freneticamente, o que acontece em seguida é várias outras mulheres agirem igualmente, e isso aconteceu dentro de alguns segundos!
Então, mesmo que seja conhecedor da situação de antemão ou que sua guarda esteja alta, quando chegar o momento, para a maioria, é irresistível não seguir o comportamento do grupo. A perda do autocontrole e da autodeterminação ocorre em um nível inconsciente, mesmo que a pessoa ainda esteja consciente.
Você já se pegou balançando no ritmo das fortes batidas da bateria de uma Escola de Samba? É, quando você vê, está sambando, mesmo sem saber! Portanto, mesmo que conscientes, não estamos totalmente conscientes das mudanças que acontecem em nosso próprio cérebro, e aí vai um longo caminho para explicar o complexo mecanismo de resposta comportamental das pessoas aos estímulos externos.
Agora me recordei de um documentário sobre o bocejar, quando alguém boceja próximo a você, é difícil também não bocejar. Você pode até tentar parar, mesmo assim continua bocejando. Quanto mais você pensa em tentar não bocejar, mais difícil torna-se não bocejar.
Não é desconhecido também que certos pregadores carismáticos usam truques nestas circunstâncias. Um leve choque elétrico é suficiente para convencer, até mesmo um cético endurecido, de que algo incomum realmente aconteceu. Às vezes, o aparelho que descarrega essa energia elétrica está escondido em uma cruz de madeira decorada ou nas mãos. Os olhos dos espectadores seguem a mão que toca a cabeça, sem saber que o pregador está descarregando o choque elétrico não com a mão que toca a cabeça, mas, com a outra que toca outra parte do corpo mais baixo. Para o destinatário, a sensação é tão rápida que é indistinguível.
Fico surpreso com a facilidade com que algumas pessoas são enganadas, e muito agastado com aqueles que usam a religião como uma ferramenta para usando a espiritualidade enganar os crédulos para seus próprios objetivos obscuros e nefastos.


Eduardo G. Souza